sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O mais velho clube de xadrez da Península

Os velhos tempos dos jogos por correspondência estão hoje adaptados às novas tecnologias e à Internet
(JN) 08.08.08 VANESSA SENA SOUSA
O Grupo de Xadrez do Porto tem 68 anos de actividade e é o mais antigo da Península Ibérica. No passado dia 27, o clube juntou ao seu palmarés mais um título distrital. Em plena Rua de Passos Manuel continua a fazer-se a história deste desporto.
Sob o olhar atento de vários campeões mundiais em porta-retratos pendurados na parede, alguns membros do Grupo de Xadrez do Porto tentam dar um xeque-mate ao seu adversário. As peças de madeira, parte da tradição da associação e "quase de origem", são movidas ao ritmo de cada estratégia em tabuleiros embutidos nas mesas. Novos, velhos e "mestres" do xadrez juntam-se na sede, na Rua de Passos Manuel, para se dedicar àquele que é um dos passatempos mais populares do mundo.
Hoje, são cerca de 270 os associados que se reunem no clube, nascido em 1940. O berço foi o desaparecido café Monumental, foi transferido para o também extinto café Palladium em 1941, mas em 1976 ganhou um local fixo. Espelhando a "cultura dos cafés" e traçando um retrato económico e social, o xadrez foi acompanhando a história e adequando-se aos novos tempos.
Hoje as modalidades são variadas, começando pelo tradicional jogo um contra um e chegando aos jogos por servidores, na Internet, ou por e-mail, semelhante ao que se fazia por correio ou bilhete-postal, quando esses eram os meios de comunicação por excelência entre países. "Antigamente os jogos eram feitos por carta, por isso alguns jogos chegaram a durar cinco a sete anos", explicou Joaquim Pinho, presidente do clube e um dos "mestres" de xadrez. "Com a Internet, os jogos por correspondência passaram a ser feitos por email, mas agora fazem-se mais através de servidores". Os jogos podem ainda ter limite de tempo, vários adversários ou mesmo limitações, como jogar "às cegas". "O xadrez está muito estudado, mas nunca completamente estudado", ressaltou Joaquim Pinho, fazendo denotar o carácter inesgotável do jogo.
O número de jogadas é tão complexo que são reconhecidas 10123 jogadas possíveis (o 123 representa o número de zeros do número), sendo menor o número reconhecido de átomos no universo de (1079). É uma fonte quase inesgotável que continua a entreter muitos fãs do xadrez.
Mário Marques, de 53 anos, joga há 37 anos, lamentando ter começado "tão tarde" naquele que é agora o seu "passatempo preferido". "Do ponto de vista pedagógico é excelente, para criar método e ensinar que se deve pensar bem antes de agir", explica o jogador.
O xadrez não depende da sorte, mas sim da estratégia, do engenho e dos cálculos dos jogadores. Muitas vezes aliado à matemática, o jogo traz muitos benefícios a quem o pratica. "Está provado que quem joga xadrez consegue resolver problemas do dia-a-dia e ter sucesso nos estudos", explicou Joaquim Pinho. O xadrez é também uma forma eficaz de prevenção de Alzheimer.
A melhor prova de que o jogo é um passatempo para todas as idades e só traz benefícios é que o sócio número um continuou activo até ao ano passado, com 97 anos de idade, e que o campeão nacional de sub-8 tem sete anos.
O Grupo de Xadrez do Porto é um dos poucos clubes exclusivos de xadrez do país, já que a maior parte se dedica a outras actividades, a que se junta o facto de ser o mais antigo da Península Ibérica.
O espaço de Passos Manuel acaba, assim, por ser o ponto de encontro para grande parte dos associados. Todos os dias, das 16 horas às 19 horas, vários membros dedicam-se ao xadrez. Aos sábados de tarde, o universo alarga-se com vários jogadores, mesmo de outros clubes, que se juntam para "conversar, discutir, jogar e conviver". "Este é o primeiro clube de alguns e o segundo de todos os outros", orgulha-se o presidente do clube.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008


Contra o medo, liberdade

(Público)24.07.2007 - Manuel Alegre
Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á. Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela. Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.
Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que "só é livre o homem que liberta". Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia. E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, "o partido sem medo", como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.
Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado. No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. Aliás, os debates desse congresso, entre Sócrates, eu próprio e João Soares, projectaram o PS para fora de si mesmo e contribuíram em parte para a vitória alcançada nas legislativas.
Mas parece que foram o canto do cisne.
Ora o PS não pode auto-amordaçar-se, porque isso seria o mesmo que estrangular a sua própria alma. Há, é claro, o álibi do Governo e da necessidade de reduzir o défice para respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas. O Governo é condicionado a aplicar medidas decorrentes de uma Constituição económica europeia não escrita, que obriga os governos a atacar o seu próprio modelo social, reduzindo os serviços públicos, sobrecarregando os trabalhadores e as classes médias, que são pilares da democracia, impondo a desregulação e a flexigurança e agravando o desemprego, a precariedade e as desigualdades. Não necessariamente por maldade do Governo. Mas porque a isso obriga o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) conjugado com as Grandes Orientações de Política Económica. Sugeri, em tempos, que se deveria aproveitar a presidência da União Europeia para lançar o debate sobre a necessidade de rever o PEC. O Presidente Sarkozy tomou a iniciativa de o fazer.
Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu Governo. Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no Parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária. Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista.
Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo. Há também o álibi da presidência da União Europeia. Até agora, concordo com a acção do Governo. A cimeira com o Brasil e a eventual realização da cimeira com África vieram demonstrar que Portugal, pela História e pela língua, pode ter um papel muito superior ao do seu peso demográfico. Os países não se medem aos palmos. E ao contrário do que alguém disse, devemos orgulhar-nos de que venha a ser Portugal, em vez da Alemanha, a concluir o futuro Tratado europeu.
Parafraseando um biógrafo de Churchill, a presidência portuguesa, na cimeira com o Brasil, recrutou a língua portuguesa para a frente da acção política. Merece o nosso aplauso.
O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o Governo, este passa a mandar no partido, que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude.
Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio.
António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu "querido talvez" por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque "mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato". Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências. Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereótipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática.
Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória. Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa. Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o Papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo.
Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos.
Há mais vida para além das lógicas de aparelho. Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco.
Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura. Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: "Entre nós e as palavras, o nosso dever falar." Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.

Cavaco manda fechar espaço aéreo em Albufeira

Alguma vez aconteceu disto em Portugal, desde 1974? Eanes saltou para cima dum jipe quando sobre ele dispararam no Alentejo, Soares ia tomar café, só com a filha, ao café da esquina, depois de jantar, Sampaio ia sozinho com o filho à Expo, ao domingo de manhã, com chuva e no autocarro!
Vem este agora com o poder a subir-lhe à cabeça, com tiques de autoritarismo! Já não bastou usar a lei para obrigar as TV a passarem o pastel recesso do 31 de Julho! Agora quer reservado o espaço acima da cabeça, interditando-o às aeronaves, às gaivotas e às moscas. Ou será que os escaravelhos também voam por ali? Ou será o ruído dos aviões que o incomoda? Agora que está a reflectir sobre o próximo psico-drama constitucional e o tormentíssimo problema de saber quem deve ouvir ou não ouvir? O provincianismo no poder! Ligar os pisca-piscas e as sirenes! Abrir com as motos em V! Afastar a caterva! Estender o tapete, no caso, o tapete voador. Ao que chegamos! Voltamos à choldraboldra!
Os paparazi querem fotos? E qual é o problema, que há para esconder? Privacidade completa? Então para que se candidatou a um cargo público, ao mais exposto e visível dos cargos públicos?

(DN)07.08.08 O Presidente da República (PR) está em férias no Algarve e, por razões de segurança, mandou reservar o espaço aéreo na região de Albuho ar café sozinfeira. Por cima da sua casa, localizada da praia de S. Rafael, ninguém voa. As aeronaves, não autorizadas, têm de passar a uma distância de uma milha (cerca de dois quilómetros).
Para as empresas de aviação, que no Verão vêem aumentar substancialmente o seu volume de negócios, sobretudo no mês de Agosto, a situação é de desespero: fotografia aérea e publicidade estão proibidos desde a praia da Galé até à marina de Albufeira.
A presidência da República, contactada pelo DN, disse que, "por razões de segurança", não comentava. (...)Segundo as fontes do DN, é a primeira vez que um Presidente da República em férias no Algarve manda interditar o espaço aéreo por cima da sua casa. Esta medida de segurança acaba por ter impacto nos negócios das empresas de publicidade e de fotografia aéreas.
Ao que o DN apurou, trata-se de dois tipos de serviço que se tornaram impossíveis de realizar em Albufeira. Com o espaço interdito por cima da praia de S. Rafael, os aviões ao chegar à praia dos Salgueiros são obrigados a deslocar-se dois quilómetros para o mar ou para Norte. No caso da publicidade, "quem consegue ler a uma distância de dois quilómetros?", questionam os empresários contactados pelo DN.
"O PR, em consequência do próprio cargo, representa um grau de ameaça permanente, daí que tenha segurança pessoal. E tem também legitimidade para solicitar outras medidas de segurança que considere necessárias", explicou ao DN o responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança. Frisando que desconhece o motivo que levou o presidente a solicitar a interdição do espaço aéreo, Leonel Carvalho admite que possa estar relacionado com os paparazi. "Naqueles aviões que passam por cima das cabeça das pessoas pode ir muita gente. É natural que o PR, com a sua família, deseje reserva em tempo de descanso". Conforme referiu, "as férias dos famosos atraem muito helicópteros carregados de fotógrafos".
As empresas aeronáuticas, que se dedicam à fotografia aérea e à publicidade, sabem que estão impedidos de sobrevoar áreas militares e edifícios governamentais. Por isso, foi com surpresa que receberam o NOTAM para a zona de Albufeira.

