terça-feira, 10 de junho de 2008

Presidente da República confunde Dia de Portugal com "dia da raça"

Confunde? É o que faz a formação fachola... Será só a gafe característica da proverbial ignorância? Ou aquele sub-consciente saudoso da Outra Senhora está a mandar mensagens lá para cima?... Não haja dúvidas, que aqueles que trataram da eleição presidencial com os pés, tarde e a más horas, provocando duas candidaturas da mesma área, como se quisessem mesmo este Presidente, devem ter também um rico sub-consciente... Já tínhamos ouvido as declarações disparatadas em Moçambique recusando-se a pedir desculpa pelo genocídio de Wiriamuri; agora temos mesmo palanfrório racista e xenófobo no mais alto magistrado da Nação. Demita-se Presidente, vá fazer coisas que estejam ao seu nível. Vá trincar mais um bocado de bolo-rei, páre de envergonhar Portugal! E por falar nisso: afinal quantas reformas acumula Cavaco Silva com o vencimento de PR? Nenhuma? Duas? Ou três? Temos recebido notícias de tantas versões que se impõe um esclarecimento público daquele que até gosta de falar da política de "cima da burra". Como se não fosse político... Onde é que já ouvimos isto? E há quanto anos? Esta do "Dia da Raça" será mesmo gafe?
(Público)09.06.2008 - 21h54
No rasto de protestos que levam milhares para a rua, o Presidente da República recusou-se ontem a comentar a paralisação dos camionistas e escorregou numa gaffe. Em Viana do Castelo, que recebe este ano as comemorações oficiais do 10 de Junho, Cavaco Silva garantia estar par da situação, alegando não querer acrescentar qualquer outra reacção por estar a presidir ao “dia da raça”. “Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, declarou, citado pela Lusa, numa insólita confusão entre a designação actual e a que era adoptada pelo anterior regime(...)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Militares portugueses feridos no Afeganistão

E que estamos nós a fazer no Afeganistão? Além do resto, há dinheiro a mais para travarmos esta "batalha patriótica"? Em defesa de quem? Daquele governo que puseram em Cabul? Ou os generais da OTAN, depois da Guerra fria, não querem mesmo perder o emprego? E por que temos nós de pagar para isso? E por que nos temos de tornar num alvo do terrorismo? Só para sermos simpáticos com o George W. Bush. Não chegou a vergonha das passagens pelos Açores dos prisioneiros de Guantánamo a caminho da tortura por parte dos paladinos hipócritas e cínicos dos direito do homem?
(Portugal Diário) Dois feridos ligeiros e uma viatura danificada foi o balanço do ataque de rebeldes afegãos contra uma coluna militar portuguesa que regressava domingo a Cabul, informou o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA), noticia a agência Lusa.
A coluna militar portuguesa foi atacada domingo à noite na província de Wardak, 80 quilómetros da capital, por rebeldes afegãos, tendo resultado dois feridos ligeiros quando esta fazia o trajecto de regresso à capital do Afeganistão, após um mês e meio de missão em Wardak, não tendo sido necessário prestar assistência médica imediata aos feridos no local.
O Estado-Maior General das Forças Armadas informa que «os dois feridos ligeiros prosseguiram a sua missão com normalidade, tendo a coluna da Força Nacional Destacada chegado a Cabul, ao aquartelamento nacional, sem mais incidentes, durante a madrugada de hoje».
A coluna militar, que partiu de Kandahar no dia 8 de Junho, era constituída por 92 militares e 22 viaturas e terminou o seu empenhamento a Sul do Afeganistão, após um mês e meio em missão na área de operações de Kandahar.
A 1ª Companhia de Comandos efectuou uma missão operacional na província de Kandahar, epicentro da insurreição talibã no sul do país.
O contingente português, que assume desde Março as funções de Força de Reacção Rápida do comando da Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF) da NATO, foi deslocado de Cabul para Kandahar, onde os comandos cumpriram um período de adaptação ao teatro operacional, antes de ocuparem posições em Maywand, um distrito daquela província do sul do Afeganistão.
Nesta região coube à 1ª Companhia de comandos apoiar o esforço de expansão das posições da NATO e do exército afegão (ANA) na região de Kandahar, a área de maior actividade operacional no Afeganistão, de forma a retirar espaço de manobra à insurreição.
«Como unidade de reserva do COMISAF (comandante da ISAF) pode a qualquer momento ser enviada para qualquer ponto do teatro afegão», afirmou, na ocasião, o porta-voz da ISAF, general Carlos Branco.
A área de Kandahar é um dos principais alvos do esforço de reforço do dispositivo de forças da NATO e dos EUA no Afeganistão (cerca de 60 mil homens no total).
O contingente nacional de comandos regressa a Portugal em Agosto.

Protesto dos camionistas pode "secar" bombas de combustível

Não é só o tempo que está a aquecer de mais. Não nos parece que o governo deva intervir só a posteriori. Voltamos a dizer que a arte de bem governar é saber antecipar. Não é aparecer sempre com arrogância para depois sair com humildade. A chamada entrada de leão e saída de sendeiro. E sinceramente não percebemos a posição das "esquerdas" que parece não desejarem a diminuição da carga fiscal sobre os combustíveis, pelo menos, desde já, sobre os "combustíveis da economia". O PC fala de agravar os impostos sobre as petrolíferas? Já tinham falado de cartelização, mas com que resultado? As "esquerdas" portuguesas acham que é de esquerda, necessariamente, a alta dos impostos? Para assim poderem custear políticas assistencialistas sociais? Mas esta tese, em parte, já deu o que tinha a dar. Não é por aí o caminhio da justiça social, tem de ser sobretudo a montante, na distribuição da riqueza, na relação dos trabalhadores com as empresas e com os seus lucros, na contração colectiva para salários decentes, na luta contra a precariadade que permite a chantagem do patronato mais retrógrado ou do mais cínico e oportunista. Não vemos outra saída para a crise dos combustíveis senão o alargamento do regime especial de preços para o gasóleo e a baixa geral dos preços pela baixa dos impostos, uma vez que o Estado está a ganhar, com a cobrança fiscal, muito acima do que era expectável aquando da discussão do Orçamento de Estado. Ganho que poderá vir a perder, pelos prejuízos na economia e na baixa do consumo, factores que provocarão, progressivamente, a conta-corrente do aumento dos preços, uma baixa da massa tributável. Se de imediato dá para o Ministério das Finanças esfregar as mãos, a curto prazo poderá ter ido à lã e vir tosqueado.
(JN) 9.6.2008 17h48m
A paralisação dos camionistas em Portugal e Espanha poderá "secar" as bombas de gasolina portuguesas, caso não sejam abastecidas até ao fim do dia, alerta a Associação Nacional de Revendedores de Combustível.
Em declarações à Agência Lusa, Augusto Cymbron, presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustível (ANAREC), disse temer que os efeitos que se fazem sentir em Espanha, onde se evidencia entre os consumidores algum receio relativamente a eventuais faltas de bens, devido a problemas de distribuição provocados pelos protestos dos camionistas, em poucas horas cheguem também a Portugal.
"Grande parte das bombas são abastecidas diariamente. Isto significa que se estiverem o dia de hoje sem abastecimento correm o risco de secar, ainda para mais se aumentar o ritmo da procura", explicou.
"Vai ser terrível, ainda para mais tendo em conta que terça-feira é feriado", sublinhou o responsável, referindo que o Governo precisa de tomar medidas "urgentes" para conter esta paralisação e acabar com a "especulação" das gasolineiras, que fazem escalar o preço dos combustíveis.
Cerca de 15 por cento dos postos de gasolina de Madrid já estavam sem abastecimentos de combustível ao início da tarde, segundo uma fonte da associação espanhola de empresários das bombas de gasolina.
Se a afluência de clientes se mantiver - com um ritmo de consumo mais elevado do que o de fornecimento - esse valor pode aumentar para 40 por cento no final do dia, avisou.

domingo, 8 de junho de 2008

Lelo deve demitir-se ou ser demitido

A difamação caluniosa que José Lelo, membro do Secretariado Nacional, lançou sobre Manuel Alegre, dizendo que o seu discurso moral não correspondia aos actos, pois teria ido apresentar um livro aos Açores "parasitando" o Grupo Parlamentar que lá reunia e lhe teria pago as viagens e a estadia, depois de desmentida formalmente tanto pelo Governo Regional dos Açores que garantiu ter sido a suas expensas que convidou Alegre a apresentar o livro sobre os Açores, como pelo líder do Grupo Parlamentar do PS que garantiu nada ter sido pago, tem de ter consequências.
Tal atitude que foi contra Manuel Alegre, mas que teria exactamente a mesma gravidade se fosse contra qualquer outro militante, com o carácter persecutório e miserável que denota, é indigna de qualquer socialista ou de qualquer pessoa de bem, absolutamente incompatível com o estatuto de um membro do órgão máximo dirigente do Partido.
É o grau zero da moralidade política em alguém que além de membro do Secretariado e dos outros órgãos dirigentes nacionais do Partido, é ainda deputado e membro do Conselho de Administração da Assembleia da República.
Estas atitudes são do pior que tem medrado à sombra do regime democrático nos últimos 33 anos e tem vindo a degradar não só o ambiente democrático como a imagem da política.
Donde Lelo, que nem sequer tomou a iniciativa de humildemente pedir desculpa, sempre insuficiente, deve demitir-se do Secretariado ou, caso, não o faça, deve ser demitido por quem tem essa responsabilidade sob pena de, caso não o faça, poder ser entendido pela opinião pública como cúmplice das atoardas proferidas ou mandante da encomenda. P.B.

