sábado, 6 de dezembro de 2008


Os professores afirmam que o que está a suceder na educação ultrapassa a própria classe e envolve alunos e funcionários
Agendada para 19 de Janeiro manifestação em frente ao Palácio de Belém
Movimento de professores defende referendo sobre qualquer acordo entre ministério e Plataforma Sindical

06.12.2008 - 19h22 Lusa
Os professores reunidos no Encontro Nacional das Escolas em Luta aprovaram hoje, por maioria, uma proposta na qual exigem que qualquer acordo entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores seja objecto de um referendo.

"A única coisa que pedimos é que os sindicatos auscultem e interpretem adequadamente o sentir dos professores", justificou o coordenador do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MMUP), Ilídio Trindade, no final do encontro que reuniu em Leiria cerca de 150 professores representantes de uma centena de escolas de todo o país. Na ocasião, Ilídio Trindade lembrou que "os sindicatos existem porque existem professores", reiterando: "É indispensável que os sindicatos representem o verdadeiro sentir dos professores".

O responsável defendeu que a Plataforma Sindical dos Professores deve cumprir o que tinha defendido, numa alusão à aceitação da negociação com a tutela "mediante a suspensão do modelo de avaliação dos docentes".

No encontro, os professores aprovaram ainda, também por maioria, alargar à comunidade escolar - funcionários e estudantes - a luta em defesa da escola pública. "O que nos parece é que a dimensão do que sucedeu nas escolas já ultrapassou, em muito, a classe profissional dos professores", observou Ilídio Trindade. Por outro lado, os professores decidiram aproveitar a data de 19 de Janeiro para uma manifestação em frente ao Palácio de Belém. O coordenador do movimento disse que o Presidente da República "tem obrigação de ter uma posição mais firme e determinada neste conflito que não é benéfico para os alunos nem para o País".

Quanto à reunião agendada para o próximo dia 15 entre o Ministério da Educação e os sindicatos dos professores, na qual vão ser retomadas as negociações sobre o modelo de avaliação de desempenho dos docentes, Ilídio Trindade admitiu ter "alguma expectativa".

O responsável acrescentou que espera um "entendimento", para lembrar que, "pessoalmente", subscreve as declarações do porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores, Mário Nogueira, que hoje, em Coimbra, afirmou: "Se o Ministério da Educação quiser guerra, vai ter guerra".

O responsável do MMUP sublinhou a este propósito que os professores manifestaram "determinação" pela suspensão do actual modelo de avaliação, relevando que "a luta vai continuar".

O Encontro Nacional de Escolas em Luta foi uma organização do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores e da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino.

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