quarta-feira, 23 de julho de 2008

Preço do petróleo continua a descer

Sinais de bom augúrio; retira qualquer pretexto externo justificativo da estagnação económico e da crise social. Manter-se-á a tendência? Diminuirá o desemprego? Aumentará o crescimento económico? Teremos salários menos miseráveis? Na verdade quem garante que os preços do petróleo vão continuar a subir, ou que estão para ficar, como alguns têm afirmado como se recebessem, a propósito, informação divina. Aliás, quem garante que os preços do petróleo vão necessariamente continuar a subir não pode falar a sério, senão não defenderia a necessidade de um novo aeroporto na região de Lisboa.
23.07.2008 - 10h11 Reuters, PÚBLICO
O preço do petróleo de “Brent” cotado em Londres continuava hoje de manhã a sua marcha descendente das últimas semanas e baixava quase dois dólares (1,27 euros), para 127,62 dólares (81 euros) o barril, acompanhando a evolução da procura mundial. Em Nova Iorque, o preço do petróleo “light” recuava dos 127 dólares o barril, beneficiando da diminuição da procura energética dos principais consumidores mundiais e da redução do impacto da tempestade tropical no Golfo do México.
Apesar do aumento do valor do dólar em relação às principais divisas mundiais, o preço da principal matéria-prima internacional continuava a demonstrar tendência para se ajustar em baixa, porventura à procura de novos pontos de equilíbrio. A Reuters adianta ainda outra explicação para esta tendência: há investidores que podem estar a considerar o petróleo um investimento menos atractivo e parte do dinheiro que afluiu para esta matéria-prima no último ano pode, agora, estar a ser desviado para outros alvos.
A 11 de Julho, o preço do petróleo em Nova Iorque atingiu o valor recorde de 147,27 dólares (93,48 euros) o barril, mais 20 dólares (12,70 euros) do que o preço de hoje, e a subida no ano cifra-se em 30 por cento, em comparação com 2007.

Hugo Chávez convida Rússia a instalar bases militares em território venezuelano

23.07.2008 - 09h34 Agências (Público)
O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convidou a Rússia a instalar bases militares de apoio em território venezuelano, informou a agência noticiosa russa Interfax, em Moscovo, onde o chefe de Estado venezuelano se encontrou com o Presidente russo.
“A Rússia tem suficiente potencial para garantir a sua presença em diferentes partes do mundo. Se as Forças Armadas russas quiserem instalar-se na Venezuela, serão recebidas calorosamente”, indicou o socialista Chávez.
Tendo em vista a polémica instalação de um escudo de defesa antimíssil norte-americano no centro da Europa, Moscovo tinha ameaçado Washington com uma retaliação, que poderá agora residir nesta estratégia.
A Rússia está contra a instalação de um escudo de defesa americano na República Checa e na Polónia, afirmando que se sente ameaçada. Na segunda-feira, o diário moscovita “Izvestiya” assegurou que a Força Aérea russa estaria a estudar trasladar bombardeiros de longo alcance para Cuba, em resposta ao sistema de defesa antimíssil norte-americano, passados quase 50 anos da crise da Baía dos Porcos.
Chávez terá argumentado que a Venezuela tem tão boa posição estratégica como Cuba. “Içaremos as bandeiras, bateremos nos tambores e cantaremos canções porque os nossos aliados chegaram, com quem partilhamos a mesma visão do mundo”, afirmou o socialista Chávez numa conferência de imprensa.
O líder venezuelano deslocou-se a Moscovo – antes de chegar hoje a Lisboa – para assinar acordos de cooperação energética com a Rússia mas também para deixar claro que, frente àquilo que chamou de “planos agressivos” por parte dos Estados Unidos, o seu país está em “processo de rearmamento das suas Forças Armadas”.
“Já temos fechado o negócio dos caças russos Su-30”, assinalou Chávez na mesma conferência de imprensa, acrescentando que a Venezuela também “trabalha na integração do seu sistema antiaéreo, que irá garantir a segurança a curto, médio e longo alcance”, processo no qual é assistido pela Rússia e pela Bielorússia.

Sobem roubos de hipermercados

Cuidado que quem rouba um milhão vai a barão, mas quem rouba um pão... vai para a prisão...
(Público)23.07.2008 - 08h46 Raquel de Almeida Correia
Os roubos nos supermercados e hipermercados em Portugal estão a aumentar desde 2004 e no ano passado atingiram mais de 66 milhões de euros, cerca de 0,53 por cento dos 12.500 milhões de euros de receitas obtidas por estes estabelecimentos.
O valor de 2007 é o mais elevado desde 2003, ano em que a economia portuguesa se encontrava em recessão, e representa um crescimento de mais de 12 milhões de euros ou 23 por cento, face a 2006. Os valores dos furtos nestes estabelecimentos, ou das perdas desconhecidas, como são classificados no sector da distribuição, resultam de um estudo da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), que teve em conta os resultados de oito dos maiores operadores do sector. José António Rousseau, director-geral da APED, considera que "a crise económica poderá ser uma das justificações" para esta tendência, mas "o aumento do crime organizado e violento" é outro dos motivos apontados. Isto apesar de os operadores "estarem continuamente a reforçar a segurança dos seus estabelecimentos", aumentando os custos com a criação de espaços de venda específicos ou a utilização de embalagens mais resistentes para produtos mais sensíveis, por exemplo.
O mesmo responsável explica ainda que os furtos "são cometidos, em fatias iguais, por trabalhadores e por consumidores". Grande parte dos extravios é praticada "de forma organizada", existindo uma percentagem pouco expressiva de actos isolados. "Os produtos de pequena dimensão com valor acrescentado são os mais susceptíveis de extravio", acrescentou o responsável.
Grupo que inclui cosméticos, perfumes, pilhas e até lâminas de barbear. Já os métodos são "os mais variados".

"Elisa Ferreira pode recusar", diz ex-membro do PS-Porto

(Público) "23.07.2008, Margarida Gomes
Contra aqueles que no "PS-Porto usurpam o poder" e "decidem tudo nas costas dos militantes", José Neves, que já fez parte da comissão política da federação distrital portuense, levantou ontem reservas à forma como as estruturas do partido estão conduzir o processo autárquico no Porto.
José Neves disse mesmo temer que a "estratégia seguida possa levar a ex-ministra Elisa Ferreira a recusar o convite para se candidatar à Câmara do Porto"."A distrital decidiu a candidatura à Câmara Municipal do Porto com a direcção nacional do partido sem consultar a concelhia que, até agora, também ainda não deu sinal no sentido de propor o seu nome. Dá a ideia que a querem queimar em lume brando", insurgiu-se.
Apoiante da candidatura de Pedro Baptista à liderança da Federação do Porto do Partido Socialista, José Neves denuncia a "forma ditatorial" como o líder da distrital, Renato Sampaio, se comporta e diz que "o PS no Porto é hoje um partido castrado, contra a vontade de muitos militantes".
Em declarações ao PÚBLICO, José Neves, que presidiu à comissão política da concellhia do PS do Marco de Canveses, diz ainda não compreender a passividade da concelhia liderada por Orlando Soares Gaspar, perante uma questão tão importante como a escolha do candidato à Câmara Municipal do Porto. E não resiste também a censurar os dirigentes socialistas da Invicta: "A concelhia não passa de um verbo-de-encher, não tem voz activa", dispara.
José Neves aproveita para denunciar as "represálias" que, em seu entender, os militantes do partido sofrem sempre que põem em causa o statu quo instalado: "Quando algum de nós se revolta, vêm logo dizer que temos de estar calados, porque estamos a prejudicar a governação", protesta o militante, dizendo considerar que "as atitudes do dia-a-dia daqueles que lideram o partido no distrito não são próprias de um Estado democrata e nada têm a ver com um partido identificado com a liberdade e o debate".
Perante este quadro, José Neves olha para a candidatura de Pedro Baptista à distrital do Porto do PS como um sinal de esperança e proclama que o candidato que apoia, para além de ser uma "pessoa com ideias para o Norte, não se deixa manobrar".
Contactado pelo PÚBLICO, o actual presidente da Federação Distrital do Porto do PS, o deputado Renato Sampaio, recusou-se a comentar as acusações de José Neves.