Líder do PS-Porto não quer coligações autárquicas

O "orgulhosamente sós"... Memória do António de Santa Comba ou caminho do abismo? Por que se fez, tantas vezes, coligações à esquerda em Lisboa? Que, às tantas, se vão voltar a fazer? Por que apenas em Lisboa? Será mais um privilégio real? E quem tem medo das posições, livres, conscientes e independentes dos militantes, expressas num referendo interno?
Quem está à frente da distrital do PS/Porto e à partida descarta a hipótese de coligações para as autarquias, tendo a situação que tem em tantas, denota não ter qualquer sentido da responsabilidade política necessária para o cargo.
Quanto a Valongo, o actual presidente da federação aje com quase dois meses de atraso. Esperemos que não arranje uma situação semelhante à de Matosinhos...
De resto, estamos a falar de coligações pré-eleitorais para as autárquicas e foi do que falámos até agora. Mas as legislativas serão muito próximas, senão simultâneas. E se o PS não voltar a ter maioria absoluta nas próximas legislativas? Impossível? Mesmo com toda a massa do QREN a render sobretudo para a Região de Lisboa e Vale do Tejo, lá impossível não parece... Ou até, talvez, por causa disso.
(PÚBLICO) 08.06.2008
O líder do PS-Porto, Renato Sampaio, excluiu anteontem a possibilidade de coligações "à direita ou à esquerda" para as próximas eleições autárquicas, considerando que "não existem condições políticas" para tais entendimentos. "À esquerda, o PCP e o BE fizeram do PS o seu adversário político principal e não faz sentido um bloco central com a direita", sustenta o presidente da federação portuense.
A questão de eventuais alianças foi lançada por Pedro Baptista, candidato à liderança do PS-Porto, nas eleições federativas marcadas de Outubro. Baptista propõe a realização de um referendo interno no partido para decidir a estratégia eleitoral a ser seguida a nível nacional, com vista a aferir a vontade de os militantes quanto a entendimentos com outras forças políticas à esquerda do PS. "As coligações devem ser decididas não pelo secretário-geral, nem pelo secretariado do partido, mas pelo conjunto dos militantes", defende Pedro Baptista, frisando que "o tempo do papão de Moscovo e do social imperialismo já passou".
Para Renato Sampaio, no entanto, a questão estratégica deverá ser ratificada em congresso nacional e não através de um referendo interno. "O partido tem órgãos próprios, vai realizar os seus congressos federativos e nacional. Essas questões devem constar nas moções de orientação política e explicitamente aprovadas", defende, acrescentando que "os congressos são os órgãos próprios para os militantes se pronunciarem".
O dirigente acredita que o partido tem condições de vencer o próximo combate das autárquicas, apresentando-se sozinho às eleições. Consciente de que vai ser um combate difícil no distrito, Renato Sampaio começou já a preparar o terreno nalguns concelhos, como Valongo, uma autarquia que o PS ambiciona reconquistar ao PSD. O líder do PS-Porto reuniu-se com a vereadora Maria José Azevedo, que encabeçou a lista nas últimas autárquicas, com quem discutiu a estratégia a seguir neste concelho. Disponível para voltar a dar a cara pelo PS, Maria José Azevedo poderá ter de enfrentar a oposição de Afonso Lobão, do secretariado da federação, que estaria apostado numa candidatura à presidência daquele município. "O PS não se deixará condicionar por nenhuma situação, tomará a decisão que melhor defender os interesses do partido. Maria José Azevedo será parte da solução e não do problema", adiantou o líder do PS-Porto, remetendo para mais tarde uma posição sobre este caso, depois de auscultar a concelhia local. Ao PÚBLICO, Maria José Azevedo confirmou o encontro com o líder federativo, mas recusou-se a dar qualquer detalhe sobre o que se passou. "Nesta fase, entendo que não é altura para fazer declarações sobre esse assunto", afirmou, remetendo para Renato Sampaio eventuais esclarecimentos que "entenda por bem prestar".

Empresários juntam-se ao protesto contra os desvios de fundos comunitários para Lisboa

Alteração imediata da Resolução do CM 86/2007! O desvio de fundos do país para Lisboa, teria "um impacto alargado em todo o país"! É para rir Dr. Rui Baleiras? Acha-nos otários para comermos qualquer "baleira"? Uma vergonha não ser a Federação Distrital do Porto do PS e os deputados eleitos pelo Distrito a travarem esta batalha! E a permitirem que o assalto do aspirador centralista chegasse a este ponto mais que conhecido e que tantas vezes aqui temos referido! Também não fazia mal, o nosso querido amigo, Dr. Carlos Lage, à frente da CCRN, dizer, ou fazer, qualquer coisa. Pouco nos importa que seja o Dr. Rio a liderar o processo. Se o faz, é porque a Distrital do PS/Porto não o fez, ou seja foi o PS/Porto Distrital que lhe deu o justo poder reivindicativo regional numa bandeja. Há quantos anos a Direita não tinha este trunfo? Uma vergonha! Uma incompetência total decorrente do mais rasteito dos serventuarismos! Quem quer continuar nesta situação?
(PÚBLICO) 08.06.2008, José Augusto Moreira
Os empresários do Norte juntam-se ao protesto da Junta Metropolitana do Porto (JMP) contestando a porta aberta pelo Governo ao desvio para Lisboa de verbas de fundos comunitários destinados às regiões Norte, Centro e Alentejo, no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN). Na primeira reunião (na última terça-feira) após o acto de posse, o novo Conselho Geral da Associação Empresarial de Portugal decidiu "manifestar o seu apoio ao protesto feito pelo Presidente da Junta Metropolitana do Porto", tal como consta do comunicado resultante daquela reunião.
No documento é reforçada a exigência para que seja alterada a Resolução do Conselho de Ministros nº 86/2007, que "permite que Lisboa possa ir buscar fundos comunitários a Programas Operacionais Temáticos, com isso prejudicando as regiões que mais precisam de apoio".
Presidido pelo líder da Associação Empresarial de Portugal (AEP), José António Barros, o conselho geral integra, além da Universidade Católica, cerca de três dezenas de empresas, incluindo pesos-pesados como a Unicer, Efacec, Sonae, Siemens, Cabelte, Bial, CIN, Cotesi, Amorim & Irmãos, Sogrape e o Grupo Visabeira.
Os empresários frisam que "o propósito maior do QREN é, precisamente, a harmonização das condições e desenvolvimento de todo o país e não somente o crescimento da área da sua cidade capital", alertando para "o carácter imperioso do investimento" nas regiões mais desfavorecidas, como forma de "contrariar o processo de divergência" que, em matéria de desenvolvimento, se tem acentuado entre Lisboa e as regiões do Norte, Centro e Alentejo.
Na sua última reunião, recorde-se, a Junta Metropolitana do Porto (JMP) tinha decidido remeter ao ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, Nunes Correia, uma carta exigindo a revogação da resolução do Conselho de Ministros que cria aquela situação de excepção para as regras de aplicação dos fundos comunitários. Caso tal não aconteça durante o corrente mês, a JMP vai avançar em Julho com uma queixa junto do Tribunal Europeu das Comunidades, tal como foi anunciado por Rui Rio. O autarca, que preside à JMP, explicou que a decisão tinha por base um parecer jurídico que inequivocamente conclui pela ilegalidade da decisão governamental, por "violação grosseira" das normas comunitárias.
Em caso de revogação, seja pelo Governo ou pelo Tribunal das Comunidades, tal não afecta o financiamento aos grandes investimentos previsto para Lisboa, como o TGV, o aeroporto ou a nova travessia do Tejo.
O que está em causa são as verbas para aos programas operacionais regionais destinadas aos sectores da competitividade e potencial humano, das quais a região Lisboa já não pode beneficiar, uma vez que atingiu um nível e rendimento (acima dos 75% da média comunitária) que a coloca fora dos objectivos de convergência.
O Governo, pela voz do secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Rui Baleiras, veio já defender a legalidade da excepção, argumentando tratar-se de casos em que tais investimentos teriam um impacto alargado a todo o país.