Esta noite, pelas 21, Rui Moreira na SIC Notícias sobre a autonomização do Aeroporto Sá Carneiro

Esta noite teremos Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, no programa da SIC Notícias com Mário Crespo, analisando a questão da autonomização prévia do Aeroporto do Norte, no contexto do processo de privatização da ANA.
Certamente o Dr. Rui Moreira, que tem estado atento à questão desde a primeira hora, esclarecerá as vantagens, para a região e consequentemente para o país, da autonomização do processo do Sá Carneiro no contexto da privatização da ANA já decidido pelo Governo e mostrará como a construção do Aeroporto de Alcochete não deve ser feito à custa do estrangulamento do do Porto, mantendo-o na ANA para garantir a esta o valor patrimonial de mil milhões de euros a serem usados no pagamento do novo aeroporto de Lisboa.
Lembremos que o 1º Ministro veio ao Porto desafiar as forças do Norte a mostrarem-se interessadas na gestão do Sá Carneiro, o que já aconteceu sem sequer ainda ser aberto concurso público, sinal que, no dizer de José António Barros, presidente da AEP, teve um valor meramente indicativo.
Depois de autonomizado e aberto concurso público internacional o Sá Caneiro poderá vir a ter uma gestão mista pública-privada ou uma gestão privada.
Para sermos esclarecidos, vamos estar atentos esta noite ao Rui Moreira, pelas 9 da noite.

Secretariado do PS-Porto refuta acusações de Pedro Baptista

Na refutação da refutação da 2ª parte da notícia está tudo dito quanto aos factos, que são rigorosamente os indicados por nós. O Presidente da Federação e os membros da COC, a quem o meu camarada e representante Paulo Moz Barbosa contactou no sentido de obter as listagens com os respectivos endereços e contactos telefónicos, sabem (não sabemos se o Secretariado também sabe, se não sabe ou se faz que não sabe, nem sabíamos que funcionava) que o que está em causa são os endereços e os números de contacto telefónico dos militantes que querem guardar para si, impedindo-nos de contactar directa ou indirectamente os militantes, como sempre foi feito. Certamente consideram que os endereços e correlativos números telefónicos não são "indispensáveis à campanha eleitoral interna". Até porque eles têm-nos e nós não. Aliás, na COC, até pretendem fazer jurisprudência à moda da casa sobre o assunto, justificando o injustificável e alardeando inexistentes razões legais. Jogam com as palavras para a Imprensa fazendo-se desentendidos e fazendo dos outros néscios, mas julgamos que, pelo teor da notícia, toda a gente percebe o que se passa. Quanto ao remate pretensamente ideológico é tão disparatado que só nos resta a velha metáfora cristã: Perdoai-lhes, Pai, porque não sabem o que dizem! PB
(Público) 07.08.2008, Filomena Fontes
O secretariado do PS-Porto rejeitou ontem as acusações do candidato à liderança da federação Pedro Baptista, garantindo que nunca foram solicitados, nem à federação, nem à comissão organizadora do congresso (COC), "quaisquer elementos que tenham a ver com listagens completas de militantes ou outros que se tornem indispensáveis à campanha eleitoral interna". "A federação já prestou e prestará todo o apoio logístico solicitado até ao momento e aquele que vier a ser pedido dentro das suas capacidades", lê-se num comunicado. Contactado pelo PÚBLICO, Pedro Baptista reitera as denúncias, explicitando que o seu representante na COC solicitou já por duas vezes (ao líder federativo e em reunião desta comissão) as listagens com militantes e respectivos endereços. "Foi-lhe dito que davam as listagens, mas sem endereços", afirma, revelando que, há 15 dias, promoveu uma sessão de esclarecimento com militantes em Paranhos e foi a federação a expedir as convocatórias por correio. "Paguei os envios, mas não me foram facultados os endereços", conta. Repudiando declarações sobre a alegada falta de transparência no processo das eleições federativas de Outubro, o secretariado traz à liça a ameaça de desistência de Pedro Baptista para advertir que "não será por interferência ou omissão" dos órgãos federativos que "ela se verificará". "A nossa acção pauta-se pela verdade, transparência, rigor e clareza de processos e rejeitamos a visão conspirativa da política de formação marxista-leninista", afirma. "Rejeitamos a visão conspirativa da política de formação marxista--leninista", diz o secretariado

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

França: seis incidentes nucleares num mês

Mais um dado para a discussão...
(Portugal Diário)06.08.08
A central nuclear francesa de Tricastin, no Sul do país, registou esta quarta-feira o sexto incidente num mês, ao verificarem-se fortes fugas de carbono 14 gasoso, revelou a autoridade de segurança nuclear (ASN), noticia a agência Lusa.
O incidente foi classificado com o grau 1 da Escala Ines (com oito níveis) para acidentes nucleares e a Autoridade de Segurança Nuclear decidiu proibir à Socatri, até ao fim do ano, toda a actividade que possa levar a fugas de Carbono 14.
«Segundo as primeiras estimativas, o impacto desta fuga no ambiente e população foi considerado muito fraco, da ordem de alguns microssievertes, isto é, menos algumas milésimas da dose anual autorizada para o público», adiantou a Autoridade de Segurança Nuclear.
O «sievert» é a unidade que mede a dose de radiação absorvida pela matéria viva.
A Socatri, filial da Areva, «número um» a nível mundial do nuclear civil, já constatara a 4 de Julho, que em Junho se tinha ultrapassado o limite de saída de carbono 14 gasoso, situação que se continuou a verificiar mesmo depois da paragem de actividade naquele ateliê.
Na noite de 7 para 8 de Julho, também em Tricastin, registou-se uma fuga de 74 quilos de efluentes de urânio que terão «contaminado ligeiramente» uma centena de trabalhadores.
Alguns dias depois, uma outra fuga de líquidos radioactivos numa fábrica de combustíveis em Romans-sur-Isère (Drôme) foi também classificada no nível 1.
A 18 de Julho, 15 funcionários foram contaminados «muito ligeiramente» por elementos radioactivos, num estaleiro de manutenção de uma unidade de produção da central nuclear de Saint-Alban/Saint-Maurice (sudeste), sem que o incidente tenha sido classificado pela ASN.
Cinco dias depois, registou-se outro incidente na central de Tricastin que contaminou «sem gravidade» outros cem trabalhadores da central, que tem quatro reactores de 900 megawatts.
Várias centenas de incidentes e acidentes classificados «zero» são assinalados todos os anos em França, onde o nuclear fornece 80 por cento da electricidade consumida.
A França possui a segunda rede no mundo de reactores nucleares - 58, depois dos Estados Unidos.

Aeroporto Sá Carneiro sem gestão autónoma, apesar de repto de Sócrates

A confirmar-se a posição expressa no documento a que o JN teve acesso, como é referido, teríamos uma situação gravíssima. Não há qualquer razão, a não ser das piores, para não autonomizar e lançar a concurso o Aeroporto do Norte. Se depois é um modelo privado, como aquele a que se apresentou a Sonae e Soares da Costa, ou se é um modelo público-privado, como defendeu a FEP, é outra questão. O 1º Ministro veio ao Porto perguntar se havia interessados: tem a resposta. Agora falta a sua, autonomizando o aeroporto e lançando concurso público para a sua gestão. Caso contrário toda a gente perceberia que o "Sá Carneiro" faria parte do bolo ANA a vender para a construção de Alcochete & Pontes. E que a hostilidade à autonomia viria daí.
O modelo que nos interessa para o Aeroporto é o mesmo que para a APDL. Que também tentaram integrar a nível nacional. Podiam os portos deficitários todos do país viver então à custa do de Leixões... PB

Qualquer privatização isolada será rejeitada
(JN) 6.08.08 DAVID DINIS E JOÃO PAULO MADEIRA
Não é apenas a proposta da Sonae e Soares da Costa para a gestão do Sá Carneiro a ser chumbada pelo Governo. Qualquer oferta para um aeroporto individual será rejeitada. Rui Moreira desafia Sócrates a dizer se mudou de opinião.
De acordo com um documento de trabalho elaborado por técnicos da ANA, a que o JN teve acesso, a orientação do Governo na gestão do Sá Carneiro, embora não seja ainda oficial, já está definida: a proposta do consórcio nortenho ou qualquer outra oferta de um outro investidor que seja dirigida a um aeroporto individual "deve ser recusada por atentar contra o interesse nacional e dos contribuintes".
O documento aponta a "perda de sinergias" causada pela separação de um aeroporto de média dimensão (Porto ou Faro) do resto da rede, que provocaria um aumento de 20 a 25% na estrutura de custos do aeroporto, "limitando de forma significativa a sua atractividade". A opção do Governo passa pela privatização da ANA - Aeroportos de Portugal com todos os aeroportos, em que os interessados se candidatam à gestão de todos eles, em rede.
Contudo, foi o próprio primeiro-ministro, num jantar com empresários no Palácio da Bolsa, no Porto, quem lançou o repto: a Região Norte devia mobilizar-se e apresentar propostas para a gestão privada e autónoma do aeroporto Sá Carneiro, um desafio que foi respondido por um consórcio formado pela Sonae e pela Soares da Costa.
Mas esse projecto, enviado ao primeiro-ministro por carta, em Julho, parece não encaixar nas pretensões do Governo, de acordo com outro documento. Nele são elencadas várias fragilidades na oferta, nomeadamente o preço demasiado baixo a pagar ao Estado (800 milhões de euros ao longo de 25 a 30 anos, sem que haja qualquer pagamento à cabeça).
Para o presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira, está em curso uma "campanha miserável" de desinformação por parte do Ministério das Obras Públicas e da ANA, para inviabilizar a gestão autónoma do aeroporto. Rui Moreira lembra os estudos da Faculdade de Economia do Porto que mostram que a gestão autónoma do Sá Carneiro teria vantagens e, por uma questão de "transparência", apela ao lançamento de um concurso público. Afirmando desconhecer se a "campanha" está a ser feita ou não com o beneplácito do primeiro-ministro, desafia José Sócrates a vir a público esclarecer a posição do Governo e se "mudou de opinião" desde o lançamento do repto à região.
O presidente da Associação Empresarial de Portugal, José António Barros, insiste também no lançamento de um concurso público. "As forças do Norte querem uma gestão privada e autónoma. Face às manifestações de interesse, o Governo tem de lançar um concurso e dizer quanto vale o aeroporto", frisa.

