quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O que dizem os pais da Escola D.Maria de Coimbra
Somos Pais e Encarregados de Educação de Alunos da ESCOLA SECUNDÁRIA COM 3º CICLO INFANTA D. MARIA, habituados a contar com uma escola organizada, exigente, de clima estável e pacífico, como convém a uma instituição de ensino de referência como esta. Como parte interessada e interveniente no processo educativo, tal como está consagrado no actual modelo de gestão escolar, pretendemos chamar a atenção da tutela, dos agentes sócio-educativos e da sociedade civil em geral para a situação preocupante que se vive nesta Escola e que julgamos não ser caso isolado no panorama nacional.

É com grande preocupação que temos vindo a assistir a situações que podem fazer perder progressivamente os atributos que nos levaram a procurar esta escola como a melhor para os nossos filhos. A grande quantidade de legislação que durante todo o ano passado foi chegando à escola obriga a um esforço enorme de reajustamento, perturbando a organização — o Conselho Executivo ficou totalmente mergulhado na burocracia, enquanto, pelo lado dos professores, o cansaço e a insatisfação, devido às mudanças que não aprovam ou não compreendem, contaminaram o clima geral, ameaçando parâmetros como a exigência. Arriscamo-nos a ter professores mais ocupados com a implementação das novas regras do que com a preparação das aulas e mais absorvidos com o futuro das suas carreiras do que com o futuro dos seus alunos.

Este ano lectivo, o grande número de professores que solicitou a aposentação na Escola Infanta D. Maria, mesmo sujeita a penalizações (20% dos professores da Escola, se contarmos as aposentações que se prevêem até final do ano) acrescido ao daqueles que tem recorrido a atestados médicos por doença — tem deixado muitos alunos sem aulas e tem sobrecarregado desmesuradamente os professores remanescentes com aulas de substituição (durante só uma semana no mês de Outubro deram-se 100 aulas de substituição!). Vemos cansaço prematuro e sinais de desmotivação em professores e alunos com risco para as aprendizagens, grupos disciplinares desfalcados dos seus elementos mais experientes (História perdeu todos os professores do quadro, Físico-Química perdeu 4 num grupo de 9), turmas do 7º ano desde 23 de Setembro até agora sem professor a disciplinas fundamentais como o Português!

Lamentando a perda de um corpo docente experiente e estável, uma das garantias de qualidade desta instituição, indagamos então:

— o que levará estes professores, que tanto têm ainda para dar ao sistema, a recorrer à aposentação prematura?


No passado, as aposentações aconteciam espaçadamente e de forma gradual; hoje, antecipam-se e acumulam-se. No passado, as substituições de professores podiam ser solicitadas semanalmente; hoje só podem ser pedidas por ciclos abertos quinzenalmente, o que atrasa visivelmente o processo e prejudica os alunos.

Somos, então, levados a perguntar:

­— será este método de substituição de professores o mais adequado?

Estamos convictos de que certas mudanças eram necessárias, nomeadamente um processo de avaliação de desempenho dos professores, mas aos nossos olhos de Pais e Encarregados de Educação, a perturbação causada por este modelo de avaliação no funcionamento normal da escola prejudica o fundamental que é ensinar e aprender.

— irá este modelo de avaliação contribuir para uma escola melhor?

— não estaremos perante sinais de alerta que apontam para uma escola burocratizada em vez de uma escola de qualidade?

Não queremos perder professores disponíveis para os alunos, capazes de os motivar para a aprendizagem com entusiasmo e exigência, fazendo da qualidade das suas aulas o objectivo fundamental do seu desempenho profissional.

Não queremos ganhar, em vez disso, burocratas que esgotam as energias no preenchimento de tabelas, objectivos e planificações: é que podem passar a ver números no lugar dos rostos dos nossos filhos.

Por tudo isto decidimos que tínhamos que nos fazer ouvir!


Coimbra, 6 de Novembro de 2008
A Associação de Pais e Encarregados de Educação
da Escola Infanta D. Maria
Portugal pode mandar mais tropas para o Afeganistão
(JN) 13.11.2008 Em Linha
Era mesmo só o que nos havia de faltar! Na altura de sair, entrar com mais força! Que temos nós a ver com a invasão do Afeganistão? Temos cá uns bons afeganistões, económicos, sociais e mesmo culturais para tratar. Que andamos a fazer, em termos militares, um pouco por toda a parte, exceptuando Timor onde detemos resposabilidades históricas? Bósnia, Congo, Líbano, Afeganistão... E que fazem no Afeganistão as tropas de ocupação "ocidentais"! O "governo" de Cabul arranjado pelo norte-americanos é melhor do que o dos talibãs? Em quê? Temos dinheiro a mais? Não bastou a "brincadeira" colonial? Depois de corridos os britânicos (como tão bem relata Eça de Queirós em "Cartas de França e de Inglaterra"), depois de corridos os soviéticos (a receita é sempre em dez anos), por alma de quem nos prestamos ao mesmo papel - o de corridos? E o Atlântico já invadiu o Índico? (PB)

O ministro português da Defesa Nacional, Nuno Severiano Teixeira, defendeu, esta quinta-feira, no Parlamento, que as missões militares internacionais são uma "prioridade política"do Governo e admitiu um eventual reforço de tropas no Afeganistão.
Questionado pelos jornalistas, no final da discussão na especialidade para o sector da Defesa, Severiano Teixeira, defendeu que o reforço de 20 por cento no Orçamento de Estado para 2009 em termos de missões externas, traduz "a prioridade política que o Governo atribui às missões internacionais das Forças Armadas".
"Temos de acompanhar com cuidado e com prudência a evolução da situação no terreno, a situação que a Aliança Atlântica vai analisando e, no momento próprio e nos locais institucionais próprios, naturalmente que essa questão será ponderada", acrescentou.
"Portugal vai manter o empenhamento em todos os teatros de operações onde está. Para além disso, vai exercer o comando da força naval da NATO e o comando da EUROFOR (Força Europeia de Reacção Rápida) também para o ano", explicou o governante, após a reunião com a Comissão Parlamentar de Defesa.
Norte bate recorde de taxa de desemprego
Como se vê, infelizmente, não somos nós que inventamos. Quem inventa, quem engana, quem mente sobre a realidade económica e social do Norte, é quem vem descrevê-lo como um paraíso rosa, como aconteceu no Copngresso Distrital do Porto por quem olha o Norte, instalado em Lisboa ou em Bruxelas, com os olhos dormentes e os bolsos pesados. Mas se a maioria acha que, ainda assim, é preciso dizer "tudo bem", enfim "tudo bem", enquanto não perceberem o que significa "tudo mal"! (PB)


(JN) 13.11.2008

A região Norte atingiu o máximo histórico de 186 mil desempregados, segundo um estudo divulgado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional. A falta de mão-de-obra qualificada continua a sentir-se e o salário médio mensal está 9,5 por cento abaixo da média nacional.
Os dados constam do estudo “Emprego e Desemprego na Região Norte” elaborado pelo Centro de Avaliação de Políticas e Estudos Regionais, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).
O elevado número de desempregados resulta, em parte, do ajustamento tecnológico e estrutural que a economia regional atravessa, conclui o estudo. Este máximo histórico verificou-se após seis anos de crescimento ininterrupto do desemprego. A situação agrava-se se atendermos a que 55 por cento dos desempregados eram de longa duração e, entre estes, a maioria estava sem emprego há mais de dois anos.
A CCDRN pretende com este estudo "impulsionar o debate regional sobre esta problemática".
Como resultado do maior agravamento registado entre as regiões portugueses desde 2001, no ano passado, a taxa de desemprego no Norte era de 9,4 por cento, contra 8 por cento a nível nacional. A taxa de emprego, que mede a população empregada dos 15 aos 64 anos em proporção do total de residentes do mesmo grupo etário, também caiu no ano passado, fixando-se em 66 por cento.
Nesta caracterização regional, o estudo salienta que a oferta de mão-de-obra, representada pela população activa, tem crescido "de forma ininterrupta" ao longo da última década, atingindo um valor médio anual de quase dois milhões de pessoas em 2007.
Numa análise da evolução das taxas de actividade específicas por género e grupo etário, o estudo refere a queda dos níveis de actividade económica no grupo etário dos 15 aos 24 anos, explicada, em ambos os géneros, pelo prolongamento da frequência escolar, mas também o aumento dos níveis de participação na força de trabalho da população feminina entre os 25 e os 64 anos.
Falta de mão-de-obra qualificada
A evolução da oferta de mão-de-obra regional caracteriza-se também, segundo este estudo, por níveis de instrução crescentes. No entanto, alerta que "a evidente melhoria no perfil da oferta de mão-de-obra por níveis de instrução não ilude o facto de persistirem grandes carências a este respeito".
Em concreto, no ano passado, mais de um terço (35,6) da mão-de-obra residente no Norte tinha o primeiro ciclo do ensino básico e quase três quintos (59,4) não tinha completado a escolaridade mínima obrigatória.
Ao mesmo tempo, a percentagem proporção de activos com habilitação ao nível do ensino superior, apesar de estar a aumentar, ainda era inferior a um oitavo do total (11,7).
Na parte final do relatório são apontados os principais desafios que se colocam ao mercado de trabalho da região nos próximos anos, destacando a "capacidade de acelerar a criação de emprego, com base em investimentos competitivos".
O relatório indica ainda que, nos últimos oito anos, o salário médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem da região Norte esteve entre 9 e 11 por cento abaixo da média nacional, sendo a diferença de 9,5 por cento em 2007.
Relativamente à situação na profissão, o relatório refere que se registou no ano passado um aumento da proporção de empregados por conta de outrem abrangidos por contratos com termo, que passaram a ser 11,7 por cento do total da população empregada.
A situação mais representativa continua a ser, no entanto, a dos trabalhadores por conta de outrem com contrato sem termo, que representavam 59,5 por cento do total da mão-de-obra empregada.
No total, os trabalhadores por conta de outrem representavam no ano passado 74,1 por cento do emprego total da região.
O militante anunciou a sua candidatura à liderança socialista na semana passada
Candidato à liderança do PS pede a Almeida Santos que garanta justiça nas eleições do partido

Ainda bem que aparecem Armandos Ramalhos que, parece-nos, não conhecemos de sítio nenhum! Embora a intenção, na calendarização do Congresso Nacional, bem como na manipulação das datas dos "distritais", tivesse como finalidade termos uma missa cantada com muitos amen e ora pro nobis, parece que as doses maciças de narcóticos não fizeram efeito sobre todos os militantes do PS. Esperemos que Armando Ramalho tenha resposta do presidente do Partido pois nós, quando a ele nos dirigimos um pouco nos mesmos termos, nem resposta tivemos. Até hoje. Assim vão as cúpulas do Partido Socialista!(PB)

13.11.2008 - 15h04 Luciano Alvarez
Armando Ramalho, militante socialista há 35 anos e que na passada semana anunciou a sua candidatura à liderança do PS, escreveu uma carta ao presidente do partido Almeida Santos, a sua “firme convicção” em avançar para a disputa do cargo de secretário-geral. Pede-lhe também que assegure a todos os candidatos “as mesmas condições” e volta a tecer duras críticas às políticas actuais do partido.