Pólo da Cinemateca Nacional no Porto

(PÚBLICO) 08.06.2008, Patrícia Carvalho
O Porto deve ou não ter um pólo da Cinemateca? Os promotores do abaixo-assinado que o exige e Jorge Campos debateram a questão.
O grupo tem qualquer coisa de Gato Fedorento em início de carreira. Mas sem as piadas. Conferenciam muito, nenhum quer assumir-se como líder, não gostam de aparecer (a saga que foi para os fotografar) e, de repente, puseram meio mundo a falar deles. Os oito estudantes universitários que exigem um pólo da Cinemateca no Porto, e lançaram um abaixo-assinado dizendo isso mesmo, aceitaram conversar com o professor e realizador Jorge Campos. Tinham juntado as cabeças para preparar algumas perguntas, mas foi ele quem partiu ao ataque. E o que Jorge Campos queria saber é o que entendiam os oito por "pólo da Cinemateca". A semântica seria uma das questões mais abordadas ao longo da conversa de quase hora e meia, mas este foi o ponto que mais demorou a ser esclarecido. Ao professor não caía bem a ideia de pólo, por carregar a impressão que implicaria a transferência para o Porto de algumas das competências da Cinemateca, na área de arquivo e conservação. "Querem um pólo ou programação da Cinemateca?", quis saber Jorge Campos. "Um pólo", disse Guilherme Blanc, que, sem assumir a liderança (cruz credo, nem lhe falem nisso), acabou por ser o mais falador de todos. "Mas por que não programação?", insistiu Campos. Ora, era de programação que os jovens falavam, mas de programação exibida num espaço que fosse da Cinemateca, gerido pela Cinemateca e em que os funcionários do organismo público assumissem a responsabilidade do transporte e conservação dos filmes que viessem ao Porto. Guilherme explicou tudo direitinho: "A Cinemateca é quem tem melhor conhecimento para exibir e zelar pelas películas. E não nos podemos esquecer do âmbito nacional da instituição - se tem esse âmbito, há que lhe fazer juz. Se é uma entidade tão bem conseguida, com actividade tão bem desenvolvida, vamos aproveitar essa experiência". Se é programação regular que Guilherme, Lídia, Carlos, Nuno, Ricardo, Filipe, David e Pedro querem, a causa está à partida ganha junto de Jorge Campos. Ao longo da conversa, não se cansou de classificar a reivindicação dos estudantes como "justíssima", reconhecendo que "têm toda a razão" e que, de facto, "nem pedem nada de mais". Mas lá o pólo é que não o convencia por aí além. "É muito dispendioso", explicava. Só que os oito não desarmam. E, cada vez mais entusiasmados, quase todos se foram juntando à conversa. Mas foi de novo Guilherme quem respondeu a esta: "A opção de gerir um espaço destes passaria pelos privados ou pelo Estado. Com os privados não é viável, se não for a Cinemateca, que já tem o know-how, vamos desperdiçar recursos." David deu uma ajuda: "O que queremos é que não seja a Cinemateca a ceder películas a terceiros, para fins de exibição no Porto, mas que a gestão seja dela. "Jorge Campos confessaria, no fim, que achou os oito "ainda muito verdes", mas houve alturas em que o deixaram calado. Voltando à semântica. Por mais que uma vez, os estudantes referiram-se ao cinema anterior à década de 90 como "clássico". O termo fazia saltar o professor. "Não devem dizer isso. O cinema clássico é um período curto, de vinte anos. Quando se dirigem ao público é indispensável que haja rigor na terminologia. "Eles lá reconheciam que tiveram dificuldade em acordar o melhor termo, e optaram por clássico pela qualidade "polissémica" da palavra, na sua conotação de qualidade. Guilherme incentiva o professor: "Diga, Jorge, diga, qual seria a alternativa. "Ele arrisca: "Cinema de autor." Não pode ser!, criticam os oito (é claro que já tinham passado longas horas a conferenciar sobre isto). Porque há cinema de autor posterior a 2000. Porque há cinema que, não sendo de autor, faz parte de uma memória que tem que ser revista (David ainda há poucas semanas foi à Cinemateca ver um filme da Mae West). Porque há autores que fazem filmes de indústria, defende o Nuno. E porque essa coisa de filme de autor é uma questão europeia, conclui Guilherme. Jorge Campos fica desarmado, ainda começa a sugerir uma alternativa, mas pára a meio, para concluir apenas: "É complexo". O melhor mesmo seria ficarem-se por "filmes anteriores a 1990" e não se fala mais nisso. E é então que o Ricardo, que estivera calado, escondendo um vozeirão que se faz ouvir bem longe, entra na conversa: "O que interessa é o grito em bruto. A falta que nós sentimos desse cinema no Porto. "Nesse ponto, a concordância de todos não podia ser maior. "Ver cinema e, com frequência, um determinado tipo de cinema, é uma questão de cidadania. Um bem essencial. Sinto que ao sermos privados de algo que está contemplado nos estatutos da própria Cinemateca pode ser considerado como muito lesivo", diz Jorge Campos. E, já agora, como é que os oito encaram esta questão do cinema?, quer saber. "É uma arte que nos está muito próxima. É necessário conhecer o passado para criar", diz Guilherme. Lídia acrescentaria, pouco depois: "Ver cinema é uma questão cultural que serve a todos. "Meio a brincar, Guilherme ainda diz: "Somos oito jovens inconscientes e apaixonados por cinema. "E, já agora, há um assunto que "ficara a moer" a cabeça de Guilherme. Quando falara dos custos, Jorge Campos aflorara um argumento já usado pelo director da Cinemateca, João Bénard da Costa, de que alguns filmes vinham para Portugal com a cláusula de serem exibidos apenas uma vez, e com custos elevadíssimos. Os oito concordam que isto não faz sentido. "A ausência é tão grande que ninguém aqui está preocupado com os filmes que vêm de propósito. Nós queremos as coisas que lá [em Lisboa] são vulgares", diz. O professor concorda: "A Cinemateca tem arquivo mais que suficiente para fazer programação para um ano inteiro."No fim, trocaram-se e-mails e Jorge Campos convidou-os para verem o próximo ciclo, que organiza, Imagens do Real Imaginado (cujos filmes, por desconhecimento, eles não incluiram na lista de películas anteriores a 1990 exibidas no Porto, que acompanha a petição). E o professor vai assinar a petição dos estudantes? "Claro", garante. Cumpriu, já assinou. O grupo, que se define como "novo [em oposição a velhos movimentos que lutaram pelo mesmo sem sucesso] e aberto à participação de todos", quer aceder a um serviço a que acredita ter direito. E, defende, o resto do público portuense também. Guilherme conclui: "As assimetrias existentes são a prova que a cultura não pode ser um privilégio de alguns (...)

sábado, 7 de junho de 2008

Ultrapassámos hoje, coincidentemente com a ida a Paredes, as 10 000 consultas. E não foi em muito tempo de existência do blog! Um abraço para todos os apoiantes e participantes. Vale a pena lutar pelo que está certo, pelo que é necessário e pelo que desejamos. Se não, nada valeria a pena!

Proposto referendo no PS sobre coligações

Claro que o nosso putativo adversário, para abrir a boca, tem de saber quais são as ordens do "chefe"... A boca do chefe... A voz do dono... Poderá o Porto ser isto?
Carla Soares(JN)7.5.2008
Pedro Baptista, candidato à Distrital do PS/Porto, desafia Sócrates a lançar um referendo interno sobre coligações, para definir a orientação nacional a seguir nas autárquicas. De sua parte, defende alianças com o PCP, BE e Renovação Comunista.
A proposta é para que haja uma "tomada de posição, não do Secretário-Geral, nem do Congresso, mas por decisão dos militantes", defendeu Pedro Baptista, para quem a esquerda deve unir-se.
O desafio surge poucos dias depois da polémica que envolveu Manuel Alegre, sobre a sua participação num comício alusivo às desigualdades sociais, qua juntou militantes e apoiantes do PS, do BE e da Renovação Comunista.
Segundo Pedro Baptista, "o PS deve promover uma abertura à esquerda", sobretudo nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa. Nos concelhos onde PCP, BE ou renovadores tenham peso, defende coligações. Além dos municípios de Lisboa e Porto, "Valongo ou Gaia" são outros exemplos. Definida a orientação nacional via referendo, caberia às concelhias decidir caso a caso, sublinhou.
O PS, sugere ainda, "é que deve marcar a agenda política e tomar uma posição". E esta "poderia servir de almofada para uma coligação pós eleitoral nas legislativas".
Renato Sampaio já disse não excluir coligações no distrito. Porém defendeu que "primeiro é preciso ver a estratégia nacional nesta matéria". Além disso, "não pode ser este partido, ainda por cima sendo aquele que mais votos tem em qualquer um dos municípios, a definir logo uma estratégia de coligações. Se os outros mostrarem disponibilidade, cá estaremos para analisar", declarou.
Digamos o que dissermos, 200 a 250 000 é muita gente, quer dizer alguma coisa... Quem não percebe isto, já não está em condições de perceber nada...

