sábado, 18 de julho de 2009

Intelectuais lançam manifesto com "questões prementes" destinadas aos partidos políticos
18.07.2009, Maria José Oliveira
Um grupo de 14 cidadãos, "insatisfeitos com os conteúdos e a qualidade do debate político partidário", pretende lançar para a discussão partidária que antecede as eleições legislativas e autárquicas uma "agenda de prioridades" que vão desde o processo de integração europeia às Forças Armadas, passando pelas políticas sociais, justiça, educação, cultura e ambiente.
As propostas estão reunidas no manifesto O nosso presente e o nosso futuro: algumas questões prementes, um documento de 27 páginas em que é feito um diagnóstico da situação actual de cada área, acompanhado por propostas e perguntas dirigidas aos partidos com assento parlamentar.
Durante esta semana, esta "agenda de prioridades para a política pública" será entregue a todos os partidos políticos, avançou ao PÚBLICO Viriato Soromenho Marques, conselheiro de Durão Barroso para a Energia e alterações climáticas e um dos autores do documento. Um dos propósitos do manifesto reside precisamente na tentativa de ampliar a temática em discussão nas campanhas, procurando ultrapassar as "receitas já conhecidas" e permitindo uma abertura ampla à participação da sociedade civil. Soromenho Marques afirma ainda que "seria muito positivo" que as propostas elencadas no manifesto contribuíssem para a elaboração dos programas eleitorais de cada partido.
Os 14 redactores do documento provêem de diversas áreas (economia, universidade e cultura) e assumem-se como independentes. São eles: Ana Luísa Amaral, Ana Maria Pereirinha, António Pinto Ribeiro, Clara Macedo Cabral, Isabel Allegro de Magalhães, Isabel Hub Faria, Jean Barrocas, Joana Rigatto, João Ferreira do Amaral, João Sedas Nunes, Laura Ferreira dos Santos, Luís Filipe Rocha, Luís Moita, Luís Mourão, Margarida Gil, Maria do Céu Tostão, Maria Eduarda Gonçalves, Maria Helena Mira Mateus, Maria Manuela Silva, Mário Murteira, Mário Ruivo, Miguel Caetano, Philipp Barnstorf, Teresa Pizarro Beleza e Soromenho Marques.
A ideia do manifesto (acessível no site cidadaosdebatempolitica.net) partiu de duas constatações: a cidadania não se esgota nos partidos; e a "excessiva fulanização" da política nacional.
Que, explica Soromenho Marques, é já verificável neste período de pré-campanha, em que "não parecem estar em causa as eleições para o Parlamento, mas a escolha de um primeiro-ministro a partir de duas figuras [José Sócrates e Manuela Ferreira Leite]". O debate (ou a falta dele) na campanha para as eleições europeias foi determinante para a elaboração do documento, afirma o professor universitário, notando ainda que "nos últimos anos assistiu-se a um esbatimento ideológico". Esta "corrida para o centro" do PS e do PSD foi tanto mais grave, sustenta, porquanto subsiste no "discurso oficial dos dois principais partidos a ideia falsa de que o esbatimento ideológico dispensa o debate de ideias".
Um dos propósitos do texto consiste, por isso, na tentativa de interpelar os partidos com quatro dezenas de questões concretas que pressupõem escolhas "distintas e até antagónicas". "Esta não é uma iniciativa que pretenda subestimar o papel e a relevância dos partidos políticos na vida democrática", pode ler-se no manifesto.
A menos de dois meses para o arranque da campanha para as legislativas, os promotores acreditam que a receptividade dos partidos poderá ser "sistémica": "Se um ou dois [partidos] adoptarem uma atitude construtiva e suscitarem o debate com alguns dos autores do manifesto, isso já vai ser positivo e provocar alguma reacção", diz Soromenho Marques.
O manifesto inclui críticas às políticas do Governo socialista, embora Soromenho Marques aponte que a intenção não foi "destacar" a acção do executivo. Mas há apreciações negativas implícitas às reacções do Governo perante as manifestações. O académico admite que "na educação atingiu-se um ponto muito baixo" e que a contestação dos professores foi lida pelo Governo como "uma reacção corporativa", o que "não deve ser feito".
Alegre quer acordo para o país
(SOL) 17.7.09 Maria Teresa Oliveira
Manuel Alegre considera que o acordo entre António Costa e Helena Roseta, em Lisboa, deve ser visto pela esquerda (e, nesta, pelo PS) como um «exemplo» com «carácter pedagógico»: «O que se passou em Lisboa mostra que desde que haja vontade política se encontram soluções»
Em declarações ao SOL, o ainda deputado socialista defende que, «se foi possível em Lisboa é possível em todo o país».
Alegre, que mediou e defendeu publicamente o entendimento em Lisboa, afirma que «isto é responsabilidade de todos». E conclui: «Os dirigentes políticos da esquerda têm de perceber o que quer o eleitorado. E as pessoas querem soluções políticas de governo».
Esta foi uma semana em que o histórico socialista voltou a estar debaixo do fogo de alguns sectores do PS. A razão da indignação foi o artigo que publicou no Expresso, no fim-de-semana passado, em que afirmava: «Seria preciso que os socialistas acordassem do seu torpor e que dentro do PS se ouvissem vozes a exigir uma mudança. Não só de estilo, mas de pessoas e de políticas».
Elisa Ferreira só fica no Porto se ganhar
Susana Branco (SOL) 17.7.09
Elisa Ferreira, há uma semana, tinha o dirigente do PS-Porto a questionar publicamente a sua candidatura. José Sócrates veio em seu apoio e Orlando Gaspar saiu de cena. Mas, apesar de todo o ruído e das sondagens desfavoráveis, a antiga ‘patroa’ de Sócrates no Ministério do Ambiente, no Governo de António Guterres, acredita que pode conquistar os portuenses
Depois do voto de confiança reiterado por José Sócrates e afastada a concelhia do PS da liderança da sua campanha, estão sanadas as polémicas à volta da sua candidatura?
A clarificação ficou feita aos olhos de todos e isso é benéfico. As estratégias de alguns protagonistas, frequentemente movidos por interesses pessoais, não podem confundir-se com a vontade e generosidade dos militantes e simpatizantes do PS. Nem afectar a confiança que muitos outros amigos do Porto, que não pertencem ao partido, depositam em mim e no meu projecto para a cidade.
Pensou desistir da candidatura?
Não, não pensei. Mas vi-me forçada, contra a minha vontade, a pedir a clarificação da posição do partido. Espero que não surjam mais surpresas.
Quanto ao repto lançado por Manuel Alegre sobre as duplas candidaturas…
Há uma coisa que não tolero. Sou intérprete de uma opção do partido. Dentro do quadro legal, os partidos são livres de decidir sobre duplas candidaturas. Tal como a CDU, o PS optou por candidatar às câmaras pessoas que sabia que tinham prestígio, nomeadamente através do papel desenvolvido no Parlamento Europeu. Outros partidos decidiram de modo diferente. Agora o PS decidiu alterar a sua prática quanto às autárquicas, está no seu direito. Não há é razões éticas associadas a nada disto.
No PS houve quem defendesse que, se perdesse, poderia ficar na Câmara como vereadora. Imagina-se nesta posição?
Não. Vejo-me como a presidente que pode fazer o Porto inverter o declínio em que caiu e é isso que importa discutir neste momento. Há duas alternativas para liderar o Porto: ou mantermos a actual liderança de Rui Rio – o que me parece fatal para a cidade – ou mudar, e eu sou a única pessoa que pode fazê-lo.
Preocupam-na os maus resultados das sondagens?
Não. São sondagens a quatro meses de distância, a seguir a uma derrota nas europeias, sobre um assunto que não está na cabeça das pessoas e em que metade dos inquiridos se recusou a responder.
Além dessa conjectura encontra alguma explicação para uma diferença tão grande?
Toda a confusão do ataque de Rui Rio à minha candidatura, que coincidiu com essa fase. Há muitas maneiras de contar a mesma história e ao introduzir a dúvida no cidadão o PSD ultrapassou o aceitável. Não vale tudo. Ofende-me se dizem ‘esta senhora anda à procura de emprego’. Nunca vim para a política para ter emprego.
É prematuro afirmar que deixava de imediato o Parlamento Europeu caso...
... Por que haveria de deixar? Para quê? Porquê? Em teoria, até é compatível com o facto de ser deputada – como é a Ilda Figueiredo e como foi Francisco Assis. Outra coisa é saber se quero, se o partido quer... Não tenho uma espécie de sub-estatuto em relação a Rui Rio, que diz ‘nunca serei vereador’. Por que hei-de eu ser? Combato para ganhar, tenho hipóteses de ganhar.

sexta-feira, 17 de julho de 2009


Presidente da Junta da Sé julgado por desvio de verbas
Lusa 17.7.09
O presidente da Junta de Freguesia da Sé, no Porto, vai ser julgado pelo alegado desvio de verbas da autarquia, no valor de 4.900 euros, que entretanto já devolveu, disse hoje à Lusa fonte ligada ao processo.
O presidente, José António Teixeira (PS), o secretário e a ex-tesoureira da Junta da Sé já tinham sido constituídos arguidos, acusados de peculato e falsificação de documentos.
Agora, o Ministério Público decidiu levá-los a julgamento, cuja primeira sessão está marcada para 27 de Outubro, na quarta Vara do Tribunal de S. João Novo, soube a Lusa junto de fonte judicial.
Em causa, neste processo, estão 4.900 euros, que alegadamente foram transferidos pela Junta para a conta da mulher do presidente.
Em 2006, o presidente da Junta terá solicitado que lhe fosse adiantado o valor de três salários e o subsídio de férias desse ano.
O pedido terá sido aprovado, e o valor terá sido transferido para a conta do autarca.
No entanto, apesar de ter recebido o adiantamento, José António Teixeira terá continuado a receber os vencimentos que já tinham sido adiantados.
Em Dezembro, José António Teixeira devolveu cinco mil euros, mas o Ministério Público entendeu que não se tratou de um adiantamento, mas de um empréstimo, e que, portanto, o autarca deveria pelo menos ter pago 392 euros de juros.
O caso foi denunciado por um membro da Assembleia de Freguesia da Sé, o advogado Miguel Castro, também do PS, que em Abril de 2008 impugnou também as eleições para o Secretariado da Secção da Sé do partido, ganhas por José António Teixeira.
Miguel Castro disse hoje à Lusa que o pedido de impugnação foi rejeitado pela Comissão Distrital de Jurisdição, mas "há poucas semanas" a Comissão Nacional de Jurisdição acabou por lhe dar razão e mandar repetir as eleições.
O presidente da "distrital" do Porto do PS, Renato Sampaio, apresenta ao fim da tarde de hoje, numa sessão na Praceta da Cadeia da Relação em que irá actuar a banda Santa Maria, os candidatos às juntas de freguesia do concelho do Porto.
Contactado pela Lusa, Renato Sampaio referiu que serão apresentados os candidatos a todas juntas de freguesia, excepto a da Sé, dado que "o PS ainda não decidiu quem será o candidato".
A "Praceta da Cadeia da Relação" chama-se "Campo dos Mártires da Pátria". Esta toponímia é demasiado importante na nossa história para que no Porto não seja conhecida. Mártires da Pátria... não é um epíteto qualquer... (P.B.)