“Em conformidade e reclamando o conhecimento das mais torpes entorses à legitimidade e às desfavoráveis condições das candidaturas oponentes ao poder instalado, experiência de uma já longa vida de andanças partidárias, venho junto do meu Caro Presidente pedir a sua especial atenção para que a democracia interna e o respeito que a todos é devido não sejam ofendidos”, pede o candidato.

Logo a seguir, Armando Ramalho diz que o actual primeiro-ministro e secretário-geral do partido, José Sócrates, “parece ter uma luta pessoal com o país, colocando assim em risco a própria soberania nacional”. E dá uma mão cheia exemplos: “os professores não podem ser tidos como simples mandaretes de interesses canhestros”; “as Obras Públicas e o seu absurdo ministro fazem já parte do anedotário nacional, o TGV sem rumo e sem justificação plausível”; “uma classe média mais do que espremida por impostos, pagam os devaneios do despesista Estado”; “as pessoas têm medo de sair à rua à noite (...) e a culpa é a falta meios que o Governo teima em não colocar à disposição destas forças [policiais] por pura obsessão do estafado rigor orçamental”. Lembra também “a Justiça em bolandas entre Magistrados, Códigos e aplicações de sentenças, que o povo não compreende e dificilmente aceita”; “os mais que sentidos sinais de um Estado sem lei, com o incidente impensável num país da União Europeia, ocorrem na Madeira, perante o desnorte a quem incumbe aplicá-la”; “a privatização anunciada de parte do sistema financeiro é de uma terrível falta de sentido de Estado de Direito” e “a afronta futuro estético da capital do País com projectos sem o mínimo sentido de governo para as pessoas, pondo a recato os interesses privados de duvidosa legitimidade”.

O candidato diz a Almeida Santos que não avança para a corrida pela liderança do PS como uma “cópia de Barack Obama”, até porque diz ter mais dez anos, mas afirma exemplo do presidente eleito dos Estados Unidos significativo. “Cada um deverá encontrar a melhor forma de servir o seu país, e, como ele, não tenho medo.

”Armando Ramalho não é uma figura política conhecida fora do PS, mas no partido quase todos o conhecem pela sua militância activa. Este gestor de 59 anos formado em ciência política já disputou várias eleições distritais e concelhias do partido e participou na elaboração de diversos documentos políticos do PS.

Na Escola Secundária D. Dinis
Chuva de ovos recebe secretários de Estado da Educação à entrada de escola em Chelas

13.11.2008 - 16h35 Em Linha PÚBLICO
Mais um episódio de chuva de ovos ocorreu esta tarde, quando os secretários de Estado da educação Valter Lemos e Jorge Pedreira se preparavam para entrar na Escola Secundária D. Dinis, em Chelas, Lisboa.

Segundo contou a TSF, Valter Lemos e Jorge Pedreira tinham marcada uma reunião da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) com presidentes dos conselhos directivos na escola, mas foram recebidos pelos alunos com uma chuva de ovos. Uma fonte do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa adiantou à Lusa que "houve arremesso de alguns ovos, mas nenhum acertou nas viaturas, nem em ninguém da comitiva", que acabaram por entrar no recinto da escola. Agentes da equipa de intervenção rápida da PSP foram chamados ao local e o pátio foi evacuado, mas alguns alunos mantêm-se junto ao estabelecimento de ensino, esperando a saída dos governantes, adiantou a mesma fonte.

Este é o segundo episódio esta semana de apupos a dirigentes governamentais da Educação, depois da ministra Maria de Lurdes Rodrigues ter sido recebido da mesma maneira em Fafe na passada terça-feira.
CAPRICHO E SOBERBA
(DN) 12.11.2008 Baptista-Bastos
Cento e vinte mil mil professores na rua não emocionaram o Governo. A ministra e Sócrates afirmaram-se renitentes nas decisões tomadas: é assim que dissemos, é assim que fazemos. Capricho, desdém e alarde não constituem excepção neste Executivo, o qual, sem ser, notoriamente, socialista, também não é carne nem peixe nem arenque vermelho.
Mas 120 mil pessoas indignadas não são a demonstração de uma birra absurda nem a representação inútil de uma frivolidade. A cega teimosia de Sócrates pode, talvez, explicar que não está à altura do seu malogro, mas sim do seu umbigo. Porque de malogro e de narcisismo se trata. A qualidade de um Governo afere-se pelo grau de comunicabilidade que estabelece com os outros, e pelo sentido ascensional que possui do tempo e do espaço para elevar a vida colectiva. Sócrates esqueceu-se, ou ignora, que o homem é ele e a sua circunstância, como ensinou Ortega. E que num político a circunstância é criada por ele próprio, sem negligenciar os outros. A verdade é que não conhecemos os seus desígnios criativos, mas sim as variações desafortunadas da sua política.
Há tempos, João Lopes, o amigo e o crítico por igual excelente, dizia-me que Portugal tinha falta de compaixão. A palavra "compaixão" adquiria o sentido de simpatia e compreensão pelo outro. É verdade. Ausentamo-nos e negamo-nos, escarnecemo-nos e desprezamo-nos, deixámos de nos ouvir uns aos outros; nem transeuntes somos: trespassamo-nos porque dissipámos a consistência e, acaso, a ternura. Com a nossa desmedida indiferença permitimos o nascimento de gente presumidamente detentora da verdade. A soberba de Sócrates, ante o protesto dos 120 mil, advém, certamente, desse sombrio e feio convencimento.
Em Fevereiro de 1947, quando, em França, se preparavam eleições, Camus escreveu, no Combat, um texto que assim começava: "Os problemas que há dois anos nos excedem vão cair no mesmo impasse. E, sempre que uma voz livre procurar afirmar, sem pretensões, aquilo que pensa, logo uma matilha de cães de guarda, de todas as cores e feitios, começará a ladrar furiosamente, para abafar o eco dessa voz."
Em consciência, a impassibilidade de José Sócrates e a crispada frieza de Maria de Lurdes Rodrigues podem abafar o eco de 120 mil vozes, que protestam muitas razões de que não é preciso reter senão as mais importantes? Um Governo que recusa, constantemente, a obrigação de ouvir o outro, admite a possibilidade do direito à desobediência. A rigidez decisória não conduz ao apaziguamento e distancia-se dos verdadeiros interesses, criando rancores e ressentimentos desnecessários e duradouros. Conversar, escutar, dialogar, debater, por vezes com furor e impaciência, é solução muito mais eficaz do que alimentar uma inconsiderada teimosia, de consequências imprevisíveis.

Crise na Educação agrava conflito Sócrates-Alegre


(DN) 13.11.200JOÃO PEDRO HENRIQUES

José Sócrates foi ontem a Ponte de Lima inaugurar dois centros escolares e distribuir 260 computadores 'Magalhães'. À margem, mostrou que as constantes críticas de Manuel Alegre à governação começam a exasperá-lo Líder do PS revela sinais de agastamento A menos de um ano de eleições legislativas, vai-se agravando o fosso entre a direcção do PS e Manuel Alegre.


A crise no sector da Educação serviu de pretexto nos dois últimos dias para nova troca de acusações.


Na terça-feira, Manuel Alegre criticou a ministra da Educação, Maria de Lourdes Rodrigues, a propósito do processo de avaliação dos professores, dizendo que já perdeu a paciência para lógicas do "quero, posso e mando". "Com a idade que tenho e com os combates que travei, não tenho mais paciência para suportar o quero, posso e mando, a ideia que se pode ter toda a razão contra tudo e contra todos. Isto não é suportável, não é suportável por parte de um Governo apoiado pelo PS, que tem uma tradição e uma cultura democrática; e não é suportável por aqueles que prezam sobretudo a democracia.


"A direccção do PS reagiu, num primeiro momento, através de Augusto Santos Silva: "O mesmo teste da cultura democrática e do diálogo social [que defende Alegre] deveria ser aplicado às direcções dos sindicatos dos professores.


"Mas ontem foi o próprio José Sócrates quem não conseguiu esconder a sua irritação com o vice-presidente do Parlamento: "Manuel Alegre está sempre disponível para dar razão a toda a gente menos ao Governo e ao PS", desabafou. "Mas isso é com Manuel Alegre, que tem direito à sua opinião. "Pela primeira vez, Sócrates fugiu ao argumento de que Alegre é o melhor exemplo do pluralismo interno no PS, dando sinais de agastamento com as suas críticas.