Manuel Alegre acusa José Lello de ter mentido

(JN) 7.5.2008
"Está provado que José Lello mentiu". Uma afirmação de Manuel Alegre depois de ter sabido que na reunião do grupo parlamentar do PS desta quinta-feira, Alberto Martins explicara aos deputados que o poeta se deslocou aos Açores, a convite e a expensas do Governo regional.
Ficava assim desmentida a acusação do deputado do PS José Lello de que Alegre "parasitou o grupo parlamentar que lhe pagou as viagens para lançar livro nos Açores". Depois de ler as declarações de Lello, ontem, ao DN, Alegre solicitou ao líder parlamentar socialista que esclarecesse a questão e exigiu desculpas públicas. Lello, que participou nessa reunião do grupo parlamentar (onde ninguém se referiu à presença de Alegre no comício das Esquerdas), diria mais tarde aos jornalistas que mantinha a acusação de que Alegre "parasitou o grupo parlamentar", apesar de ter sido a convite de César. E Alegre contra-atacou: "Nunca estive envolvido no caso das viagens-fantasma de deputados". Agora, vai colocar o deputado em tribunal. Mais tarde, na RTP, Alegre voltou às críticas ao Governo: falou de "alguma surdez", disse que as pessoas estão "desesperadas", garantiu que vai continuar a dizer o que pensa - sem se candidatar contra Sócrates. Em 2009 diz que só votará PS se estiver no PS. E em 2010 não tem - hoje - intenção de correr para Belém.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

PS/Açores lamenta que José Lello tenha levantado "questões irrelevantes"

A costumada prestação do Bôbo da Corte...
06.06.2008 - 15h32 (Público) Lusa
O presidente do PS/Açores, Carlos César, afirmou hoje que o dirigente socialista José Lello "levantou, de forma pouco sensata" questões que eram irrelevantes "sobre quem convidou ou não Manuel Alegre para vir aos Açores". "Entendo, como dirigente socialista, que o país e a nossa acção governativa carecem de uma reflexão, da mobilização de todas as forças sociais e de todas as tendências políticas que o PS incorpora", acrescentou o representante açoriano. Carlos César sustentou, ainda, que "um debate sobre políticas urge ser feito no seio do PS, com serenidade e com o contributo de Manuel Alegre dentro do partido"."O PS tem de ser capaz de gerar no seu interior espaços de diálogo, confronto e de liberdade que permitam que pessoas como Manuel Alegre digam dentro o que diz por fora", defendeu César. O presidente do PS/Açores considerou que Manuel Alegre "tem, sem dúvida, um património muito importante do ponto de vista da democracia portuguesa e que carrega atrás de si uma vontade, muito significativa, expressa pelos eleitores nas últimas presidenciais". De acordo com o dirigente socialista, o PS, que considerou ser um grande partido na comunidade ideológica portuguesa e, portanto, multi-representativo, precisa "é de um debate sobre políticas e não de um debate sobre políticos". Carlos César, que comentava a polémica entre Manuel Alegre e José Lello, sustentou ser preciso "fazer essa transição" e que "um debate sobre políticas não se faz com declarações como as que foram feitas pelos porta-vozes do PS nessas circunstâncias".
José Lello acusou publicamente Manuel Alegre de ter "uma atitude muito diferente da postura ética com que gosta de se apresentar". Segundo José Lello, nas jornadas parlamentares do PS, realizadas no final de Maio, Manuel Alegre esteve "a parasitar o grupo parlamentar, que lhe pagou as viagens, pois aproveitou para ir aos Açores para lançar um livro que foi patrocinado pelo Governo Regional dos Açores".
"Isto é mentira. Fui aos Açores a convite da Presidência do Governo dos Açores e da direcção regional de cultura dos Açores. Foram eles que me convidaram e que me pagaram as viagens e a estadia", reagiu Manuel Alegre. O livro intitulado "Escrito no Mar - Livro dos Açores" foi apresentado pelo director regional da Cultura, Vasco Pereira da Costa, que já confirmou que a Presidência do Governo Regional suportou as despesas da deslocação de Alegre ao arquipélago.

Camiões entopem Porto contra aumento de combustíveis


(PÚBLICO) 6.5.2008 Em vésperas de fim de semana prolongado, a fluidez da saída da cidade do Porto vai estar comprometida por causa da marcha lenta convocada por empresas ligadas ao transporte de mercadorias. Os acessos à cidade e à via de cintura interna – ponto nevrálgico do protesto, que deverá entupir entre as 19h00 e as 21h00 – começam a ficar comprometidos a partir das 17h00.A iniciativa partiu de uma empresa, mas rapidamente, se estendeu a outras, com as mesmas razões de queixa: a falta de apoios governamentais que ajudem os transportadores de mercadorias a enfrentar a escalada dos preços dos combustíveis. Nuno Salgado, da Transportadora San Luís, explica, assim, que a marcha lenta com que mais de 300 camiões tencionam entupir os acessos à cidade do Porto, logo ao fim da tarde, “é uma espécie de movimento particular”. “Passamos a palavra e já percebemos que a adesão deverá ser grande”, continuou. Entretanto, os convirtes foram alargados, também, as empresas de reboques e a taxistas. “Todos se poderão juntar ao protesto”, continuou.As concentrações vão começar às 16h30, na EN106, em Lousada, e na EN15, em Penafiel. Com o apoio da PSP; que estará nestes concelhos a facilitar a concentração – cortando ruas e indicando alternativas – os camiões deverão entrar na A4 a partir das 17h00, onde iniciarão a marcha lenta, em direcção ao Porto. “Não vamos ultrapassar os 50 quilómetros horários na auto-estrada. Contamos chegar ao Porto as 18h00, 18h30”, acrescentou Nuno Salgado. A ideia é juntar todos os manifestantes, orieundos de varias regiões a Norte do Douro, mas também do Sul, na Rotunda de S. Roque da Lameira, no Porto, a partir das 19h00 Depois de reunidos, os vários grupos que ali se juntarão, partir em, marcha lenta para a Via de Cintura Interna em direcção à Ponte da Arrábida. Atravessado o Douro, os manifestantes farão inversão de marcha na saída da Afurada, e regressar a São Roque da Lameira, sempre em marcha lenta. O objectivo deste protesto prende-se com a atribuição de apoios aos transportadores de mercadorias, nomeadamente através de baixas de ISP e da atribuição do gasóleo profissional. “A situação actual do preço dos combustíveis está a tirar a competitividade às empresas do sector. É difícil para muitas subsistir, são precisos apoios”, continuou o empresário, lembrando que as transportadores de mercadorias também perderam, ha cerca de dois anos, os benefícios dados no pagamento de portagens quando o atravessamento das auto-estradas era efectuado no período nocturno. “Era importante repor esses apoios”, insistiu. Depois do Governo ter manifestado a intenção de alargar os apoios concedidos aos agricultores às empresas de transporte pesado de passageiros, foram muitas os organizações sectoriais que reivindicaram o mesmo tipo de apoios – nomeadamente a Antral, que representa os taxistas, e a Antram-Associação Nacional de Transportes Rodoviários de Mercadorias. E apesar de estas associações não terem aindo descartado a possibilidade de vierem a haver protestos na rua, a marcha lenta convocada para hoje, permanece como uma iniciativa particularCitado pela Lusa, o presidente da Antram, Abel Marques, sublinhou que está marcada uma reunião para sábado, na zona da Batalha, em que os seus associados, provenientes de todo o país, deverão debater as propostas concretas a apresentar ao Governo para fazer face às dificuldades provocadas pelo aumento dos combustíveis. “Esta é a forma de actuar da ANTRAM, há todo um processo de negociação séria a fazer antes que possam ser equacionadas manifestações ou bloqueios”, afirmou aquele responsável.

Marcha lenta ameaça bloquear o Porto

Vem aí a Maria da Fonte? E ainda não estão a tentar as portagens nas SCUT como o Paulinho desejava, mas parece não ser apenas o Paulinho...
(JN 6.5.2008) Os transportes de mercadorias estão a preparar vários protestos contra o preço dos combustíveis: esta sexta-feira será no Porto; no sábado, em Ponte de Lima e em Viana do Castelo; e, na segunda, por todo o país.
O final da tarde de hoje poderá ser muito complicado no Porto. São essas as previsões de um grupo de empresas transportadoras com sede no Porto que organizaram uma marcha lenta de camiões, para "alertar o Governo para os problemas que estão inerentes a esta escalada de preços", disse, ao JN, Nuno Salgado, um dos membros da organização.
O protesto surgiu de transportadoras do Porto e promete dificultar a circulação na cidade já de si difícil, uma vez que o encontro para a fase final do protesto será na rotunda de S. Roque, pelas 19.30 horas, de onde seguirá "para outros pontos da cidade, passando pela VCI, até ao seu términos", adiantou Nuno Salgado.
A marcha tem vários pontos de concentração à volta do Porto: um em Lousada, na EN106, e outro na área de serviço de Águas Santas, de onde segue para a Rotunda de S. Roque, Porto. Os transportadores queixam-se que a "situação actual do preço dos combustíveis está a tirar a competitividade às empresas, tornando-se insustentável, para muitos, a permanência no ramo".
Em Ponte de Lima e Viana, meio milhar de camiões deverão participar no próximo sábado num buzinão, no percurso entre as duas cidades, contra o aumento de combustíveis, os custos das portagens, as restrições de horários e o pagamento de 21% de IVA na formação profissional dos camionistas. O protesto insere-se no encontro anual da Nucaminho - Núcleo de Camionistas do Minho, que este ano decorrerá no areal junto ao rio Lima.
O buzinão começará às 17 horas quando os camionistas iniciarem uma marcha lenta até Viana do Castelo, onde irão participar num arraial na Quinta de Santoinho. Manuel Carvalho, presidente da Nucaminho, adiantou ao JN que a acção de sábado deverá contar com "500 a 600 camiões".
"Aproveitamos que as nossas buzinas são potentes para demonstrar o nosso descontentamento, até porque em Espanha a greve dos camionistas começa também este fim-de-semana e Portugal não vai ficar muito tempo à espera de protestar", avisa, concluindo que as restrições de horário a que se vêem obrigados os camionistas e os custos das portagens também estão na lista das suas preocupações.
Outro grupo de empresas de transporte de mercadorias fará greve na segunda-feira contra os preços dos combustíveis paralisando "milhares de viaturas" em pontos estratégicos, disse à Lusa o gerente de uma empresa que participará na paralisação. "Decidimos fazer greve no dia 9, a partir da meia-noite, por tempo indeterminado, mas no mínimo uma semana", garantiu Silvino Lopes, após um encontro de 75 empresas e associações do sector.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Armadores e pescadores põem termo à greve