Hoje, 18,30 horas, Praça dos Mártires da Pátria,
apresentação dos primeiros candidatos às Assembleias de Freguesia do concelho do Porto.

SONDAGEM

LEGISLATIVAS
GAIA. IPOM, 10-15 Julho, N=800, Tel.
PS: 18,3%
PSD: 18,0%
BE: 7,4%
CDU: 2,8%
CDS: 1,0%
Não Vota: 7,8%
Não decidiu: 31,1%
Não responde: 9,4%
Outro: 4,4%

SONDAGEM

Autárquicas - Câmara
GAIA. IPOM, 1o-15 Julho, N=800, Tel.
PSD/CDS-PP Menezes: 62,1%
PS Joaquim Couto: 20,5%
CDU: Ilda Figueiredo: 8,7%
BE: João Semedo: 5,2%
Outros/Brancos : 3,6%
O provincianismo
(GRANDE PORTO) 17 Julho 2009
Fernando Pessoa mostrou como uma das características do provincianismo português é considerar sempre os outros provincianos. Ele próprio, o provinciano, ao pretender não o ser, é-o mais do que todos, na medida em que para o não ser se renega - por exemplo na sua propalada pequenez ou mediocridade - reiterando a sua admiração pelos “grandes meios”, ou seja pelo que não é e pensa estar acima de si. É por isso que para o Poeta o “provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela”. Um parisiense não admira Paris porque ninguém saudável pode admirar algo que faz parte de si, diz-nos Pessoa. E é assim que Pessoa considera Eça de Queirós como o exemplo mais flagrante do provincianismo português, pois foi o que mais se preocupou em não ser provinciano, ou seja, em ser civilizado, “(como todos os provincianos)”.
Uma outra característica do provincianismo nacional, em grande nos tempos hodiernos, que, todavia, fazemos decorrer da pessoana análise, é o conclame à demarcação ética ou estética com o futebol – essa horda de bárbaros, com o sindicalismo municipal – esse bando de parasitas, ou mesmo com as elites culturais – esses líquenes apostados em desequilibrarem as contas públicas. Os nossos demarcados reclamam-se de um espaço impromíscuo, uma ilha de virgindade numa sociedade corroída pela canalha e diluída pela permissividade. Uma espécie de português na Ilha dos Amores que em lugar de correr atrás das “lácteas tetas” que os deuses lhes ofertavam premiando a barbaria da sua intrepidez ao passar o Cabo, lhe desse para se entregar à oração, ou outra actividade estritamente intelectual (seja lá isso o que for) cônscio de que, separado da turba, a ascensão aos céus o recompensaria muito mais do que a chegada à Índia.
Vem a propósito de uma crónica intitulada “O Porto”, assinada pelo Sr. Leonel Moura, e publicada no passado dia 3, no Semanário Económico.
Da crónica do Sr. Moura, escrita, de resto, com elegância, levantando alguns problemas de reflexão útil para os portuenses, retirámos o raciocínio central , que, para além do mérito em si, auriluz no que representa da mentalidade que domina alguns círculo
s da Capital que fazem tudo por não serem provincianos, por serem civilizados, ou seja, serem pessoanisticamente provincianos.
O Porto em relação a Lisboa, em vez de ter uma intensa mas cordial (aliás civilizada) competitividade, como a de Lyon e Paris (!), Milão e Roma (!!), ou Barcelona e Madrid (!!!), que encadeariam benéficas sinergias comunitárias, tem pelo contrário um complexo de subalternidade que se não o leva sempre a roçar a inveja, o regionalismo e mesmo a xenofobia, leva-o ao complexo do Calimero, o boneco que passa a vida a queixar-se, transformando o território num prado de lamentações.
E O Dr. Rio que merece, ou pelo menos mereceu há uns anos atrás, a admiração pessoal do Sr. Leonel Moura, porque foi capaz de correr com todos os demónios acima indicados com excepção, claro, da Gaiola das Loucas, tornou-se recentemente uma desilusão para o nosso ilustre opinador da Capital, uma vez que, à moda dos Fernandos Gomes, dos Nunos Cardoso, ou, quiçá, mesmo dos Pintos da Costa, decidiu bater o pé ao assalto perpetrado pela Região de Lisboa e Vale do Tejo a todo o país, ou seja às regiões de convergência, no valor de mil e quinhentos milhões!
Não é que o elegantíssimo Dr. Rio, que até organiza corridas de carros antigos reinternacionalizando a cidade, exibe o seu Spitfire (ou será um MG?) descapotável, anos 60 (ou será 70?), costumava ter raciocínios tão lineares como dizer simplesmente que sim, sendo também por isso tão querido das boas gentes da Linha, não se tornou agora (talvez por o PS-Porto lhe deixar essas bandeiras eleitorais) num perigoso regionalista, um invejoso e um xenófobo? Pior, num queixinhas, um outro Calimero?
Então não será que qualquer pessoa civilizada e por isso medianamente inteligente, ao contrário dos provincianos que não são inteligentes (precisamente por não serem civilizados), não percebe, que embora a região de Lisboa estivesse proibida de receber um cêntimo destes fundos, tem todo o sentido (civilizado, claro) desviar o dinheiro que se destinava ao resto do país por causa do “efeito de difusão”! (O Sr. Moura desculpe-me mas não sei a expressão em inglês que V.Exa. sabe e eu sei que Dr. Rio também sabe, mas eu tirando-me o português, e mais umas linguazinhas menos admiradas, aliás menos civilizadas, sabe como é, o provincianismo…).
Ou seja o dinheiro que se destinava ao Porto e ao resto do país foi desviado para Lisboa porque, por via do “efeito difusor”, os seus efeitos (civilizadores?) alastrariam pelo país inteiro (contrariando o sentido oposto do centralismo português de há mais de três séculos que tem sido o da aspiração e não o da difusão).
O mais espantoso é até o linear Dr. Rui Rio ter percebido, com o intelecto animado pelos bioquímicos da inveja ou pelos da proximidade eleitoral, que em qualquer cidade ou região do país haveria exactamente ( ou mais) o mesmo efeito difusor, lançando assim por terra o esquema tão bem montado pela gente civilizada apostada (bem hajam) em promover ( quiçá salvar) o provincianismo português.
Em particular o do Porto!
Haverá um dia em que o Porto também se civilizará. Comerá e calará. Será roubado e feito otário. Sorrirá e flutuará como uma borboleta. Mas não será provinciano. Com o efeito difusor, eu próprio aprenderei inglês (de borla). Como já sei tocar piano e falar francês pode ser que até o Sr. Moura me aprecie. Como o gato maltês. Entre civilizados.
Pedro Baptista (Doutor em Filosofia, escritor e investigador)
Independentes pagam IVA
INÊS SCHRECK (JN)
Ao contrário dos partidos, candidatos independentes não estão isentos do imposto. Parecer da CNE diz que lei põe em causa igualdade de candidaturas.
Consumidores portugueses estão entre os que pagam a Internet mais cara na Europa
17.07.2009 - 08h13 Ana Brito PÚBLICO
Em todas as velocidades de download analisadas pela AdC, os preços mensais em Portugal eram superiores à média europeiaOs portugueses continuam a estar entre os consumidores da União Europeia a 15 que pagam tarifas mais elevadas de Internet de banda larga. Para as velocidades de download mais utilizadas em Portugal, o desvio face aos preços praticados nos restantes Estados-membros é superior a 20 por cento.
As conclusões são de um estudo que a Autoridade da Concorrência (AdC) vai hoje apresentar. A análise sobre o mercado de comunicações electrónicas refere-se a 2008 e compara os preços praticados em Portugal nos serviços telefónico fixo, móvel e Internet de banda larga com os da UE15. E é na Internet que Portugal fica pior na fotografia, conclui o estudo a que o PÚBLICO teve acesso.
Com efeito, em todas as velocidades de download analisadas pela AdC, os preços mensais em Portugal eram superiores à média europeia. No caso das velocidades de 2 a 4 mbps (megabits por segundo) e 4 a 8 mbps, que o regulador aponta como as mais comuns em Portugal, os desvios dos preços mais baratos praticados em Portugal face aos preços mais baratos praticados nos países da UE15 eram de 22 e 25 por cento, respectivamente.
A AdC também compara Portugal com uma selecção de países - Grécia, Itália, Luxemburgo e Países Baixos -, "de forma a reflectir os preços mensais mais reduzidos de acesso" na UE15 para as velocidades de 2 a 4 mbps. Aqui, o preço mais baixo praticado em Portugal era de 36,76 euros, figurando como a "mais elevada" das ofertas, e comparando, por exemplo, com os 21,55 euros da Grécia (a segunda oferta mais cara). Nos 4 a 8 mbps, o preço português, 37,91 euros, apresentava-se como o segundo mais caro, ultrapassado pelos 39,95 euros cobrados nos Países Baixos, mas muito acima dos 14,69 euros praticados no Reino Unido.
A entidade presidida por Manuel Sebastião também destaca a reduzida penetração da banda larga fixa em Portugal, considerando que em Janeiro de 2009 o país "possuía uma das taxas de penetração de banda larga fixa mais reduzidas", de 16,5 por cento, superior apenas à da Grécia e 38 por cento abaixo da média da UE15.
Ainda assim, a AdC nota que "o atraso poderá, no entanto, ser compensado pelas elevadas taxas de crescimento" da banda larga móvel, que em Janeiro de 2009 apresentava uma taxa de penetração de 12,1 por cento.
No que se refere às comunicações móveis, o estudo debruça-se sobre os preços dos planos pré-pagos (recarregamentos) e pós-pagos (assinaturas). Nestes últimos, que representam menos de um terço dos subscritores, conclui que "os preços em Portugal eram dos mais elevados" para os vários perfis de utilização, situando-se geralmente acima da média da UE15.Na análise aos pré-pagos (78 por cento de utilizadores), o estudo da AdC limita-se à comparação entre tarifas on-net, ou seja, aquelas entre números da mesma rede. Mas são precisamente as chamadas para outras redes (off-net) que mais oneram os consumidores.
Por outro lado, a AdC frisa que nos preços de terminação (aqueles que um operador paga a outro quando termina uma chamada na sua rede e que por isso se reflectem no preço final cobrado ao consumidor) Portugal "passou a apresentar preços (...) alinhados ou abaixo da média dos preços dos restantes Estados-membros da UE15". No entanto, e uma vez que apenas são comparados preços on-net, fica por concluir se os operadores de telecomunicações estão a reflectir nos consumidores a descida dos preços de terminação nas chamadas off-net. Já nos telefonemas dentro da rede, os preços pré-pagos em Portugal eram inferiores em 34 por cento à média europeia, nota o estudo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