Horas depois, ouvido pelo DN, Alegre respondeu: "Gostaria que me dessem razões para não ter razões de críticas", disse.


Na guerra professores-Governo, o primeiro-ministro garantiu que a avaliação dos docentes irá continuar de acordo com o que foi definido com os sindicatos, classificando este processo de "absolutamente fundamental" para a melhoria do sistema educativo. "Vamos cumprir o acordo estabelecido com os sindicatos e aplicar a avaliação dos professores", afirmou Sócrates, recusando as críticas de arrogância, inflexibilidade e de falta de diálogo.


José Sócrates insistiu, numa visita a Ponte de Lima onde foi recebido em protesto por professores vestindo de negro, que depois da manifestação de professores em Março "dialogou com os sindicatos e chegou a acordo", tendo sido assinado um memorando de entendimento. Acrescentou: "Não é pedir de mais à outra parte que cumpra o que assinou. Se há inflexibilidade de alguém é dos sindicatos, que estão a pedir ao Governo que desista de governar e de ter o seu ponto de vista".


Na visita, o primeiro-ministrou ouviu apupos de algumas crianças. A outras distribuiu autógrafos. Inaugurou dois centros escolares e distribuiu 260 Magalhães.
Declarações ontem à noite em reunião de militantes em Lisboa
António José Seguro: "A arrogância não pode ser a marca de um Governo de esquerda"
13.11.2008 - 10h50 PÚBLICO
O deputado socialista António José Seguro afirmou esta noite, perante uma plateia de militantes, na secção do PS de Alvalade, em Lisboa, que a “arrogância não pode ser a marca de um Governo de esquerda”, noticiou a Rádio Renascença.
Seguro, que também é presidente da Comissão Parlamentar de Educação, frisou que "o papel dos professores tem de ser valorizado".“Nunca me ouvirá em público dizer mal de um Governo do Partido Socialista, quanto à questão da arrogância, eu julgo que a arrogância não pode ser a marca de um Governo de esquerda”, disse Seguro sem nunca pronunciar o nome de José Sócrates.O ex-ministro de António Guterres disse que governar à esquerda “significa aprofundar o diálogo social” e “avalia-se mais pelos resultados, do que pelo anúncio das políticas”.

“Para a esquerda, como nós a entendemos, o diálogo não pode ser encarado como um instrumento ou um obstáculo da governação ou para a governação. O diálogo e a discussão fazem parte do nosso código genético. Governar à esquerda não é só fazer sem discutir, é discutir primeiro para depois fazer bem”.

Sem referir de forma directa as recentes manifestações de professores por causa do sistema de avaliação, António José Seguro, presidente da comissão parlamentar de Educação, deixou o recado: “O papel dos professores tem de ser valorizado, deve ser valorizado, porque eles são indispensáveis à concretização de qualquer projecto educativo”.
Carta à ministra da Educação sobre a minha incredulidade
Público, 13.11.2008, Maria do Rosário Queirós

O importante é avaliar a qualquer custo, para dar ao público a ideia de que os professores foram avaliados

Fiz parte dos cerca de 100.000 a 120.000 professores que, pela segunda vez este ano, se manifestaram nas ruas de Lisboa. Ouvi e li com atenção as suas declarações, durante e após a manifestação, e a minha reacção só pode ser de incredulidade:
- pela forma como pretende fazer passar para a opinião pública a ideia de que estes tantos docentes são uns ignorantes manobrados por estranhas forças ou movidos por desígnios partidários;
- pela forma como diz que os sindicatos estão a incentivar os professores a não cumprir a lei, quando sabe (ou devia saber) que esta questão há muito ultrapassou o domínio dos sindicatos;
- pela forma como diz que a lei tem de ser cumprida, independentemente das suas consequências e efeitos, como se o fim de qualquer política não fosse sempre melhorar as condições de vida das pessoas concretas. As leis, quando são comprovadamente más leis, alteram-se, revogam-se - acontece nas democracias saudáveis;
- pela forma como diz que 20.000 professores já foram avaliados, sem explicar que o foram de um modo formal, redutor e simplista, mas que nada tem a ver com este "polvo" que pretende ver instituído;
- pela forma como transparece que o mais importante é avaliar, a qualquer custo, porque agora o que é relevante é que passe para a opinião pública que os professores foram avaliados;
- pela forma como diz que as escolas estão a trabalhar normalmente, quando sabe (deve saber) que milhares de professores de centenas de escolas suspenderam o processo de avaliação;
- pela forma como diz que os professores avaliados só têm de preencher uma ficha, quando conhece a lei que publicou e sabe que não é assim. O preenchimento dessa ficha é o início de um longo processo de rigor muito duvidoso e que obriga a um dispêndio de energias insustentável;
- pela forma paternalista como diz que compreende o descontentamento dos professores porque têm hoje muito trabalho, quando sabe ou devia saber que muito dele é desqualificado, é um trabalho de amanuense e de secretaria que desvirtua e empobrece a acção profissional;
- pela forma como diz que são as escolas e os órgãos de gestão que complicam, quando sabe que é o modelo em si que induz a essa complicação, a uma fragmentação impossível, resultando na mais completa ineficácia.
- pela forma "conveniente" como se agarra ao "memorando", pretendendo confinar mais uma vez este assunto aos sindicatos, quando agora já não restam dúvidas de que ele os ultrapassa largamente;
- pela forma como coloca como única alternativa desistir, quando sabe (espera-se) que obviamente há outras soluções, certamente melhores e metodologicamente sustentáveis.
- pela forma como tenta passar a mensagem de que os professores não querem ser avaliados, quando sabe que estes são os primeiros a exigir um modelo de avaliação sério;- pela forma como diz que este modelo de avaliação garante ao país qualidade de ensino, quando todos sentimos que o efeito é a degradação dessa qualidade;
- pela forma como diz que este modelo de avaliação não penaliza nenhum professor, quando sabe que a questão não é essa; esgota-os e, portanto, penaliza os alunos e, portanto, penaliza também a escola pública, não trazendo nenhuma mais-valia ao ensino;
- enfim, pela estranha concepção que tem da democracia participativa e por se arrogar o direito exclusivo de ter razão, contra 120.000 que estão enganados ou não sabem pensar... 120.000 que estão nas escolas todos os dias, que tentam ensinar bem o que sabem; que lutam todos os dias por uma escola pública de qualidade; que resolvem todos os dias questões sociais que a sociedade não resolve; que trabalham aos fins-de-semana, para que os seus alunos não sejam prejudicados; que têm o espírito de missão a que esta profissão obriga; mas que não cedem a chantagens de não progressão na carreira (há quanto tempo não progridem?); que não querem ser cobaias em laboratórios; que estão convictos de que não é assim que se defende uma escola pública de qualidade. Faço parte de um órgão de gestão. Pus a hipótese de me demitir. Mas não. Não sou eu que tenho que me demitir.
Porto, 9 de Outubro de 2008.
Maria do Rosário Queirós
Professora da Escola Secundária Clara de Resende
N.B.(Maria do Rosário Queirós foi candidata nas listas do PS à Câmara do Porto em 2001)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

"Vivemos uma das maiores crises no ensino"
(Público) 12.11.2008
O deputado socialista Manuel Alegre não retira nenhuma das críticas que fez à ministra Maria de Lurdes Rodrigues sobre o que considera ser a execução de uma política do "quero, posso e mando", de quem "acha que pode ter razão contra tudo e contra todos". E considera mesmo que algo de muito errado se está a passar na educação, que "tira a motivação aos professores e a alegria de ensinar". As declarações foram repetidas ontem, em Lisboa, durante o lançamento do último número da OPS - Revista de Opinião Socialista, dedicada ao ensino.
Para Manuel Alegre, "apesar dos muitos investimentos", o país vive "uma das mais graves crises do ensino". Que se manifesta no "grande descontentamento" dos professores ou no número anormal de docentes que estão a reformar-se.
Depois de ter declarado ao PÚBLICO e escrito no editorial da OPS que está farto de "pulsões e tiques autoritários" e de ter admitido que ficou "profundamente chocado com a inflexibilidade da ministra e o modo como se referiu à manifestação [que juntou 120 mil professores em Lisboa, no sábado passado]", o deputado do PS alargou as críticas ao executivo. "Isto não é suportável por parte de um Governo que tem uma cultura e tradição democrática", declarou, acrescentando que "não é vergonha dialogar".
Ao lado de Alegre, Rosário Gama, presidente do Conselho Executivo da Infanta D. Maria (Coimbra), arrasou a "torrente legislativa" que tem inundado as escolas e criticou alguns dos principais diplomas - da educação especial, ao Estatuto do Aluno ou a avaliação dos professores, entretanto suspensa na sua escola.
"Como é possível que um Governo do PS no qual votei tenha aprovado um estatuto [da carreira docente] que promove professores a titular com base em critérios absolutamente arbitrários?" "Deus nos livre disto que está a acontecer", desabafou Rosário Gama.
Também António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, manifestou--se preocupado com o actual "nível de conflitualidade" no sector, maior do que o vivido nos anos 90, no final dos governos PSD. Isabel Leiria