Agora sim, agora não vai faltar peixinho. Embora, nem para todos. O governo mudou de atitude, ganhou a humildade necessária ou pelo menos alguma e teve, pelo menos pelo momento, sucesso no seu trabalho. Tê-lo-ia mais cedo se tivesse tido a atitude que tem agora também mais cedo. Em democracia, os governantes não são donos de nada, são apenas servidores públicos. E é só nesta condição que está a grandeza da política republicana!
(Público) Em linha 04.06.2008 - 20h01 Por Ana Rita Faria
Os responsáveis aceitaram as propostas feitas ontem pelo ministro da Agricultura e Pescas.Os armadores e pescadores decidiram pôr termo à paralisação da frota, que dura desde a passada sexta-feira. Os responsáveis do sector, que estiveram reunidos esta tarde em Lisboa, decidiram retomar a faina e aceitaram as propostas apresentadas na segunda-feira pelo ministro da Agricultura e Pescas. Jaime Silva, num encontro com os armadores e os pescadores, tinha aceitado uma redução, por três meses, da taxa social única, a libertação de uma linha de crédito e uma descida de dois por cento na taxa que é paga para a comercialização do pescado na Docapesca. O governante tinha já sublinhado esta tarde que não havia qualquer possibilidade de subsidiar o combustível, até mesmo porque Bruxelas não concordaria. E lembrou as restrições orçamentais do país. Por isso, na sua opinião, a solução estava na flexibilização das regras impostas pela União Europeia. “Não devem existir soluções únicas”, sublinhou, considerando que cada país deve ter liberdade de tomar decisões em face da sua própria especificidade. O Ministério da Agricultura já foi, entretanto, informado pela comissão dos representantes do sector das pescas que a greve foi suspensa. Fonte do ministério acrescentou que Jaime Silva "congratula-se com o espírito de boa-fé e responsabilidade que os agentes do sector das pescas demonstraram", pondo termo à greve. Após quatro horas de uma reunião que contou com representantes de cerca de 35 entidades, Miguel Cunha, da comissão representativa do sector das pescas, anunciou que as medidas anunciadas pela tutela para apoiar a actividade são ainda "insuficientes", mas merecem "o benefício da dúvida". "O sector das pescas pretende acima de tudo resolver o problema. A nossa abertura será uma forma mais rápida de podermos voltar a trabalhar, que é o que queremos", afirmou o responsável, salientando que os pescadores poderão voltar à greve caso o Governo não cumpra as suas "obrigações". Miguel Cunha referiu que em três anos de "desvalorização" a contraproposta do Ministério da Agricultura foi o primeiro sinal que o Governo está empenhado em dar condições de trabalho dignas aos pescadores e armadores. O representante considerou, por isso, que a greve dos profissionais - no sexto dia de greve - "valeu a pena pelo impacto que teve junto da tutela". Os armadores e pescadores entraram em greve às 00h00 de sexta-feira em protesto contra a escalada dos preços do combustível e para reivindicar apoios à actividade, uma vez que o sector atravessa um período complicado.

Pinto da Costa está "completamente confiante"

(JN) Em Linha 21h28m
À chegada à SIC para uma entrevista, Pinto da Costa reiterou que o FC Porto vai recorrer da decisão da UEFA de afastar o clube por um ano da Liga dos Campeões e mostrou-se confiante por o assunto deixar de ser tratado “por uma clubite” e estar entregue a especialistas. "Vamos estar na Liga dos Campeões", garantiu já em estúdio.
O presidente do FC Porto mostrou-se "completamente confiante" no recurso à Comissão de Apelo da UEFA. "Que estejam serenos porque vamos recorrer e, a partir de agora, todas essas questões que têm sido tratadas dentro de uma 'clubite' vão passar a ser realmente analisadas por 'experts' de Direito e estamos completamente confiantes. Quando se tem a consciência tranquila a gente sente-se sempre bem", disse.
Esta foi a primeira reacção pública de Pinto da Costa, depois de ser conhecida a decisão do Comité de Controlo e Disciplina da UEFA. “A minha grande preocupação são os portistas e o FC Porto”, começou por dizer à chegada às instalações da televisão em Carnaxide.
“Quero agradecer pelas mensagens de apoio que tenho recebido”, acrescentou, referindo no seu tom característico que até teve de apagar algumas do telemóvel dada a quantidade.
Já em estúdio, em entrevista no Jornal da Noite, Pinto da Costa responsabilizou João Leal, director do departamento jurídico da FPF e responsável pelo fax enviado à UEFA a esclarecer sobre o envolvimento do clube no processo Apito Final, no qual foi disciplinarmente punido com a perda de seis pontos na classificação geral da Liga. “Já esperávamos esta decisão pela maneira como as coisas foram comunicadas” à UEFA, disse.
“Estamos absolutamente convencidos que vamos estar na Liga dos Campeões este ano”, frisou, acrescentando que o FC Porto foi “condenado por factos de 2003/2004 com base em escutas e declarações de uma senhora que se contradisse várias vezes”.
“Se não fossemos à Liga dos Campeões teríamos menos seis milhões de euros de receitas” mas, garantiu, isso “não altera nada no meu plano para a equipa nem nos resultados positivos” que o clube irá apresentar de futuro.
E sobre a possível desmotivação dos jogadores, caso a decisão da UEFA se confirme e o FC Porto seja afastado da Liga dos Campeões? Pinto da Costa foi claro: "garanto que não ficam. Hoje recebi provas da vontade dos jogadores de lutar".

Candidato à liderança do PS-Porto defende referendo interno sobre coligações à esquerda

Para Pedro Baptista a decisão não deve ser tomada pelo secretário-geral
(PÚBLICO) Em linha 04.06.2008 - 18h22 Margarida Gomes
O ex-deputado socialista e candidato à liderança da federação distrital do PS-Porto, Pedro Baptista, defendeu hoje, em declarações ao PÚBLICO, a realização de um referendo interno no partido para decidir sobre eventuais alianças à esquerda nas eleições autárquicas do próximo ano. “As coligações devem ser decididas não pelo secretário-geral, ou pelo secretariado do partido, mas pelo conjunto dos militantes e os estatutos do partido permitem o instrumento do referendo para aferir questões desta natureza”, afirma.
Declarando que “não há razões para que o PS não faça coligações com o PCP, Bloco de Esquerda e ou até mesmo com o Movimento Renovação Comunista – “já não estamos no tempo do papão de Moscovo, nem do social imperialismo” –, Pedro Baptista frisa que a esquerda onde inclui o PS “não deve ter preconceitos em matéria de coligações, porque a direita também não os tem”. De resto, o candidato vê uma dupla vantagem no facto de o partido concorrer coligado já nas eleições de 2009, primeiro porque “abrem caminho à vitória do PS no plano autárquico”, segundo porque “garantem que o partido não inflicta mais para a direita e que vá na direcção que os eleitores esperavam que tivesse seguido”.
Pedro Baptista aproveita a oportunidade para alfinetar o Governo de José Sócrates, afirmando que “a estratégia do PS não tem correspondido à expectativa dos eleitores que há três anos votaram no partido” e que fala mesmo de um sentimento de “frustração” pelo facto de “o Governo não ter seguido uma política de esquerda”.
Ontem, em declarações à Lusa, o ex-deputado criticou a actual "ambiguidade" ideológica do PS, considerando que "hoje em dia, dizer-se que se é do PS não é dizer grande coisa". "Há pessoas que estão fartas desta ambiguidade e que querem reafirmar o lugar do PS, que é na esquerda".
Complexo de direita
Colocando-se ao lado de Manuel Alegre, que ontem à noite participou no Teatro da Trindade, em Lisboa, num comício-festa das esquerdas sobre as desigualdades sociais, Pedro Baptista pega neste exemplo onde estiveram quase todos os sectores de esquerda para cavalgar futuros entendimentos autárquicos não apenas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, mas em todo o país. "Este é o momento de os socialistas encararem esta possibilidade com realismo", considera, declarando que “os dirigentes socialistas parecem sofrer do complexo de direita”, ao contrário das “bases que pretendem ganhar câmaras e que não encontram razões para que o PS não faça alianças”.
No caso concreto da Área Metropolitana do Porto, o candidato preconiza entendimentos não apenas para a Câmara do Porto, como alternativa à maioria de direita (PSD/CDS-PP), mas em todos os municípios onde exista implantação das estruturas dos partidos à esquerda do PS. Pedro Baptista é para já o único candidato assumido à presidência da federação distrital do PS-Porto, mas o actual líder, Renato Sampaio, está também na corrida, embora não tinha ainda formalizado a sua candidatura.
Renato Sampaio aguardava apenas a marcação das eleições federativas marcadas para os dias 24 e 25 de Outubro, e do congresso distrital, que se realizar-se-á nos dias 7 e 8 de Novembro, para anunciar que é de novo candidato. Com a data das eleições ratificada pela Comissão Nacional do PS na reunião do passado sábado, Renato Sampaio prepara-se para tornar pública a sua recandidatura antes das férias de Verão.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Pedro Baptista apoia ida de Manuel Alegre a comício e critica "ambiguidade" ideológica do PS