A verdade nua

(JN) 06.08.08
A notícia é a vários títulos insólita. O "staff" responsável pela imagem de Berlusconi retocou uma pintura da sala do Palácio Chigi onde o primeiro-ministro italiano e os seus ministros dão conferências de imprensa, mandando cobrir com um véu o seio nu de uma das figuras femininas da réplica de um fresco de Tiepolo, pois o seio nu podia "ferir susceptibilidades". Terei lido bem? Uma "réplica"? Ainda se fosse no Kyrgyzstão, ou mesmo no Palácio da Ajuda, mas em Itália…
Já não haverá originais em Itália? O tema da obra de Tiepolo pode, porém, explicar tanto pudor. O fresco intitula-se "La Verità svelata dal Tempo" ("A Verdade desvelada pelo Tempo"), e os tempos, na Itália de Berlusconi, estão hoje mais para velar do que para desvelar verdades. Provavelmente foi também por pudor que Berlusconi, mal se apanhou de novo à frente do Governo, fez suspender todos os processos judiciais (e não são poucos) em que está a ser investigado, antes que o tempo pudesse desvelar a verdade dos seus negócios. A verdade, na política como na pintura, é sempre inconveniente e capaz de "ferir susceptibilidades".
A CHAMA OLÍMPICA CHEGOUA BEIJING!
BONS JOGOS PELA PAZ E COMPREENSÃO ENTRE OS POVOS!

Rui Moreira acusa ANA e Mário Lino de "campanha de desinformação" sobre aeroporto do Norte

(Público) 06.08.2008, Lusa
Jornal de Negócios noticiou ontem que o "Governo começa a fechar [a] porta à entrega do Sá Carneiro à Sonae"
O presidente da Associação Comercial do Porto (ACP) acusou ontem a ANA e o Ministério das Obras Públicas de promoverem, "a conta-gotas", uma "campanha miserável" contra a gestão autónoma do Aeroporto do Porto.
Rui Moreira comentava, em declarações à Lusa, uma notícia ontem publicada no Jornal de Negócios que adianta que o "Governo começa a fechar [a] porta à entrega do Sá Carneiro à Sonae". Referindo um "documento técnico" de análise à proposta do consórcio Sonae-Soares da Costa para a privatização do aeroporto do Porto, que estará a ser analisada pelo ministro Mário Lino, o diário avançou que a oferta era recusada por pagar pouco pela infra-estrutura, não prever qualquer pagamento à cabeça e não cobrir os investimentos já realizados na expansão do Sá Carneiro. Segundo adiantou o mesmo jornal na semana passada, a Sonae e a Soares da Costa estarão dispostas a pagar 800 milhões de euros (a preços correntes) pelo aeroporto, durante 25 a 30 anos, e a contribuir com 200 milhões de euros para um fundo de promoção do Norte como destino. O consórcio não prevê qualquer pagamento inicial ao Estado e disponibiliza-se para investir 500 milhões de euros na infra-estrutura aeoportuária.
Para o presidente da ACP, a notícia de ontem "faz parte da campanha de desinformação montada pela ANA [concessionária dos aeroportos portugueses] e pelo ministério [das Obras Públicas] acerca da questão do aeroporto".
No entanto, frisou, a questão "é um compromisso do primeiro-ministro", a quem compete, exclusivamente, "esclarecer" a posição do Governo.
Segundo referiu Rui Moreira, "mesmo que a proposta da Sonae seja inconveniente", tal não afecta a pretensão da associação e de outras forças do Norte. "O que defendemos é a abertura de um concurso público que permita que quer a Sonae, quer outros interessados, possam concorrer [à gestão do aeroporto]", esclareceu.
Também para a Associação Empresarial de Portugal (AEP) - que com a ACP, as associações Industrial do Minho (AIMinho) e Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA) e a Junta Metropolitana do Porto reclamam a gestão privada do aeroporto - "uma coisa é a decisão política e outra é a concessão do aeroporto", e "o que conta" é a primeira.
"A AEP aguarda serenamente uma decisão do primeiro-ministro, que foi quem lançou o repto aos empresários da região norte para encontrarem uma solução que o convença a autonomizar a concessão do aeroporto", disse à agência Lusa fonte da associação.

Luta contra a demolição do Aleixo já chegou a tribunal

(Público)06.08.2008, Romana Borja-Santos
Moradores do Aleixo dizem-se vítimas da especulação imobiliária e queixam-se por nunca terem sido ouvidos pela Câmara do Porto
Os moradores do Bairro do Aleixo prometeram e cumpriram. A anunciada providência cautelar para suspender o processo de demolição das cinco torres do bairro, ordenada pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, foi ontem entregue às 11h00 no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, de acordo com o advogado Tiago Machado, que representa a Associação de Promoção Social da População do Bairro do Aleixo. Na base do documento apresentado estão quatro alegadas ilegalidades, sendo a inexistência de um parecer obrigatório do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana o primeiro ponto e o mais grave para os moradores. Os habitantes do Aleixo sentem, em segundo lugar, que foram sempre colocados à margem de todo o processo, pois, apesar de serem os principais interessados, nunca foram ouvidos. O terceiro ponto da Providência Cautelar de Suspensão de Eficácia consiste na alegada violação do direito à habitação e o quarto no incumprimento da legislação relativa à reabilitação urbana. Segundo Tiago Machado, a providência cautelar pretende "defender os direitos das pessoas que querem continuar a morar no bairro, muitas há mais de 30 anos". O advogado acusou, por isso, a autarquia de querer "deslocalizar as pessoas, retirá-las das suas casas e mandá-las para outras zonas da cidade que ainda não se sabe quais são". O advogado sublinhou também que a iniciativa pretende suspender o processo para obrigar o executivo municipal a "reunir-se com os moradores para se encontrar uma solução de consenso". Apesar de admitir que há moradores que querem sair do bairro, Tiago Machado sustentou que "a maioria pretende ficar".
A Câmara do Porto iniciou um plano de requalificação do Bairro do Aleixo, que prevê a criação de um fundo de investimento imobiliário com parceiros privados para o aproveitamento daquele terreno sobranceiro ao rio Douro, onde vivem cerca de 1300 pessoas em cinco torres com 13 pisos cada. O plano, apresentado por Rui Rio em meados de Julho, foi aprovado em sessão de câmara e ratificado pela assembleia municipal. De acordo com o plano, realizar-se-á já um concurso público para a escolha de um parceiro privado para a criação de um Fundo Especial de Investimento Imobiliário, onde a autarquia deverá assumir uma participação entre os 10 e os 30 por cento. O fundo receberá um conjunto de propriedades da autarquia que inclui edifícios antigos devolutos situados entre o bairro e a margem do Douro, terrenos com capacidade de construção e edifícios devolutos situados no centro histórico da cidade. A proposta prevê que o parceiro poderá construir nos actuais terrenos do Bairro do Aleixo mas, em contrapartida, deverá assegurar previamente o realojamento dos habitantes, em habitação social nova ou em edifícios recuperados pertencentes ao fundo.
Os moradores sempre se opuseram a este hipótese e lembram que, em 2001, na campanha eleitoral para a câmara, o então candidato Rui Rio mostrou-se contrário à demolição do Aleixo e prometeu lutar contra ela. Por isso, manifestaram-se no passado dia 27 de Julho frente aos Paços de Concelho contra o plano de requalificação do bairro e prometeram a providência que ontem concretizaram.
Na altura, Rui Rio desvalorizou esta iniciativa: "É normal que metam uma providência cautelar. Hoje em dia, em Portugal, mete-se uma providência cautelar por tudo e por nada", comentou. No que diz respeito às críticas dos moradores - de que teria cedido aos interesses imobiliários que sempre ensombraram o bairro desde que foi construído em 1974 para realojar pessoas provenientes da Ribeira -, salientou que a proposta aprovada pelo executivo "não permite margem para um negócio fantástico". Os moradores do Bairro do Aleixo manifestaram-se contra o projecto da Câmara Municipal do Porto no passado dia 27 de Julho

Comerciantes do Bolhão acreditam na reviravolta

Mercado emblemático continua sem obras à vista e defende-se a anulação do concurso
(JN) 06.08.08 MANUEL VITORINO
"O mercado continua entregue à sua sorte",responde a vendedeira ao freguês do Bolhão. Com expectativas de que a Câmara anule a adjudicação da obra que tanto lhes desagrada, os comerciantes apelam à remissão de Rui Rio.
Há menos gente às compras em tempo de férias no Porto. Os turistas até podem achar "very typical" ao velho e degradado espaço. Tiram fotos em máquina digital, mas junto às bancas a conversa é menos colorida. Entre cheiros e aromas, ouvem-se pregões de lamúrias: "Fomos enganadas. A TCN andou para aí a distribuir aventais de propaganda e, muitas de nós, ainda acreditaram neles. Prometeram mundos e fundos e nada feito", afirma Ana Cardoso, 40 anos a vender frutas e legumes.
Antes da conversa, há um talhante que evita identificar-se "por causa das chatices", mas diz "estar tudo cada vez pior". Por perto, Hélder Francisco, crítico "desde a primeira hora" dos desenhos da TCN tem a receita pronta para a Câmara resolver a "embrulhada" do Bolhão. "Rui Rio tem, agora, a oportunidade de repensar o problema e redimir-se de tantas maldades. A um ano das eleições, pode salvar este valioso património", garante. Como? "Muito simples. A Câmara deve abandonar a TCN, promover uma candidatura ao QREN e, através dos fundos comunitários, recuperar o Bolhão. Com um aviso: a solução terá de respeitar quem cá trabalha", repete.
Neste sobe e desce de opiniões, Alcino Sousa, presidente da Associação dos Comerciantes do Bolhão, atira-se à Assembleia da República "por não ter dado sinais" ao inquérito mandado realizar e lamenta o "ruído" provocado pela Plataforma Cívica Independente em torno do projecto da TCN: "Os comerciantes estão fartos de pagar sacrifícios e tudo têm feito para encontrar a chave do problema. Não queremos uma solução a qualquer preço, antes que satisfaça quem aqui trabalha. Não estamos vendidos a ninguém", disse, numa clara alusão ao facto de muitos comerciantes terem criticado a sintonia de posições entre a associação e os interesses dos holandeses da TCN.
Optimista pelo facto de algumas vozes começarem a defender a anulação do concurso para a reabilitação do Bolhão - entre os quais, o líder da oposição socialista, Francisco Assis-, o comerciante Jacinto Mendonça, sócio da nova Associação da Zona Comercial do Bolhão (que envolve os lojistas com frentes viradas para as ruas circundantes do mercado) lança um desafio à Câmara do Porto e em particular a Rui Rio para "clarificar de vez" o problema do Bolhão: "Ao fim desta polémica toda, o Executivo pode e deve reabilitar o Bolhão e devolvê-lo à cidade com todo o seu esplendor. A TCN ofereceu à Câmara a oportunidade de ficar bem na fotografia", garante.
Certo certo é que a Câmara já admitiu romper o contrato com a TramCroNe.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Aeroporto Sá Carneiro: presidente da AEP diz que Proposta SONAE/SOARES DA COSTA é "meramente indicativa"