terça-feira, 11 de novembro de 2008


Estudantes de Fafe atiram ovos ao carro da ministra
(JN)11 Nov (Lusa) - Alunos da Escola Secundária de Fafe atiraram hoje ovos ao carro da ministra da Educação, numa manifestação que levou Maria de Lurdes Rodrigues a desistir de presidir a uma cerimónia de entrega de diplomas, disse fonte policial.
Segundo adiantou à Agência Lusa a mesma fonte, cerca de 250 jovens colocaram-se perto do Estúdio Fénix, a sala de teatro onde iria decorrer a cerimónia, e, além de "gritarem palavras de ordem hostis" à política educativa do Governo, "atiraram ovos" para o carro da governante, que nem sequer chegou a sair da viatura.
Os ovos atingiram, também, os carros em que seguiam o presidente da Câmara de Fafe, o socialista José Ribeiro, e a directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira.
Face ao sucedido, Maria de Lurdes Rodrigues, aconselhada pelo autarca local, deu ordem de regresso a Lisboa, tendo deixado o acto de presidir à cerimónia de entrega de diplomas de cursos das "Novas Oportunidades" ao presidente da Câmara Municipal, José Ribeiro, que pediu desculpas públicas à ministra da Educação, criticando a actuação dos estudantes, disse fonte da autarquia.
A manifestação foi coordenada por alunos da Escola Secundária de Fafe, mas contou com a presença de alguns professores, que aproveitaram para protestar contra a política do Ministério da Educação.
As fontes contactadas pela Lusa garantiram que a GNR actuou e identificou alguns dos participantes na manifestação, tendo apreendido algumas caixas de ovos.
Agora em Fafe! Como é possível mais de três anos de "guerra civil" - para usar a expressão de Manuel Alegre - contra os principais agentes do procresso educativo? Não será evidente que esta política e esta equipa ministerial falharam estrondosamente? E há muito? Desde o momento em que o próprio Primeiro-ministro assestou baterias contra o "lóbi da educação"? Há mais de três anos? Que lobi da educação? Que sindicatos? Não percebem que é toda a gente que está na Escola e por isso sabe o que é uma escola? O que não acontece com quem tem as responsabilidades governativas? Mas que além de nada saber de escolas também não quer saber, procurando ouvir e aprender. O que esta equipa ministerial precisava era de uma boa colocação numa Escola. Daqui a uns anos, talvez estiveseem em condições para darem uma opiniões construtivas...
Cidade
"Meti-me por setembro fora, a caminho do fulgor das maçãs, deixando para trás os bruscos golfos da tristeza e uma luz de neve quebrada de vidraça em vidraça. Contemplava a cidade das pontes pela última vez, envolvida por lencóis encardidos e uma névoa que subia do rio para lhe morder o coração de pedra. Era um burgo pobre, sujo, reles até - mas gostaria tanto de lhe pôr um diadema na cabeça.

"Eugénio de Andrade in Memória Doutro Rio

Educação: Alegre acusa ministério de "Governar para as estatísticas" em editorial da Revista "Ops!"
11 de Novembro de 2008, (Lusa) - O deputado socialista Manuel Alegre acusa o Ministério da Educação de "governar para as estatísticas", defendendo que "não se pode reformar a educação tapando os ouvidos aos protestos e às críticas", no editorial da revista "Ops!".
No segundo número da Revista de Opinião Socialista, "Ops!", que hoje é lançada, Manuel Alegre sublinha que "não é possível passar do laxismo anterior a um excesso de burocracia conjugada com facilitismo".
"Governar para as estatísticas não é reformar", defende, alertando para o facto de "a falta de exigência da Escola Pública" pôr "em causa a igualdade de oportunidades".
Sobre as declarações da ministra Maria de Lurdes Rodrigues sobre a manifestação dos professores que no sábado juntou mais de cem mil docentes em Lisboa, o ex-candidato presidencial considerou que a responsável teve uma "linguagem imprópria de um titular da pasta" e "incompatível com uma cultura democrática", ao avaliar a manifestação como uma forma de intimidação ou chantagem.
Admitindo que o ministério possa ter razão em alguns pontos, Manuel Alegre defende que "é preciso saber ouvir e dialogar": "É preciso perceber que, mesmo que se tenha uma parte de razão, não é possível ter a razão toda contra tudo e contra todos. Tal não é possível numa Democracia".
No editorial, o ex-candidato presidencial compara a mudança ocorrida nos Estados Unidos, com a eleição de Obama, à estagnação da situação em Portugal, em parte provocada pela formação das pessoas que está a ser afectada pelo "clima de tensão permanente entre o Ministério da Educação e os Professores", de "ambiente de incompreensão entre o Ministério da Ciência e tecnologia e Ensino Superior e as universidades".
"Num país como o nosso, o que faz mudar é a formação das pessoas, a educação, a cultura, a comunicação, a produção e a divulgação científica, a inovação tecnológica e social", defende.
No número colocado hoje nas bancas escrevem diversos professores, investigadores, actores institucionais e deputados como Alberto Amaral, Elísio Estanque, Nuno David, Francisco Alegre Duarte, Almerindo Afonso, Jorge Martins, a ex-secretária de Estado da Educação Ana Benavente e Teresa Portugal.
A GRANDE VITÓRIA
Mário Soares

Como se esperava, a vitória de Barack Hussein Obama provocou uma explosão de alegria na América e foi recebida com evidente satisfação em todo o mundo. Foi um fenómeno de mobilização da juventude, nunca visto nas eleições presidenciais americanas. E das minorias que o apoiaram militantemente: negras, hispânicas, asiáticas, árabes, homossexuais - mas também com larga participação de mulheres e de homens brancos, velhos e novos, pobres e ricos, intelectuais, cientistas, artistas, universitários, técnicos, desempregados e sem-abrigo -, mobilizados pelo carisma de um homem de 47 anos, negro, com uma formação superior e com duas ideias-chave, que repetiu à saciedade: mudança e esperança num mundo melhor.Todos perceberam que era o homem certo no momento certo.Foi também um colossal voto de protesto, contra oito anos de uma política externa agressiva, responsável por duas cruentas guerras, excepcionalmente violentas, alimentadas por mentiras e por inconfessáveis interesses, pela arrogância do poder e pelo desrespeito pelos direitos humanos.Por políticas internas desastrosas, descuidadas das questões sociais e ambientais e dos valores do pioneirismo americano, tendo como única preocupação aumentar o poder do dinheiro nas mãos dos mais poderosos.Políticas que conduziram os Estados Unidos - e o mundo - à pior crise financeira e económica que se conhece, desacreditando para sempre, esperemos, a ideologia que as orientou: o neoconservadorismo ou o neoliberalismo financeiro-especulativo (não confundir com o capitalismo assente em economias reais e não num sistema financeiro virtual).Foi ainda a vitória da democracia americana, que, desta vez, funcionou sem fraudes administrativas ou outras.Aliás, o candidato derrotado, John McCain, teve a dignidade e a coragem, em tempo recorde, de reconhecer a derrota - ele, que se bateu como um leão, diga--se -, felicitando o seu adversário e pedindo à multidão inconformada que o ouvia para aceitar, democraticamente, a derrota e considerar o Presidente eleito, Barack Obama, como "o Presidente de todos os americanos".Tudo mudou.Agora a mudança radical vai tornar-se possível, bem como o renascer da esperança e da confiança.Embora o futuro seja incerto, dado as múltiplas crises actuais - financeira, económica, energética, alimentar, ambiental e político-moral - serem difíceis de vencer. Como o próprio Presidente eleito preveniu logo, no seu primeiro discurso: "Levam, seguramente, bastante tempo a vencer." Mas nós - americanos - "Sim, podemos", insistiu... E citou três dos mais terríveis desafios: "As guerras, um planeta em perigo, a crise", por esta ordem.A verdade é que a vitória de Obama abre a porta a um mundo novo e não só à América do Norte. O pessoal político americano foi profundamente renovado. Obama elegeu 364 grandes eleitores, contra 163 de McCain (mas faltam escrutinar os mandatos do Missuri). Para a Câmara dos Representantes, os democratas elegeram 255 representantes e os republicanos, 174 e, para o Senado, os democratas elegeram 57 senadores, enquanto os republicanos, 40. Uma vitória histórica e em toda a linha - que dividiu o eleitorado republicano e os seus representantes eleitos, que levarão bastante tempo a recompor-se...Alguém disse que a implosão pacífica e eleitoral dos Estados Unidos - que contagiou o mundo - lembra a implosão da União Soviética, no tempo de Gorbachev, e das chamadas democracias populares, igualmente pacífica, em 1989-1991, com o milagre da queda do Muro de Berlim e da Cortina de Ferro, que mudou o sentido da História e destruiu a ideologia do comunismo totalitário.A grande viragem eleitoral americana desacreditou igualmente a ideologia neoliberal e a chamada "democracia liberal", que Bush procurou impor ao mundo.Entramos agora numa nova fase. O mundo tornou-se multilateral e o hegemonismo americano arrogante vai desaparecer. É preciso ter isso em conta. Como o multiculturalismo e o multirracismo.O mundo é cada vez mais um só. O que implica uma atenção especial à reestruturação das Nações Unidas, como o grande fautor de paz e de concertação e deve avançar para um esboço de governança mundial. Não um "directório dos grandes Estados", mas onde os Estados pequenos, democraticamente, possam também sentir-se representados.A crise revelou a ineficácia das organizações financeiras internacionais submetidas à vontade da hegemonia imperial americana. Há hoje um coro unânime para condenar essas organizações internacionais - o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a própria Organização Mundial de Comércio -, que não previram nada, não fiscalizaram as gravíssimas imoralidades e ilegalidades dos bancos e seguradoras, não avisaram os governos, não aconselharam quaisquer medidas para tentar evitar uma crise global, que estava anunciada há seguramente mais de um ano.É preciso remodelá-las, reestruturá-las, democratizá-las e integrá-las no sistema das Nações Unidas.E julgar e punir os responsáveis e coniventes da grande incúria, não só no plano internacional, mas a nível dos Estados nacionais, bancos centrais, organismos de fiscalização e controlo, bancos, seguradoras, especuladores imobiliários e mesmo alguns governos.Diga-se que a União Europeia tem imensas responsabilidades: deixou-se contaminar - para não dizer "colonizar" - pelo "pensamento único" americano, quando não foram cúmplices activos do sistema: como Blair, Aznar, Berlusconi e Durão Barroso. Não devemos esquecer - nesta hora - a Cimeira dos Açores, que dividiu a Europa, deu luz verde a Bush para atacar o Iraque, sem o aval das Nações Unidas, o que está na origem de todos os abusos que se lhe seguiram.Deixemos, contudo, esse passado recente, à história e à justiça, e voltemo-nos, resolutamente, para o futuro: para o que aí vem e que não muda com uma eleição, por mais importante que seja. É preciso atacar a crise que gravemente nos afecta e continuará a afectar durante todo o ano de 2009. Pelo menos.Sejamos realistas. Não é Barack Obama que vai resolver uma crise tão complexa. Não tem uma varinha mágica para mudar as coisas.Os remédios que até agora foram postos em marcha para sossegar os mercados não resolvem o problema. Podem tranquilizar, de momento, os especuladores e branquear os principais culpados dela. Para a resolver são necessárias medias estruturais - e grandes mudanças, mesmo de mentalidades - que levam o seu tempo.Obama não perdeu um segundo. Dois dias depois das eleições deu uma conferência de imprensa e pôs os pontos nos is.Até 20 de Janeiro, praticamente dois meses, incluindo o Natal, o Presidente em funções é ainda George W. Bush. Obama será obviamente informado, mas não vai comprometer-se com nada.Foi convidado para essa estranha e inoportuna Conferência dos 20 - iniciativa de Sarkozy, amigo de Bush, para dar relevo à sua presidência europeia, que termina no fim de Dezembro - mas creio bem que Obama não vai cair na armadilha que lhe estendem.Vai ouvir - o que poderá ser útil -, mas não falar ou, muito menos, comprometer- -se. Espero...
Vital Moreira critica "silêncio" de Cavaco Silva sobre caso de deputado do PND na Madeira
11 de Novembro de 2008, 00:18 (Lusa) - O constitucionalista Vital Moreira criticou segunda-feira o silêncio do Presidente da República e também da líder do PSD sobre o caso do deputado do Partido da Nova Democracia (PND) impedido quinta-feira de entrar na Assembleia Legislativa Regional da Madeira.
Em declarações à radio TSF, Vital Moreira defendeu que Cavaco Silva já deveria ter falado publicamente para condenar esta situação.
Vital Moreira falou de "conspiração do silêncio" e considerou que o que aconteceu ao deputado do PND foi o "aniquilamento" dos direitos da oposição.
«Penso que se justificava, para tranquilidade pública, para repor a confiança das instituições, que o Presidente da República viesse dizer aquilo que se está a passar», disse», sublinhando que «não podem continuar a ocorrer situações destas».
Para Vital Moreira, o caso do deputado do PND é «inaceitável», representando a "destruição" dos direitos mais básicos da oposição numa democracia.
Entretanto, o deputado único do PND exigiu a comparência do líder parlamentar do PSD/M Jaime Ramos, terça-feira, na conferência de líderes da Assembleia Legislativa da Madeira, para explicar "o estado de sítio que se instalou na Região".
José Manuel Coelho defendeu que a reunião deve ser aberta à comunicação social, apontando que só dessa forma "todos os madeirenses e portugueses podem ter conhecimento directo das posições e posturas nelas assumidas pelos diversos líderes parlamentares".
Tudo, conclui, "num momento em que a Assembleia Legislativa da Madeira está suspensa, funciona de modo ilegítimo e ilegal e é presidida por quem, no exercício de funções, incorreu na prática de crimes graves".
O deputado único do PND está no centro da polémica instalada no parlamento madeirense depois de ter exibido na passada quarta-feira uma bandeira nazi no plenário da Assembleia Legislativa da Madeira, que disse ser um recurso "hiperbólico" para protestar contra "a ditadura na Madeira".
Este acto de José Manuel Coelho levou a maioria do PSD/Madeira a aprovar um requerimento suspendendo-lhe o mandato, decisão que foi considerada ilegal.
O deputado foi ainda impedido, quinta-feira, de entrar nas instalações da Assembleia Lelislativa para participar numa sessão plenária com recurso a seguranças privados.
Por seu turno, o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou segunda-feira que a polémica em torno do deputado do PND que exibiu uma bandeira nazi no parlamento é um "acontecimento para pessoas que gostam de anedotas".
O líder madeirense declarou ainda que os acontecimentos que marcaram a vida política regional na passada semana não o "preocupam" e criticou a "qualidade do jornalismo" na cobertura destes eventos.
FC.