(PÚBLICO) Em linha 03.06.2008 - 17h18 LUSA

Para Pedro Baptista, candidato à liderança da distrital do PS do Porto, a polémica gerada pelo partido em torno da participação do socialista Manuel Alegre no comício que se realiza esta noite contra as desigualdades sociais “não faz sentido”.
"O PS é um partido de liberdade e de esquerda, mas também de esquerdas, pelo que o mais natural é que pessoas do PS participem em iniciativas de esquerda", afirmou o ex-deputado socialista. O comício contra as desigualdades e as injustiças sociais junta esta noite, em Lisboa, militantes e apoiantes do Bloco de Esquerda e da Renovação Comunista, além de históricos do PS, como Manuel Alegre, que é um dos oradores na iniciativa."Não sei o que o PS receia. Eu não receio que o PS evolua no sentido da esquerda, receio é precisamente o contrário", frisou Pedro Baptista, que é um apoiante do poeta e dirigente socialista.
Baptista criticou a actual "ambiguidade" ideológica do PS, considerando que "hoje em dia, dizer-se que se é do PS não é dizer grande coisa". "Há pessoas que estão fartas desta ambiguidade e que querem reafirmar o lugar do PS, que é na esquerda", afirmou, assegurando que, se estivesse em Lisboa, esta noite, "estaria no comício, ao lado de Manuel Alegre".
Na perspectiva de Pedro Baptista, este realinhamento dos socialistas à esquerda deve ter consequências nas próximas eleições autárquicas, defendendo que o PS "deve estar aberto a coligações à esquerda, nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto". "Este é o momento de os socialistas encararem esta possibilidade com realismo", frisou, acrescentando que admite coligações "não só com o PCP, mas também com os comunistas renovadores e com o Bloco de Esquerda".

Combustível mais caro em Portugal deve-se aos impostos

(JN) 3.5.2008 O preço médio de venda ao público dos combustíveis só é mais caro em Portugal do que em Espanha devido ao peso dos impostos, concluiu a Autoridade da Concorrência.
"Constata-se um diferencial estatisticamente nulo do preço médio de venda ao público antes de impostos daqueles combustíveis entre Portugal e Espanha", diz o estudo apresentado pelo presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), Manuel Sebastião, no Parlamento.
De acordo com o estudo, a principal componente da formação dos preços de venda ao público em Portugal é a carga fiscal (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e IVA) que corresponde a 59,2% do preço da gasolina 95 e a 47% do preço do gasóleo.
Retirada a componente fiscal, diz a AdC que cerca de 80% dos preços de venda ao público da gasolina e do gasóleo deve-se ao preço à saída da refinaria. Por outro lado, a componente logística – armazenagem e transporte – não excede os 3,5% desse preço.
"No que respeita à evolução dos preços de venda ao público antes de impostos, os preços nacionais à saída da refinaria reflectem a evolução dos preços CIF [Cost Insurance and Freight] do mercado de Roterdão, sendo, em acréscimo, que no caso particular da gasolina tais cotações evoluem em paralelo com as cotações daquele produto no mercado de Nova Iorque", frisa o documento.
Segundo a AdC, a subida dos preços dos combustíveis antes de impostos tem reflectido a evolução dos preços à saída das refinarias, enquanto os custos de logística e retalho se mantiveram praticamente constantes ao longo deste ano.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

VIRAR AS AGULHAS DO PS/PORTO

Embora continue sem haver comunicação ou confirmação oficial, nem por parte do porta-voz, nem no "site" oficial do partido, temos a garantia que, no passado sábado dia 31 de Junho, a Comissão Nacional, além do regulamento dos Congressos Federativos, votou o calendário eleitoral, tendo ficado definidos os dias 24 e 25 de Outubro para as eleições dos presidentes das Federações e delegados ao Congresso, e os dias 8 e 9 de Novembro para a reunião dos Congressos Distritais. Nos termos estatutários compete agora às Comissões Políticas Distritais desempenharem o papel de rainha de Inglaterra e convocarem as eleições nas datas calendarizadas. Fica assim encerrado um momento negro de incumprimento estatutário sem qualquer justificação política, cuja responsabilidade pertence integralmente à direcção nacional do partido.
Vamos agora às eleições e ao trabalho para as ganhar e virar as agulhas do PS/PORTO. E para que processos atribulados de entorses à democracia e ao direito como este não se venha a repetir. É que nós não consideramos a democracia nem os estatutos como um obstáculo: gostamos da democracia, porque gostamos do debate, gostamos da inteligência e gostamos da partilha de responsabilidades. E gostamos do direito democrático porque é ele que defende o direito das pessoas contra os abusos e usurpações dos xicos espertos.

ASAE aprende 150 quilos de peixe espanho ilegal

Seria por esta via que não ia faltar o peixe? Deixem-se de arrogâncias, trabalhem humildemente e apoiem o sector das pescas que não estaria como está se não houvesse tantas asneiras seguidas pelos consecutivos governos em relação ao sector... A condição de uma linha de crédito é a paz social? Paz social? Que conversa é esta? Voltamos ao comunicados do Ministério do Interior, da DGS ou do SNI? E quem é quem para diabolizar a greve, como se não fosse um direito elementar de quem trabalha constitucionalmente assegurado? Como se atrevem? Ao que chegámos? Em que partido estamos, afinal? P.S., o partido dos pescadores, veja-se lá!
(JN) 2.5.2008 18h25m
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, auxiliada por um cordão policial, apreendeu 150 quilos de peixe espanhol ilegal no mercado de Quarteira, depois de ter sido chamada ao local pelos pescadores locais.
Cinco elementos da ASAE, coordenados pelo director regional no Algarve, desenvolveram ao longo de toda a manhã uma operação de fiscalização a 1200 quilos de peixe do mercado de Quarteira.
Os proprietários dos 150 quilos de peixe apreendidos não estavam inscritos como operadores e não podiam vender peixe espanhol em Portugal, de acordo com os documentos de identificação e facturas de peixe. "O peixe apreendido vai ser doado a uma instituição de solidariedade", garantiu fonte do ministério da Economia.
Os agentes da ASAE encontraram ainda nas câmaras frigoríficas e carrinhas de peixeiros 30 quilos de peixe podre.
Durante a operação, a ASAE obrigou também a que mais de 40 caixas repletas de peixe conservado em gelo fossem trasladadas de câmaras frigoríficas em más condições de higiene e segurança para a câmara frigorífica da Junta de Freguesia de Quarteira, localizada ao lado do mercado.
"Esta é uma situação onde todos têm razão, mas todos somos prejudicados", desabafou José Mendes, o presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, que acompanhou de perto a acção da ASAE.
Durante toda a operação algumas dezenas de pescadores, com bandeiras negras, estiveram no local para mostrar indignação pelas condições de trabalho e pelos aumentos dos combustíveis.

Sector das pescas mantém greve até que o Governo tome medidas exigidas

(Público) 02.06.2008 - 19h14 LUSA
O sector reclama medidas urgentes que salvaguardem as regras concorrenciais com os congéneres de Espanha, Itália e FrançaA greve dos armadores e pescadores, que desde sexta-feira decorre em todo o país, vai manter-se por tempo indeterminado até que o Governo tome as medidas exigidas pelo sector, decidiram hoje as associações e sindicatos da pesca.
"O nosso horizonte [para parar a paralisação] tem a ver com um sinal inequívoco e formal ao sector da vontade do Governo em resolver o problema", afirmou o presidente da Associação de Armadores da Pesca Industrial (ADAPI), Miguel Cunha, após uma reunião de mais de 20 associações de armadores de todo o país e sindicatos de pescadores, que decorreu esta tarde em Peniche.
Além da continuação da greve, as associações decidiram ainda enviar uma proposta por escrito ao Ministério da Agricultura, cujo conteúdo não foi revelado. O sector decidiu também criar uma comissão constituída por sete elementos para que "de uma vez por todas (...) haja um canal oficial de comunicação entre o sector e a tutela", adiantou ainda Miguel Cunha aos jornalistas no final da reunião. O dirigente associativo lembrou que o sector reclama "medidas de carácter urgente e imediato que salvaguardem as regras concorrenciais com os congéneres de Espanha, Itália e França", bem como a criação de "uma plataforma de entendimento com os governos desses países que possa criar uma ‘task force’ de pressão institucional e política junto da comissão para alterar as suas regras". O presidente da ADAPI disse que até agora, e depois da reunião com o sector na semana passada, o ministro anunciou as medidas à comunicação social e não aos representantes da pesca. "O secretário de Estado desenvolveu contactos informais com algumas associações mas não chegámos a qualquer conclusão. Não sabemos o que é uma linha de crédito de 40 milhões, não sabemos como é que se acede nem como funciona, não temos qualquer tipo de pormenor", criticou o responsável.
O ministro da Agricultura, Jaime Silva, afirmou hoje que a linha de crédito de 40 milhões de euros destinada ao sector da pesca poderá ficar disponível "a partir do momento em que haja paz social".