Câmara do Porto aprovou demolição do Aleixo e privatização da recolha do lixo

(Público)23.07.2008, Jorge Marmelo e Patrícia Carvalho

Rui Rio promete dialogar com os moradores, mas a permanência destes no bairro está fora de questão. Providência cautelar avança a seguir à ratificação da assembleia municipal.
Havia ontem, enquanto estava reunido o executivo da Câmara do Porto, duas manifestações à porta dos paços do concelho: nas traseiras, um pequeno grupo do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local protestava contra a privatização da recolha de lixo, que vai, alegam os sindicalistas, aumentar as tarifas e fragilizar os vínculos contratuais dos trabalhadores; diante da fachada principal, cerca de meia centena de moradores do Bairro do Aleixo (mulheres, crianças e Superdragões) entoavam palavras de ordem contra a proposta que prevê a demolição das cinco torres de habitação social.
Num caso e no outro, os protestos de nada valeram, já que as duas propostas foram aprovadas, com os votos favoráveis da maioria e do PS e com o voto contra, isolado, da CDU.
Esta posição levou os manifestantes a vitoriarem o deputado municipal Artur Ribeiro, que esteve no exterior a explicar a posição dos comunistas.
Pouco antes, num directo para um canal de televisão, já Rosa do Aleixo tinha lançado a candidatura do ex-presidente de câmara Nuno Cardoso às próximas eleições municipais. "Vai ser o próximo presidente da câmara", garantia. O actual, lá dentro, devia ter as orelhas a arder. "Mentiroso", "Bin Laden", "traidor" e "exterminador social" foram apenas alguns dos "mimos" que os manifestantes dedicaram a Rui Rio.
Na sala de reuniões, a análise da proposta foi interrompida, perante o aviso de Rui Sá que, em lado algum, estava descrita a obrigatoriedade de realojar 20 por cento dos moradores na Baixa. Clarificada a percentagem, a votação continuou. O grupo vindo do Aleixo acabou por concentrar a atenção dos jornalistas e do corpo policial mobilizado, mas quando, cerca das 13h30, os vereadores aprovaram a demolição do bairro, a reacção foi frouxa. As crianças tinham já começado a destruir os cartazes aos pés da estátua de Almeida Garrett, sobretudo aqueles em que se lia a frase "Rui Rio [com um insulto colado ao nome] só vês o cif$ão", que entretanto tinham sido escondidos. Consumada a derrota, os manifestantes, então já em número bastante reduzido, juntaram os cartazes que sobraram das brincadeiras dos petizes e abandonaram o local, não sem antes garantir que a contestação vai continuar já hoje, durante a assembleia municipal (AM) em que a proposta será ratificada. "Está aprovado? Então o bairro vai abaixo?", perguntava, desanimada, Rosa Teixeira, a célebre líder da Associação de Promoção Social da População do Bairro, "Rosa do Aleixo, comendadora", conforme fazia questão de se apresentar."A justiça serve para alguma coisa", comentava um dos manifestantes, aludindo à providência cautelar que deverá ser apresentada após a aprovação da demolição do bairro em AM.
Até esse momento, Tiago Machado, o advogado, explicara pela enésima vez a intenção de suspender o processo pela via legal, obrigando a câmara a discutir uma solução consensual que permita aos moradores continuarem a viver onde sempre viveram."
"No final da reunião de câmara, Rui Rio não prometeu consenso, mas garantiu diálogo. "Haverá diálogo e as preferências das pessoas do Aleixo serão atendidas, desde que seja possível", garantiu.
Para a estrutura concelhia do PS, a proposta de Rui Rio para o Aleixo resume-se a "uma promessa eleitoral" a concretizar até 2013, o que o presidente local dos socialistas, Orlando Soares Gaspar, considera "demasiadamente pouco" ao fim de oito anos de mandato.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Aquele Santo chamado Salazar...

Em relação ao texto da notícia abaixo: Namoro platónico com Christiane Garnier? A famosa autora da não menos famosa obra "Mes vacances avec Salazar", propaganda tão estrita que nem as dicas de Paul Valéry aquem o António Ferro pagava à linha, com o nosso dinheiro, os encómios ao Manholas? Não é o que se retira da biografia feita pelo amigo Franco Nogueira, sobretudo em relação às passagens de ano! E se o "amor" era platónico, para que teve o António de lhe arranjar marido? E contudo o "salvador da pátria" era casto, "casado com a pátria", uma vida inteira de simulação e de apologia da hipocrisia. Assim foi educado o Portugal de 1930 a 1970. Quantos resquícios não andam por aí, na vida quotidiana e no quotidiano político, nas relaçpões directas e nas farsas dos ecrãs?... Smile, filho, smile!
(DN) 22.07.2008
Primeiro a mini-série, em Setembro, depois o filme sobre a vida íntima e amorosa de um homem que gera, ainda hoje, ódio e amor. Foi justamente o amor de quatro mulheres com quem o governante privou que fez a SIC e a VC Filmes revelarem 'A Vida Privada de Salazar'
O homem que durante 40 anos conduziu os destinos do País tinha, afinal, uma vida privada cheia de paixões. Os seus biógrafos têm-no dito, sobretudo em livro, mas a mini-série para televisão, seguida de filme, produzida pela Valentim de Carvalho Filmes para a SIC, vai mostrá-lo. Já se conhecia o episódio do namoro platónico com a francesa Christiane Garnier, encarnada pela actriz luso-belga Helena Noguerra, que no Verão de 1951 veio a Portugal fazer-lhe uma entrevista e acabou numa longa estada no retiro do Vimieiro. Mas desconhecia-se-lhe, por exemplo, o relacionamento com Maria Emília Vieira, uma cartomante, encarnada por Soraia Chaves. "Era uma mulher à frente no seu tempo - vestia calças, andava a cavalo no Chiado, fazia tiro ao alvo, ia a bares -, era uma alma livre, segura, mas irreverente, extravagante, boémia. Conhece Salazar porque lhe traça cartas astrais", pois o ditador "recorria a ela para tomar algumas decisões impor- tantes da governação", definiu assim Soraia Chaves a sua personagem.A actriz que assegura ser este papel tão carregado de sensualidade como os dos seus trabalhos anteriores, confessa que ficou "bastante surpreendida e satisfeita com a personagem". Já em relação ao ditador, protagonizado por Diogo Morgado, salientou esse lado íntimo e desconhecido que os portugueses poderão agora conhecer."Maria Emília Vieira adivinhou o atentado de que Salazar ia ser alvo quando ia para a missa", conta um pouco mais Diogo Morgado sobre esta mulher, que ao mesmo tempo é reveladora do lado místico do governante. Quer esta quer as outras quatro mulheres retratadas na produção da SIC "fazem a história evoluir. Cada uma delas chega a um Salazar cada vez mais envelhecido", acrescenta o actor, que diz ser este seu trabalho "curioso e exaustivo". Curioso, porque desconhecia a vida íntima da personagem que encarna, e exaustivo, porque tem feito uma pesquisa igualmente intensa. Dos cinco livros disponíveis, leu "apenas dois" - o de Felícia Cabrita (Amores de Salazar) e o de Fernando Dacosta (As Máscaras de Salazar) -, além de ver o documentário de Inês de Medeiros (Cartas a Uma Ditadura). À pergunta "o que pensa do ditador?", o actor não responde, alegando que "passou ainda muito pouco tempo". Em vez disso diz que foi estranho ver-se com mais anos em cima, fruto do latex e da maquilhagem de três horas, sobretudo nas cenas acima dos 26 anos, "quando [Salazar] sai de Coimbra e assume a pasta das Finanças". Do elenco desta minissérie que passa por quatro épocas, que vão dos anos 20 à década de 50 do século passado, fazem ainda parte Cláudia Vieira, Margarida Carpinteiro, Maria João Pinho, Catarina Wallestein, Virgílio Castelo, Filipe Vargas, Benedita Pereira, Ana Padrão, entre outros, num total de 40 actores. A realização está a cargo de Jorge Queiroga, a produção é de Manuel S. Fonseca. A história é de Pedro Marta Santos, que também participou no argumento com António Costa Santos. A série A Vida Privada de Salazar, composta por dois episódios de 90 minutos cada, tem estreia prevista para o final de Agosto ou princípios de Setembro. "Uma série desta natureza ensina-nos a olhar para as grandes figuras da história portuguesa, tendo esta marcado para o bem e para o mal, além de que nos dar a conhecer um modelo de sexualidade masculina e do seu impacto em mulheres de diferentes condições sociais e diferentes personalidades", defende Manuel S. Fonseca.O filme chegará às salas em 2009. E "não se trata da mesma história condensada", defende Jorge Queiroga, adiantando que tem duas lógicas narrativas diferentes. "A perspectiva da mini-série é dada por uma mulher [Maria João Medeiros] e no filme, com cenas adicionais, haverá outro olhar..."