Professores

Alunos


A ministra dos milagres
(JN) 11.11.2008

Os professores portugueses parecem ter ganho o gosto às avaliações, e 120 mil (há oito meses foram "apenas" 100 mil) avaliaram de novo a ministra e a "sua" avaliação. Depois do milagre estatístico da Matemática, Lurdes Rodrigues conseguiu proeza ainda mais improvável, a da unanimidade dos professores. Se isso não chega para a sua beatificação - que Sócrates tem em marcha - vou ali e venho já. 120 mil professores na rua (uns "míseros votos", como lhes chamou Sócrates) contra o naufrágio do sistema educativo e o pesadelo burocrático em que foi transformada a sua profissão, e gritando "deixem-nos ser professores" não é sinal de descontentamento, é algo mais profundo.
Ou deveria ser, para quem tivesse um mínimo de humildade democrática e não confundisse firmeza com auto-suficiência e poder com mando. Se a passagem de Lurdes Rodrigues pelo ME constitui um "study case" de incapacidade técnica e autismo político, a reacção praticamente unânime dos professores em defesa da dignidade da profissão docente é um exemplo de cidadania activa cada vez mais raro no "país em diminutivo" em que nos tornámos.

Ministro acusa Rui Rio de ser "muito acintoso"
(JN) 11.11.2008 A.P.C.


Estamos à vontade: levantámos a questão meses antes de Rio perceber que podia cavalgar esta "bandeira regional" que o PS-Porto deixou que lhe fosse ofertada de mão beijada. E as declarações do Ministro confirmam inteiramente a marosca: aí está o famoso "efeito difusor" que desvia os milhões dos planos temáticos horizontais do QREN para Lisboa, que não passam de um assalto que se faz acompanhar de um atestado de estupidez em cima de todos nós. "Efeito difusor" desviando o nosso dinheiro para a capital, a partir da qual nós, e o resto do país, seríamos indirectamente beneficiados? Porque seríamos incapazes de administrar directamente o nosso dinheiro. Como se não soubéssemos que o efeito da capital é a "aspiração" nunca a "difusão"! Além de sermos tratados como colónia, querem-nos fazer passar por otários, percebenjdo-se com que metodo0logias se consegue que o rendimento na capital triplique em relação ao Norte. E que dizer do papel desempenhado pelo que mais se devia opor: o presidente do PS-Porto!

Aliás, neste contexto,é preciso fazer alguma coisa, agir! (PB)


O presidente da Junta Metropolitana do Porto, Rui Rio, "foi muito acintoso e muito desproporcionado ao afirmar que há desvio de verbas da região Norte para a de Lisboa e Vale do Tejo".
Foi com estas palavras que o ministro do Ambiente, Nunes Correia, comentou declarações do autarca social-democrata, a propósito da distribuição dos fundos do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional).
Ontem, na reunião parlamentar de apresentação do orçamento do Ministério para o próximo ano, o deputado socialista Renato Sampaio, deu a "deixa" para que Nunes Correia pudesse desmentir Rui Rio. E o ministro garantiu que no âmbito do QREN, só 2,7% das verbas irão ser investidas na região de Lisboa. Lembrou, no entanto, que, de acordo com a Comissão Europeia, foi levado em conta o "efeito de difusão" dos investimentos feitos na capital e que é essa a razão pela qual há mais verbas afectadas a Lisboa.
Foi neste quadro que Nunes Correia fez ainda questão de lembrar que "não há impedimento para que empreendedores do Norte e do Sul se associem para rentabilizar os fundos da União Europeia
".
Junta impugna alterações de trânsito em Matosinhos
(Público)11.11.2008, Aníbal Rodrigues
O presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos, António Parada, avisou ontem que irá apresentar uma acção de impugnação das novas regulações de trânsito que a Câmara de Matosinhos introduziu recentemente na Avenida de Serpa Pinto. António Parada exigiu ontem, em conferência de imprensa, a "correcção dos erros" que, na sua opinião, resultam daquelas alterações.O autarca afirmou que enviou um e-mail à Câmara de Matosinhos a solicitar o estudo que fundamentou as alterações, assim como as deliberações do executivo e da assembleia municipal sobre a matéria. António Parada considerou que, se não houve uma decisão destes órgãos, então não existe uma nova postura de trânsito e trata-se, desde logo, de uma "ilegalidade". Mas acrescentou que irá apresentar a acção de impugnação, mesmo que o executivo e a assembleia tenham deliberado.
Os "erros" mais graves que o presidente da junta apontou dizem respeito a quem circula vindo da Rua de Tomás Ribeiro: "Se for um pesado e quiser virar à direita, ou derruba os mecos ou galga o passeio." Parada acrescentou que os próprios camiões do lixo da câmara sobem o passeio.
Entre outros problemas, o autarca destacou aqueles que afectam as empresas que funcionam nos números 504 e 476. Os camiões de carga e descarga precisam de pisar traço o contínuo para entrarem nas instalações.
Por seu turno, o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, explicou ao PÚBLICO que está a decorrer uma sondagem feita à população sobre as alterações introduzidas, prometendo divulgar os seus resultados quando ela estiver concluída. Quanto aos camiões que vêm da Rua de Tomás Ribeiro, Guilherme Pinto admitiu: "É possível que haja ali qualquer transtorno que é preciso melhorar e isso será feito." O edil pensa de modo semelhante em relação aos números 504 e 476. "A solução terá de ser melhorar o ângulo de viragem para a garagem", afirmou, acrescentando: "Há mais duas ou três situações que constatei e que terão de ser resolvidas."