Pescadores e ministro podem reunir hoje

A greve é um direito constitucional; ninguém pode ser prejudicado pelo seu uso; não é uma coisa má; é um direito e destina-se a ajudar os equilíbrios sociais; o ministro de um estado democrático não pode falar nestes termos. Estamos progressivamente a ver perverter cada vez mais o regime democrático por pessoas que não lutaram por ele e se julgam acima dele. Nem sabemos se os pescadores estão interessados em mais "linhas de crédito".
2.5.2008 13:33 (TSF)
Os pescadores podem voltar a conversar com Jaime Silva ainda hoje apesar da Federação dos Sindicatos da Pesca acusar o ministro de chantagem. Jaime Silva reafirmou que está pronto para conversar mas avisou que a linha de crédito só estará disponível quando a greve terminar.

João Salgueiro: "Temos tido uma estratégia económica coxa"

Não faz mal a ninguém ler o que o João Salgueiro diz...
02.06.2008 - 08h46 Por Cristina Ferreira, Paulo Ferreira (Público)
Para Salgueiro, "estratégia é definir o que queremos e o que precisamos de fazer para o conseguir, de forma calendarizada". O líder da Associação Portuguesa de Bancos diz que já não é capaz de discutir se os impostos devem subir ou baixar. A preocupação deste antigo ministro das Finanças é que as empresas portuguesas estão a trabalhar em condições muito desfavoráveis, porque a fixação no défice deixou esquecida a estratégia de competitividade da economia.
PÚBLICO - Ficou surpreendido com a revisão em baixa da previsão do PIB?
JOÃO SALGUEIRO - Já era esperado há meses.
Mas tardou?
Poderia ter sido feita mais cedo. O Governo jogou pelo seguro, pelo que se conhece neste momento.
Prevê uma nova revisão até final do ano?
Ninguém sabe.
Como explica a redução do IVA?Há quem diga que a medida não foi pacífica dentro do Governo.Concorda com ela?
Já tenho dito que não sou capaz de discutir se os impostos devem subir ou baixar. Uma medida desta natureza tem de estar ao serviço de uma estratégia. Podemos conseguir o mesmo com mais ou menos impostos. Mas temos tido uma estratégia coxa, pois fixámos como única prioridade a consolidação orçamental. Não percebo como é que um país como o nosso consegue viver tantos anos sem equacionar uma estratégia de competitividade. Não é menos importante que a consolidação das Finanças Públicas. Mas parece que só podemos andar num pé: primeiro consolidamos, depois tratamos da competitividade. Não faz sentido. Ambas as metas teriam de ser prosseguidas ao mesmo tempo. Sem competitividade não há consolidação sustentada, como se verá. A estratégia de consolidação é aceitável, porque tem tido progressos, embora devesse estar mais centrada na parte da despesa. E o PRACE está atrasado face à reestruturação indispensável da administração pública.
Há a ideia de que pouco se fez?
Quando estive no Governo fez-se muito sem grandes anúncios. A prioridade maior era a revisão constitucional para avançar nas negociações com a CEE. Mas foi possível extinguir direcções-gerais, concentrar ministérios. É preciso decidir quais as funções que o Estado deve preservar e qual é a organização da administração pública desejável. O que se tem feito são, em regra, retoques.
O choque tecnológico, as novas oportunidades vão nesse sentido?
São intenções. O que é para mim ter uma estratégia? É definir o que queremos e precisamos de fazer para o conseguir, calendarizando e responsabilizando. Por exemplo, para atrair investimento nacional e estrangeiro. Não existe um quadro definido.
Qual é o papel da competitividade fiscal?
Se para grandes projectos é indispensável oferecer isenções fiscais, abrir excepções em relação à burocracia, então como é que as pequenas empresas podem sobreviver numa selva onde não se fez nenhum ajustamento.
O resto da economia também deveria beneficiar?
Podem não ser rigorosamente estas, mas deve haver uma estratégia. Estão a fechar milhares de empresas. A ASAE tem sido profícua a atacar pequenas empresas, mas há comércio clandestino espanhol, nos bens alimentares, que entra em Portugal e não paga IVA. De madrugada entra peixe em Portugal. Mas a ASAE deve ter um horário diferente... Os nossos produtores estão a trabalhar em condições muito desfavoráveis. Será que o ajustamento pode ser parte da cura?Preferia aumentar a fasquia da produção da riqueza. Os portugueses têm estado a ser chamados para fazer sacrifícios, mas era preciso explicar que temos o direito a mais ambição, não há nenhuma razão para não vivermos como os outros europeus. Mas para o conseguir temos de nos organizar para produzir ao nível europeu.
O nível de exigência em Portugal é baixo?
O Estado não dá o exemplo de cumprimento quando atrasa os pagamentos. Os recibos verdes, os contratos provisórios. O Governo é tolerante em matérias que depois não tolera aos privados. Hipervalorizou-se o fumo do primeiro-ministro e do presidente da ASAE, mas não é relevante. Actos tomados noutros domínios são relevantes. O Governo diz que não há falta de segurança nas escolas, porque os casos registados são menos de 60. Mas bastava um. O que propõe? Não tenho de ter uma estratégia, mas sei que o país a tem de ter. Se me pedirem sugestões, dou-as. Temos de ter uma fiscalidade mais competitiva, com impostos mais baixos. Devíamos fazer o que a senhora Thatcher fez: como não tinha administração fiscal para controlar os impostos em centenas de milhares de empresas, decidiu que as PME pagariam metade dos impostos aplicados às grandes empresas. Aos que alegam não ser possível ter duas fiscalidades, digo para criarem dois escalões. Um baixo, para todas as PME, enquanto as outras pagam pelo escalão normal. E adoptava uma legislação laboral que fosse realista e encorajasse a criação de emprego. Temos mais de 30 por cento de contratos temporários. O mercado adapta-se mal à realidade, pois tem rigidez de um lado e excessiva precariedade do outro. Não podemos oferecer às novas gerações contratos precários para a eternidade. E a legislação que temos favorece isso, pois a alternativa é não haver emprego.

Falta pessoal qualificado na Construção Civil

Já há muito que o povo do Norte do sector da construção civil tinha resolvido um assunto que o Terreiro do Paço se mostrava incapaz de resolver: o desemprego regional e os baixíssimos salários. E fê-lo, da forma tradicional, como se tivéssemos voltado aos anos 60. Dezenas de milhares, calculam-se em 75 000, demandaram o estrangeiro, mesmo o outro lado da fronteira galega, para asssegurarem o trabalho em troca de um pecúlio com um mínimo de decência. (É por isso que os números do desemprego valem o que valem) Quem olhar para a tabela salarial do CTT do Sector da Construção Civil para 2008, vê no escalão mais baixo os 340€, no mais alto os 821€, e os sectores intermédios pouco acima dos 500€. É claro que o pessoal resolve o desemprego e a exploração capitalista desenfreada dos que querem aplicar esta tabela mínima emigrando. No entanto, os empregadores se o fizeram, vão ter de trabalhar eles próprios, ou teremos de novo uma vinda de imigrantes facilitada, por serem os únicos capazes de aceitar estas altíssimas taxas de exploração e baixíssimas de remuneração. Sendo que os portugueses emigrantes, eles próprios também vão aceitar nos países de acolhimento os vencimentos mais baixos emborfa infinitamente superiores aos de cá. Donde, o grande trunfo do governo para este último ano, os milhões europeus nas obras públicas, poderão ser insuficientes, além de voltarmos a assistir ao fechar de olhos às condições de hiper-exploração dos imigrantes que virão preencher o lugar dos nossos emigrantes.
Entretanto, pelos vistos, prossegue o rumo nas grandes obras públicas o que tem provocado, finalmente, o gáudio do sector da construção civil das obras públicas, em momento de grande excitação face a alguns dos disparates previstos: um novo aeroporto em Alcochete quando é visível a estagnação do crescimento do tráfego aéreo comercial; uma nova ponte acoplada; um TGV Porto-Lisboa que é deitar dinheiro nos bolsos dos construtores sem nenhum ganho, pois com arranjos da linha actual e substituição dos piores troços, o Pendular é mais que suficiente para fazer o trajecto em duas horas e qualquer coisa; e a Frente Ribeirinha Lisboeta que em vez de ser paga pela Câmara de Lisboa vai ser paga por todo o país.
Mal estamos se o caminho para a luta contra o desemprego é o incremento de elefantes brancos para animar a economia e o emprego no último ano de mandato e vésperas de legislativas...
Virgínia Alves (JN) 30.05.2008
Até ao final do ano vão arrancar obras públicas num valor superior a três mil milhões de euros, mas o Sindicato dos Trabalhadores da Construção teme que "não haja mão-de-obra qualificada para as executar", por estar dispersa em Espanha e França. A solução "passa pela precariedade que tem como resultado um maior número de acidentes de trabalho".
Em conferência de imprensa, o presidente do Sindicato, Albano Ribeiro, apresentou a lista de estruturas a iniciar que lhe foram anunciadas pelo secretário de Estado das Obras Públicas. Perante este quadro congratulou-se com o "fim do desemprego na construção civil", uma vez que só as obras a lançar deverão "criar mais de dez mil postos de trabalho".
No entanto, o optimismo é de imediato ultrapassado quando recorda os número de trabalhadores portugueses que trabalham em Espanha e França, e com os valores dos salários praticados nesses países que impedem um regresso a Portugal.
"São já 75 mil os portugueses a trabalhar em Espanha e cerca de cinco mil já partiram para França", afirmou Albano Ribeiro, adiantando que mais seguirão o mesmo caminho, "porque este ano vão ser lançadas grandes obras em França".
O regresso parece difícil. "Estão a ganhar 1500 euros por mês em Espanha e não pensam voltar a Portugal para virem ganhar 531,50 por mês, na melhor das hipóteses", salientou.
Por essa razão, o dirigente sindical sublinhou a necessidade de lançar uma "verdadeira campanha a nível nacional, quem sabe uma greve, para que os salários subam pelo menos para os 800 euros mensais, um valor que certamente já faria muitos regressarem ao país".
No seu entender é "preciso mobilizar a sociedade para a importância que estes trabalhadores têm para a economia", só assim "teremos os trabalhadores mais qualificados em Portugal".
Albano Ribeiro frisou que sem "o regresso de milhares de homens a solução passa por contratar pessoal não qualificado. Uma solução que certamente irá aumentar o número de acidentes de trabalho, que tem vindo a diminuir".