Trabalhadores do lixo manifestam-se junto à CMP

E na verdade quem nos explica que vantagem tira a cidade com a privatização dos lixos, quando toda a gente percebeu que, se a recolha está má, é porque os dirigentes (ou seja o Dr. Rio) não sabem conduzir os serviços e pretendem chegar a uma situação de crise que justifique a almejada privatização? Quem não conhece já esta música? Por que de repente (ou seja no mandato riista) a cidade está imunda e os serviços se tornaram deficientes? A cidade não lucra nada com a privatização. Quem lucrará? Quem se perfila para a negociata, mais uma? E será só entre os "compagnons" do Dr. Rio? Como se sabe o lixo atrai muita gente...

(JN) 22.07.08 Em Linha Cerca de duas dezenas de pessoas estão a protestar, esta manhã, junto à Câmara do Porto contra a privatização da recolha de lixo que a autarquia está a preparar.
A concentração é promovida pela do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL). Entre os manifestantes, que se concentram nas traseiras da sede da autarquia, contam-se o coordenador da União de Sindicatos do Porto, João Torres e a deputada municipal do Bloco de Esquerda, Alda Macedo.
No local de concentração pode ver-se uma faixa negra com os dizeres "Privatização do lixo, não".
Em declarações aos jornalistas, o dirigente do STAL João Avelino afirmou que a "decisão da Câmara do Porto de concessionar a recolha de resíduos sólidos a privados "vai complicar muito a vida à população, porque aumentará os preços da recolha".
"Não traz nenhuma vantagem para a cidade", disse.
Avelino sublinhou que "a maior preocupação" do STAL é com os trabalhadores camarários que vão prestar serviço nas concessionárias de recolha de lixo em situação de requisição.
"Com a nova legislação laboral, a partir de Janeiro, poderão ter o vínculo à Função Pública suspenso durante o período de vigência da concessão", alertou.
A proposta para a concessão da recolha de lixo é apresentada hoje de manhã, em sessão privada de Câmara, prevendo-se a adjudicação da Zona A à empresa espanhola GSC, SA e da Zona B à portuguesa SUMA SA, vencedoras dos respectivos concursos.
No dia seguinte, esta proposta será apresentada na sessão da Assembleia Municipal do Porto, que começa às 20:30.
O sindicato também já marcou, para a noite de quarta-feira (20:30), um novo protesto no mesmo local.
As duas concentrações foram convocadas, segundo o STAL, "para que os senhores vereadores e os senhores deputados municipais saibam, antes de tomarem a sua decisão, que os trabalhadores não estão de acordo com esta privatização da recolha de lixo".

Providência cautelar contra demolição do Aleixo

(JN) Em Linha 22.07.08
Os moradores do bairro do Aleixo, Porto, cujas cinco torres Rui Rio pretende demolir, vão apresentar uma providência cautelar, esta semana, para suspender o processo.
"Vai ser de certeza ainda esta semana", disse à Lusa o advogado Tiago Machado que representa a maioria dos moradores. O causídico acrescentou que a medida pretende "defender os direitos das pessoas que querem continuar a morar no bairro, muitas há mais de 30 anos".
"O que a câmara quer é deslocalizar as pessoas, retirá-las das suas casas e mandá-las para outras zonas da cidade que ainda não se sabe quais são", disse.
O advogado referiu ainda que a providência cautelar pretende suspender este processo para obrigar o executivo municipal a reunir-se com os moradores para se encontrar uma solução de consenso".
"Numa situação como esta há que falar com as pessoas não se podem tomar decisões unilaterais", frisou.
O advogado disse-se "consciente" de que há moradores que querem sair do bairro mas sustentou que "a maioria pretende ficar".
A Câmara do Porto está a analisar um plano de requalificação do bairro do Aleixo, que prevê a criação de um fundo de investimento imobiliário com parceiros privados para o aproveitamento daquele terreno sobranceiro ao rio Douro.
O plano, apresentado por Rui Rio em meados de Julho, tem a aprovação assegurada pelos votos da maioria PSD/CDS no executivo municipal, mas o vereador comunista, Rui Sá, pretende apresentar uma proposta alternativa que mantenha os moradores no bairro, apesar de também admitir a demolição das actuais torres.
Tiago Machado criticou ainda o contingente policial que está visível nas imediações da autarquia "por não ser necessário".
Segundo a Lusa constatou no local encontram-se visíveis cerca de duas dezenas de agentes da PSP, Polícia Municipal e Divisão de Trânsito.

Moradores manifestam-se contra a demolição do Aleixo

Ver a nossa posição, tomada quinta-feira passada, dia 17. É tudo muito lindo, está tudo muito bem, mas o realojamento é para se fazer nos mesmos terrenos, pois a segunda geração, tal como a terceira, já são dali oriundos e têm o mesmo direito a sua paisagem que os que querem andares de luxo cvom vista para a foz do rio. Sabemos que tal pode estar a estragar a negociata mas não estamos cá para as negociatas antes pelo contrário. O que não quer dizer que quem quer sair não possa sair e que não possa entrar habitação que gira mais diversidade e riqueza social, sobretudo no que possa ter incidência educativa e promoção social. Nunca percebemos qual a ideia de retirar equipamentos sociais como a escola primária do Bairro: não passa de uma desistência, de uma solução fácil, facilitista. Não é a mesma coisa que engendrara um exame de matemática para ter sucesso a "ferros" mas sem glória. Também, entendemos que os traficantes devem ser banidos da habitação social, mas é preciso provar, nos termos do Estado de Direito, que o são, não basta uma queixinha à moda da PIDE, pois isso era nos tempos da PIDE.
(JN) Em Linha 11h05m
Um grupo de cerca de meia centena de moradores do bairro do Aleixo está a manifestar-se frente à câmara do Porto, enquanto no interior o executivo decide, em sessão privada, o projecto de requalificação do barro.
Os manifestantes empunham cartazes onde se lê "Rio exterminador social", "Rio igual a Bin Laden" e "Cansados de ser discriminados". O grupo, muito barulhento, grita muitas palavras de ordem, nomeadamente "Aleixo unido jamais será vencido" e "Rui Rio cabrão, só vês o cifrão".
Em declarações aos jornalistas, a presidente da Associação de Promoção Social da População do Bairro do Aleixo (APSBA), Rosa Teixeira, disse esperar que o presidente da Câmara receba os representantes daquela estrutura.
A dirigente associativa contesta a anunciada demolição do bairro e realojamento dos 1.300 moradores noutros locais, em parceria com privados.
"O dinheiro que ele vai receber do terreno chega para construir casas para quem queira ali ficar", disse.
"Ele não pode pagar as dúvidas da Câmara do Porto com o dinheiro do Aleixo", acrescentou.
Rosa Teixeira afirmou também que se Rui Rio não receber representantes dos moradores, a APSBA vai tentar travar o processo com uma providência cautelar e "fazer tudo o que for preciso para defender os interesses dos moradores".
A Câmara do Porto está a analisar um plano de requalificação do Bairro do Aleixo, que prevê a criação de um fundo de investimento imobiliário com parceiros privados para o aproveitamento daquele terreno sobranceiro ao rio Douro.
O plano, apresentado por Rui Rio em meados de Julho, tem a aprovação assegurada pelos votos da maioria PSD/CDS no executivo municipal, mas o vereador comunista, Rui Sá, pretende apresentar uma proposta alternativa que mantenha os moradores no bairro, apesar de também admitir a demolição das actuais torres.
Numa reacção inicial à proposta da autarquia, Rui Sá tinha considerado "preocupante" que se entenda que "os moradores dos bairros sociais não têm direito a viver nas encostas sobre o Douro", numa alusão à localização do bairro.
Esta proposta do vereador comunista é semelhante à que o anterior presidente socialista da autarquia, Nuno Cardoso, fez em 2001 e que também defendia a demolição das cinco torres e a manutenção dos moradores no bairro, a par da construção de habitação privada.