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

OE 2009:
Mário Lino promete para breve modelo de privatização da ANA
10 Nov (Lusa) - O Governo vai apresentar em breve o modelo de privatização da ANA, garantiu hoje o ministro das Obras Públicas.
"Dentro de pouco [tempo] apresentarei o modelo de privatização da ANA", disse o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, aos jornalistas, à saída da reunião parlamentar onde apresentou aos deputados o orçamento do seu ministério para 2009.
O ministro acrescentou que o executivo prevê lançar o concurso para a construção do novo aeroporto de Lisboa no próximo ano, "no primeiro semestre certamente", para "ter o aeroporto pronto em 2017".
Ainda na reunião, o ministro assegurou que nesta matéria "não há qualquer questão ideológica".
"Não nos parece que o Estado tenha de ser dono daquela infra-estrutura", afirmou Mário Lino.
Privatização da TAP sem data definida
(JN) Em Linha 10.11. 2008 14h10m
O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, diz que não há qualquer data definida para a privatização da TAP, contrariando o Ministério das Finanças, que coloca a companhia aérea no lote de empresas a privatizar em 2009.
"Não há nenhuma data fixada", afirmou Mário Lino, depois de questionado pelos jornalistas sobre o ponto de situação da privatização da TAP.
As declarações do ministro das Obras Públicas foram feitas, no Parlamento, à saída da reunião das comissões de Orçamento e Finanças e de Obras Públicas, onde o governante esteve a apresentar aos deputados a proposta de Orçamento do seu ministério para 2009.
Mário Lino defendeu que as privatizações "devem ser feitas no tempo oportuno".
A 15 de Outubro, numa conferência de imprensa de apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2009, o ministro das Finanças adiantou que o Governo prevê arrecadar 1.200 milhões de euros de receitas de privatizações no próximo ano, tendo o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, adiantado que do programa fazem parte as empresas cuja privatização está prevista no programa plurianual de privatizações e que ainda não tinham avançado.
O próprio secretário de Estado elencou a Galp, a ANA, a TAP e a Inapa, como empresas objecto de privatização e que explicariam aquela previsão de 1.200 milhões de euros.
No relatório do Orçamento do Estado para 2009, pode ler-se, porém, que as operações de privatização serão feitas "sem prejuízo da adequação temporal da sua execução às condições de mercado".

Associação de Cidadãos do Porto interessada em candidatar-se à "compra" da ANA
(Público) 10.11.2008, Luís Lima
Objectivo é aceder ao caderno de encargos do concurso público de privatização da empresa
A Associação de Cidadãos do Porto (ACP) reuniu-se sexta-feira à noite pela terceira vez e o próximo passo que promete dar não poderia ser mais ambicioso: "Pedir o caderno de concurso público de privatização da ANA", como qualquer candidato à aquisição da empresa que gere os aeroportos em Portugal. É mais uma forma de lutar pela gestão autónoma do Aeroporto Sá Carneiro, que o Governo pretende privatizar no pacote da ANA."Penso que estamos numa altura em que temos, sem dúvida, de arriscar". "Vamos avançar com isto, mesmo que seja só para chatear", resumiu Alexandre Ferreira, o arquitecto de 28 anos que, em Setembro, lançou no blogue A Baixa do Porto (http://www.porto.taf.net/), a ideia de criar a associação para "defender os interesses colectivos da área metropolitana". Já a ideia de concorrer à privatização da ANA partiu de José Ferraz Alves, outro colaborador do A Baixa do Porto. "Po rque é que a associação não divulga que quer estudar e analisar a questão da privatização da ANA?", questionou, logo no início da reunião. "Não temos dinheiro, mas toda a gente sabe que, na maior parte dos concursos, ninguém faz nada com dinheiro próprio", disse. "A meio do processo, às tantas, começamos a perceber que a nossa brincadeira é mais séria do que a brincadeira que o Governo está a fazer", considerou Tiago Fernandes, o criador de A Baixa do Porto.Para os membros da ACP, a candidatura à privatização da ANA é, por assim dizer, um plano de emergência. O ideal, defendem, seria a gestão autónoma do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, cenário que, de acordo com a edição de quarta-feira do Diário Económico, parece já improvável. Segundo o jornal, "a ANA - Aeroportos de Portugal deverá ser privatizada mantendo a totalidade do universo empresarial que actualmente gere", o que inclui as infra-estruturas aeroportuárias dos Açores e da Madeira, bem como o Sá Carneiro e o futuro aeroporto internacional de Lisboa, em Alcochete."Se é a privatização que querem, vamos à privatização!", proclamou Ferraz Alves, logo ajudado por Miguel Barbot, outro membro da associação: "Quanto mais não seja, trazemos à luz do dia os entraves que possa haver nesse concurso." A Associação de Cidadãos da Área Metropolitana do Porto defende a gestão autónoma do Aeroporto Sá Carneiro

domingo, 9 de novembro de 2008

Não haverá nada mal na política educativa? Poder-se-á melhorar o ensino contra os professores? Quem haverá mais importante do que eles nos processos de reforma educativa? Quando os professores são forçados a concentrarem-se em todo o tipo de inutilidades administrativas impostas pelos tecnocratas e a perderem de vista a única coisa verdadeiramente importante na escola - ensinar e aprender - não haverá nada mal?
E como foi possível o PS incompatibilizar-se a este ponto com este sector tradicionalmente seu apoiante e fundamental para o futuro do país? E como explicar o abandono antecipado em 2008 de mais de 5000 dos docentes mais experientes e capazes? Terá sido por serem mais caros? Para onde vai então a escola pública?
Uma escola e saúde públicas para os pobres, uma escola e saúde privadas para os ricos? Vindo de nós? (PB)
Edmundo Pedro "reconfortado" com homenagem no dia do seu 90º aniversário, depois de ter sido "maltratado"
Um grande abraço meu caro camarada e amigo(PB)
08 Nov (Lusa) - Depois de ter sido "tão maltratado", o antigo dirigente socialista Edmundo Pedro considerou hoje "reconfortante" a homenagem que mais de duas centenas e meia de pessoas lhe fizeram no dia do seu 90º aniversário.
"É um momento reconfortante, depois de ter sido tão maltratado, estar hoje aqui rodeado de pessoas de todas as áreas da sociedade portuguesa, como políticos, operários, magistrados", disse à Lusa o histórico socialista, que hoje completa 90 anos.
Contudo, acrescentou, apesar de "maltratado", "tudo valeu a pena".
"Tudo mereceu a pena, voltava a fazer o mesmo, repetia o mesmo percurso", garantiu o antigo preso político, que passou dez anos no Tarrafal.
Entre as mais de duas centenas e meia de pessoas que se juntaram num restaurante de Lisboa para homenagear Edmundo Pedro, esteve o presidente do PS, Almeida Santos, que lembrou a vida do antigo dirigente socialista e a sua luta pela democracia e liberdade.
"Edmundo Pedro é um exemplo para todos nós", afirmou Almeida Santos, recordando a coragem do antigo dirigente socialista, os sacrifícios por que passou e a "coerência" que sempre demonstrou.
Também o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino destacou a "vida recheada e muito rica" de Edmundo Pedro, considerando-o uma figura "inspiradora".
"Sempre foi um lutador incansável, uma grande figura da luta pela liberdade", sublinhou Mário Lino.
"Um homem vertical", corroborou o secretário-geral da UGT, João Proença.
O deputado do PS Vera Jardim, amigo de longa data de Edmundo Pedro, deixou também elogios ao ex-preso político.
"Tenho por ele uma grande admiração, somos amigos há muitos anos. Foi um lutador contra a ditadura", referiu.
Edmundo Pedro, que aos 13 anos aderiu ao Partido Comunista e, mais tarde, foi dirigente do PS, esteve detido duas vezes em Peniche.
No Tarrafal, na ilha de Santiago em Cabo Verde, Edmundo Pedro esteve preso dez anos.
Fez ainda parte do movimento do quartel de Beja, em 1961, envolveu-se no chamado "Verão Quente" e foi presidente da RTP.
Mas o caso que mais o marcou foi o caso das armas, já depois do 25 de Abril.
Em 1975 e devido ao clima de "pré-guerra", foram entregues armas ao PS para defender as sedes do partido que estavam a ser alvo dos ataques da esquerda radical.
Passado três anos, Edmundo Pedro foi capa dos jornais. Durante o processo de devolução das armas, tentou reunir as armas, dispersas por algumas sedes nacionais do partido, e guardou-as num armazém de uma antiga firma onde trabalhava.
"O processo de entrega das armas estava em curso, já tinha devolvido algumas. As armas apreendidas estavam em vias de serem devolvidas", disse há dias em entrevista à Lusa, adiantando que a situação foi "transformada numa história diferente".
"É um trauma que não me deixa".
PS-Porto rejeita introdução de mais portagens no Norte
08.11.2008 - 20h48 Margarida Gomes
Foi das intervenções mais aplaudidas. Renato Garrido Matos, da concelhia da Póvoa de Varzim, foi hoje ao XIII Congresso do PS-Porto dizer que o Governo tem de recuar na decisão de introduzir portagens na Scut Norte Litoral e Scut Grande Porto.Reconhecendo, embora, tratar-se de “uma matéria controversa para alguns camaradas”, Garrido Matos exortou os socialistas a reflectirem sobre a questão. Perante “o período de forte confrangimento económico das nossas populações e do nosso tecido empresarial, o Governo deve ponderar anular a decisão de introdução de portagens na Scut Norte Litoral e Scut Grande Porto”, defendeu.Com o argumento de que os socialistas do Porto em 2004 disseram não à introdução daquela taxa, quando o então ministro António Mexia anunciou a intenção de avançar com a medida na IC1/A28”, Garrido Matos puxou pelos princípios que pautam o PS para alertar o congresso para o “impacto negativo” da medida a nível do “comércio e do turismo [daquela] região”. Autor da moção sectorial “Manutenção das Scut Grande Porto e Scut Norte Litoral”, o dirigente argumentou que “a realidade económica e social desta região justifica o reequacionamento de tal medida, com a devida ponderação dos elevados custos económicos, ambientais e sociais que a introdução de portagens vai acarretar”.
Mas Renato Matos Garrido não esteve sozinho na defesa desta causa.
Pedro Baptista, que se candidatou à liderança do PS-Porto e que perdeu, subiu à tribuna para dizer não às portagens e, dirigindo-se a Pedro Silva Pereira, que ocupava um dos lugares da mesa do congresso, disse: “Esperemos que a presença aqui de um membro do Governo sirva para levar um recado ao meu amigo Mário Lino de que não aceitamos a ideia de que a região do Porto seja a escolhida para ser portajada. Por que raio é que temos de ser nós os escolhidos?” Também José Vieira, o único congressista a votar contra o relatório e contas da Federação distrital do PS-Porto de 2006, insurgiu-se contra a introdução das portagens e perguntou: “Que moralidade é que Mário Lino tem para quer colocar portagens a norte, quando a Via do Infante não é portajada?”
O XIII congresso do PS-Porto ficou marcado pelo afastamento de Francisco Assis dos órgãos distritais do partido. O ex-líder federativo foi ontem informado de que não seria reconduzido no cargo de presidente da mesa da comissão política distrital.
Para esse lugar, Renato Sampaio escolheu Guilherme Pinto, presidente da Câmara de Matosinhos.
A proposta contra as portagens foi aprovada por maioria dos delegados.
A lista para a comissão política, encabeçada por Renato Sampaio, alcançou 358 delegados, elegendo 60 membros, e Pedro Baptista conseguiu um resultado surpreendente, ao conquistar 66 delegados, o dobro daqueles que tinha eleito nas eleições. Esta performance permitiu-lhe colocar 11 pessoas na comissão política. Para a jurisdição, Renato conquistou seis lugares e Baptista 1.