(Público) Em Linha 05.08.08 LUSA
O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), José António Barros, afirmou hoje que a proposta da Sonae/Soares da Costa para a gestão autónoma do aeroporto do Francisco Sá Carneiro (AFSC), no Porto, é "meramente indicativa".
José António Barros sublinhou que a AEP "apoia a Soares da Costa e a Sonae apenas como entidades que tiveram a coragem de responder ao desafio que foi lançado pelo primeiro-ministro".
"Mas não nos revemos na sua proposta, no valor apresentado e nem sequer nos cumpre comentá-lo", afirmou.
Acrescentou que "o que a AEP defende é que este processo não deve ser feito através de propostas avulsas, mas sim através de um concurso público, competindo ao Estado definir aquilo que quer obter com a concessão, ou seja, o preço justo que está disposto a aceitar".
"Veremos então quais as propostas que vão surgir", afirmou.
O presidente da AEP reagia à notícia hoje publicada no Jornal de Negócios que adianta que o "Governo começa a fechar [a] porta a entrega do Sá Carneiro à Sonae".
Referindo um "documento técnico" de análise à proposta do consórcio Sonae/Soares da Costa para privatização do aeroporto do Porto, que estará a ser analisada pelo ministro Mário Lino, o diário avança que a oferta é recusada por pagar pouco pela infra-estrutura, não prever qualquer pagamento à cabeça e não cobrir os investimentos já realizados na expansão do Sá Carneiro.
Segundo adiantou o mesmo jornal na semana passada, a Sonae e a Soares da Costa estarão dispostas a pagar 800 milhões de euros (a preços correntes) pelo aeroporto, durante 25 a 30 anos, e a contribuir com 200 milhões de euros para um fundo de promoção da região Norte como destino.
O consórcio não prevê qualquer pagamento inicial ao Estado e disponibiliza-se para investir 500 milhões de euros na infra-estrutura aeroportuária.
José António Barros comentou as preocupações que a ANA tem manifestado quanto à viabilidade da exploração autónoma do AFSC, nomeadamente a tese de que a autonomização da sua gestão conduziria a um aumento das taxas aeroportuárias para o dobro.
"São preocupações que nos sensibilizam imenso, mas é evidente que ninguém, nomeadamente a região Norte, os seus empresários e a JMP, está interessado em que as companhias low cost fujam de cá", afirmou.
O presidente da AEP sublinhou que "as taxas de crescimento do aeroporto ultrapassaram tudo o que era previsível, e brevemente serão atingidos os seis milhões de passageiros/ano, o que foi possível graças à vinda das companhias low cost".
"Não seríamos nós certamente a matar a galinha dos ovos de ouro afastando do AFSC essas companhias. Isso não faz qualquer sentido", afirmou.
Frisou ainda que a AEP sempre defendeu que, respondendo a uma proposta do primeiro-ministro, havia entidades credíveis interessadas em avançar para a exploração do Aeroporto Francisco Sá Carneiro (AFSC).
"Trata-se de um projecto de enorme interesse para o Norte e o facto de aparecerem estas quatro associações - AEP, Associação Industrial do Minho, Associação Industrial de Aveiro e Associação Comercial do Porto - e a Junta Metropolitana do Porto todas juntas na defesa deste projecto dá a verdadeira medida do significado que nós atribuímos à exploração do autónoma do AFSC para a região e os seus empresários", defendeu.
O presidente da AEP defendeu que "o AFSC é um equipamento suficientemente importante para ser gerido autonomamente pelo Norte e não pode surgir integrado num monopólio público ou privado (isto seria mais grave ainda) em conjunto com os outros aeroportos do país".
"Não temos dúvida que as outras associações do Norte, que já foram contactadas por nós, vão aderir a esta posição", adiantou.
"Dada a resposta que o Norte deu ao repto lançado pelo senhor primeiro-ministro, o Governo deve, tão quanto entender, enunciar os princípios para abertura do concurso, para se aquilatar se há ou não interessados em pagar o preço justo pela concessão", insistiu o presidente da AEP.

Preço do petróleo em queda

Boas notícias que evitam más desculpas
(CM) 5.08.08
O preço do petróleo está esta terça-feira a cair para os 118 dólares por barril no mercado de Nova Iorque.
Desde que atingiu o máximo de 147,27 dólares, atingido a 11 de Julho, o preço do crude já desceu 30 dólares.
No mercado de Nova Iorque, o preço do petróleo estava hoje cair 3,41 dólares o barril para 118.
Em Londres, o preço do brent para entrega em Setembro estava a cair 3,77 dólares o barril, para 116,91 dólares.
Hoje, a Galp baixou o preço do litro de gasóleo em 2,5 cêntimos e o da gasolina em meio cêntimo e outras gasolineiras admitem seguir o exemplo.

UMA INTERVENÇÃO INOPORTUNA

Por Mário Soares (DN) 05.08.08
Não parece ter sido muito feliz a intervenção, feita com pompa e circunstância, através das televisões, pelo sr. Presidente da República, no último dia de Julho passado, quando a maioria dos portugueses se preparava para ir de férias, procurando esquecer, por um mês, os problemas graves e complexos que os esperam no regresso. Não porque o tema que levantou não tenha pertinência e não seja uma preocupação legítima que lhe respeita. Mas pelas expectativas criadas e pelo momento e a forma que escolheu para o transmitir aos portugueses. Quando tudo vai depender da maneira como os deputados o irão debater - e tentar resolver - quando a Assembleia da República voltar a reunir-se, depois de férias. A questão que o Presidente levantou é de natureza político-constitucional e, na fase em que se encontra, cabe ao Parlamento agora pronunciar-se e não aos portugueses em geral. É por isso que vivemos em democracia representativa e num Estado de direito. E ao Presidente da República cabe a última palavra, quando tiver de homologar ou não o Estatuto. Por isso terá sido inoportuna - no tempo e na forma como a fez - a comunicação do Presidente da República.Quando os portugueses comuns estão preocupados - talvez mesmo angustiados - com outras questões, bem mais importantes, para eles, sejam continentais ou insulares: o custo de vida, a subir de forma exponencial; a crise energética e os seus efeitos nas bolsas de todos nós e nas empresas; a crise financeira, que afecta directamente todos os que têm acções na bolsa e, indirectamente, os que as não têm; o desemprego, que está a crescer não só em Portugal como na nossa vizinha Espanha, o que também nos afecta, a prazo; o escândalo da corrupção, que alastra por todo o espaço europeu e, entre nós, quando se corre o risco de suspender e arquivar os processos que resultaram da chamada "Operação Furacão", do "Apito Dourado" e outros (o que seria um escândalo e contribuiria para o descrédito definitivo da justiça portuguesa); a paralisia e crise em que está mergulhada a União Europeia - e nós com ela -, que tanto nos toca, quer queiramos quer não; a "bolha" do imobiliário, que de Espanha se repercutiu em Portugal; e tantos outros problemas que os portugueses sentem na carne.Ora, sobre tudo isto, o sr. Presidente tem-se referido sempre de fugida, muito discretamente, em breves respostas a perguntas circunstanciais que lhe fazem. Mas nunca fez um discurso de fundo. Não para pôr em causa a famosa cooperação estratégica com o Governo - que os portugueses têm, na sua maioria, apreciado -, mas para dar a conhecer o seu pensamento, aos portugueses, e indicar um rumo de esperança, quanto ao futuro.Era isso, julgo, que todos esperavam quando foi anunciada uma "importante" comunicação do Presidente aos portugueses. Daí a frustração que se seguiu à comunicação do Presidente, que a maioria não terá sequer compreendido. Uma frustração que não deve repetir-se... (...)

Redacção do "Primeiro de Janeiro" recebeu cartas de despedimento

Contra a golpada à moda da casa para surripiar o último mês e o subsídio de férias, os jornalistas em luta, com a solidariedade presente do PC e do BE. Só que do PS, nem vê-lo. Seremos nós a estar presentes com a solidariedade que outros deveriam afirmar. Mas o ano foi muito cansativo...
Jornalistas não desistem da luta

(Correio da Manhã) 05.08.08
Os 32 jornalistas da redacção do jornal ‘O Primeiro de Janeiro’, que ontem saiu para as bancas sob a égide de um novo director , Rui Alas Pereira, e com uma nova equipa, vão hoje continuar à porta do matutino que apenas será publicado de segunda a sexta-feira. O novo projecto deixou de fora os profissionais da redacção que têm em atraso um mês e meio de salário, além do subsídio de férias. (...)
Ontem de manhã os jornalistas pediram a intervenção da Inspecção do Trabalho, mas os inspectores não apareceram. "Trata-se de um despedimento colectivo até porque as razões invocadas a nível financeiro são um contra-senso, tendo em conta que até aumentaram a tiragem do jornal. Também por isso pretendíamos saber de que forma está a ser feito o jornal porque também não sabemos", disse ao CM Paulo Almeida, porta-voz dos jornalistas. "As cartas que recebemos dão-nos acesso à requisição do subsídio de desemprego, mas nada permitem em relação aos salários em atraso ou indemnizações", explicou.
Esta tarde uma comitiva do BE deve visitar os trabalhadores. Ontem, o deputado do PCP, Honório Novo, esteve no local e considerou o caso "inaceitável e ilegal".