Soraia Chaves em mini-série sobre Salazar

Como ninguém consegue enganar toda a gente durante todo o tempo, nem os melhores na arte de enganar e temo-los tido dos bons, passo a passo, ano a ano, têm-se vindo a conhecer os verdadeiros traços do nosso Salvador durante 40 anos de ditadura de terror. O Santo, casto, papa-hóstias e escorripicha-galhetas, nunca passou afinal dum mulherengo vulgar, com a agravante de cultivar a hipocrisia até ao mais ínfimo pormenor, ao serviço da sua única verdadeira e profunda causa, muito mais importante do que qualquer crença religiosa ou política: ele, ele, ele; o seu poder pessoal. Toda a estratégia, todo o gesto político, foi executado com esse objectivo. O seu instrumento privilegiado foi o culto da hipocrisia, assim encobrindo a sua vida sexual desregrada e sempre oculta. A revista Time esteve proibida de entrar em Portugal durante 10 anos por o revelar. O problema maior é saber até que ponto quase meia-década de farsa passou, no plano educacional e psicológico para duas ( ou mais) gerações de portugueses. Cada um de nós, criado nesse tempo tem de estar todos os dias vigilante pois pode ter de matar o Salazar que ficou em cada um de si e em cada um do outro.
De resto esperamos que a estreia da versão cinematográfica ocorra em Santa Comba com uma exposição de peças íntimas coleccionadas pelo ditador como recuerdos das suas conquistas.


(JN) 22.07.08 ANA GASPAR
"A vida privada de Salazar" olha para a intimidade do homem que durante quatro décadas comandou o país.
A imagem de Salazar "casado com a pátria" cai por terra com os inúmeros casos amorosos que a história começa agora a revelar.
Contrariamente ao que seria de esperar de uma personalidade vincadamente católica, António de Oliveira Salazar também era supersticioso. E quando sobreviveu a um atentado, em 1937, procurou resposta nas estrelas. Maria Emília Vieira, mulher avançada para o seu tempo, foi a astróloga que se cruzou no seu caminho e além de ser chamada para aconselhar o ditador nas decisões mais importantes, tornou-se também numa das suas amantes.
Diogo Morgado e Soraia Chaves interpretam as duas figuras na mini-série que a SIC apresentou ontem, em parceria com a Valentim de Carvalho Filmes. "A vida privada de Salazar" é uma obra de ficção baseada em livros e estudos sobre o ditador, mas para a qual também foi também feita uma investigação intensiva por parte da produção.
Em dois episódios, de 90 minutos cada, com estreia prevista para a próxima temporada televisiva, a mini-série percorre quatro décadas e outros tantos relacionamentos de Salazar: Felismina Oliveira, que o leva a deixar o seminário, Júlia Perestrelo, a menina rica a quem dava explicações, Maria Emília Vieira, a astróloga, e Carolina Asseca, a aristocrata com quem se esteve quase a casar.
Mas muitas outras mulheres ocuparam o universo feminino de Oliveira Salazar, como a incontornável governanta Maria ou a jornalista francesa Christine Garnier. "Cada personagem feminina chega a um Salazar cada vez mais envelhecido. Mas não é a idade que o molda, são as pessoas e os episódios por que ele vai passando", adiantou Diogo Morgado, explicando que o guião retrata o ditador em cinco idades diferentes: aos 16, aos 26, aos 48, aos 62 e aos 78 anos.
Sem revelar valores, o director de Programas, Nuno Santos, disse que esta produção é "um dos maiores investimentos da SIC para a próxima temporada" e que a estação não teria condições para erguer este projecto sem parceiros. A Valentim de Carvalho também investiu no projecto que foi ainda financiado pelo Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA).
"A vida privada de Salazar" terá uma versão cinematográfica, que deve estrear em 2009.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Valongo: PS exige "urgente melhoria" dos centros de saúde de Ermesinde, Alfena e Valongo

16h10m (JN) Em Linha 21 Jul 08(Lusa) - O PS/Valongo defendeu hoje a "urgente" melhoria das instalações do Centro de Saúde de Ermesinde e novas instalações para os de Alfena e Campo como forma de melhorar os cuidados de saúde naquele concelho.
Afonso Lobão, porta-voz da Comissão Política Concelhia do PS/Valongo falava no final de uma reunião daquela estrutura dedicada ao estado dos serviços de saúde no concelho, que conclui pela urgência de investir nos equipamentos de saúde do município.
"Em primeiro lugar, urge melhorar as instalações do actual Centro de Saúde de Ermesinde, de forma a dotá-lo de maior funcionalidade e melhor qualidade no atendimento", afirmou o responsável.
Afonso Lobão considerou como "premente a necessidade de encontrar novos espaços que substituam as péssimas instalações do Centro de Saúde da Vila de Alfena", assim como a construção de um novo Centro de Saúde na Vila de Campo, "cujos serviços funcionam, há largos anos, em pré-fabricado".
"O secretário de estado da Saúde, Manuel Pizarro, enquanto deputado, teve oportunidade de constatar esta realidade e estamos certos que o Governo fará incluir, no PIDDAC 2009, as verbas necessárias para a concretização dos projectos", sustentou o responsável.
Afonso Lobão apelou à Câmara de Valongo e às juntas de freguesia envolvidas para que "dêem o seu contributo para a supressão das dificuldades, cedendo os terrenos adequados".
"Só assim se avançará mais rapidamente", frisou.
O responsável do PS/Valongo elogiou ainda "o bom andamento das obras em curso na nova Urgência do Hospital de Valongo, que envolvem mais de um milhão e meio de euros".
"Vai seguramente traduzir-se numa melhoria significativa da qualidade do atendimento aos cerca de 100.000 utentes daquela unidade", frisou.

"Quinta do Ambrósio" à espera de acusação

(DN) 21.07.08 O presidente da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro, pode voltar a tribunal, agora no âmbito processo conhecido como "Quinta do Ambrósio". A investigação está à beira de ficar concluída.
Caso o autarca seja de novo condenado, poderá ter de cumprir pena de prisão.
Em causa está um negócio de compra e venda, realizado em 2001, de um terreno na freguesia de Fânzeres, concelho de Gondomar, que envolveu o filho do major, Jorge Loureiro, José Luís Oliveira, na altura vice presidente na câmara (também condenado a semana passada a três anos de prisão, com pena suspensa, no âmbito do processo "Apito Dourado"), e Laureano Gonçalves, advogado e ex-dirigente do Boavista.
O procurador Carlos Teixeira, que instaurou o processo "Apito Dourado", está de saída para exercer funções na Madeira, mas tudo indica que antes de abandonar Gondomar deixará o despacho de pronúncia concluído.
Valentim Loureiro sempre negou qualquer intervenção neste negócio polémico, embora os antigos proprietários da Quinta do Ambrósio garantam que foi o autarca, na altura também presidente da Metro do Porto, que negociou directamente os terrenos com a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP).
Um dos administradores da STCP terá dito à Polícia Judiciária que participou na reunião onde Valentim Loureiro fixou o preço final a pagar pelo terreno, que iria servir para a construção de uma estação de recolha de autocarros, nunca construída.
O Ministério Público poderá acusar Valentim e os outros intervenientes dos crimes de abuso de poder e prevaricação. O terreno, comprado por um milhão de euros, afecto à Reserva Agrícola Nacional, foi desafectado seis dias após compra e vendido por quatro milhões.