NOTÍCIAS SOBRE AS ÚLTIMAS DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Portugal vai reforçar participação militar no Afeganistão
Primeiros militares partem em Agosto
Governo aprova 13,7 milhões de euros para apoiar contingentes militares no Afeganistão
Não haja dúvidas que apoiar as tropas da OTAN que ocupam o Afeganistão, com mais 13 milhões e mais de uma centena de soldados pagos por todos nós é, para os portugueses, a prioridade das prioridades.
Aliás todos os dias somos afectados pelos afegãos. Razão tem o Ministro da Defesa em reiterar que não quer ser mais Ministro. Aposto que depois de tudo isto se vai dedicar ao eremitério, quem sabe se nas montanhas afegãs, ou, se preferir, uma nova subida ao Gólgota para redimir os pecados do mundo por misericórdia para com todos nós... (PB)
ELABORAÇÃO DO PROGRAMA E DAS LISTAS PARA AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS
A forte penalização sofrida pelo Partido Socialista nas eleições europeias fica a dever-se ao natural desgaste da governação e a evidentes erros cometidos, designadamente a subalternização do Partido e dos seus militantes. Situações que têm de ser corrigidas com vista a reunir as condições que garantam a vitória do PS nos próximos actos eleitorais.
Nesse sentido, serão decisivos os processos e critérios de elaboração do Programa e de constituição das Listas para as eleições legislativas.
O Programa para as próximas eleições legislativas constitui a Carta de Compromissos do PS com os portugueses. A sua elaboração deverá constituir a oportunidade para um processo de participação e mobilização, de debate e de contratualização com os socialistas e a sociedade civil para que as propostas e os compromissos sejam assumidos pela maioria dos eleitores.
As Novas Fronteiras constituem uma forma de participação da sociedade civil neste processo. Mas não podemos concordar, nem calar, o esquecimento e a subalternização a que estão votados os militantes e os órgãos estatutários do Partido.
Ao não convocar a reunião da Comissão Nacional para discutir as Moções Sectoriais apresentadas ao último Congresso, a Direcção do Partido está, por um lado, a cometer um grave incumprimento da deliberação do órgão máximo estatutário, a ostracizar militantes e a perder uma singular oportunidade de realizar um debate privilegiado sobre algumas questões programáticas essenciais contidas nas Moções Sectoriais.
Reafirmamos, assim, a necessidade de convocar, com urgência, essa reunião da Comissão Nacional.
Do mesmo modo, torna-se necessário chamar para a elaboração do programa destacados socialistas, alguns deles reconhecidos especialistas em áreas chave do desenvolvimento do país e que têm estado à margem do processo. O Programa do Partido Socialista às legislativas não pode ser marcado pelas opiniões de arautos do neo-liberalismo, alguns responsáveis por políticas e negócios ruinosos para o país, ao mesmo tempo que se aliena a participação de qualificados socialistas.
Na constituição das listas de candidatos à Assembleia da República devem ser emitidos sinais de profundas mudanças e renovação política. Para além das elevadas e influentes funções que desempenha para o país, a Assembleia da República funciona como espelho da classe política.
As eleições primárias são, comprovadamente, um sistema de qualificação dos candidatos e de valorização do debate e das opções políticas. Não sendo possível recorrer á às eleições primárias, transitoriamente, o método de elaboração das listas de deputados deve ser completamente novo, podendo ser avocado, se for necessário, pelos órgãos nacionais. Uma vez que não podemos ainda transmitir a estas listas o prestígio de um método democrático na sua elaboração, pelo menos tornemos ostensivo que elas procuram incluir o que de melhor temos no PS. Tornemos óbvia a mudança no critério de elaboração das listas, de modo a que fique claro que queremos um grupo parlamentar de excelência resultante de critérios radicalmente meritocráticos, distantes das lógicas de aparelho habituais.
Assim, as listas de candidatos a deputados devem reflectir, também, o pluralismo e a democracia internos do PS expressos no último Congresso e nos resultados para os Órgãos Nacionais.
Este caminho mostraria, objectivamente, ao eleitorado que o PS teria uma renovada disposição de efectiva qualificação da vida política, dando assim um contributo para a melhoria da qualidade da nossa democracia. Seguramente que esta mudança de prática política propiciará, também, favoráveis frutos eleitorais.

Os elementos da Comissão Política eleitos pela Moção “Mudar para Mudar”:
António Fonseca Ferreira
Maria Salomé Rafael
Rui Namorado
Edmundo Pedro
Artur Cortez
Manuela Neto
Filipe Batista

Lisboa, 15 de Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Hermínio da Palma Inácio

No dealbar de uma manhã de 1969, não seriam ainda 8 horas, encontrava-me no centenário "Piolho", cidade do Porto, quando chega o Fernando Moura, senta-se ao meu lado, inclina-se e sussurra-me.
-Acabei de ajudar a fugir o Palma Inácio!
Eu que, nos meus 20 anos andava a trabalhar nos preâmbulos do que viria a ser, dois anos depois, "O Grito do Povo" e que tinha percebido que o princípio vital para lançar um movimento revolucionário anti-fascista era o do rigor absoluto nos cuidados conspirativos, achei a abordagem amalucada, senti os pés molhados com a presumida rega, e como o Fernando piscava tanto os olhos como efabulava revoluções, aquiesci generosamente e não lhe liguei mais patavina.
Podia lá ser, um tipo metido numa operação daquelas, vir dar à língua ao primeiro que encontrasse! Embora conhecesse a muita consideração que ele tinha por mim, se fosse verdade, não era possível pôr-se a badalar sem mais nem menos e ainda por cima no Piolho, lugar particularmente vigiado pelos esbirros da PIDE e outros quejandos!
A verdade é que a meio da manhã, na Faculdade de Letras, a coisa já corria célere e dada como certa. O Palma tinha-se pirado! Mesmo antes do julgamento que decorreria naquela tarde em S. João Novo. E quando a meio da tarde se soube dos 15 anos de prisão sentenciados para uma cadeira vazia, cruzando-me com o filho do juiz presidente do Tribunal Fantoche que era meu colega, não resisti em, injustamente, dizer-lhe das boas. Claro que ele não tinha culpa do pai que tinha e fui contra os meus próprios princípios anti-filonómicos. Mas, com tanta alegria e euforia, não resisti.
Foi dos dias mais inolvidáveis e marcantes da minha vida, nesse ano de 1969 em que, digamos assim, começava a deixar de ser um puto...
Obrigado, Hermínio, por teres nascido e vivido, por poder ter ouvido contar os teus combates anti-fascistas, por te ter podido abraçar há uns anos poucos, por te teres mantido um exemplo de humildade e coerência! De pureza! (Pedro Baptista)
Orgulho,diz ela
(JN)15.7.09 A Língua não é apenas um meio de comunicação, é também um instrumento de conhecimento e de pensamento. A Língua fala em nós tanto quanto nós a falamos, constitui o elemento fundamental da nossa identidade enquanto povo (e, sobretudo, enquanto "pátria", pluralidade de valores identitários que herdámos dos nossos país e que os nossos filhos herdarão de nós). São, por isso, dramáticas as notícias que dão conta de que, nos recentes exames nacionais do 9.º ano, o número de negativas a Língua Portuguesa aumentou 70%, apesar de o actual ME ter levado o nível de exigência dos exames ao grau zero. A falta de exigência a que se chegou é tal que, para se opor à opinião dos peritos para quem os exames do 12.º ano de Matemática foram este ano de novo "escandalosamente fáceis", o presidente da APM argumenta que o exame "tinha algumas coisas que exigiam alguma interpretação de (…) linguagem escrita". Ou seja, o exame não seria assim tão fácil porque… exigia "alguma" interpretação de linguagem escrita. Isto a alunos do último ano do Secundário! Diz a ministra que o país devia "encher-se de orgulho" com isto…
Palma Inácio não conhecia a palavra impossível
(Público)15.07.2009, Maria José Oliveira
Morreu ontem aos 87 anos. Foi um herói da luta antifascista. Fundou a LUAR. A sua pensão não era suficiente para pagar o lar
Tinha 25 anos quando se iniciou na luta armada contra o regime de Salazar, envolvendo-se na tentativa de golpe de Estado organizada pela Junta Militar de Libertação Nacional, em Abril de 1947.
A sabotagem de aviões na Base Aérea de Sintra foi a primeira de muitas acções que tinham apenas um propósito: derrubar o Estado Novo e implantar a democracia. Quem o conheceu de perto, nunca lhe vislumbrou ambições de poder ou de carreira. Mas viu nele uma preocupação genuína para lutar contra o regime, aliada a uma autoconfiança e a uma capacidade de liderança que lhe permitiram protagonizar alguns dos combates que fizeram tremer a ditadura, como o sequestro de um avião comercial da TAP, o assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz e a tentativa frustrada de ocupar a Covilhã. Pelo meio, conseguiu fugir de duas prisões, o Aljube e a cadeia da PIDE no Porto.
Resistente antifascista, fundador da LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária) e militante do PS, Hermínio da Palma Inácio, nascido em Ferragudo a 29 de Janeiro de 1922, morreu ontem, aos 87 anos, vítima de doença degenerativa.
O corpo está em câmara-ardente na sede nacional do PS, no Largo do Rato, em Lisboa, partindo o cortejo fúnebre para o cemitério do Alto de São João hoje, às 17h45. A cremação será às 20h00. Nos últimos anos, vivia num lar fundado por antigos alunos da Casa Pia, em Lisboa. A pensão que recebia pelos serviços prestados à democracia (próxima do salário mínimo nacional) não era suficiente para pagar as mensalidades, pelo que contava com as contribuições de alguns dos seus amigos.
Fernando Pereira Marques, professor universitário e ex-deputado do PS, é um deles. Antigo membro da LUAR e um dos operacionais da tentativa da tomada da Covilhã em 68, explica que Palma Inácio "nunca se queixou" da forma como foi tratado após o 25 de Abril. "Por isso nasceu pobre e morreu pobre, discretamente", diz, referindo as dificuldades que, nos anos 90, alguns deputados socialistas enfrentaram para requerer a pensão. O parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi negativo. Em causa estava a interpretação do assalto ao banco, realizado em 67 para financiar a criação da LUAR, como um crime comum e não como um crime político. A PGR teve o mesmo entendimento feito pelo Estado Novo, nota Pereira Marques, e contrariou as decisões dos tribunais franceses e espanhóis: após o assalto, que rendeu à LUAR cerca de 30 mil contos (de pouco lhe valeram, uma vez que algumas notas foram retiradas de circulação), Palma Inácio foi preso em Paris, mas as instâncias judiciais julgaram o crime como acto político e negaram a sua extradição.
Dois anos depois, após a acção na Covilhã, foi novamente detido, em Madrid, e o tribunal considerou novamente o delito como sendo de natureza política.
A tentativa de ocupação da Covilhã inspirou o romance A Mão Incendiada, de Carlos Loures, antigo membro do Partido Revolucionário do Proletariado, para quem Palma Inácio era alguém "que não conhecia a palavra impossível". Mas um dos seus feitos mais glorificados foi a operação Vagô, congeminada no Brasil por, entre outros oposicionistas, Humberto Delgado e Henrique Galvão: a 10 de Novembro de 1961, Palma Inácio dirigiu o desvio do avião Super Constellation que fazia o percurso Casablanca-Lisboa e lançou sobre a capital, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro panfletos que incitavam a uma revolta contra o regime. (...)