O Primeiro de Janeiro voltou às banca ao terceiro dia com nova equipa redactorial

A já por nós esperada falência, ou seja, golpada à moda da casa...
(Público) 05.08.2008, José Augusto Moreira
Sem intervenção divina ou interpretações bíblicas, o matutino portuense voltou a publicar-se ontem, isto depois de na sexta-feira ter sido anunciado pela então directora que o centenário jornal cessaria a sua publicação durante o mês de Agosto, para regressar em Setembro depois de modernizado, tanto em termos gráficos como de conteúdos.
O nome de Nassalete Miranda foi ontem substituído no cabeçalho do jornal por Rui Alas Pereira, até agora responsável pelo suplemento O Norte Desportivo, cuja equipa redactorial, composta por dez elementos, estará agora a assegurar a publicação.
Apesar de os 32 jornalistas que na sexta-feira foram despedidos continuarem à porta das instalações, o novo director garante no seu editorial que o jornal se apresenta "de cara lavada e cabeça bem erguida" e que aquilo que designa como "um novo projecto" tem previsto o desempenho de outras funções para Nassalete Miranda.
Durante o fim-de-semana, Alas Pereira tinha já deixado indicações de que a sua equipa poderia assegurar a publicação do jornal, explicando que o essencial da mudança se explicava pela falência da empresa Fólio - Comunicação Global, Lda., à qual estava ligada a anterior equipa redactorial.
Para o Sindicato dos Jornalistas, tudo não passa duma manobra ilegal, alertando os profissionais de O Norte Desportivo (ligados a outra empresa, a Nortepress) para o facto de estarem "a ser instrumentalizados para substituir os trabalhadores que a empresa [Fólio] pretende despedir ilicitamente". O sindicato pede, por isso, que a situação seja atentamente analisada pela Autoridade para as Condições de Trabalho.

Filas intermináveis para pagar a água em Matosinhos

Veja-se a grande competência dos "serviços" privatizados. Não há dúvidas que é mesmo de mais privatizações, sobretudo de serviços, que os portugueses precisam...
(JN) 05.08.08 MARTA NEVES
Pagar a conta da água, ontem, na empresa privada Indáqua, em Matosinhos, tornou-se numa tarefa difícil, gerando o protesto de centenas de pessoas que aguardavam em extensas filas, cumprindo uma espécie de "maratona".
Na Rua 1.º de Maio à porta dos escritórios da empresa, algumas pessoas "apanhavam ar", para ganhar coragem e enfrentar a longa espera até chegar ao seu número e, assim, conseguir pagar a conta da água.
"A minha irmã chegou aqui às 11.30 horas e quando tirou a senha já estavam 300 pessoas à sua frente. Agora, fiquei eu no lugar dela e, quase às duas da tarde, ainda estão 100 pessoas à minha frente. Só tenho medo que fechem as portas às 15.30 horas e não consiga pagar a água", desabafou uma munícipe.
"Não me lembro de nada assim. O caos implantou-se, em Matosinhos, desde que o SMAS foi privatizado", acrescentou outra, enquanto enfrentava o calor que se fazia sentir dentro das instalações da Indáqua para ver "em que número é que ia". "Não acredito! Isto quase não andou", criticou.
A mesma revolta foi sentida por Alberto Pereira, que demorou "duas horas" para conseguir pagar a factura da água.
"Quando recebi o postal em casa, já não consegui pagar por multibanco, então decidi dirigir-me à Indáqua". E descreveu: "Estavam, apenas, duas pessoas a atender e, o pior, é que na sala onde está o contador, onde só estavam disponíveis 30 cadeiras, juntaram-se mais de duas centenas de clientes. Quando tirei a senha, ia no número 100 e eu era o 379! Foi uma grande confusão".
Fonte da empresa privada Indáqua esclareceu, o JN, que a "situação é normal", uma vez que "há dois meses a facturação passou de bimensal para mensal e isso tem gerado alguma confusão nas pessoas".
A mesma fonte garantiu que se espera para hoje a "mesma enchente", até porque é o último dia de pagamento da água.

Pedro Baptista acusa líder do PS-Porto de "fragilizar" candidatura de Elisa à Câmara

(Público) 05.08.2008, Filomena Fontes
Sem pôr em causa a escolha de Elisa Ferreira para encabeçar a lista do PS à Câmara do Porto, Pedro Baptista acusou ontem o líder da federação distrital do partido, Renato Sampaio, de "estar a fragilizar" a candidatura ao defender que a eurodeputada só deve abandonar Bruxelas quando for eleita."O Porto sempre olhou de soslaio para uma candidatura que é apresentada como uma segunda função. Eu sempre disse que Elisa Ferreira seria uma excelente presidente da Câmara Municipal do Porto, mas também disse que o PS precisava de uma candidatura exclusivamente centrada na vitória na Câmara do Porto e que tivesse possibilidades de fazer coligações à esquerda", argumenta.As declarações de Renato Sampaio sobre o processo autárquico no distrito, na entrevista publicada na edição de ontem do PÚBLICO, resumem-se, para Pedro Baptista, a "uma realidade virtual para esconder aos militantes que o PS caminha para o precipício".Para o candidato, que defrontará Renato Sampaio nas eleições federativas marcadas para Outubro, este cenário sombrio é a consequência do que classifica como uma ausência de liderança nestes dois anos de mandato. "O PS arrisca-se a não ganhar o Porto, a perder Matosinhos, a não ganhar Valongo", antecipa o ex-deputado, para quem a convicção manifestada pelo líder federativo de que Guilherme Pinto segurará Matosinhos se inscreve também "numa realidade virtual" que não tem em conta a fractura do eleitorado que uma candidatura independente de Narciso Miranda provocará.Quanto à disputa para a liderança do PS-Porto, Pedro Baptista rejeita as críticas de fazer uma campanha com "fait-divers", como insinua Renato Sampaio. Exige "condições de transparência mínimas", prometendo recorrer a todas as instâncias - "dentro do PS e, se for preciso, fora do partido" - para ter acesso aos cadernos eleitorais. "Recusam-se a entregar-me as listagens com as moradas e eu não posso fazer campanha sem ter contacto com os militantes", denuncia Pedro Baptista, voltando a acenar com a possibilidade de se retirar da corrida, caso não veja garantidas "a democraticidade interna e clareza legal" - o que implica, desde já, obter os cadernos eleitorais."Sou candidato, não sou vendedor de fotocopiadoras, nem de tupperwares", declara Pedro Baptista, contrariando a controvérsia (recorrente em eleições internas nos partidos), do acesso a dados confidenciais dos militantes. Pedro Baptista exige acesso às listas com a identificação e a residência dos militantes do PS no distrito do Porto.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Carlos Brito, renovador ex-PCP, recusa "avaliação positiva" a Soljenitsyne, mas enaltece a sua denúncia dos "gulag"

(Público) 04.08.2008 - 11h05 Lusa
O renovador comunista Carlos Brito recusou hoje uma "avaliação positiva" ao falecido escritor russo Alexandre Soljenitsyne devido às suas posições sobre ditaduras fascistas, mas enalteceu a denúncia que fez dos campos de concentração soviéticos.
"Sempre que uma pessoa morre, e uma pessoa com uma projecção pública tão grande, nós lamentamos. Mas eu achei-o sempre uma figura muito controversa. Por um lado era um autor importante, mas por outro sempre achei que fazia afirmações que eu, de todo, não apreciava", disse hoje à Lusa Carlos Brito.
"Lembro-me de afirmações em relação a Pinochet, em relação ao Chile, completamente desajustadas e completamente erróneas. Com uma avaliação completamente injusta acerca do caso concreto do Chile. Também fez afirmações semelhantes sobre o Franco e sobre a Espanha", especificou Carlos Brito, um histórico do PCP que se afastou do partido em 2002.
Em 1976, após a morte do ditador espanhol Franco, Soljenitsyne deu uma entrevista à televisão espanhola na qual manifestou apoio ao regime franquista e lançou críticas aos "círculos progressistas", ou seja "a oposição democrática" de liberais, sociais-democratas ou comunistas. O autor russo deu apoio semelhante ao ditador chileno Augusto Pinochet.
"Apesar de tudo, a importância dele como autor e como escritor não me fazia tomar em grande peso essas afirmações que ele tomava em relação aos regimes fascistas que vigoravam na altura no mundo", ressalvou Carlos Brito.
Sobre o papel de Soljenitsyne na denúncia dos campos de trabalhos forçados na antiga União Soviética, Carlos Brito reconhece a importância do autor russo. "Nesse aspecto não recuso, mas no balanço de tudo, em relação ao seu papel, a minha avaliação não é positiva. Embora tenha esse lado positivo [a denúncia dos campos de concentração na Sibéria], no balanço de tudo a minha avaliação não é positiva", afirmou a mesma fonte. "A literatura [de Soljenitsyne] tem aspectos positivos, como autor, como criador, como original, com uma obra importante. A denúncia também é importante. Mas por outro lado, as posições públicas que assumia levam a que não tenha, sobre a figura, uma avaliação positiva", concretizou.