Deputada socialista abandonou plenário para não chumbar convenção

A Celeste Correia tem toda a razão eu não participar em votações contra os direitos humanos e as Convenções da ONU nesse sentido, em que ela tem razão e o partido não, mas é incompreensível o abandono da sala em nome de uma disciplina partidária que só existe porque os deputados não querem arriscar o "seu futuro de deputados" dentro do partido e é manifestamente anticonstitucional, pois põe em causa o essencial do funcionamento da AR: a liberdade do deputado para votar de acordo com a sua convicção. Caso contrário não servem para nada e mais vale despedi-los, ficando apenas cinco, cada um com o número de votos do partido. Lembramo-nos aliás das sábias palavras de Alberto Martins há uns anos, ocupando com mérito parangonas num semanário: " O deputado deve ser livre". A questão é que o é. Só não o é, quando não quer e pelas piores razões. Já assistimos ao espanto de quatro deputados votarem a favor de um documento com a declaração de voto expressa de que eram contra! Nem o presidente da AR deveria permitir no hemiciclo um circo quejando! Com o facto de ser Secretária da Mesa ou membro da Direcção Parlamentar aplica-se o mesmo. Para o caso é inteiramente irrelevante..

Público)21.07.2008, Sofia Branco
PS votou contra projecto de resolução do PCP que recomendava a aprovação do documento da ONU, em cujas negociações Portugal participou activamente.
A secretária da mesa da Assembleia da República e deputada socialista Celeste Correia abandonou o plenário no momento da votação que chumbou a ratificação, por Portugal, da convenção das Nações Unidas sobre os direitos dos trabalhadores migrantes e das suas famílias.
Apesar de Portugal ter tido um papel muito activo nas negociações do documento internacional, que entrou em vigor a 1 de Julho de 2003, a sua ratificação tem sido protelada, à semelhança dos restantes países europeus.
A grande inovação da convenção é que fixa para os imigrantes em situação irregular a mesma protecção, no que toca a direitos fundamentais, dos imigrantes legais e garante o direito a viver em família e ao reagrupamento familiar.
Ora, no passado dia 11, o Partido Socialista voltou a inviabilizar a ratificação da convenção, agendada por um projecto de resolução do PCP. "A força jurídica a nível internacional deste instrumento é essencial no combate à exploração dos trabalhadores migrantes e das suas famílias e pode contribuir para a eliminação do recrutamento ilegal e tráfico de mão-de-obra", justificou o PCP. Os comunistas diziam ainda, no projecto de resolução, não ser "compreensível" que Portugal, que participou na elaboração da convenção da ONU, "ainda não tenha procedido à sua ratificação".
Ao que o PÚBLICO apurou, a deputada socialista Celeste Correia optou por abandonar o hemiciclo, sem realizar a votação, dado ser membro da direcção socialista e estar obrigada a disciplina de voto.
O PÚBLICO tentou saber, junto do ministro da Presidência, se a ratificação da convenção foi apenas adiada (e para quando) ou se foi mesmo afastada, mas não obteve resposta até à hora de fecho desta edição.
Já uma semana antes, numa intervenção em plenário, Celeste Correia manifestara reservas - embora, neste caso, em nome do grupo parlamentar socialista - face à Directiva do Retorno. Esta directiva, proposta pela Comissão Europeia e já aprovada no Parlamento Europeu, pretende harmonizar as regras para o repatriamento de imigrantes ilegais ao nível da União Europeia. Para que entre em vigor em 2010, os Estados-membros têm dois anos para adaptarem as respectivas legislações. Segundo a directiva, um imigrante ilegal que seja surpreendido pela polícia será instado a sair do espaço europeu num período mínimo de sete dias e máximo de 30. Caso resista, poderá ser detido por ordem administrativa, e já não de um juiz, e passar seis meses num centro de internamento ou 18 se o processo se complicar, antes de ser expulso. Os estrangeiros com menos de 18 anos e não acompanhados poderão ser também repatriados. O imigrante expulso também não poderá regressar ao país do qual foi repatriado durante cinco anos.
A aprovação desta directiva é "uma derrota para as organizações de direitos humanos", declarou Celeste Correia. "Nós, socialistas, não podemos nem queremos aceitar que a União Europeia aceite baixar padrões de protecção de direitos", vincou, apresentando alternativas: "maior ajuda ao desenvolvimento nos países de origem" e "abertura à migração circular e parcerias para a mobilidade".
Celeste Correia abandonou o hemiciclo por ser secretária da mesa da AR e estar obrigada a disciplina de voto

domingo, 20 de julho de 2008

Siné despedido, acusado de anti-semitismo,por tocar no filho de Sarkozy!


Vergonha! Ao que chegámos! Já dá para despedir o grande Siné? Para que servirá agora o Charlie Hebdo? E para que serve a acusação de anti-semitismo a todos os que não silenciam o jogo de alguns lóbis? Saudações ao nosso amigo Siné.

(DN) 20.07.08 Mais uma vez, a liberdade de expressão em discussão. E, mais uma vez, na origem do debate e da polémica está a revista satírica francesa de esquerda Charlie Hebdo, acusada agora de anti-semitismo, depois da publicação, por um dos seus cartunistas mais famosos, de uma crónica sobre o filho mais velho de Nicolas Sarkozy.
Siné, autor do texto, acabou despedido."Jean Sarkozy, digno filho do seu pai e já conselheiro-geral do UMP, safou-se com aplausos do seu processo por delito de fuga numa scooter. O Ministério Público pediu mesmo que fosse ilibado. É preciso dizer que o queixoso era árabe. E não é tudo: [Jean] acaba de declarar que pretende converter-se ao judaísmo antes de se casar com a sua noiva, judia, e herdeira dos fundadores da Darty. Irá longe na vida, este pequeno", escreveu o cartunista de 79 anos no início de Julho.
"As palavras sobre Jean Sarkozy e a sua noiva, além de invadirem a vida privada, espalhavam o falso rumor da sua conversão ao judaísmo. Mas, sobretudo, podiam ser interpretadas como fazendo a ligação entre a conversão ao judaísmo e o sucesso social, e isso não é aceitável nem defensável em tribunal", afirmou o director da Charlie Hebdo, Phillippe Val, que acusou Siné de ter "transgredido o limite". Depois de se recusar a assinar um pedido de desculpas preparado pelo director, Siné foi despedido.

A questão das torres

Com muitos pontos de acordo, a nossa opinião é diversa da do nosso amigo Rui Moreira; a reconstrução da Aleixo, sem torres, deve ser feita naquele próprio terreno e destinado às pessoas que lá se querem manter que são a grande maioria. Por nós, não haverá negociata. Todo o apoio aos manifestantantes da próxima terça-feira. De resto o filme é velho e relho, já o vimos inúmeras vezes entre nós e em todo o mundo.
E quanto aos espaços propiciados pela reconstrução no Centro Histórico (há-os realmente?), se não há pessoas interesssadas em ocupá-los, por que será?
(Público)20.07.2008, Opinião, por Rui Moreira
1. Já Nuno Cardoso defendia que o Aleixo só poderia ser resolvido através da implosão. Depois, quando Rui Rio foi eleito, o assunto ficou em águas de bacalhau até que se comprovou que as políticas aplicadas noutros bairros não vingam naquele modelo, que mais não é do que uma forma de "silagem" de pobres e indesejados em guetos verticais. Por isso, em Janeiro de 2007, Rio prometeu que apresentaria, antes do fim do mandato, uma solução para o bairro e confirmou-o, agora, com o anúncio de um concurso público para a escolha de um parceiro privado da câmara num fundo especial de investimento imobiliário. O que se propõe é uma permuta, em que esse fundo assume o encargo de realojar os moradores do bairro, a troco desses terrenos que estão numa localização privilegiada e terão, por isso, um considerável valor, depois de serem requalificados.
2. Apesar da actual debilidade do mercado imobiliário, é provável que haja interessados no projecto e será desejável que essa reabilitação seja articulada com a propriedade adjacente a sul, a antiga "Fábrica do Gás" que separa o bairro das margens do rio Douro, propriedade do Fundo de Pensões da EDP. Há uns três anos, foi apresentado, e logo recusado, um anteprojecto do arquitecto Pedro Ramalho para esses terrenos com mais de três hectares e 250 metros de frente para o rio. Agora, há condições para conceber uma solução urbanística integrada para toda a encosta, desde o rio até ao Campo Alegre.
3.Mas a questão do Aleixo não se circunscreve ao urbanismo e à arquitectura. O realojamento dos seus setecentos moradores é também um aspecto importante e sensível. Para a maioria destes, esta será a oportunidade de se libertarem da degradação e da violência quotidiana com que convivem, mas não faltará quem não se comova com a melhoria de condições que, seguramente, lhes será proporcionada. Para além dos saudosistas sinceros, que poderão ser seduzidos por uma boa alternativa, há também aqueles a quem a implosão não interessa. Sendo o Aleixo o maior supermercado de droga da cidade, não admira que quem disso faz o seu modo de vida tema que o realojamento afecte a prosperidade e impunidade do negócio. Seja como for, será preciso sensibilizar os moradores para as vantagens da dispersão e realojamento, garantindo que serão respeitados as situações pontuais que decorrem dos seus laços familiares e afectivos.
4. Anuncia-se que pelo menos 20% serão realojados no centro histórico, mas esse objectivo parece pouco ambicioso. Dado o número de casas devolutas que existem por toda a cidade, espera-se que a CMP não caia nas tentações de fomentar a construção de nova habitação social (que não deixará de replicar alguns dos problemas que existem no bairro) ou de se assumir como senhorio de todos os que vão ser realojados. Na medida em que o parque camarário será insuficiente, o fundo pode e deve suprir essa carência contratualizando o arrendamento com os senhorios de casas existentes, fomentando a sua reabilitação e assumindo o diferencial entre o justo retorno e o que os realojados pagam à edilidade.
5. Não faltará quem rejeite esta dispersão por temer que, através dela, os problemas do bairro alastrem à cidade. Percebe-se que quem vive no sossego não pretenda uma nova e má vizinhança, mas é preciso compreender que nem todos os que vivem no bairro são gente problemática. Na sua maioria, são eles as grandes vítimas, a que alguém chamou "escudo humano", da feira de droga que está instalada, diariamente, à sua porta e que se agravou com a politicamente correcta despenalização que transformou o bairro numa gigantesca sala de chuto a céu aberto. É acima de tudo por e para eles que o Aleixo deve ser demolido, porque são cidadãos que não podem ser escondidos, que não podem ser condenados a viver emparedados, que têm os mesmos direitos que nós temos à segurança, à paz, à tranquilidade e, naturalmente, a partilhar as nossas ruas e a nossa cidade.

