O Ministro da Cultura José António Pinto Ribeiro e os portugueses estão de parabéns ao recuperarem esta peça para o seu património artístico.25.06.2008 - 14h47 Lusa (Público) Em Linha
O quadro neoclássico português "A Súplica de D. Inês de Castro", de Francisco Vieira, foi hoje comprado pelo Estado portugues num leilão em Paris por 210 mil euros."O quadro foi comprado pelo governo português com o apoio de um particular e vai para o Museu de Arte Antiga, em Lisboa", disse à agência Lusa a conselheira cultural da Embaixada de Portugal em França, Fátima Ramos. Em Lisboa, fonte do ministério da Cultura confirmou à Lusa a aquisição do quadro e anunciou que o ministro, José António Pinto Ribeiro, adiantará mais pormenores numa conferência de imprensa hoje à tarde. "A Súplica de D. Inês de Castro" foi executado para o Palácio da Ajuda e o seu rasto perdeu-se desde 1807, altura em que foi levado para o Brasil pela Corte Portuguesa, tendo permanecido no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, até à proclamação da república no País, regressando à Europa, como sucedeu a muitas peças de arte da família real, reaparecendo agora em Paris. Nascido no Porto, em 1765, Francisco Vieira de Matos escolheu como nome artístico Vieira Portuense, estudou em Lisboa e em Roma, e foi um dos introdutores do neoclassicismo na pintura portuguesa. Adoeceu com tuberculose e mudou-se para a Madeira, onde morreu com apenas 39 anos.
O presidente do Grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga (GAMNAA) disse hoje estar muito satisfeito com a aquisição: "Fico muito feliz por ter sido recuperada uma obra fundamental para o património português", disse à Agência Lusa José Blanco, sublinhando o valor da obra neoclássica. Para o presidente do GAMNAA, "é um grande dia para o património português", não só pela aquisição, mas também porque irá juntar-se a outras obras de Vieira Portuense já existentes no Museu Nacional de Arte Antiga. José Blanco tinha enviado uma carta na semana passada, em nome do GAMNAA, ao ministro da Cultura dando conhecimento da venda, prevista para hoje, e manifestando apoio a "todos os esforços" que o Governo português entendesse para adquirir a pintura. O responsável comentou à Lusa que esperava até que o quadro atingisse um valor superior no leilão de hoje. Por outro lado, ficou satisfeito por ter surgido um particular a apoiar o Estado na compra da pintura.




25.06.2008, António Marujo (Público)
Há alguns anos, o actual director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, Peter Stilwell, fizera a mesma proposta. Ontem, Reis considerou que o analfabetismo religioso "é tanto mais preocupante quanto é certo que a nossa sociedade é cada vez mais multicultural e que conhecer o outro é essencial para conviver" em tolerância. Sobre a laicidade, tema do debate da manhã, António Reis defendeu que ela é um "princípio fundamental da liberdade religiosa", mas não deve ser tomada "como bandeira ideológica de grupos de cidadãos". "Pode haver não-crentes e ateus muito mais anti-laicos do que alguns crentes. São os que pretendem fazer do seu ateísmo uma ideologia do Estado", afirmou. A ideia de laicidade, sublinhou, não é património apenas de ateus, agnósticos ou não-crentes. Nem a pertença a uma confissão religiosa tem que ser anti-laica. Na mesma linha, o Estado laico "não é crente, não é descrente, não é anti-crente, mas acrente". O grão-mestre disse que se opõe a "certas práticas radicais do Estado laico". Citou a proibição do véu islâmico nas escolas decretada em França ou o uso de símbolos religiosos ou não-religiosos. "Proibir é tão grave como obrigar", disse. Mas advogou o direito a criticar as religiões, como no caso das caricaturas de Maomé. António Reis afirmou ainda que "seria uma discriminação inaceitável" o Estado proibir qualquer manifestação pública das religiões, confinando-as ao seu espaço interno. Com isso, o Estado "estaria a limitar a liberdade de expressão". Reis fez uma espécie de mea culpa em relação à I República: "Houve evidentes exageros" na aplicação e nalguns dispositivos da Lei de Separação de 1910. "Uma confissão religiosa livre num Estado neutro deve ser o princípio a respeitar. O que se passou na I República foi mais uma Igreja suspeita num Estado vigilante. "No mesmo debate, participou o historiador italiano Agostino Giovagnoli, membro da Comunidade de Santo Egídio, grupo católico que mediou o processo de paz de Moçambique. Giovagnoli defendeu a colaboração entre crentes e não-crentes para decidir sobre as várias questões alvo de contestação religiosa: "Há a necessidade de mais religião e mais laicidade e da contribuição do maior número possível de crentes e não-crentes." 