terça-feira, 14 de julho de 2009


Para o Hermínio da Palma Inácio

O "14 Juillet" em Paris
220º aniversário da Tomada da Bastilha
Ao final da manhã
Morreu Palma Inácio, resistente antifascista

14.07.2009 - 14h51 PÚBLICO, com Lusa
Morreu hoje, aos 87 anos, Palma Inácio, figura política da resistência ao regime salazarista. Hermínio da Palma Inácio tornou-se conhecido por protagonizar o primeiro desvio político de um avião, 10 de Novembro de 1961, por ter participado no assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz, de onde levou cerca de 30 mil contos - uma fortuna para a época - e ainda por ter planeado tomar a Covilhã. Nascido na vila de Ferragudo, em 1922, numa família de ferroviários, passou a juventude em Tunes, concelho de Silves.
Politicamente activo desde muito novo, a sua figura de revolucionário inspirou o grupo de operacionais que viria a formar a LUAR, formação de cariz revolucionário que lutou contra o anterior regime até ao 25 de Abril.Depois da revolução a LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária) ainda se transformaria em partido político, mas nunca teve sucesso eleitoral. Depois aproximou-se do Partido Socialista, onde tinha grandes amigos, como o antigo presidente da Câmara de Lisboa João Soares.
Hermínio da Palma Inácio (1922-2009), a quem o Presidente da República Jorge Sampaio atribuiu em 2000 a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, que lhe foi imposta por Manuel Alegre, tornou-se célebre por ter protagonizado em 1956 o primeiro desvio de um voo comercial de que há registo, durante o qual um avião da TAP sobrevoou Lisboa, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro a baixa altitude para lançar cerca de 100 mil panfletos com apelos à revolta popular contra a ditadura. A sua vida foi marcada por um combate constante contra o Estado Novo, tendo sido preso diversas vezes pela PIDE, destacando-se uma passagem pelos calabouços do Aljube, onde protagonizou uma fuga histórica.
No dia 25 de Abril de 1974, Palma Inácio estava preso em Caxias, onde recebeu por código morse as primeiras notícas da Revolução. Passou os últimos anos num lar em Lisboa, fundado por antigos alunos da denominada "Velha Guarda Casapiana", lar onde hoje faleceu por volta do meio-dia, após doença prolongada.
Na sua página do Facebook, João Soares escreveu: "Morreu hoje o Hermínio da Palma Inácio. Revolucionário romântico, nasceu pobre e morreu pobre. Assaltou vários bancos (nada que ver com roubalheiras tipo BPN!). Entre eles o Banco de Portugal (nada que ver com Constâncio!). Era um bom amigo. Corajoso, audaz, generoso, amigo dos seus amigos. (...)".
O corpo de Palma Inácio será velado na sede nacional do Partido Socialista, no Largo do Rato, em Lisboa.
O Público ou a LUSA parece desconhecerem uma outra fuga histórica de Palma Inácio das masmorras da PIDE no Porto, precisamente na véspera da sua condenação a 15 anos pelo Tribunal Fascista, em 1969. É... isso lá para o Porto deve ser noutro país... (PB)
Hermínio da Palma Inácio ao ser libertado de Caxias a 25 de Abril de 1974

Morreu
PALMA INÁCIO
Morreu, hoje, o nosso amigo Hermínio da Palma Inácio. Revolucionário romântico, assaltou bancos, desviou aviões, fugiu de prisões. Nasceu pobre e morreu pobre. Generoso amigo dos seus amigos. Honra à sua memória.
João Soares

Estaremos, hoje, na "Análise do Dia", pelas 11 da noite...
Três em cada 10 alunos chumbaram na prova de Português. Na Matemática, as negativas 'melhoraram' para 34%. Ministério está orgulhoso.
(DN) 13.7.2009