Sentimentos de quem nunca saiu do Aleixo: moradores criticam decisão de Rio

(JN) 20.07.08 MANUEL VITORINO
"A maior sala de chuto do Porto" está ameaçada de demolição. Tem varandas para o Douro, mas nem todos gostam de viver neste "inferno", onde a droga estilhaçou o tecido social bairro. Para terça-feira anunciam-se protestos.
Joana Raquel, de 6 anos, não parava de correr após a festa de finalistas do infantário. "Está muito feliz", contou a mãe ao exibir o caderno feito de fotocópias e desenhos de várias cores. Lá dentro, estão fotografias, riscos e rabiscos, recordações da passagem pelo jardim-de-infância da Associação de Promoção Social do Aleixo. "Foi uma festa bonita. Adorei. Por nada deste mundo quero sair daqui", diz a mãe da menina.
No outro lado da rua, o cenário é outro: a miudagem já deixou de "jogar à bola" na Escola EB do Aleixo desde o passado mês e paira a ameaça de encerramento a partir de Setembro. "Foi o refúgio de milhares de crianças. Como muitas famílias demitiram-se da sua função de educar e acompanhar os seus filhos, a escola funcionou como o prolongamento da casa. Foi centro de saber, espaço de aprendizagem e partilha. As nossas cozinheiras mataram a fome a muitos alunos", contou uma professora "com vários anos de docência" e para quem os meninos do Aleixo "foram os pequenos heróis" num meio cercado pela toxicodependência.
Rosa Teixeira, presidente da direcção da associação, engrossou os protestos: " O fecho da escola foi o prenúncio da medida tomada por Rui Rio. Anunciou reabilitar o bairro e agora quer demolir as torres. Não há direito", alegou.
Na sombra das árvores um grupo de mulheres "nascidas e criadas" neste mosaico de várias cumplicidades e ilicitudes exaltam-se e fazem ameaças em coro: "Na terça-feira vamos protestar junto da Câmara. O trânsito vai parar".
Atravessou a cidade para conhecer a mulher no Aleixo. Nasceu na Rua dos Pelames, à Sé, e um dia trocou olhares com a futura esposa quando ia visitar a tia a viver há vários anos numa das torres do bairro. "Foi há 16 anos", contou, ao JN, Jorge Amaral, 39 anos, casado, uma filha. Sem trabalho desde que foi conhecida "uma doença grave", o morador diz não trocar este lugar por nenhum outro. Porquê? "É o meu mundo. Aqui fiz muitos amigos. Tenho orgulho em ser da Sé, foi lá que a cidade nasceu, mas é no Aleixo que estou bem", contou.
E as drogas? E o mau ambiente? E as rusgas das polícias não atrapalham o seu dia-a-dia? As respostas são soltas e uma espécie de cartilha: "O ambiente daqui sempre foi bom. Por vezes existem por aí uma zaragatas, os ânimos exaltam-se mas depois já não é nada. No outro dia, voltamos a ser amigos outra vez", refere enquanto cuida da sobrinha, pequena Fabiana de 3 anos.
"Tenho uma família estruturada. Nem tudo é mau neste sítio. Eu sei que o problema da droga está a roubar o sossego de muita gente, mas a droga está em todo o lado. Há tempos, uma vizinha decidiu sair daqui e ir viver para o bairro de Santa Luzia. Dizia ter medo dos assaltos. Mais tarde, veio dizer-me que tinha sido vítima de um assalto. Afinal de contas, os assaltos acontecem em toda a parte", adianta.
Quanto às "ameaças" da Câmara do Porto de realojamentos dos moradores e mandar as torres abaixo, Jorge Amaral nem quer "ouvir falar " em tal hipótese. As razões são várias: "A minha mulher nasceu aqui e eu considero-me um filho do Aleixo. Depois, convém recordar que, quando viemos para cá morar, a casa nem caixas de electricidade tinha e, como tal, tive de pedir um empréstimo ao banco para suportar as despesas. Agora, de um dia para o outro, ameaçam os moradores com a saída para outros lugares. Nem vieram cá consultar as pessoas. Não acho bem o que estão a fazer", adianta.
"Zangado" com Rui Rio, "por ter dito uma coisa e ter feito outra", o morador do Aleixo garante organizar uma manifestação, na próxima terça-feira, para levar o protesto à reunião do Executivo camarário. "Até vamos parar o trânsito. A Câmara deve ouvir a nossa voz e tentar arranjar uma solução mais equilibrada. A demolição pura e simples das torres do Aleixo só vai beneficiar as grandes empresas de construção civil, as imobiliárias", sugere.
Como até à demolição "muita água irá passar debaixo das pontes", a droga continua a estilhaçar o tecido social do bairro. As torres, autênticos mamarrachos urbanísticos construídas há mais de 30 anos, acolhem cerca de 1300 pessoas. É muita gente num pequeno espaço urbano sem grandes horizontes de vida.
Paula tem 20 anos, um rosto de menina acabada de ser mãe. Com a bebé Beatriz, de dois meses, ao colo e um sorriso de adolescente, diz sentir-se "muito bem" no Aleixo na companhia da avó, mais o pai e o sobrinho. As palavras saem devagar quando fala da mãe. "Já morreu", diz, em voz baixa. O futuro não a atrapalha: "Nasci e cresci aqui. Tenho um apartamento bom e, caso a Câmara queira mandar-nos embora, não vou encontrar outro igual. Depois, já reparou como ia arranjar espaço para as mobílias, todas elas grandes? As casas de agora são todas pequeninas e mal dão para a gente viver", sorri, enquanto dá carinhos à bebé, o "amor da sua vida".
Mesmo com zaragatas à mistura, algum tiroteio e rusgas da polícia, a jovem Paula não quer largar o lugar onde nasceu: "Somos uma comunidade. Os meus vizinhos são gente boa. Por vezes, sentimos que nem tudo está bem e as confusões acontecem, muitas vezes motivadas pela droga e a delinquência juvenil. Devia existir mais sossego, mas também não sei as razões pelas quais toda a gente abandona o bairro. Há dias contaram-me que a antiga escola primária fechou. Será verdade?", interroga-se, diante do olhar franzino. "Eu sei que tenho um bebé acabado de nascer e tudo farei para lhe dar um futuro melhor. Não sei muito de política, mas sei uma coisa: a Câmara devia dar mais apoio social às pessoas idosas, fazer obras nas casas, que muitas delas precisam de reparação. Mas não faz nada disto. Até os elevadores estão avariados há vários meses. Não há direito!", garante.
Chora entretanto a bebé e Paula acaricia-lhe o rosto para a conversa continuar. "Há tempos, aumentaram-nos as rendas e agora querem tirar-nos daqui para fora. Já falámos em casa com a minha avó e estamos dispostas a ficar. Se a Câmara insistir, teremos de optar, mas só vamos dizer adeus ao Aleixo caso seja encontrada uma solução adequada. Não podemos ir embora de bolsos vazios", afirma a moradora.
Há mais gente que chega. Uns falam na "falta de limpeza" do bairro, uma idosa lamenta-se por ter subir as escadas até ao 9.º andar, e outra ainda pelo fecho da escola onde o filho esteve até agora. "Que futuro nos querem dar"?.
A notícia da previsível demolição das torres do Aleixo deixou "inquieta" a ex-vendedeira de frutas e hortaliças dos antigos mercados da Ribeira e da Praça de Lisboa. "Nem quero acreditar que deitem tudo isto abaixo". Mais calma, reconhece que "nem tudo está bem no bairro" onde nasceram sete filhos, treze netos e sete bisnetos. "Eu sei que a droga leva à morte de muitos jovens, mas caso tirem os toxicodependentes daqui eles vão para outro lado da cidade. Sempre houve droga e irá continuar a existir. É uma luta sem fim", antevê.
Sentada com as amigas do centro de convívio dos idosos do Aleixo, Maria Alice lamenta a decisão da Câmara e a opção de realojamento dos moradores: "A notícia do Rui Rio foi uma bomba. Eu não estava à espera que fizesse semelhante coisa. O presidente da Câmara veio cá uma vez, antes das eleições, e garantiu mandar fazer obras nas casas. Só veio à procura de votos e, agora, quer deitar tudo abaixo. Acha bem?"
A viver no 11.º andar da torre B, Maria Alice diz "sentir-se muito bem" com vista para o rio Douro e a Afurada. "Quando não tenho nada que fazer venho à janela e consolo as vistas. Esta casa é a minha riqueza", admite, sem contudo fechar a porta a possíveis mudança de ares, desde que as "coisas sejam conversadas e acertadas". "Caso a Câmara do Porto pague os prejuízos causados pela mudança de habitação, poderei pensar no assunto. Mas agora estou bem onde estou. À volta do Aleixo há muitos terrenos vazios. Por que não fazem casas de luxo na Mouteira e nos deixam em paz"?.
"Toda a vida vivi aqui e nunca tive problemas", afirma Maria Goreti, três filhos, empregada de limpeza, cuja boa parte da família e amigos nasceram e cresceram neste mosaico urbano. Habituada ao ambiente social do Aleixo, admite "não ver com bons olhos" a decisão da Câmara do Porto e a hipótese da demolição das cinco torres de betão. "Gostava de ficar cá. Aqui tenho vistas bonitas. Mas, caso não exista outra saída e a Câmara deite abaixo as nossas casas, então vou exigir viver nas Condominhas. Sempre é mais perto do Aleixo", reconhece.
Do bairro só guarda boas recordações: "Tenho um filho de 17 anos e tal como os filhos das famílias ricas chegou ao 12º ano. Nem toda a gente abandona a escola. No Aleixo também há casos de sucesso", garante, enquanto solta a memória para recordar os "primeiros tempos" do Aleixo, as relações de vizinhança, o espírito de entreajuda como já não existe na cidade. "Aqui toda a gente é conhecida. Somos uma família em ponto grande", garante diante da filha Adriana, 5 anos, acabada de sair do infantário. Quando o tráfico de drogas e a toxicodependência são referidas, a empregada de limpeza tem resposta pronta: "A droga está em todo o lado. Na zona chique da Foz também é capaz de existir", diz, enquanto afirma sentir "orgulho" pelo facto de viver no Aleixo. Enquanto fala ao JN, os carros da polícia andam de um lado para o outro. A conversa sofre um compasso de espera: "Aqui mora gente séria. Ninguém vem à caixa do correio roubar os vales dos reformados", diz.