sábado, 8 de novembro de 2008

XIII CONGRESSO DISTRITAL DO PS-PORTO
Quase duplicamos o número de delegados apoiantes, de 34 para 66, elegemos um grupo significativo de 11 elementos para a Comissão Política. São 18% apenas, não dá para convocar uma Comissão Política, mas é melhor do que os 0% do unanimismo e passividade em que se tem vivido nos últimos 2 anos e 8 meses!... São perto de 20% apenas de um grupo contra um exército estalinizado, mas poderão ser a cunha para modificar o futuro. Além do mais, foi aprovada, por uma maioria arrazadora de 375 vot9os e a abstenção do presidente da Federação com mais 64 delegados, uma moção sectorial apresentada por Renato Garrido Matos, Presidente da CPC da Póvoa de Varzim, que condena as portagens nas SCUT do Porto, condenação que foi insistente na nossa campanha e na nossa intervenção no Congresso. (PB)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Fátima Felgueiras condenada a 3 anos e 3 meses de prisão com pena suspensa

Uma notícia que, vinda de onde vem, e mesmo dizendo tão pouco, é deveras significativa. Claro que, com todo o mediatismo montado, Fátima "não podia" ser inteiramente absolvida, ficando, para contento dos media e consumidores, o ridículo de uma condenação resultante de acusações que, como dizia o outro, não são mais do que uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. O peculato resume-se a 150 € que deviam ter sido devolvidos no contexto de uma viagem à Irlanda, o peculato de uso a uma boleia dada a dois militantes do PS no carro que a foi buscar a Lisboa e o abuso de poder, nem se percebe na notícia o que é, sendo que, segundo a mesma, o próprio Procurador pediu a absolvição, provavelmente por saber ser um processo de que a Presidente da Câmara de Felgueiras já foi absolvida em Tribunal Administrativo. (PB)

(Público) Em Linha 07.11.2008 - 11h20 , António Arnaldo Mesquita, Cláudia Bancaleiro

Fátima Felgueiras foi condenada a três anos e três meses de prisão com pena suspensa e à perda de mandato no âmbito do processo do “saco azul” que hoje foi lido no Tribunal de Felgueiras. A autarca foi condenada por três crimes: um de peculato, um de peculato de uso e um de abuso de poder. Este é o balanço final do processo do “saco azul”, que acabou por se traduzir na absolvição de 13 arguidos e numa condenação quase simbólica da autarca, para quem o Ministério Público pedia a condenação "no mínimo de sete anos de prisão" e reclamava a devolução à Câmara de Felgueiras de quase um milhão de euros.
O acórdão foi resumido pelo juiz-presidente do colectivo, José Castro, e deixou aliviada a bancada da defesa.
"Com isto posso eu bem", comentou o advogado de Felgueiras, Artur Marques, no fim da leitura do veredicto. O procurador da República, Pinto Bronze, ainda vai ler a decisão do colectivo e decidir se recorre ou não. Artur Marques deverá entretanto tentar neutralizar a sanção acessória de perda de mandato, tentando demonstrar que a autarca já foi julgada e absolvida pela alegada prática de abuso de poder, quando interveio na aprovação de um loteamento a que estava ligado o seu marido, o advogado Sousa Oliveira.
Ao fim de quase 120 sessões o colectivo acabou por reduzir a responsabilidade criminal de Fátima Felgueiras a três casos: a não devolução ao município de ajudas de custos de uma viagem, o uso de uma viatura oficial do município para uma iniciativa do PS e a intervenção no loteamento do Bustelo. Neste último caso, recorde-se, o procurador Pinto Bronze tinha pedido a absolvição da autarca. Fátima Felgueiras era acusada de onze crimes de participação económica em negócio, abuso de poder, prevaricação e peculato. No âmbito do mesmo processo, Horácio Costa e Joaquim Freitas foram absolvidos de todos os crimes que lhes eram atribuídos pela acusação.
À saída da sessão, Fátima Felgueiras disse que respeita mas não concorda com a decisão do juiz. “Sempre falei verdade. Em Felgueiras nunca existiu corrupção”, comentou a autarca, segundo a qual o que se passou foi uma “monstruosidade criada por interesses, ódios e vinganças”. “O que disseram sobre mim ao longo destes dez anos é tudo falso”. Felgueiras sublinhou que não está em causa a perda de mandato porque “não há razão efectiva para ela”. A autarca revelou que se sente inocente e que não foi condenada, mas libertada.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Santo Tirso

Portugal vai estagnar em 2009
Previsões europeias para Portugal são sombrias e incluem igualmente um aumento do défice
(JN) 5.11.2008 CÉLIA MARQUES AZEVEDO
A Comissão Europeia previu esta segunda-feira que Portugal vai crescer apenas 0,1%, em 2009, menos meio ponto percentual que o esperado pelo Estado, que não anteviu perspectivas tão sombrias como as europeias.
As estimativas de Bruxelas indicam, ainda, uma degradação do défice português que, na ausência de alteração da política orçamental, pode voltar a ultrapassar os 3%, em 2010.
As estatísticas europeias dizem que o Produto Interno Bruto (PIB) português vai ficar-se pelos 0,5% este ano e "estagnar" em 2009, escreve a Comissão, numa referência aos 0,1% do PIB. Bruxelas diz que as perspectivas económicas para o período referido estão "toldadas pela crise financeira". Em termos europeus, o cenário também piorou desde as perspectivas da Primavera.
Os números para a Europa não são mais optimistas e o comissário europeu responsável pelos assuntos económicos e monetários diz que a recessão económica é um "risco real". O PIB da União Europeia (UE) vai estacionar nos 1,4% em 2008, apenas metade do que foi em 2007, e 0,2% no ano que vem. Na Zona Euro, a economia pode crescer 1,2% até ao fim do ano e, em 2009, não deve ultrapassar os 0,1%. "A recessão é um risco real para alguns países, para a euro-área e para a UE, disse Joaquín Almunia, acrescentando que o "risco claro de recessão é o quadro que precisamos para agir".
Segundo o Eurostat, a inflação pode descer em 2009. Este ano, em Portugal, deve chegar aos 2,9% e no ano que vem poderá já perder seis décimas (2,3%). Na Europa, os 27 devem chegar aos 3,9%, este ano, e menos quatro décimas no grupo da moeda única. No ano que vem, pode descer para os 2,4% na UE e 2,2% na Zona Euro.
As previsões económicas de Outono da CE mostram um défice orçamental de 2,2% em 2008, em Portugal, tal como previsto pelo Governo, mas prevêem um agravamento do défice das contas públicas para 2,8% do PIB em 2009, e antevêem mesmo que o valor chegue aos 3,3%, em 2010, caso o Governo não tome medidas para o conter.
Em termos europeus, a Comissão espera para os 27 um défice orçamental negativo de 1,6% do PIB em 2008 e 2,3% em 2009. Entre os 15 da Zona Euro, o agravamento do défice é na ordem dos 1,3% este ano e 1,8% em 2009.
Bruxelas espera, ainda, que o desemprego continue a subir nos próximos tempos. Em Portugal, vai chegar aos 7,7%, este ano, e deve subir mais duas décimas, no próximo ano (7,9%). Igual percentagem é prevista para 2010. O grupo da moeda única vai colher números maiores que os portugueses. Em 2008, a taxa pode estacionar nos 7,6%, mas em 2009 pode subir para os 8,4% de pessoas sem trabalho. Na Europa dos 27, a expectativa aponta para os 7% este ano e 7,8% no próximo.