Continuam os pontapés na atmosfera desta equipa ministerial. No passado dia 7 a notícia da baixa da média das notas de matemática do 12º ano de 12,5 para 10 e a duplicação das reprovações, merecia do Ministério a reprimenda de que se tratava de menos investimento, menos trabalho e menos estudo resultantes da ideia veiculada pela Comunicação Social de que os exames eram fáceis. Agora que, como todos ouvimos, os alunos foram unânimes em considerar a prova de matemática do 9º ano como fácil e melhoraram os resultados, é altura do Ministério se declarar orgulhoso. Pelos vistos, neste caso, a Comunicação Social funcionou para o lado certo. Em que ficamos? A malta trabalha ou não trabalha? A comunicação social aldraba ou não aldraba? Santa Maria! Sob pressão eleitoral as emendas são sempre piores do que os sonetos. Se ao menos se mantivessem caladinhos... (P.B.)
As negativas no exame de Língua Portuguesa do 9.º ano aumentaram 70% em relação ao ano passado. No total, dos 89620 que fizeram a prova 26 943 (30%) ficaram abaixo da nota 3. Há um ano, com mais testes realizados, apenas 15 819 alunos (16,7%) tinham ficado entre o1 e o 2 no exame.
Na prática, a grande maioria dos alunos (70%) continua em terreno positivo. Mas, em declarações ao DN, Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação dos Professores de Português (APP), confessou preocupação com o acréscimo de 11 124 negativas num ano, exigindo explicações ao Ministério da Educação.
"É preciso perceber porque é que as negativas quase duplicaram num ano, quais foram as questões em que os alunos sentiram mais dificuldades", disse ao DN. "Mas para dizer a verdade não estou muito optimista, porque ainda estamos à espera de respostas para as perguntas que fizemos ao Ministério em 2006, quando as negativas triplicaram", disse.
Para Paulo Feytor Pinto, a flutuação das notas à disciplina nos últimos anos - e não só no 9.º ano - é particularmente preocupante por não coincidir com estatísticas externas, que apontam para a "estabilidade" no nível dos alunos.
No relatório PISA, da OCDE, em que são avaliados alunos ao nível do 10.º ano, os resultados a Português têm-se mantido estáveis", lembrou. "Quando a avaliação não é nacional, as notas mantêm-se. Quando é nacional andam para cima e para baixo".
A Matemática, por outro lado, teve este ano uma evolução favorável. Em relação a 2008, houve menos 23% de negativas (quase menos 10 mil), num total de 32 651. No total , 65% dos mais de 90 mil alunos avaliados tiveram positiva. Porém, as análises dos especialistas da área não foram coincidentes.
Em declarações ao DN, Nuno Crato, da Sociedade Portuguesa de Matemática - que em Junho tinha considerado a prova "escandalosamente fácil" -, considerou que os resultados mostram apenas que "o Ministério não tem feito provas com critérios iguais" de ano para ano .
"Há uns tempos, um secretário de Estado [Valter Lemos] acusou-nos de termos contribuído para o agravamento dos resultados nos exames do 12.º ano", lembrou. "À parte o ridículo, porque comentamos sempre as provas a seguir e não antes, a verdade é que temos acertado sempre nas nossas previsões", considerou. "No dia do exame do 12.º ano, considerámos a prova mais razoável do que a de 2008 e as notas baixaram..."
Já Arsélio Martins, presidente da Associação dos Professores de Matemática (APM), fez uma análise bastante mais optimista aos resultados de ontem: "Os exames estão a ser cada vez menos um elemento de perturbação, penso que neste momento estamos a aproximar-nos de uma certa normalidade", afirmou à Lusa.
Este professor rejeitou também a ideia de que a prova deste ano tenha sido mais fácil:"[a prova] não era menos exigente do que nos anos anteriores. Tinha algumas coisas que exigiam alguma interpretação de gráficos, tabelas e linguagem escrita", defendeu.
Indiferente às críticas e às diferenças de análise, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, não escondeu ontem a satisfação com os resultados: "Gostava de sublinhar que a larga maioria dos alunos teve nota positiva tanto a Português como a Matemática", lembrou. "Isso deve-nos encher de orgulho. É muito positivo e muito bom para o País" .
Maria de Lurdes Rodrigues admitiu que "os resultados significam também que temos de continuar a trabalhar" e que "o País não se pode conformar" com estas médias No entanto, não deixou de defender que "há alguma consolidação dos resultados e também uma convergência entre os exames e o trabalho desenvolvido nas escolas" ao longo do ano.
Elisa escolhe comissão de honra, Gaspar reúne concelhia
14.07.2009, Margarida Gomes
O professor catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e presidente da Fundação do Museu do Douro, José António Sarsfield Cabral, os pintores Graça Morais e Ângelo de Sousa, o ex-reitor da Universidade do Porto Alberto Amaral, o arquitecto Nuno Portas, o pianista Pedro Burmester e a ex-atleta Rosa Mota são algumas das personalidades que integram a comissão de honra de Elisa Ferreira. A candidata do PS à Câmara do Porto convidou também Pedro Guedes de Oliveira, membro do conselho de directores do Instituto Nacional de Engenharia Civil do Porto, Álvaro Domingues, professor de Geografia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Manuel Correia Fernandes, professor de Arquitectura e ex-mandatário no Porto do candidato presidencial Manuel Alegre, Ana Maria Príncipe, do Hospital de São João, Maria Piedade Torgal Vallada (viúva de Paulo Vallada, ex-presidente da CMP) e Rosa Teixeira, da Associação do Bairro do Aleixo.
No mesmo dia em que a candidata torna pública a sua comissão de honra, cuja lista está ainda incompleta, o líder da concelhia do PS-Porto, Orlando Soares Gaspar, antecipou para ontem a reunião do secretariado (que decorria à hora do fecho desta edição) para formalizar a anunciada suspensão de funções até às autárquicas. Soares Gaspar, que esteve ontem incontactável ao longo de todo o dia, convocou o seu núcleo restrito para fazer o ponto da situação, um dia depois de José Sócrates ter criticado asperamente a estratégia seguida pela concelhia em relação à candidatura de Elisa Ferreira.
Sócrates usou um tom "muito duro" que surpreendeu muitos dos dirigentes presentes, segundo revelaram ao PÚBLICO.
Perante as acusações, Soares Gaspar terá respondido que lhe escreveu duas cartas em Abril que ficaram sem resposta e, quanto ao facto de o nome da candidata ter sido proposto pelo Porto e consensualizado, negou que tivesse sido assim. Argumentou que soube que Elisa Ferreira era a candidata ao Porto no dia em que ela foi apresentada no comício do Académico, que contou com a presença do próprio secretário-geral.
A questão que se colocava ontem era saber se o órgão concelhio ia seguir a decisão do líder. Orlando Soares Gaspar marcou para ontem uma reunião do PS-Porto por causa das críticas de Sócrates

segunda-feira, 13 de julho de 2009

PS adia diploma sobre direitos dos doentes à informação e ao consentimento informado
13 de Julho de 2009, 09:03
Lisboa, 13 Jul (Lusa) - A deputada socialista Maria de Belém Roseira disse hoje que o diploma sobre os direitos dos doentes à informação e ao consentimento informado foi adiado devido à falta de um parecer e por falta de tempo nesta legislatura.
O diploma, que integra o testamento vital, é adiado "porque ainda não chegou o parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e [porque] há muito pouco tempo agora para fazer reuniões das comissões parlamentares", disse à Lusa Maria de Belém Roseira.
A deputada, autora do diploma e presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, insistiu que "o que é adiado é o diploma que trata do consentimento informado e o direito à informação dos doentes, do qual o testamento vital é uma pequeníssima parte".
Boavista despromovido à II Divisão, Penafiel e Carregado devem subir
A comissão executiva da Liga de clubes decidiu hoje despromover o Boavista para a II Divisão, depois de o clube do Bessa não ter pago as dívidas em atraso. A Liga decidiu ainda pedir à Federação Portuguesa de Futebol a indicação de duas equipas para ocuparem as duas vagas em aberto na Liga de Honra, que deverão ser ocupadas por Penafiel e Carregado.
Líder concelhio com actividade suspensa até às autárquicas
Sócrates critica concelhia do PS-Porto e põe fim ao clima de intriga
(Público)12.07.2009 - 22h15 José Augusto Moreira
O líder do PS não poupou domingo nas palavras para criticar a actuação dos dirigentes da concelhia do Porto pela forma como deram expressão pública aos desentendimentos com a candidatura de Elisa Ferreira. Num almoço com responsáveis pelas estruturas concelhias de todo o distrito, José Sócrates quis deixar claro que a questão da candidatura à Câmara do Porto é um assunto há muito arrumado e que, por mais fortes que sejam as razões, não há lugar para mais dúvidas ou intrigas. Embora o repasto, que decorreu num restaurante do centro do Porto, junto ao Coliseu, tenha decorrido à porta fechada, os participantes contactados pelo PÚBLICO foram unânimes em classificar as palavras de José Sócrates como duras e implacáveis, usando um tom incisivo e directo e de uma severidade pouco habitual. Depois dos acontecimentos dos dois últimos dias, com o presidente da concelhia a procurar forçar a desistência de Elisa Ferreira e a obrigar a direcção nacional a vir em seu apoio, o assunto acabou por dominar necessariamente o encontro. Sócrates foi, por isso, directo à questão, verberando a actuação do presidente da concelhia do Porto, Orlando Soares Gaspar.
Começando por considerar inadmissível que tenha usado a SIC para colocar exigências à candidata, Sócrates insurgiu-se também contra os objectivos visados com tais declarações e por não ter sido contactado sobre a matéria. "Sabes bem que o nome da candidata foi proposto pelo Porto, foi consensualizado e foste pessoalmente ouvido. Que é que vocês queriam agora?”, questionou Sócrates, dirigindo-se ao presidente da concelhia.
Contactado pelo PÚBLICO ao final da tarde, Orlando Soares Gaspar disse que estava “a reflectir” e não queria “tomar qualquer posição a quente”. Mas o PÚBLICO apurou que, na sequência das palavras do líder do partido, Soares Gaspar pediu a palavra, tendo reconhecido ter havido alguma precipitação da sua parte, ao mesmo tempo que anunciou que, para não atrapalhar, irá suspender a sua actividade como presidente da concelhia até às eleições autárquicas.Para além da questão da candidatura autárquica no Porto, o encontro serviu para José Sócrates lançar um apelo à mobilização e transmitir um suplemento de ânimo ao partido, lembrando o legado que representa a acção do Governo a que preside.
Sócrates tenta conter críticos de Elisa Ferreira
Orlando Soares Gaspar admite suspender funções no PS até às eleições por causa da candidata autárquica
(JN) 13.7.09 JOSÉ VINHA E TIAGO RODRIGUES ALVES
Socrátes esteve, ontem, a acalmar as hostes socialistas do Porto. A maioria das concelhias aceitou a probição das duplas candidaturas, mas o líder do Porto contestou o "timing" e deverá suspender o mandato até às eleições.
O almoço de ontem que reuniu o secretário-geral do PS e as estruturas concelhias do distrito do Porto tinha o propósito de explicar aos órgãos locais a razão da proibição de candidaturas simultâneas às eleições autárquicas e às legislativas. Ao que o JN apurou junto de participantes na reunião, José Sócrates terá atingido os seus intentos já que a maioria dos líderes concelhios concordou com a opção. Todavia, não se livrou de ouvir críticas à forma e, principalmente, ao momento em que a medida foi tomada.
Orlando Soares Gaspar, presidente da concelhia do Porto, foi um dos mais críticos e lembrou que tinha enviado duas cartas a José Sócrates a aflorar esta questão e que nunca tinha tido uma resposta. De seguido criticou o "timing" da proibição, explicando que ela foi anunciada muito em cima da hora e que condiciona a estratégia para as eleições que se avizinham.
Face a estas críticas e também aos recentes desenvolvimentos na candidatura de Elisa Ferreira, com a distrital assumir a condução da campanha para a Câmara do Porto, tudo indica que Orlando Soares Gaspar deverá pedir a suspensão de funções até ao dia 12 de Outubro, um dia após as eleições autárquicas.