sábado, 19 de julho de 2008

Economia abranda em Junho e recessão técnica começa a assustar

(Público) 19.07.2008, Sérgio Aníbal
O ritmo da actividade económica em Portugal continuou a abrandar durante o passado mês de Junho, acentuando a tendência negativa iniciada na segunda metade de 2007 e fazendo com que a hipótese de ocorrência de uma recessão técnica já no segundo trimestre se torne agora mais provável.
Depois de, na quinta-feira, o Instituto Nacional de Estatística ter revelado a deterioração do indicador de clima económico em Junho, ontem foi a vez de o Banco de Portugal anunciar que, durante o mês passado, o indicador coincidente da actividade económica passou de uma variação homóloga de 0,5 para 0,1 por cento. No total do segundo trimestre, a variação homóloga foi de 0,5 por cento, o que representa um forte abrandamento face aos 1,6 por cento do primeiro trimestre.
É este valor que faz aumentar o receio de que possa ter ocorrido, no segundo trimestre, uma variação em cadeia do PIB negativa, o que, uma vez que no primeiro trimestre isso já aconteceu, colocaria o país em recessão técnica (dois trimestres consecutivos de variação negativa do PIB).O indicador coincidente calculado pelo Banco de Portugal, procura, utilizando informação como a produção da indústria ou a venda de cimento, "adivinhar" qual será a evolução do PIB português, que só mais tarde é revelada pelo INE. Em geral, a tendência revelada pelo indicador coincidente é seguida pelo PIB. Se tal voltar a acontecer no segundo trimestre deste ano, poderemos vir a assistir a uma variação homóloga do PIB próxima dos 0,5 por cento, o que significaria um abrandamento face aos 0,9 por cento registados no primeiro trimestre e colocaria a variação em cadeia num valor próximo de zero. Ou seja, na fronteira da ocorrência de uma recessão técnica.
Os analistas dos departamentos de research de três bancos portugueses não fazem deste tipo de cenário a sua previsão central, traçando, na sua maioria, cenários mais positivos, mas assumem a existência de riscos.
Cristina Casalinho, do BPI, mantém a sua previsão de um crescimento em cadeia de 0,6 por cento. Salienta, sobretudo, o facto de o contributo externo poder ser agora mais positivo. No entanto, reconhece os sinais de quebra no consumo e investimento e admite que terá de "rever em baixa a previsão no futuro". "A descida do IVA pode ter levado as pessoas a adiarem a compra de bens como automóveis, plasmas ou computadores", assinala.
Rui Constantino, do Santander, diz que a sua equipa está a "trabalhar com uma previsão para o crescimento em cadeia no segundo trimestre de 0,4 por cento", destacando, contudo, a continuação da moderação no consumo e assinalando a grande volatilidade nos dados do investimento.
Carlos Andrade, do BES, é, para já, o mais pessimista. Diz que o segundo trimestre não será muito diferente do primeiro, antecipando "uma variação em cadeia do PIB muito reduzida ou nula". "A ameaça de uma pequena variação negativa existe", afirma, fazendo questão de dizer que "a ocorrência ou não de uma recessão técnica não altera o que é o desempenho actual da economia portuguesa".

