Seguro quer acabar com monopólio dos partidos nas candidaturas a provedor de Justiça(Público) 05.06.2009, Leonete Botelho
Os partidos falharam o consenso, o cargo de provedor de Justiça está vago pela primeira vez por renúncia de Nascimento Rodrigues e todo o Parlamento afirma desejar uma solução rápida para a sua substituição, como tem feito desde há quase um ano.
Foi neste cenário que o deputado socialista António José Seguro apresentou ontem, sozinho, um projecto de lei que permite a grupos de cinco mil cidadãos apresentarem eles próprios candidaturas ao cargo. "Acaba com o monopólio dos partidos", explicou Seguro aos jornalistas, lembrando que o cargo de provedor "tem um enorme simbolismo, que reside no facto de ser o representante dos cidadãos perante os abusos da administração pública". Assim, "nada melhor que acabar com o monopólio dos partidos e atribuir aos cidadãos a possibilidade de eles próprios poderem apresentar candidaturas".
Seguro esperou que no plenário se fizesse a leitura da carta de renúncia de Nascimento Rodrigues e os partidos fizessem as declarações de ocasião para a seguir entregar o projecto de lei na mesa da Assembleia. Mas sublinhou que o seu projecto "é para o futuro, não necessariamente para este caso concreto", até porque "não foi pensado dessa forma".
Antes, no plenário, o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, tinha renovado o apelo que fizera em Janeiro "para a necessidade de ser resolvido o problema da eleição do provedor de Justiça", pedindo a que na próxima conferência de líderes, marcada para terça-feira, possa ser encontrada "uma forma metodologicamente conclusiva".
O que, para o CDS-PP e o BE, pode passar pela mediação do próprio Jaime Gama. "Este processo não se resolverá se alguém quiser levar a melhor sobre os outros", alertou Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, lembrando que o que esteve na origem desta falência foi o facto de "PS e PSD terem querido nomear um provedor quando este é eleito por maioria de dois terços no Parlamento".
De regresso de Paris, Alberto Martins, líder parlamentar do PS, preferiu acentuar que "as responsabilidades foram de todos, porque uns votaram e outros usaram o direito de veto político, que é contra o espírito constitucional". Uma referência aos votos em branco, atribuídos ao PCP e ao CDS-PP, que impediram a eleição do candidato do PS, Jorge Miranda. Nesse sentido, acrescentou Martins, "o processo reabre-se com consciência da necessidade que a todos vincula e não pode haver condicionantes à partida". Uma alusão indirecta à condição colocada na véspera pelo PSD, através do vice-presidente da bancada Montalvão Machado, que se mostrou "aberto a todas as soluções" desde que não se coloquem na mesa nomes "já rejeitados pelo Parlamento".
Uma réstia de braço-de-ferro em torno de Jorge Miranda? Depois da renúncia de Nascimento Rodrigues, Jaime Gama apelou aos partidos para solução antes do Verão
Até que enfim...alguém com senso
ResponderEliminarNão adiantou grande coisa, mas marcou posição
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