domingo, 12 de julho de 2009


Carvalho da Silva e Louçã apoiam Alegre
ISABEL TEIXEI RA DA MOTA (JN) 9.7.2009
A falta de um projecto de Governo à esquerda é da responsabilidade do PS, acusam Francisco Louçã (BE) e Carvalho da Silva (CGTP) numa reacção ao artigo de Manuel Alegre publicado no semanário Expresso.
Sob o título "É urgente acordar", o histórico socialista assinou ontem um artigo em que alerta para a "ofensiva ideológica da direita" que, diz, irá marcar as legislativas de Setembro. E chama o PS e a restante esquerda à responsabilidade de impedir que "num país maioritariamente de esquerda" se acabe "uma vez mais a ser governado pela direita".
Alegre responsabiliza o PS de José Sócrates de se ter submetido à "globalização neoliberal", como outros partidos socialistas que sobrevivem na "defensiva ou ideologicamente colonizados".
O deputado afirma que, para ganhar ao PSD, impunha-se um "sobressalto" no PS. Ou seja, "seria preciso que os socialistas acordassem do torpor e que dentro do PS se ouvissem vozes a exigir uma mudança. Não só de estilo, mas de pessoas e de políticas".
Mas o recado é também para as esquerdas à esquerda do PS. Alegre gostaria "que uma maioria de esquerda fosse capaz de gerar soluções políticas alternativas". Mas não tem ilusões. Diz que "tal só será possível com uma ruptura de cada uma das esquerdas consigo mesma". E reconhece que isso "está longe de acontecer".
O líder da CGTP, Carvalho da Silva, disse ao JN "que é muito difícil pedir a outros sectores políticos à esquerda um esforço de aproximação quando as forças políticas dominantes se submeteram às inevitabilidades do neoliberalismo".
Afirmando partilhar "muitas das preocupações de Alegre", Carvalho da Silva adverte que "a saída política para os bloqueios constrói-se, não se anuncia". E responsabiliza o PS por não saber encontrar políticas de esquerda.
O dirigente do BE, Francisco Louçã, segue na mesma linha. "O PS não tem projecto de governo, nós temos", declarou ao JN, argumentando que o crescimento eleitoral do Bloco lhe permitirá "ter mais força no Parlamento".
E lembra que a aprovação do Código do Trabalho pelo PS foi a "razão principal" invocada por Alegre para sair das listas. "A conclusão que retiro é a de que é preciso deputados na esquerda para mudar o Código de Trabalho".
Alegre acredita que "ainda é possível vencer o PSD". "Mas algo tem de acontecer (...) Mais política e menos marketing. Mais socialistas e menos figurantes".
PS discutiu candidatos para substituir Elisa Ferreira
Socialistas chegaram a sondar nomes para uma eventual substituição se Elisa desistisse
TIAGO RODRIGUES ALVES (JN) 9.8.2009
Elisa Ferreira mantém-se na luta pela Câmara do Porto e não adbicará, para já, do lugar de eurodeputada. Renato Sampaio assumiu, a partir de ontem, as rédeas da campanha, mas PS já equacionava um plano B.
Depois do ultimato lançado pelo líder concelhio, Orlando Soares Gaspar, forçando Elisa Ferreira a optar entre o lugar de eurodeputada ou a campanha à autarquia portuense, muitos anteciparam uma eventual desistência da candidata por alegada falta de apoio das estruturas concelhias. Entre os poucos apoiantes que ontem marcaram presença na sede de candidatura, a apreensão era evidente e até dentro do próprio partido socialista se equacionavam candidaturas alternativas.
Ao que o JN conseguiu apurar, num encontro de responsáveis socialistas, realizado anteontem à noite, dois nomes chegaram a ser apontados como possíveis substitutos de Elisa Ferreira: Nuno Cardoso, ex-presidente da Câmara do Porto, e Manuel Pizarro, secretário de Estado da Saúde.
Manuel Pizarro terá dito terminantemente que "não" e uma pessoa próxima do secretário de Estado defendeu, na reunião, a manutenção de Elisa Ferreira. Todavia, a maioria dos presentes dividia-se entre duas opções: aliciar Manuel Pizarro, garantindo-lhe, desde já, o apoio a uma eventual segunda candidatura em 2013 ou recuperar Nuno Cardoso para um lugar que já foi seu.
Porém, ontem, Elisa Ferreira enterrou estas conjecturas ao afastar, em conferência de imprensa, qualquer cenário de desistência, depois de ter recebido o apoio do secretário-geral e da distrital socialista. Salientando que "desde sempre" se sentiu "completamente respaldada a todos os níveis pela estrutura do PS", a candidata revelou que por causa das declarações de Orlando Soares Gaspar pediu um esclarecimento ao partido sobre a sua candidatura. "Foram surgindo vários, comentários, acções e declarações desestabilizadoras" que "ganham uma dimensão especial quando são protagonizados pelo presidente da concelhia", justificou.
A resposta demorou um dia, mas veio do próprio secretário-geral do partido, José Sócrates, que, telefonicamente, lhe renovou o voto de confiança. "O PS reafirma o seu total apoio à candidatura liderada por Elisa Ferreira, nos mesmos termos em que ela se iniciou. Não há nenhuma alteração de percurso", reforçou o líder da distrital, Renato Sampaio, mandatado pelo secretário-geral para falar em nome do partido.
Todavia, houve mesmo uma alteração. A partir de ontem e a pedido da candidata e de José Sócrates será o líder distrital a conduzir, pessoalmente, a campanha. Renato Sampaio negou que esta fosse uma qualquer desautorização da concelhia ou uma retirada de confiança ao seu presidente. "É uma situação que estava em cima da mesa há muito tempo" e "uma continuidade no processo". Sobre a proibição das duplas candidaturas, Renato Sampaio realçou que o assunto foi discutido nos órgãos próprios e que, relativamente às candidaturas às autárquicas e ao Parlamento Europeu, "é um assunto encerrado".
O JN contactou Orlando Soares Gaspar que se escusou a comentar os recentes desenvolvimentos e que guardou eventuais reacções para o dia de hoje.
Recorde-se que hoje José Sócrates desloca-se ao distrito do Porto, onde almoçará com as várias concelhias. Estarão em discussão as eleições autárquicas e a recém-imposta probição de duplas candidaturas às autárquicas e legislativas.
Sócrates desvaloriza críticas e prefere sublinhar pontos de convergência com Alegre
12.07.2009 - 00h18 Lusa
O secretário-geral socialista, José Sócrates, afirmou ontem que as suas divergências políticas com Manuel Alegre “são conhecidas há muito” mas que ambos concordam na necessidade de “mobilizar o PS” para as legislativas e que essa disputa se fará “com a direita”.“São conhecidas há muito as divergências políticas que tenho com Manuel Alegre. Isso foi discutido no congresso de 2004. Aí as divergências que tenho com ele foram assumidas com clareza e o PS escolheu o caminho que queria seguir e, ao longo deste tempo, essas divergências não nos têm impedido de colaborar ao serviço da afirmação do espaço político a que pertencemos, a esquerda democrática”, afirmou. O secretário-geral do PS fez estas declarações no final de uma sessão de mais de três horas do Fórum Novas Fronteiras, onde se reuniu à porta fechada com várias personalidades ligadas ao mundo da cultura. Reagindo a um artigo publicado ontem no semanário “Expresso”, onde Alegre voltou a manifestar a sua oposição ao rumo actual do PS, Sócrates preferiu “sublinhar as concordâncias” com o ainda deputado e vice-presidente da Assembleia da República. “Eu estou de acordo com Manuel Alegre: em primeiro lugar que é preciso mobilizar o PS e é isso que ando a fazer com esta reunião que aqui tive [no Museu do Oriente, em Lisboa] e, em segundo lugar, também concordo quando ele diz que a questão política fundamental das próximas eleições é a disputa entre o PS e a direita e entre duas visões para o Estado social”, advogou. “Nós socialistas acreditamos que o Estado tem um papel a desempenhar, em particular na área da Educação, do Serviço Nacional de Saúde e da Segurança Social, que deve manter-se pública, enquanto a direita tem um programa de redução ao Estado mínimo, ao Estado ‘imprescindível’, segundo a sua nova linguagem”, afirmou o secretário-geral socialista.