Investimento industrial da Renault-Nissan em risco

Carro eléctrico sem impacto na economia
(Público) Em Linha 04.08.2008 - 09h07 Lurdes Ferreira
Empresas interessadas na rede logística de baterias estão insatisfeitas com a pequena dimensão do projecto e com a perspectiva de exclusividade para o grupo de Carlos Ghosn A fasquia para a introdução dos carros eléctricos em Portugal pode ficar abaixo do seu "patamar mínimo" e não ter impacto na indústria nacional.
O PÚBLICO apurou que as negociações com a Nissan-Renault, para uma parceria para estes veículos limpos, se encaminham para uma versão "reduzida", ficando-se apenas pela sua comercialização, sem qualquer produção industrial associada. O risco de desmobilização de várias empresas portuguesas, que se propunham avançar com uma rede logística de carregamento e substituição de baterias para os carros eléctricos, também é considerado real por parte de alguns dos seus promotores.
Apontam-se, neste momento, vários pontos de pressão, incluindo-se uma crítica ao ministro da Economia, Manuel Pinho, por deixar cair esta oportunidade para captar novo investimento industrial. As negociações entre o Governo português e a Renault-Nissan arrancaram em Março, visando uma série de investimentos que acelerassem a investigação, desenvolvimento e produção de carros eléctricos, de componentes, nomeadamente motores e baterias, sendo para isso necessárias também infra-estruturas específicas que os projectos automóveis convencionais não incluem. Este era o plano "óptimo". O "patamar mínimo", nestes termos, limitar-se-ia, na perspectiva portuguesa, à produção de baterias, implicando um provável aumento da produção da fábrica de Cacia.
No final de Junho, já se reconhecia o risco de esse objectivo não se encaixar nos planos do construtor, que excluiria Portugal da rota prioritária de países europeus com os quais quer formar parcerias para a investigação e desenvolvimento destes seus novos modelos ainda centrados na utilização citadina.
Em cima da mesa está agora uma versão que, para quem conhece as negociações, é um projecto basicamente de "retalho" - importação e venda de carros eléctricos da Nissan-Renault -, com alguma antecipação em relação à concorrência e para o qual o construtor quer rede logística exclusiva e incentivos para o projecto. O protocolo assinado dia 9 de Julho passado entre o primeiro-ministro, José Sócrates, e o líder da Nissan-Renault, Carlos Ghosn, já é nesse sentido que vai. O estudo de viabilidade do projecto, que deverá ser conhecido em Novembro, aponta para a importação de quatro mil veículos em 2011. Dentro do consórcio formado pela EDP, Galp, Brisa, Efacec, Martifer, Jerónimo Martins e Sonae, para a construção da rede de recarregamento e substituição das baterias eléctricas, o clima é de cepticismo. Feitas as contas, a perspectiva de uma rede logística para apenas quatro mil veículos, quando inicialmente se falava numa margem entre quatro mil a onze mil carros, acrescendo o facto de a Renault-Nissan querer um sistema exclusivo, não agrada."Não tem dimensão, ninguém vai fazer [a rede] e não faz sentido ser exclusiva de uma marca. O sistema deve ser aberto", defende um dos gestores ligado ao projecto, esperando que o Governo associe outras marcas à iniciativa, nomeadamente a VW e a BMW, também a desenvolverem veículos híbridos.
As empresas alertam ainda para o risco de os municípios olharem para este tipo de projectos como uma nova fonte de receita, o que pode onerar o custo do investimento e o acesso ao financiamento.
Apesar de contactado o gabinete do ministro da Economia, não foi possível obter qualquer comentário de Manuel Pinho por se encontrar em férias.
O investimento em carros eléctricos tem duas grandes implicações, o que faz com que as políticas governamentais o tratem ainda com desconforto: seca a receita fiscal que o sector automóvel garante ao Orçamento do Estado e exige outros investimentos a montante, nomeadamente na rede eléctrica, de modo a garantir que a energia fornecida às baterias é também limpa e não produzida a partir do carvão e do gás natural. Quantos mais carros eléctricos circularem, menos o Estado cobra em Imposto sobre Veículos (os carros eléctricos estão isentos) e Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (não usam combustíveis fósseis), responsáveis por cerca de 10 por cento das receitas fiscais totais.

Peritos advertem para "perigos" de privatizar aeroporto

O debate a sério... Mas dentro em pouco vai ser hora das decisões... E falta o cenário da gestão mista pública regional-privada que o Dr. Rio, pelos vistos, já deixou cair a favor da entrega aos privados, para a negociata pura e simples.
(JN) o4.08.08 A adopção do modelo de gestão privada autónoma no Aeroporto Sá Carneiro divide os especialistas em transporte aéreo, que salientam os benefícios da gestão privada, mas advertem para um possível aumento dos preços.
Os presidentes da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, e quatro associações empresariais do Norte reclamam, em conjunto (tal como o JN tem noticiado), uma decisão política que possibilite que o aeroporto do Porto seja concessionado a privados e não integrado num monopólio privado dos três maiores aeroportos do país, na sequência da concessão do novo de Lisboa. Essa tomada de posição surge após os cinco responsáveis terem enviado a Sócrates uma carta em que defendem a gestão privada autónoma, mas que ainda não teve resposta.
O coro de críticas ao investimento que o consórcio Sonae-Soares da Costa pretende fazer, com apoio político na região alargou ao sector privado. Agora, chegou a vez do BPI dizer que se trata de um maus negócio.
Álvaro Costa, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, defende que "a privatização da ANA deve ser feita aeroporto a aeroporto", e a privatização do Sá Carneiro "será um negócio rentável". "Com o nível de tráfego que tem, o negócio deverá ser rentável e bem interessante".
Fernando Branco, professor da Universidade Católica, que participou num estudo que analisou vantagens e inconvenientes de gerir os aeroportos nacionais em rede ou de forma desintegrada, vê "com alguma dificuldade a viabilidade de um modelo de gestão autónoma que fosse rentável". "Tendo em conta a dimensão do nosso sistema aeroportuário, o modelo centralizado que temos, baseado na partilha de risco entre os vários aeroportos, é o que nos parece sustentável", defendeu. "Não consigo encontrar boas razões para justificar que pudéssemos ganhar fazendo transferência para a gestão privada", disse.
Também Alejandro Gaffner, que dirigiu as Orientações Estratégicas para o Sector Aeroportuário Nacional, elaboradas em 2006, considera mais vantajosa a adopção de um modelo de gestão em rede. "Com uma estratégia coerente para o Sá Carneiro, com ele a crescer bem e considerando a intenção de privatizar a ANA, acho que seria lógico preservar a rede", sustentou. "O "Sá Carneiro" tem ganho quota de mercado aos aeroportos da Galiza, atraiu mais companhias low cost e oferece mais qualidade de serviço".

domingo, 3 de agosto de 2008

As escolas devem pagar aos alunos que tiram boas notas?

Estamos mesmo a chegar ao fim da linha... A escola transformada em igreja do liberalismo ao serviço da selvajaria capitalista... O "mundo cão" no seu pior. Só nos faltava mesmo este admirabilíssimo "mundo novo" que pensávamos enterrado há muito...
(Público) 03.08.2008, Natália Faria
Dar dinheiro aos alunos que tiram boas notas nas escolas públicas é uma prática que está a ganhar cada vez mais adeptos. No Brasil, no México, mas também em Nova Iorque, nos EUA, onde os pedagogos anseiam pelos resultados de um projecto experimental que prevê o pagamento de alguns dólares aos estudantes que tiram boas notas nos exames e que abrange 58 escolas daquele Estado.
Por cá, a moda ainda não pegou. O máximo a que se chegou foi à criação dos prémios de mérito, mediante os quais o Ministério da Educação prevê a atribuição de um prémio de 500 euros aos melhores alunos do ensino secundário, já no próximo dia 12 de Setembro.
Esta tendência, porém, está a preocupar os especialistas ouvidos pelo PÚBLICO, que se mostram receosos quanto aos efeitos que esta importação do modelo empresarial para as escolas poderá ter no desenvolvimento dos alunos.
"Tudo isto é uma deturpação dos valores que a escola deve passar e que devem ir no sentido de criar cidadãos conscientes e intervenientes na sociedade porque querem ser felizes. E isto não se faz pondo as crianças a cumprir tarefas a troco de dinheiro", considera a psicóloga Rita Xarepe, para quem "é errado pensar-se que os miúdos não são melhores alunos porque não querem e que passarão a sê-lo a troco de dinheiro". A partir da experiência que decorre em Nova Iorque e que abrange crianças dos oito aos 11 anos de idade, muitas das quais provenientes de meios marcados por fenómenos como o abandono escolar e a exclusão social, Rita Xarepe diz temer também os efeitos que tal prática terá na relação das crianças com a família. "Imagine a pressão de uma família sobre uma criança que deve ir à escola e ganhar dinheiro: já não lhe basta sentir que não é boa aluna e ainda tem que sentir que não está a levar dinheiro para casa e que a responsabilidade é dela."
O pedagogo Sérgio Niza também olha horrorizado para a remuneração do desempenho escolar. "É um truque ridículo que assenta na brutal ignorância dos governantes acerca das questões da Educação", qualifica este professor no Instituto de Psicologia Aplicada, lamentando que "as pessoas que gerem a Educação tenham esquecido que esta é um contrato de natureza social, onde adultos e jovens se comprometem entre si a atingir metas de conhecimento". Fundador da "Escola Moderna" - um movimento de professores que aposta na maior participação dos alunos na aprendizagem -, Sérgio Niza acrescenta em tom de alerta que "o comércio e o lucro não são os valores adequados para preservar e promover a responsabilidade".
Na mesma lógica de raciocínio, Rui Trindade, professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, diz que "não é através de prémios financeiros que se resolve o problema da falta de sentido da escola". "Não me admiraria se os meninos começassem a viver na competição e se metessem a fazer batota ou a tomar drunfos para aguentar", antevê, insistindo que o desafio a não perder de vista é conseguir que a escola faça sentido para os alunos. "Eu, como professor, tenho que ser capaz de imprimir um sentido àquilo que peço aos meus alunos e de lhes transmitir que o exercício que lhes estou a pedir lhes permitirá dar um salto em frente e que isso nem sempre é uma coisa lúdica, que implique recompensa imediata." Noutra perspectiva, este "abrir da caixa de Pandora", como qualifica Rui Trindade, poderá deixar para trás os que têm mais dificuldade em obter boas notas. "Se os bons alunos são bons alunos, por que é que precisam de receber dinheiro? Não conseguimos que eles tirem prazer do facto de serem bons alunos sem ser pagando-lhes? Por outro lado, já tive crianças que nunca tinham tido uma positiva e que, por via do esforço e investimento, tiveram um dia um dez. Eu quero saber se essa gente não tem que ser valorizada pelo esforço que fez." Sérgio Niza vai mais longe ao considerar que "não viria mal nenhum ao mundo se deixasse de haver atribuição de notas nas escolas". A quem o ouve com cepticismo, o pedagogo aponta o exemplo da Finlândia, país que obteve a melhor classificação nos três últimos Pisa - o programa de avaliação de alunos que abrange estudantes do ensino secundário de 57 países. "Na Finlândia, não há exames e os alunos progridem automaticamente, porque lá, em vez de se gastar brutalidades com alunos a repetir anos inteiros, o dinheiro é aplicado em professores auxiliares e assistentes que se vão encarregando dentro das salas de aula de não deixar atrasar os alunos." Olhando para a realidade portuguesa, o pedagogo lamenta que se tenha enveredado pelo caminho da competição dentro das escolas, antes de apontar o que considera ter sido um erro crasso da actual ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, "que resolveu tornar públicos os resultados das provas aferidas, independentemente de dizer que não reprova as crianças". "Os professores começaram a reter os alunos no segundo e terceiro anos para não chegarem ao quarto e sentirem vergonha por ver maus resultados dos seus alunos expostos perante todos." Michael Bloomberg, o mayor de Nova Iorque, pagará até 500 dólares aos alunos com melhores resultados