sexta-feira, 18 de julho de 2008

FMI diz que os problemas da economia portuguesa são domésticos

(Público) 18.07.2008, Sérgio Aníbal
A crise internacional não é a principal causa para o ritmo de crescimento lento que Portugal irá continuar a apresentar durante este ano e o próximo, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI).
"A deterioração do ambiente económico global está a limitar a retoma portuguesa, mas os problemas fundamentais da economia são domésticos: défice externo e público elevados, endividamento muito alto das famílias, empresas e Estado e um substancial diferencial de competitividade", lê-se num documento publicado ontem.
O FMI afasta, deste modo, a tese que tem vindo a ser defendida, nomeadamente pelo Governo, de que o abrandamento económico apenas é provocado pela conjuntura internacional.
A instituição liderada por Dominique Strauss-Kahn aproveita até para alertar para o perigo de considerar as condições externas "como uma razão para recorrer a receitas fáceis".
Pelo contrário, diz o Fundo na análise preliminar a Portugal realizada no âmbito da "consulta do artigo IV", é necessário que "todos os sectores façam um ajustamento e poupem mais", para que se possa corrigir o facto de "Portugal estar a viver acima das suas possibilidades há muitos anos". Esta entidade, conhecida pelas suas estratégias de austeridade orçamental e liberalização da economia, aconselha, por isso, a "continuar a consolidação orçamental", "garantir a saúde do sistema financeiro" e "melhorar a competitividade".
O tom da análise do FMI em relação a Portugal, apesar de apresentar elogios ao esforço de reforma do Governo ao nível do orçamento, lei laboral e simplificação administrativa, tornou-se este ano mais pessimista, incluindo mesmo uma revisão em baixa das previsões de crescimento para o próximo ano.
No passado mês de Abril, o FMI tinha projectado para Portugal, um crescimento de 1,3 por cento em 2008 e de 1,4 por cento em 2009. Na altura, o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, acusou o Fundo de estar demasiado pessimista, mas a verdade é que, mesmo assim, as previsões que tinham sido apresentadas apontavam para um regresso de Portugal à convergência com a Europa já em 2009, uma vez que o crescimento estimado para a zona euro era de 1,2 por cento.
Ontem, o FMI reviu em alta as estimativas para a zona euro, passando o crescimento em 2008 de 1,4 para 1,7 por cento e mantendo os 1,2 por cento de 2009, mas tornou as projecções para Portugal ainda mais negativas, deixando a convergência adiada por mais um ano. Agora, a aposta para Portugal é de um crescimento de 1,25 por cento em 2008 (quase sem alteração em relação à projecção anterior) e de um novo abrandamento económico em 2009 para apenas um por cento. Na terça-feira, o Banco de Portugal tinha apontado para variações do PIB de 1,3 por cento em 2008 e 1,4 por cento em 2009. O facto de o FMI estar agora mais pessimista em relação à reacção da economia em 2009 pode ser explicado pela ideia expressa de que "a não ser que a produtividade suba, o peso do ajustamento vai cair sobre o consumo e o investimento".
Em relação ao sector financeiro, o Fundo deixa também alguns aviso.
Garante que "continua a estar saudável e a ser bem supervisionado", mas alerta para a dependência dos bancos portugueses em relação ao financiamento externo, para a exposição ao risco de mercado que têm através das suas participações e fundos de pensões e para o risco de crédito provocado pelo abrandamento económico e elevado nível de endividamento das famílias e empresas.
Como que a dar razão às mais recentes previsões realizadas para a economia portuguesa, o Instituto Nacional de Estatística revelou ontem que os sinais de abrandamento em Portugal se acentuaram em Junho. O indicador de clima económico, que é calculado essencialmente com base nas expectativas dos agentes económicos, caiu em Junho de uma variação de 0,9 para 0,5 por cento. O indicador de actividade económica, que conta com a contribuição de indicadores quantitativos sectoriais, abrandou em Maio de dois para 1,4 por cento. A quebra no ritmo de crescimento da venda de veículos automóveis, tanto de passageiros como comerciais, é um dos motivos para esta evolução, que ameaça os resultados da economia portuguesa durante o segundo trimestre deste ano.

JS "espicaça" Sócrates e quer novas respostas para a crise

(Público) 18.07.2008, Filomena Fontes
O repto vai directo para José Sócrates. Em vésperas de ser eleito secretário-geral da JS, Duarte Cordeiro, o único candidato à liderança dos jovens socialistas que a partir de hoje se reúnem em congresso no Porto, promete luta: "Está na altura de o primeiro-ministro ser mais enérgico na procura de soluções, a questionar as políticas do Banco Central Europeu e o PEC [Pacto de Estabilidade e Crescimento]". Cordeiro reclama mesmo "um empenhamento" ao nível do demonstrado com o Tratado de Lisboa. Porque "a solução é global".
O desafio está na moção, Agir por + Igualdade, que Duarte Cordeiro (29 anos, economista) vai apresentar perante os mais de 500 congressistas.
Até domingo em debate estarão temas como o emprego, a violência de género, regionalização, educação, alterações climáticas, energia nuclear, ou o Circo com animais selvagens em Portugal, como reza o título de uma das 22 moções sectoriais. "Por mais longínqua que nos pareça a Europa, não nos demitimos de ter a nossa opinião, de querer reformar o PEC, para que discrimine positivamente o investimento nos países com maiores necessidades de convergência", lê-se na moção de estratégia global, na qual o combate às desigualdades suscita até críticas ao Governo. Exemplo? "Agir por mais igualdade (...) é também evitar o deslumbramento com os nossos feitos. Passa por assumirmos a nossa insatisfação com a desigualdade social no nosso país".
No documento, é assumida uma clara demarcação ideológica face "à direita conservadora", menos nítida em relação à esquerda: "Nós somos reformistas e a esquerda do PS não é. Procura radicalizar o discurso para evitar concordar com o PS". Mas, à parte "o posicionamento económico do PCP e do BE", há caminhos de convergência. Será o caso das chamadas questões fracturantes. Na sua moção, estão lá todas: o casamento gay, a adopção por casais do mesmo sexo, à eutanásia, à legalização das drogas leves, a liberalização da prostituição. "O casamento entre homossexuais é uma bandeira a que agarrámos com orgulho."

Aldeias de Bragança só têm um autocarro uma vez por semana


Diziam o quê, da "Rússia Soviética"? O que seria se eles tivessem descoberto os "gestores"? Ou terão sido mesmo eles?

Pai Nosso que estais no Céu livrai-nos de uma certa gama de gestores, de políticos e de juristas, senão passamos pelo Inferno antes de chegarmos a Vós...

(JN)2008-07-18 GLÓRIA LOPES
Em Agosto, cerca de 20 aldeias de Bragança vão passar a dispor de autocarro para a cidade apenas uma vez por semana. As populações discordam da decisão, mas o presidente da Câmara quer os motoristas com férias gozadas em Setembro.
As alterações de horário afectam três linhas rurais, que vêem reduzida a frequência do transporte. As linhas são Bragança-Portelo, Bragança -Terroso e Bragança-Gondesende, parte das localidades servidas estão incluídas no perímetro do Parque Natural de Montesinho.
A Câmara de Bragança justifica a decisão pela necessidade de gerir os meios disponíveis, nomeadamente os recursos humanos, uma vez que parte dos motoristas gozam férias durante este mês, para que possam estar todos ao activo no arranque do ano lectivo em Setembro.
O presidente da Câmara, Jorge Nunes, garante que o município realizou um estudo "exaustivo, linha a linha", bem como um inquérito, sobre os horários do Sistema de Transportes Urbanos de Bragança(STUB ) e concluiu-se que em várias localidades não se justifica a existência de horários diários em Agosto.
"Por falta de utilizadores", explicou. "A maior parte das pessoas não vai trabalhar nesse mês e não podemos continuar a gastar recursos sem justificação", garantiu, ontem, o autarca ao JN.
As freguesias mais populosas das linhas de Rebordãos, Alfaião e Castrelos vão manter autocarros diários, com uma viagem de manhã e outra ao fim da tarde, "porque se justifica, têm muitos passageiros que as utilizam diariamente", defende o edil.
Todavia, localidades como Montesinho ou França, a cerca de 20 Km, ou Fontes Barrosas, a cerca de 5 Km, vão passar a dispor de autocarro apenas um dia por semana. Outras linhas, como a de Pombares e Macedo do Mato, já estavam limitadas a uma viagem semanal
Este é o primeiro ano que a autarquia decide fazer este ajustamento dos horários no Verão, "para libertar alguns recursos", afirmou Jorge Nunes, negando que a motivação maior seja a vontade de poupar recursos financeiros.
"Trata-se sim de uma melhor gestão dos meios disponíveis, é preciso haver rigor", frisou o edil ao Jornal de Notícias.
A ideia não agrada nem aos autarcas das freguesias (ver caixa) nem à população, que em Agosto fica sem transportes públicos.
Ainda assim o presidente da Câmara Municipal de Bragança considera "lógico" que os habitantes das aldeias organizem as suas deslocações à cidade em função do autocarro uma vez por semana. "Podem organizar as suas compras, as consultas no médico e até os passeios", justificou