sábado, 11 de julho de 2009

(Transcrito de leixao.blogspot, com agradecimentos e um abraço) PB
A ler com atenção
"É urgente acordar o PS"
(Expresso) 8.7. 2009 Manuel Alegre
Em nenhum outro país europeu a esquerda é eleitoralmente tão forte como em Portugal. Mas essa força não serve para grande coisa. Sobretudo não serve para governar, seja em coligação seja através de acordos pontuais. Em caso de maioria relativa do maior partido da esquerda, a governabilidade só é garantida à direita, quer através do bloco central quer com o apoio do CDS. Nem o PCP e o BE estão disponíveis nem o PS quer governar com qualquer deles. As nossas esquerdas parecem ter como desígnio principal excluírem-se umas às outras. É uma das originalidades portuguesas.
Depois da queda do muro de Berlim, os partidos comunistas quase se evaporaram. Com a honrosa excepção do PCP, não só pelo seu papel na luta antifascista, mas também devido ao facto de Álvaro Cunhal ter preservado a ideologia tradicional do partido, fixando assim o núcleo essencial do seu eleitorado.
Esperava-se então que fosse a hora do socialismo democrático. Mas o que veio foi a globalização neoliberal. Com os socialistas na defensiva ou ideologicamente colonizados. Essa é talvez a razão pela qual a nova crise global do capitalismo financeiro beneficiou a direita e não a esquerda. Parafraseando Saramago, para quê votar à esquerda se não há esquerda? Como projecto de governo, não há. Se não mudar, o socialismo europeu corre o risco de ter um destino semelhante ao do movimento comunista. Se a esquerda de poder imita o poder da direita e as outras continuam a sonhar com os amanhãs que já não cantam, se, no seu conjunto, a esquerda deixa de representar um horizonte visível de esperança, os eleitores viram-se para outro lado e para a ilusão da segurança que, em época de crise, a direita oferece. Pelo menos a direita sabe o quer: quer poder. E não tem os pruridos da esquerda, une-se para o conquistar.
As próximas eleições serão marcadas por uma ofensiva ideológica da direita. O que está em causa é o consenso constitucional aprovado por larga maioria, incluindo o PSD, sobre os direitos sociais (escola pública, universalidade do acesso à saúde, segurança social pública). A líder do PSD anuncia o fim de um ciclo e de uma concepção da democracia em que direitos políticos e direitos sociais eram considerados inseparáveis. Com o absurdo de o PSD partir para as eleições com a bandeira da ideologia que está na origem da actual crise mundial. Sabem-se os objectivos: papel do Estado, protecção social, direito do trabalho.
Os resultados desta receita estão à vista em toda a parte: desregulação do mercado entregue a si mesmo, busca sem freio do lucro pelo lucro com total indiferença pelos custos sociais, ausência de ética e transparência. Na hora do colapso do neoliberalismo, MFL faz o discurso ultraliberal do Estado mínimo. À força de tanto querer rasgar, acabará por rasgar o horizonte social do 25 de Abril, consagrado na Constituição.
E por isso impunha-se um sobressalto. Seria preciso que os socialistas acordassem do seu torpor e que dentro do PS se ouvissem vozes a exigir uma mudança. Não só de estilo, mas de pessoas e de políticas. Na educação, no trabalho (cujo Código é imperioso rever), na Justiça, na função pública, na relação com os sindicatos, na afirmação do primado da política e na urgência de libertar o Estado de interesses que o condicionam. Seria preciso que o PS fosse capaz de se reencontrar consigo mesmo, com os seus valores e com o seu eleitorado. E que as outras forças de esquerda, sem abdicarem das suas posições próprias, definissem com clareza o adversário principal e se interrogassem sobre as consequências de um eventual governo de MFL. Se a direita governar, o povo da esquerda será o principal perdedor, independentemente da votação nos partidos que dele se reclamam.
Dir-me-ão que a maioria PS não governou à esquerda. Eu gostaria que tivesse governado de outra maneira. Mas também sei que uma maioria de direita jamais deixaria passar o referendo sobre a IVG e a lei do divórcio. Sei que com um governo de MFL o SNS será praticamente desmantelado e o papel do Estado, como ela já afirmou, "reduzido ao mínimo indispensável".
Como socialista, não me compete dizer ao PCP e ao BE o que devem fazer. Gostaria que uma maioria de esquerda fosse capaz de gerar soluções políticas alternativas. Mas não tenho ilusões. Tal só será possível com uma ruptura de cada uma das esquerdas consigo mesma. O que está longe de acontecer.
Aos socialistas digo que ainda há tempo. Ainda é possível vencer o PSD. Mas não será com certeza ouvindo opiniões à direita e esquecendo a sua própria esquerda. Nas europeias, não foi o PSD que teve um aumento significativo de votação, foi o PS que perdeu grande parte da sua base social, a ponto de, pela primeira vez, ter ficado aquém de um milhão de votos. Várias vezes falei de um buraco negro na esquerda. A soma da abstenção com os resultados do BE e do PCP mostram que esse buraco se situa na área do PS. Não é crível que personalidades de direita consigam recuperar para o PS o eleitorado que este perdeu para a abstenção e para a esquerda. Os socialistas não podem ter um discurso emprestado. Não se combate o liberalismo ultra com o liberalismo suave. Nem se vence o PSD com ex-ideólogos do PSD. Ainda é possível dar a volta. Mas algo tem de acontecer. Apesar dos erros, a bandeira do PS não está no chão. Mais política e menos marketing. Mais socialistas e menos figurantes. Um pouco mais de esquerda. Ou, como diria Mário Cesariny, "um acordar".
Para que um dia destes não estejamos a perguntar-nos como é que se perdeu mais uma oportunidade e como é que um país maioritariamente de esquerda pode acabar uma vez mais a ser governado pela direita.
Rede Norte apresentada este sábado
Plataforma quer movimentos cívicos a “trabalhar em rede”
10.07.2009 - 18h53 Pedro Rios
A Associação de Cidadãos do Porto (ACdP) está a criar uma rede de movimentos cívicos da região Norte. Para já, a plataforma “informal” - que será chamada Rede Norte e vai ser apresentada hoje, às 21h30, no Clube Literário do Porto – conta com a ACdP e a Associação Comboios XXI.A Rede Norte pretende pôr a “trabalhar em rede” as associações da região (mas também de Aveiro), que se encontram “atomizadas”, afirmou ao PÚBLICO Alexandre Ferreira, da ACdP. A rede aposta “numa lógica de complementaridade” com o objectivo de dar maior dimensão ao trabalho de cada movimento. A plataforma será “informal” e o seu âmbito dependerá “da adesão e da vontade” das associações cívicas do Norte. Para já, as duas associações que a integram têm-se batido sobretudo por causas ligadas aos transportes: a ACdP defende a gestão autónoma do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, enquanto a Comboios XXI tem como missão promover a melhoria das condições do transporte ferroviário.Nos últimos dois anos, o Porto foi palco de vários actos cívicos, como o movimento Cidadãos do Porto - Sociedade Aberta, empenhado na defesa do centro histórico, o manifesto “Onde vais cidade?” e a própria Associação de Cidadãos do Porto. Alexandre Ferreira reconhece que, por vezes, os grupos funcionam como “átomos completamente desconexos”. A Rede Norte quer constituir, por isso, “um ponto de reunião, sem ser de uma forma impositiva”.Para José Pedro Santos, presidente da direcção da Comboios XXI, com sede em Braga, muitos destes movimentos “têm uma coisa em comum: foram crescendo através da blogosfera”. Apesar de “objectivos diferentes”, une-os a ideia de “associativismo em prol do bem comum”, diz, destacando a “naturalidade” com que surgem. “Somos todos anónimos, não estamos filiados em nada”, ilustra.A associação ambientalista Campo Aberto, com sede na Maia e intervenção em todo o Grande Porto, está a estudar a participação na Rede Norte, mas é provável que a venha a integrar, disse ao PÚBLICO o dirigente Nuno Quental.
Ler acima artigo integral transcrito de leixao.blogspot (P.B.)
Apelo à mudança de estilo, de políticas e de pessoas
PS: Manuel Alegre pede “sobressalto à esquerda”
11.07.2009 - 10h42 Lusa, PÚBLICO
Manuel Alegre pediu hoje uma mudança urgente de estilo, de políticas e de pessoas no PS e apelou a um “sobressalto à esquerda” num artigo de opinião publicado no semanário “Expresso”.O “histórico” socialista, deputado há 34 anos, confessa que gostaria de ter visto o partido governar de outra maneira e sublinhou a necessidade de este não esquecer a “sua” esquerda, pondo de lado um “discurso emprestado”.Apesar de pedir um pouco mais de esquerda, Alegre esclarece que continua a querer o PS, ainda que admita a perda de grande parte da sua base social.No entanto, lembra, ainda há tempo para o partido “acordar”. Ontem, em declarações à agência Lusa, Alegre disse que a “razão principal” para a sua saída da lista de deputados para as próximas legislativas foi a aprovação do Código do Trabalho pelo PS. “O Código do Trabalho é muito negativo”, contou no último dia de trabalhos normais da Assembleia da República – ainda há uma sessão plenária no dia 23 – antes do final da legislatura. O deputado contou que teve outros convites por parte da direcção do partido mas a sua resposta está dada: “Não posso estar a dizer isso [que não está disponível] de hora a hora. É ridículo. Já disse que não integro as listas, está feito”. Sobre as políticas do Governo de José Sócrates e o futuro do PS, Alegre comentou que se achasse que o partido “estava a ir na direcção certa com certeza que era candidato a deputado”.
Sócrates reafirmou apoio à candidata
Elisa Ferreira mantém-se na corrida à CM do Porto
(Público)11.07.2009 - 16h50 José Augusto Moreira
Elisa Ferreira mantém-se na corrida eleitoral para a Câmara do Porto e diz que continua inalterado o contrato que celebrou com os dirigentes do Partido Socialista nesse sentido.A candidata independente apoiada pelo PS deu hoje uma conferência de imprensa para responder aos dirigentes da estrutura concelhia do PS-Porto, que têm contestado a sua postura de afastamento em relação ao partido e a têm deixado praticamente sozinha em todas as acções de campanha. O clima de tensão tinha atingido o auge nas últimas horas, com o presidente da concelhia, Orlando Soares Gaspar, a desafiar Elisa a optar entre a candidatura autárquica e o Parlamento Europeu.
“Perante a posição do líder concelhio, pedi ontem ao Partido Socialista que clarificasse a sua posição”, disse hoje a candidata, esclarecendo que recebeu um telefonema de José Sócrates “reafirmando que se mantinham intactas todas as condições em que se desenvolveu o processo que levou ao convite” para a sua candidatura. Elisa fez ainda questão de frisar que só aceitou apresentar a sua candidatura “depois de o assunto ter sido discutido e votado nos órgãos concelhios”, salientando que, “dos 53 militantes que se pronunciaram por voto secreto, 52 foram favoráveis à candidatura”.
Hoje, 15 horas, sede de candidatura de Elisa Ferreira:
DECLARAÇÃO DA CANDIDATA
(sem perguntas)
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Lugares na lista para a Câmara do Porto provocam tensão entre Elisa Ferreira e PS
11.07.2009, Margarida Gomes
"O PS não abdica nem abdicará de ter um papel na elaboração das listas para a Câmara e Assembleia Municipal do Porto e de ter uma intervenção activa na campanha para que o resultado nas autárquicas seja bem diferente daquele que as sondagens dão", afirmou ao PÚBLICO Rui Saraiva, dirigente concelhio do PS-Porto.
Ontem, uma sondagem publicada no novo semanário Grande Porto atribuía a Elisa Ferreira 23,5 por cento das intenções de voto dos portuenses, um resultado que fica muito aquém daquele que é estimado para Rui Rio: 55,2 por cento. Rui Saraiva, membro do secretariado da concelhia do PS, aponta uma outra exigência: os lugares que o partido deve ocupar na lista para a câmara. "Não estamos disponíveis para aceitar um lugar qualquer", frisa Rui Saraiva, que, em nome do "bom senso" e de um certo "equilíbrio", reclama um lugar nos primeiros três da lista à Câmara do Porto.
Estas e outras condições foram colocadas em cima da mesa há precisamente uma semana, numa reunião entre a candidata e o partido, mas Elisa Ferreira não terá dado nenhuma resposta, segundo adiantaram ao PÚBLICO responsáveis pela concelhia. As posições expressas então por Elisa Ferreira são já do conhecimento da direcção do partido.
Frisando que o apoio a Elisa Ferreira não está em causa, o dirigente socialista Rui Saraiva justifica a razão pela qual o PS não acompanhou anteontem a candidata na visita ao Hospital de S. João, tal como o PÚBLICO noticiou. "A razão é simples: a candidatura não nos informou dessa visita", garante este dirigente socialista, apontando o dedo àqueles que criaram "muita perturbação" à volta da candidatura, tentando inverter as coisas. "Muitos tentaram inverter a situação, dizendo que se tratava de uma candidatura independente apoiada pelo PS. Essa não é a nossa versão. Esta é a candidatura do PS liderada por uma independente de relevo e dimensão que acrescentará muito à cidade", clarificou o dirigente. Desta forma, Rui Saraiva dava por encerrada a novela dos últimos dias e que apontava para a possibilidade de o PS estar a preparara um "plano B", que passaria pelo lançamento de uma figura alternativa a Elisa Ferreira, tendo em conta as divergências públicas entre a candidata e os dirigentes locais do partido, mas também os resultados das sondagens que têm apontado para uma clara vitória de Rui Rio e para um péssimo resultado da eurodeputada e candidata à câmara portuense.
Já na véspera, o líder do PS-Porto, Orlando Soares Gaspar, disse, em declarações à agência noticiosa Lusa, que a candidatura de Elisa Ferreira "é um assunto encerrado", porque o líder do partido "teve uma intervenção no assunto", pelo que qualquer alteração só poderia acontecer se articulada com ele. "Honramos a palavra dada. Para nós, é um assunto encerrado. Estaremos sempre solidários com a estratégia que o secretário-geral queira seguir. Seja qual for o rumo que se tome, será sempre em solidariedade com todos os órgãos do partido, em particular com o líder", afirmou Orlando Soares Gaspar.
Estas declarações do líder concelhio foram consideradas por alguns militantes como um recuo que acontece nas vésperas da visita do secretário-geral do PS ao Porto. José Sócrates tem marcado um almoço para domingo com os presidentes das concelhias do PS do distrito e com o secretariado distrital da Federação do Porto do PS. Ninguém avança prognóstico sobre o que Sócrates pretende fazer. Mas o cenário de o líder avocar a candidatura para evitar "mais perturbação" não está afastado.
Um inquérito em linha, a correr no PÚBLICO, está a dar 93% contra as duplas candidaturas a câmaras e a deputado. Um mesmo inquérito, há dias, no JN, deu também bem acima de 90% contra. Também um inquérito a ditas personalidades no semanário GRANDE PORTO, coloca quase todas as opiniões do lado da interdição, como acontece com a esmagadora maioria dos comentadores.
Ainda há dúvidas sobre este imperativo, para a moralização e transparência da vida política?
Há um, virar de página em frente na política portuguesa, embora fiquem, para já, muitos pormenores por esclarecer.
O que espoletou o escandaloso do fenómeno foi além da duplicidade a simultaneidade. Colocando-se a questão: é legítimo não cumprir integralmente os mandatos que se pediu e recebeu dos cidadãos eleitores, para exercer outras funções? Ou em quais casos isso é legítimo, pois é evidente que os há? Será legitimo deixar o mandato de presidente de Câmara do Porto para ir a Ministro? E se for chamado, pelo SG ou Presidente do partido, a Primeiro-Ministro? E se for chamado a candidato a PR? Ou a Comissário Europeu? Que critérios? Que razões e motivações devem ser considerados.
Os tempos mudam e o espírito do seu tempo (zeitgeist) também. O que se está a passar também é os cidadãos mostrarem-se mais exigentes para copm a democracia, deixando de engolir embustes e patranhas que, há uns tempos, engoliam.
Neste sentido a crise moral e de confiança da política representa um avanço. Assim os agenter políticos sejam capazes de se mostrarem à altura das suas responsabilidades históricas (P.B.).