sábado, 2 de agosto de 2008

Siza zangado com Câmara do Porto por causa dos Aliados

Entre a Câmara e os projectistas venha o Diabo, escolha e leve os dois! Destruiram a zona mais bela da cidade, com jardins que a personalizavam, e transformaram-na num terreiro de feira para eventos que não passam de feiras da ladra. A destruição dos jardins foi um crime. A preservação da estatuária, depois daquele blitzkrieg de calhau a imitar qualquer cidadezeca espanhola, o máximo do ridículo. Depois de destruirem, ou por má consciência ou por não terem que fazer ao nosso dinheiro, querem agora arranjar. Pois que se arranjem. É claro que a responsabilidade principal pela destruição da Avenida dos Aliados é do poder político, da Câmara que é quem manda e quem acedeu aos projectistas.
(Público)02.08.2008, Natália Faria
A O arquitecto Siza Vieira, um dos autores do projecto que mudou a face da Praça dos Aliados e da Avenida da Liberdade, acusou ontem a Câmara do Porto de ter feito alterações ao local sem a respectiva autorização dos projectistas. "Considero absolutamente inacreditável que se façam alterações como as que foram feitas sem dizer nada aos projectistas", declarou ao PÚBLICO. Em causa está a mudança das árvores que para ali foram pensadas (por Siza Vieira, mas também por Souto Moura, parceiro no projecto), bem como a colocação de bancos nos passeios. Quanto aos bancos, Siza Vieira admite ter sido previamente contactado pela autarquia. "Foi uma cedência depois de uma pressão muito grande que sentimos por parte da autarquia." Apesar de considerar que os bancos "não comprometem o projecto", Siza diz que não gosta da solução. "Aquela avenida tem uma pendente e, apesar de os passeios serem largos, não é muito apetecível estar sentado naqueles bancos." Quanto às árvores, o projecto original propunha a colocação de acer platanóides (mais conhecidos como bordos) em redor da fonte e para completar o alinhamento ao longo da avenida, bem como de alguns carvalhos ao fundo da praça. Mas, segundo Siza, "houve árvores contempladas no plano que não foram colocadas", sendo que, "em determinada altura houve ordem para as colocar e depois houve uma suspensão" cujas razões o arquitecto diz não entender. Pior do que isso é que os acer foram substituídos, em Novembro de 2006, por magnólias de folha perene. "É uma espécie absolutamente exótica e estranha ao ambiente da avenida", lamenta Siza, acusando a autarquia de ter desrespeitado o estipulado no respectivo contrato. "Estava especificado que, se alguma árvore morresse, o construtor era obrigado a repor as árvores de acordo com o projecto e isso não aconteceu. Aliás, a câmara procurou foi lançar a ideia de que as árvores tinham sido mal escolhidas."Por causa do ocorrido, Siza Vieira deixa entender que, enquanto o actual executivo liderado por Rui Rio se mantiver, não aceitará novo convite para intervir no espaço público da cidade. "Felizmente, quem está no comando de uma cidade também muda", declarou, adiantando que não pretende, apesar disso, accionar qualquer queixa. "A História registará que o projecto foi alterado sem sequer haver essa coisa elementar de pôr o problema aos projectistas", conclui.

Câmara ameaça processar empresa a quem adjudicou recuperação do Bolhão

Esta é de rir! Pois, os homens não devem ser doidos para assinar um projecto criminoso que o povo do Porto e o país nunca deixarão ir para a frente... A TCN mostra ter mais juízo e mais bom senso que esta Câmara que deveria defender a cidade.
(Público) 02.08.2008, Mariana Oliveira
Autarquia ameaça levantar caução de 250 mil euros e interpor acção judicial, se empresa não assinar contrato. TCN diz querer acautelar interesses no texto.
As palavras do vereador Lino Ferreira, responsável pelo pelouro do Urbanismo e Mobilidade na Câmara do Porto, soaram a ultimato. O autarca convocou ontem uma conferência de imprensa para denunciar publicamente a "série de adiamentos" que a TramCroNe (TCN), a empresa a quem a autarquia adjudicou a reabilitação do Mercado do Bolhão, tem protagonizado, impedindo a assinatura do contrato entre as duas entidades.

Três pontes no Douro custam um décimo da nova ponte de LIsboa

É, com efeito, no mínimo, "inconcebível" e "miserabilista" que não se entendam, ainda para mais duas Câmaras comandadas pela Direita. Está-se mesmo a ver que, tanto o Porto como Gaia, precisam de uma grande "reforma" a nível do poder político-partidário municipal. Que adianta dizerem coisas tão certas sobre os investimentos governmentais em Lisboa para depois nem sequer serem capazes de se entenderem das duas bandas do Rio Douro?
(Público)02.08.2008, Aníbal Rodrigues
Construir três pontes sobre o rio Douro, uma capaz de suportar tráfego rodoviário e o metro, outra para o comboio de alta velocidade e uma última pedonal, custa cerca de 60 milhões de euros. Um valor que representa dez por cento do que custará a nova ponte sobre o Tejo, entre Chelas e o Barreiro, segundo o projectista Adão da Fonseca, autor da Ponte do Infante entre o Porto e Gaia."É um décimo do que vai custar a ponte Chelas-Barreiro, sem contar com os acessos", afirmou ontem Adão da Fonseca, durante uma conferência de imprensa em que o vice-presidente da Câmara de Gaia, Marco António Costa, propôs a formação de uma comissão técnica, composta por representantes da sua autarquia (entre eles, Adão da Fonseca) e do município do Porto, com o intuito de se encontrar um "consenso" em matéria de pontes futuras. Isto porque a Invicta já veiculou posições diferentes no que diz respeito a travessias sobre o Douro, tendo também apresentado algumas ideias e projectos próprios. Marco António Costa, que irá formalizar este repto, junto da Câmara do Porto, durante a próxima semana, considera que o entendimento entre os dois municípios deve ser atingido até final de Referência Estratégico Nacional (QREN). O autarca não apenas concorda com a comparação de Adão da Fonseca como a vincou ainda mais. "Nós estamos a discutir uns míseros 60 milhões de euros quando em Lisboa se estão a discutir milhões e milhões", afirmou Marco António Costa, ilustrando a sua opinião com um exemplo concreto: "O pagamento por parte do Estado de um terreno à Câmara de Lisboa para construção do Hospital de Todos os Santos dava para construir as três pontes. Já no resto do país, se as câmaras querem ter hospitais ou esquadras, têm de doar os terrenos", lamentou.
Na perspectiva do "vice" de Luís Filipe Menezes, é inconcebível que o Porto e Gaia não consigam entender-se perante o desígnio de conseguirem mais travessias que liguem as duas cidades. "O que está em causa é muito mais do que a decisão de dois presidentes de câmara, é uma solução de região e de país", valorizou. O autarca voltou a insistir na premência de aproveitar apoios do QREN para estes projectos. Além disso, segundo os seus cálculos, o custo das três pontes representa cerca de um quinto do orçamento anual da sua autarquia. "Seria um sinal de miserabilismo da nossa parte os dois municípios não se entenderem", avisou.
Porto e Gaia até podem defender, actualmente, visões díspares no que diz respeito a novas pontes sobre as águas do Douro, mas os projectos de duas destas infra-estruturas, apresentados ontem por Adão da Fonseca, até resultam de um protocolo de 7 de Dezembro de 2001. Protocolo esse que foi assinado pelas câmaras do Porto e de Gaia, pela RAVE, Metro do Porto e Universidade do Porto.
As duas pontes, uma destinada ao tráfego rodoviário e ao metro ligeiro, a outra à rede de alta velocidade, foram projectadas por Adão da Fonseca, enquanto Siza Vieira dirigiu e coordenou os respectivos estudos urbanísticos e paisagísticos.
Há 63 anos, um dos crimes mais hediondos da história da Humanidade...

Líder do PS/Porto poderá ser número dois de Elisa

Isto já vai assim?
(JN) 1.08.08 C.S.
Candidatos e lugares na lista apenas serão discutidos após o Verão, mas fala-se já na hipótese de Orlando Soares Gaspar, líder da Concelhia do PS/Porto, ser o número dois numa candidatura de Elisa Ferreira à Câmara.
A eurodeputada encontra-se de férias e o dirigente do PS/Porto estará ausente na segunda quinzena de Agosto, pelo que o assunto apenas será analisado a partir de Setembro.
Até lá, Soares Gaspar mantém-se em silêncio. Sem dar ainda como confirmado o nome da eurodeputada para defrontar Rui Rio, diz ser "extemporâneo, inconsequente e sem objectividade" qualquer comentário que possa ser feito agora.
"Tudo depende das decisões que o partido tomar em relação às candidaturas para a Câmara do Porto", reagiu, Soares Gaspar, questionado sobre a possibilidade ser o número dois de Elisa Ferreira na Autarquia.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Boavista Futebol Clube

no seu 105 aniversário

Honra e Glória!

Solidariedade portuense!

Salários podem vir a ser pagos em espécie sem acordo do empregado

Dá para acreditar?...
(Público) 01.08.2008 - João Ramos de Almeida
Parceiros garantem que a questão não consta do acordo que assinaram na concertação social
A proposta de lei de alteração da legislação laboral prevê que o trabalhador já não tem de dar o seu acordo para que parte da retribuição a que tem direito seja paga em espécie. A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) está contra. A União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) confirmam que a questão não estava no acordo tripartido com o Governo. Já o Governo não respondeu ao pedido de esclarecimento do PÚBLICO. O pagamento das retribuições em espécie não é novo. Conceptualmente, trata-se de toda a retribuição que não é paga em dinheiro e representa uma prática que abrange diversas actividades. É o caso, por exemplo, da pesca, em que parte da retribuição é dada em peixe. Muito recentemente, os mineiros de Aljustrel queixaram-se de lhes terem sido retiradas as senhas de leite (um litro por dia útil), uma "regalia conquistada há mais de 30 anos". Na panificação, recebe-se em pão e na hotelaria e restauração são concedidas refeições. Na banca, espalha-se o pagamento de seguros médicos ou de saúde, tickets refeição, carro da empresa, telemóvel ou plano de pensões. O próprio Instituto Nacional de Estatística (INE) contabiliza o seu valor no âmbito das contas nacionais, mas não as divulga. Os valores são integrados na rubrica "Ordenados e salários". O Código de Trabalho de 2003, em vigor, também a prevê. Mas no caso das "prestações de outra natureza" é necessário o acordo do trabalhador. "As prestações não pecuniárias devem destinar-se à satisfação de necessidades pessoais do trabalhador ou da sua família". E essa parte da retribuição "não pode exceder a parte paga em dinheiro", salvo se a regulamentação colectiva assim o determinar. Ora, a proposta de alteração da legislação laboral manteve o que estava em vigor, mas deixou cair a obrigatoriedade de haver um acordo com o trabalhador. (...)