Desenho do Washington Post de hoje, terça-feira, dia 4 de Novembro

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Entrevista PÚBLICO/Rádio Renascença
Loureiro dos Santos: "Ausência de atenção para os problemas militares deriva da ignorância, da incompetência"
(Público) 02.11.2008 - 13h31 Paula Torres de Carvalho e Paulo Magalhães

Loureiro dos Santos diz ter o dever de alertar os responsáveis para os perigos de uma rebelião nas Forças Armadas. Frisa que quando referiu que havia perigo para a democracia não estava a pensar num 25 de Novembro, mas entende que a ausência de atenção para os problemas dos militares derivam de ignorância e incompetência dos governantes.

domingo, 2 de novembro de 2008


Ministro diz que instituição enfrenta "iminente ruptura de pagamentos"


Governo anuncia nacionalização do BPN

Que maravilha de "sistema" em que vivemos: privatiza-se, ou seja entrega-se aos privados o que é rendável, nacionaliza-se, ou seja fica-se com ónus para cima do cidadão, tudo o que o capitalista malbaratou no casino à frente do nariz do querido Estado, cioso da liberdade de movimento dos especuladores privados, mas adormecido em relação á defesa dos míseros tostões de quem vende todos os dias a sua força força de trabalho e nada mais tem! Veremos até que ponto, ou seja quanto vai o Estado (ainda por cima) pagar de indemnização aos queridos accionistas! Percebendo-se que o Banco de Portugal era um dos poucos seres neste país que confiava no BPN! E quem diz que não há alternativa?Face a uma sistema tão estúpido, tão liberal e tão criminoso, é fácil uma alternativa. Deixar funcionar o mercado não pode significar entregar o mundo à banditagem com vista ao "fartar vilanagem", embora seja mesmo isso que tem vindo a significar! (PB)

02.11.2008 - 14h13 PÚBLICO
A nacionalização do BPN será a primeira desde 1975.

O ministro das Finanças anunciou hoje que o Governo vai propor à Assembleia da República a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN) que, a confirmar-se, passará a ser gerido pela Caixa Geral de Depósitos.Em conferência de imprensa, no final de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, o ministro das Finanças justificou aquela que é a primeira nacionalização em Portugal desde 1975 com a situação “excepcional”, “delicada” e “anómala” vivida por aquela instituição bancária, cujas perdas acumuladas rondam os 700 milhões de euros, das quais 360 milhões associadas a operações com o Banco Insular, de Cabo Verde.O BPN, propriedade da Sociedade Lusa de Negócios, está “numa situação muito perto da iminente ruptura de pagamentos”, sublinhou Teixeira dos Santos, lembrando que a instituição “não tendo vindo a cumprir os rácios mínimos solvabilidade” impostos pelo Banco de Portugal e não existem perspectivas de que encontre, a curto prazo, "novas fontes de liquidez".“Face à inexistência de uma solução que permita defender o interesse dos depositantes, o Governo viu-se obrigado a propor à Assembleia da República a nacionalização do BPN”, declarou o ministro, acrescentando que, já a partir de amanhã, a instituição o funcionamento da instituição será acompanhada por dois administradores do Banco de Portugal. Assim que a proposta de nacionalização for aprovada, a gestão do BPN será entregue à CGD, que será encarregue de “gerir e apresentar um plano de desenvolvimento”.O Governo remeteu mais pormenores para uma conferência de imprensa conjunta de Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, agendada para esta tarde. Governo anuncia linha de crédito à bancaNo final da reunião desta tarde, o ministro das Finanças anunciou também a abertura de uma linha de crédito de quatro mil milhões de euros para auxiliar os bancos a reforçar o seu capital, garantindo, assim, a sua solidez financeira. Isto porque, explicou Teixeira dos Santos, o Banco de Portugal vai passar a exigir às instituições financeiras que aumentem o seu rácio de solvabilidade para oito por cento dos fundos base. “Isto vai obrigar as instituições a reforçar a solidez financeira e, nesse sentido, a par do esforço que os accionistas vão ter que fazer, o Governo irá disponibilizar meios financeiros, para através de acções preferenciais, poder também contribuir para essa capitalização dos bancos”, justificou. Frisando que o mecanismo é semelhante ao que outros países da União Europeia têm vindo a aplicar, o ministro das Finanças argumentou que “a capacidade de os bancos concederem crédito depende da solidez” e que “quanto mais forte for, maior capacidade terão os bancos de financiar a economia”.
Resultados Finais Oficiais da FDP do Partido Socialista:

Com um presidente eleito por 26,9% dos eleitores inscritos podemos todos ficar satisfeitos!
Guimarães está a enviar doentes para laboratórios privados por falta de pessoal
Encher os privados, o erário público paga e a dobrar... É o que está a dar... O que é preciso é reduzir ao pessoal... Ou de como a saúde pública se tornou o melhor investimento do Capital. Melhor só mesmo um banco. Num caso ou noutro as garantias são totais...

(Público) 02.11.2008, Samuel Silva
Saída de duas clínicas levou a centenas de altas médicas em poucas semanas. Hospital diz que os doentes são acompanhados nos centros de saúde
A falta de pessoal médico está a levar o Hospital da Senhora da Oliveira, em Guimarães, a dar alta a doentes que eram acompanhados habitualmente pelo serviço de sangue. Os pacientes têm sido, nos últimos meses, encaminhados para os médicos de família e vêem-se obrigados a recorrer a laboratórios privados para continuarem a fazer o controlo sanguíneo associado a doenças cardíacas. A saída de duas médicas do serviço foi a causa desta decisão do hospital, mas o director clínico confirma que os problemas iriam surgir mais cedo ou mais tarde, dado o excesso de procura que a Imuno-hemoterapia tem tido. O Serviço de Imuno-hemoterapia é responsável pelo acompanhamento de doentes hipocoagulados, com patologias associadas a problemas cardíacos. A situação obriga a análises clínicas periódicas, uma vez que os pacientes têm que manter os níveis de coagulação do sangue dentro de determinados padrões, para evitar acidentes vasculares.O hospital de Guimarães acompanhava cerca de 500 doentes, mas, desde o Verão, várias centenas de pessoas têm recebido alta hospitalar, com a indicação de que devem continuar a fazer o acompanhamento periódico junto dos médicos de família. Como os centros de saúde não estão preparados para a recolha a análise clínica do sangue, os pacientes vêem-se obrigados a recorrer aos laboratórios privados para fazer este controlo.Dias Santos, director clínico do hospital de Guimarães, confirma a diminuição do quadro do pessoal. Desde então, o serviço de sangue tem "tentado fazer a substituição", mas há "falta de médicos da especialidade no país", afirma, pelo que a situação deve manter-se inalterada.Os laboratórios de Guimarães têm recebido um fluxo anormal de doentes e alguns dizem mesmo que estão sem capacidade de acolher mais doentes hipocoagulados. Alguns clínicos contactados pelo PÚBLICO afirmam que há um perigo associado a esta falta de acompanhamento, uma vez que os doentes andam numa espécie de "terra de ninguém".O hospital de Guimarães recusa as críticas e afirma que os doentes que receberam alta são aqueles cuja situação já está estabilizada, correndo por isso menos riscos. "Têm sido seleccionados doentes fáceis. A segurança dos pacientes é total", afiança Dias Santos. O director clínico acrescenta que os centros de saúde "têm via verde para o hospital sempre que uma situação clínica se degradar".O coordenador da Sub-Região de Saúde de Braga, Carlos Moreira, tem recebido queixas de doentes e clínicos, mas não quis comentar a questão. Vinca que o acompanhamento deste tipo de situações "é uma competência hospitalar, que não depende da sub--região", pelo que os esclarecimen tos podem apenas ser dados pelo hospital de Guimarães. O Ministério da Saúde também declinou o convite para se pronunciar sobre o caso, endossando as explicações para a administração da unidade hospitalar.

sábado, 1 de novembro de 2008

Elisa Ferreira faz depender candidatura ao Porto de envolvimento do PS

E muito bem... Estamos inteiramente de acordo com as declarações... (PB)
A eurodeputada Elisa Ferreira afirma que não exclui a possibilidade de ser candidata à presidência da Câmara do Porto nas próximas autárquicas mas exigiu um envolvimento claro do PS

O Sol) 1.11.2008 «Não excluo liminarmente (a candidatura) mas o que interessa é saber qual é o programa, quais são os actores. É muito importanbte que o PS se envolva, não só a nível central mas também local», afirmou.
Para Elisa Ferreira, que falava aos jornalistas no Porto, «é importante que haja um movimento claro de vontade de mudar».
«Temos que ser muito realistas, porque só o voluntarismo não basta», frisou.
Elisa Ferreira, que salientou estar a «conversar» sobre a sua eventual candidatura à Câmara do Porto, considerou ainda que uma das condições que está em aberto é a necessidade de ser dada uma atenção especial ao Porto e ao Norte.
«Tem que se perceber que o Porto (enquanto cidade liderante do Norte) e o Norte precisam de ser vistos pelo País como regiões que estão a atravessar problemas muito complicados, sem o contributo das quais não vamos conseguir dar o salto que precisamos de dar», afirmou.
«É preciso que haja condições pessoais e políticas mas também esta prioridade para que a região se relance e o Porto, enquanto capital desta região, possa afirmar o progresso», acrescentou.
Elisa Ferreira frisou que «tem que existir um espírito vencedor, de pegar no que de muito bom existe no Porto e relançar, e é preciso saber se há condições para isso».
Nesse sentido, defendeu que «é preciso que existam condições de entendimento a nível nacional e de percepção desta prioridade que o Porto tem que ter e merecer».
Nas declarações que prestou aos jornalistas, a eurodeputada recordou que nasceu, estudou e trabalhou no Porto, defendendo que «o País não pode progredir enquanto o Norte e o Porto estiverem num estado de depressão».
«Há aqui uma força muito grande que tem de servir o País e, sem ela, é quase impossível que o País se relance numa estratégia de desenvolvimento», afirmou.