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Legislativas
Porto(Concelho). IPOM, 16-19 Junho, N=797, Tel.
PSD: 21,8%
PS: 18,2%
CDS-PP: 2,4%
CDU: 4,6%
BE: 6,5%
Não vota: 8,8%
Não decidiu: 25,6%
Não responde: 9,5,%
Outro: 2,5%
Há um claro efeito de contaminação da Câmara para as legislativas... As duplas candidaturas tiveram um efeito negativo no resultado nacional do PS. Claro que não foram o único factor, mas deram uma imagem corrupta da actividade política por parte do PS. Ainda bem que foram tomadas medidas. Falta saber se ainda vão a tempo, se são aplicadas com a firmeza necessária para o partido se unir e ser capaz de ser bandeira dos anseios do povo.
A situação do Porto é insustentável e já devia ter sido atalhada cerce há muito, antes de se chegar a estes números dramáticos.
Como se os números nacionais não fossem suficientemente preocupantes.
A candidatura à Câmara deveria ter brotado, emergido naturalmente do Porto, e não trazida pela mão de Lisboa para ser imposta às estruturas do Porto, muito menos para logo se apresentar ferida de asa com a candidatura à Europa que isolou inteiramente a candidata da população.
Se Elisa se queixa hoje de que esteve sozinha na visita ao Hospital de S. João, isso aconteceu porque ela assim o quis, não comunicando ao partido. o que só pode ser entendido como uma tentativa de vitimação. No entanto, pôs o evento no seu Twitter, lido certamente pelos tais independentes que diz que a apoiam, que estiveram na Alfândega mas mais nunca ninguém os viu, em sítio algum, desde que apareceu a "dupla". Pois bem, também desta vez, no S.João, não apareceu nenhum! (P.B.)

SONDAGEM

Câmara do Porto. IPOM, 16-19 Junho, N=797, Tel.
Fonte: Margens de erro
PSD/CDS-PP: 55,2%
PS: 23,5%
CDU: 9,2%
BE: 8,1%
OBN: 4,1%
Há três sondagens sobre a Câmara do Porto. Em todas há vantagem de Rio. No entanto, a distância abissal aparece nas duas sondagens que surgem no período pós europeias, enquanto na primeira que ainda tinha maioria de esquerda, com uma distância menor, não se "sabia" preto no branco que a candidata à Câmara também o era à Europa. Por que será? (PB)

SONDAGEM

Legislativas. Aximage, 1-3 e 6 de Julho, N=749, Tel.
Fonte: Margens de erro
PS: 30,5%
PSD: 30,3%
BE: 13,3%
CDU: 9,5%
CDS-PP: 6,1%
REDE NORTE - COMUNICADO
Caro amigo,
A Associação de Cidadãos do Porto, a Associação Comboios XXI e a Associação Campo Aberto organizam no próximo Sábado, 11 de Julho, uma sessão pública com o objectivo de promover a criação de uma rede de cidadãos e movimentos cívicos que articule as diferentes iniciativas e as enquadre numa lógica regional.
Tendo como ponto de partida a experiência das três associações, pretende-se criar a Rede Norte, um espaço de discussão sobre a problemática económica e social no Norte, onde, numa lógica de complementariedade, se defenda, discuta e dê corpo aos diferentes anseios e expectativas em acções com impacto e dimensão equivalente à desta Região.
A Rede Norte funcionará numa lógica aberta e complementar, onde cidadãos e movimentos cívicos apresentarão a suas preocupações, pretendendo-se que, através da massa crítica gerada, estas possam ser consubstanciadas em causas e intervenções comuns ao nível regional.
Contamos com a sua presença!
Para mais informações contacte acdporto@acdporto.org ou 936485249 (Alexandre Ferreira).
Sócrates faz charme aos deputados excluídos das listas
(DN) NUNO SARAIVA 9.7.09
Ao contrário do que é habitual, na quarta-feira à noite, José Sócrates andou de mesa em mesa, numa espécie de dança do adeus os deputados socialistas.
O ar estava tenso. O grupo ainda não digeriu totalmente a derrota nas eleições europeias e a proibição recente das duplas candidaturas (legislativas e autárquicas) deitou por terra as expectativas de vários parlamentares do PS. "Está por aqui algum candidato a presidente de câmara?", perguntou Sócrates, mesa a mesa, de cada vez que se aproximava. O objectivo era evidente. Depois de ter feito um apelo à mobilização do "PS inteiro" para o combate das legislativas, o líder socialista ia explicando, de viva voz, a razão de tal medida. Há que fazer o controlo dos danos para que o partido não fique deslaçado. Ao contrário do habitual, não houve reunião da bancada, evitando-se assim que o assunto tivesse mais eco do que já tem na bancada.
Um deputado do PS desabafava ao DN que, após as europeias, o aparelho partidário ficou "desanimado". Esta proibição, agora decretada, foi uma espécie de "chicotada no ânimo" de um partido "já deprimido".
Foi a puxar pelo "ânimo" e pela "coragem" dos socialistas que José Sócrates, a olhar para Manuel Alegre, fechou a noite. "Conto com todos e com cada um de vós. Conto inteiramente com o PS, conto com o PS inteiro. Força camaradas, ânimo, coragem, vamos a isto". E isto, é a disputa entre quem "acredita no Estado social e quem quer rasgar as políticas sociais", sublinhou referindo-se a Manuela Ferreira Leite, e acentuando a ideia de bipolarização para as legislativas.
No balanço da legislatura, o secretário-geral do PS recorreu ao cinema para ilustrar a imagem do percurso do Governo. "Tivemos um pouco de tudo e há até quem considere esta legislatura a tempestade perfeita", disse. Depois de passar em revista as políticas desenvolvidas pelo Governo, seja na área social ou na estabilização das contas públicas, Sócrates ensaiou um mea culpa: "Fizemos tudo certo? Certamente que não. Se pudéssemos voltar atrás, faríamos."
Elisa Ferreira já deixou casa de Bruxelas
(JN) 9.7.09
"Estou a lutar por uma única candidatura, que é a Câmara do Porto, para conseguir alterar o rumo em que a cidade está", disse a candidata independente à autarquia portuense, no final de uma visita ao Hospital de S. João, onde esteve sem a companhia de qualquer elemento do PS.
A candidata reagiu, assim, à pergunta dos jornalistas sobre o repto lançado pelo socialista Manuel Alegre para que esclarecesse a sua dupla candidatura, depois de José Sócrates ter defendido que quem se candidatasse às autárquicas não podia entrar nas legislativas.
"É altura de virar a página e discutir os problemas das pessoas", observou Elisa Ferreira, garantindo estar a fazer tudo para conseguir vencer a corrida à autarquia portuense.
"Quero deixar o Parlamento para vir para o Porto. Já entreguei a minha casa em Bruxelas para vir para o Porto", frisou.
Na sexta-feira, numa reunião do secretário-geral socialista, José Sócrates, com os presidentes das federações distritais, foi determinado que os candidatos a presidentes de câmara não se devem candidatar em simultâneo a deputados na Assembleia da República.
A decisão levantou o problema das duplas candidaturas de Ana Gomes e Elisa Ferreira, candidatas às autarquias de Sintra e do Porto, que já foram eleitas pelo PS para o Parlamento Europeu.