Região Norte é a única solução para o país

Muito bem dito, Carlos Lage, camarada e amigo! Assim te ouçam! O que não é garantido. Mas se conseguirmos ser ouvidos por esta via, ou seja pela de demonstrar que a ruína do Norte é a ruína do país tal como o contrário, não deixa de ser espantoso. É que se a NOSSA ruína fosse apenas NOSSA, pouco lhes importaria. Só importará por ser também a DELES. É assim que ponhem as coisas: entre ELES e NÓS. É que para ELES não somos todos NÓS.PB
(JN) 01.07.2008 Reis Pinto
"Uma região que assegura mais de 40% das exportações de um país não está em declínio. E o Governo já percebeu que a aposta no Norte é a única solução para o país", afirmou, ontem, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), Carlos Lage.
De acordo com dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE), a economia da região Norte, cresceu, em 2006, acima da média nacional. O mesmo havia acontecido em 2005 (0,6%) e, citando Carlos Lage, "agora temos a confirmação de que aquele bruxulear trazia uma luz".
Comentando os dados do INE, o presidente da CCDRN constatou a sua correlação com o aumento das exportações portuguesas. "Quando as exportações aumentam o Norte cresce mais. E, se for assim a região poderá ter crescido, no ano passado, acima dos 1,9%. Por isso, temos de reflectir sobre o actual modelo económico do país. É necessário saber se Lisboa é o motor da economia ou se beneficia apenas dos gastos públicos e dos centros financeiros que lá estão instalados, e dos salários superiores", considerou Carlos Lage.
Belo texto da Sra. directora. Mas quanto ao ideal do patrão, e já agora ao carácter, não passará também por pagar a quem trabalha? E por pagar os impostos em lugar dos subterfúgios das ajudas de custo? E por pagar as justas indemnizações em lugar de truques dilatórios? Ou estas "especulações" são desmentidas? Vamos lá a ver como vai ser para a semana... Tendo vindo a melhorar de dia para dia, notando-se uma crescente difusão, com o Suplemento literário a mostrar uma implantação cada vez maior, como se explica "numa boa" o que se passa?PB(PJ) 1.8.2008 Editorial Nassalete Miranda
São legítimas as diversas leituras sobre este intervalo, já o mesmo não se aplica à especulação gratuita, que nestes casos, só existe para ferir gravemente os projectos. São difíceis os dias que atravessamos. Mas é na adversidade que sobressai o carácter dos indivíduos. Mantemo-nos firmes na defesa dos nossos ideais como empresa de comunicação, que em quase 140 anos de vida, nunca teve necessidade de interromper a sua publicação diária. Fá-lo hoje. Mas não é um adeus. É um até para a semana. O nosso jornal é forjado na honra, da defesa dos princípios de liberdade, de cidadania, de serviço para com o público, que tão generosamente nos acompanha. Precisamos de todos, os que estão e de todos os restantes, para o nosso reaparecimento.Assumimos este compromisso. Fazemos falta. Temos o nosso espaço na cidade, na Região Norte, nesta geografia de gente que não se abala facilmente, que encara as dificuldades como oportunidades de fazer melhor. Mantemos o propósito de uma linha editorial focada na informação do que por cá acontece, ou falta acontecer.A cultura é a nossa tradição. É o nosso futuro. Somos nós.A cultura continuará a ser o nosso caminho.A história do JANEIRO é o seu património. O Janeiro não é só o diário mais antigo do Porto. O JANEIRO é o Porto! Quantas vezes nos querem fazer invisíveis. Mas nós existimos.Não nos limitamos a viver.A todos, amigos, colaboradores, assinantes, anunciantes e leitores, que nos têm acompanhado e por nós esperam, um obrigado do tamanho que não cabe nestas linhas. A todos estendemos as mãos. De todos recebemos abraços. A todos até para a semana.

Mons parturiens: a montanha pariu um rato

Como é possível "gastar-se" uma comunicação presidencial com um tema destes? Na próxima comunicação, nem que seja para decretar o estado de emergência, ninguém ligará patavina. Três anos em Belém e já não há qualquer noção da realidade do país. (Preferimos nem inserir imagens)
O Presidente da República justificou hoje a sua comunicação sobre o Estatuto Político-Administrativo dos Açores por considerar que se está perante um "precedente muito grave para o equilíbrio dos poderes dos órgãos de soberania".

PJ não sai sábado e redacção demitida em bloco

Não se pode pôr uma flor no blog que não surja logo mais uma notícia trágica para o Porto!...
Neste caso o centenário PJ, uma presença diária nas notícias nortenhas, o único suplemento literário e artístico que resistia no país e que, por acaso ou não, melhorava de semana para semana, em todos os aspectos.
Os contornos do processo são ainda núbilos, mas que não se pode esperar nada de bom, não pode. Voltará o jornal? Então tudo terá sido mais uma golpada patronal para não pagar acima dos quinhentinhos e subtrair aos trabalhadores o subsídio de férias com o lançamento do novo título com nova empresa? E se estávamos perante um fuga patronal ao fisco, como são os trabalhadores a padecerem? A nova empresa é uma fuga à velha empresa que terá de ajustar contas com o fisco nos tribunais? Daqui a uns anos com direito a recurso? E como é possível, neste contexto, um despedimento em bloco sem indemnizações? Há quem diga que em matéria laboral voltamos a antes do 25 de Abril mas a verdade é que, precisamente nessa matéria, mais parece termos voltado ao Século XIX. Bom, foi um século de grande lutas. A pouca vergonha está a bater no fundo. Não demorará as coisas virarão. Mas isso depende sobretudo dos trabalhadores. Há medo e paninhos quentes a mais...PB(Público) Em Linha 31.07.2008 - 21h45 Luís Miguel Queirós, Ana Cristina Pereira
A desconfiança pairava na redacção. Os jornalistas temiam o pior quando a directora de “O Primeiro de Janeiro”, Nassalete Miranda, hoje convocou uma reunião geral. “O jornal vai fechar”, comentava-se em surdina.
Não foi bem isso. Miranda disse que o jornal seria suspenso durante o mês de Agosto, e que era preciso “tempo para a modernização”. Os trinta trabalhadores seriam despedidos em bloco. Nenhum teria direito a receber uma indemnização. Accionar-se-ia o fundo de garantia salarial. Os que desejassem seriam contratados para a nova empresa, o novo jornal seria feito com uma equipa mais ou menos do mesmo tamanho. E a aposta continuaria “a ser no noticiário do Porto, da região Norte e da cultura”. Sábado “O Primeiro de Janeiro” já não sai.

Nervosos, os trabalhadores arrumaram as suas coisas dentro de caixas. À porta, fumavam-se muitos cigarros, discutia-se muito o futuro. Há quem ali já trabalhe há 14 anos.

Ao mesmo tempo, na empresa que trata dos cadernos especiais e da publicidade do jornal, era apresentado um novo projecto que mantinha o título d’ “O Primeiro de Janeiro”. O periódico renasceria com novo grafismo e com um aumento de tiragem de 20 mil para 50 mil exemplares. Foi mesmo mostrado o novo cabeçalho, no qual se faz referência aos 140 anos do título e se inclui o slogan “ontem, hoje, amanhã”. A aparente contradição entre o despedimento em bloco da redacção e o anúncio do novo projecto leva alguns jornalistas a admitir que possa estar a ser preparada a conversão do Janeiro em gratuito. Há trabalhadores que não receberam as ajudas de custo de Junho; tão pouco o salário, as ajudas de custo de Julho, sequer o subsídio de férias. Há um mês, a directora “convidou” cinco jornalistas a sair – tais demissões não chegaram a ser negociadas ou oficializadas.

Por volta de Abril/Maio, vários trabalhadores receberam intimações das finanças para pagar IRS referente a “ajudas de custo”. As finanças tinham feito uma fiscalização e detectado uma suposta prática de pagamento irregular. No recibo de ordenado constava 493 ou 510 euros; o resto, que podia ser um valor semelhante, entrava como “ajudas de custo”.

Na terça-feira, houve uma inspecção de trabalho na redacção, que também detectou insalubridade.

Fundado a 1 de Dezembro de 1868, por alguns dos promotores da revolta portuense da Janeirinha, que eclodira em Janeiro desse ano, “O Primeiro de Janeiro” começou por ser o órgão do Centro Eleitoral Portuense. Deve-se a um comerciante enriquecido no Brasil, Gaspar Ferreira Baltar, que assumiu a orientação do matutino em 1870, o impulso que transformou uma folha ideológica num diário de grande informação. Mas o grande responsável pela “idade de ouro” do jornal foi sem dúvida Manuel Pinto de Azevedo, que dirigiu o Janeiro durante 40 anos, de 1936 a 1976.

Liberal convicto, impôs durante a Segunda Guerra uma linha editorial favorável à causa dos Aliados. O jornal revolucionou a imprensa da época, dando grande atenção ao noticiário internacional. Outro trunfo era o grupo de colaboradores literários, que incluía boa parte dos mais relevantes autores do tempo. A qualidade compensou: aos domingos, chegava a vender mais cem mil exemplares.

No início dos anos 70, as tiragens já andavam longe destes números, mas a decadência irreversível do jornal iniciou-se com a administração do Consórcio Difusor de Notícias, que reunia um grupo de personalidades próximas do CDS.

Ao longo dos anos 80, sucedem-se os directores – Freitas Cruz, Pedro Feytor Pinto, Alberto Carvalho e Agustina Bessa Luís e José Manuel Barroso. Em 1991, o encerramento pareceu irreversível, quando a Lisgráfica se recusou a continuar a imprimir o jornal.

Mas um grupo de investidores liderado por Eduardo Costa, proprietário da Folha de Azeméis e de outros jornais regionais, apostou em viabilizar o matutino. O empresário, que é ainda dono do jornal, foi condenado recentemente por um crime de fraude postal no início dos anos 90, decisão da qual já anunciou que vai recorrer.