domingo, 1 de junho de 2008

Um pólo da Cinemateca para o Porto, pois claro!

Voltamos a publicar o anúncio da petição que corre exigindo um pólo da Cinemateca Nacional no Porto.
Apoiamos inteiramente este tipo de movimentos e congratulamo-nos em ver as novas gerações a pegarem nestas causas. Ao contrário do que parece nos momentos depressivos, há futuro, há gente, como não podia deixar de ser! Há nova gente! Leiamos o que nos diz o Joaquim Guilherme, que é um dos signatários da petição que já introduzimos em "post" anterior e que não temos o gosto de conhecer de lado nenhum. Mas é claro que o Porto, que foi até onde se fizeram os primeiros filmes, já devia ter, há muito, um pólo da Cinemateca Nacional, como aliás nos fartámos de defender, há uns anos, como a solução adequada para o "Batalha", antes de chegar o Rio da Escuridão.
Quanto ao Bénard da Costa já todos sabemos quem é nesta matéria. Quando a Porto 2001 lhe pagou a preço de ouro as suas reconstituições cinematográficas, não teve pejo em vir a correr para o Porto. De resto só existe Lisboa. Em boa verdade, a revolução republicana ainda está por fazer! Neste campo, como em muitos outros. por falar nisso: o Sr. Gulbenkian doou os seus bens para se fazer cultura em Portugal ou em Lisboa? Pelo que conhecêmos do testamento não fala em Lisboa... Como é que o Porto não tem uma única chafarica onde as obras editadas pela Gulbenkian se possam comprar por metade do preço como em Lisboa? Como é que todos os apoios às artes ou às ciências se ficam pela capital? Para esta gente o país divide-se em Lisboa e província. É preciso mesmo serem muito provincianos...
Criei um projecto em meados de Dezembro de 2007 e desenvolvi-o, desde então, com um grupo de 8 amigos e conhecidos. O projecto chama-se Circuito. O objectivo do Circuito foi criar um espaço de exibição cinematográfica de obras anteriores à decada de 90, de grande valor histórico e artístico. Para isto, exibimos vários filmes clássicos em várias faculdades da UP e da UCP. Convidámos realizadores, produtores, docentes e críticos para contextualizarem os filmes a visionar. O outro objectivo do Circuito foi criar o debate público sobre a falta de oferta de Cinema clássico e reflectir sobre as condições de acesso a este Cinema na cidade do Porto, comparando-as com as condições existentes em Lisboa. Como saberão, é em Lisboa que está sedeada a Cinemateca Portuguesa que é uma insituição pública que exibe cerca de 5 filmes " clássicos" por dia, em excelentes condições e a um preço muito reduzido.A luta pela vinda da Cinemateca para o Porto já não é nova, mas estamos a retomá-la. Queremos que esta intituição pública, financiada com o dinheiro de todos os portugueses, finalmente abra uma extensão/um pólo no Porto.Criámos um documento expositivo, referente às condições de acesso a este tipo de Cinema, que vamos entregar ao Ministério da Cultura e à própria Cinemateca. Vamos fazer acompanhar este documento de um abaixo-assinado que corre em suporte físico e em formato electrónico. Acabámos agora mesmo de o criar, em formato on-line :) Podem ler aqui o nosso documento: http://drop.io/CinematecaPorto O Circuito teve, desde a sua abertura, algum impacto: Esgotámos o Passos Manuel com um filme do Orson Welles e fomos noticiados em vários jornais do país, como o DN, Visão e Público. As coisas estão, agora, a aquecer e queria-vos pedir todo o vosso apoio. Fomos, ontem, noticiados a nível nacional na Antena 1 e no Público. Hoje, o Bénard da Costa (director da Cinemateca) respondeu, no Público, ao nosso documento, discordando com a abertura de um pólo no Porto. Podem ler aqui as duas notícias:http://drop.io/circuitopublico1http://drop.io/circuitopublico2 Depois deste palavreado todo, basicamente venho-vos pedir que assinem o nosso abaixo-assinado e que o publicitem por todos os vossos contactos. É uma boa causa. Tenho a certeza que serão a favor que uma instituição pública, financiada com dinheiros públicos, não esteja absolutamente centralizada na cidade de Lisboa. Não é esta, no entanto, desde sempre, a vontade da direcção da Cinemateca.Assinem aqui, até podem ser os primeiros ;) http://www.petitiononline.com/Circuito/petition.html Tenham apenas o cuidado de não assinar on-line, caso tenham assinado em papel, ou queiram vir a assinar."un poème est une pétition et une pétition est un poème" , Bertolucci. Beijos, abraços e obrigado!
Joaquim Guilherme.

Pescadores apelam à serenidade e deixam decisões para segunda-feira


01.06.2008 LUSA (JN) Os portos portugueses viveram hoje um dia sem incidentes, apesar de se manter a greve motivada pelo aumento dos combustíveis, com os pescadores a apelarem à serenidade e a remeterem novas decisões para segunda-feira.
As organizações de pescadores e armadores reúnem-se segunda-feira para fazer um balanço da greve e definir acções futuras, podendo haver uma nova reunião com a tutela no mesmo dia, antes da partida do ministro Jaime Silva para Roma onde participará na cimeira da FAO (organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura).
Depois de um sábado marcado por confrontos entre pescadores, comerciantes e polícias na lota de Matosinhos, o dia decorreu hoje mais sereno, tendo sido levantados os piquetes de greve na Figueira da Foz e em Peniche.
"Estive em contacto com colegas de vários portos e está tudo calmo. O que aconteceu em Matosinhos é inaceitável e não pode voltar a acontecer. É preciso serenidade de parte a parte", declarou à Agência Lusa o presidente da Associação de Armadores das Pescas Industriais, Miguel Cunha.
Também o presidente da Associação de Armadores do Sotavento, António da Branca, disse que "é preciso cabeça fria" para resolver uma situação "que não é fácil".
"Queremos que tudo caminhe dentro da normalidade. Amanhã, saberemos o que se vai fazer", adiantou este responsável, acrescentando que os pescadores se vão reunir hoje às 22:00 no porto de Olhão para manter a vigilância e evitar a chegada de peixe espanhol.
Segunda-feira é também o dia em que se reúnem, em Madrid, representantes governamentais do sector das pescas de Portugal, Espanha, França e Itália.
Os pescadores e armadores portugueses esperam que do encontro saia uma decisão administrativa de baixa do preço dos combustíveis.
Os pescadores europeus continuam mobilizados contra o aumento acentuado do preço dos combustíveis, mantendo-se em Portugal, Espanha e Itália uma "greve ilimitada" começada sexta-feira.
Mas o movimento começa a mostrar cedências, depois de os pescadores da Catalunha (Espanha) terem decidido retomar a actividade segunda-feira.
Em França, depois de 15 dias de mobilização, o mundo das pescas entrou em compasso de espera, com vários comités regionais a apelarem ao regresso ao trabalho.
Para quarta-feira, está prevista em Bruxelas uma manifestação de pescadores portugueses, franceses, espanhóis e italianos.

O cordeiro e o lobo mau


Comentário de Francisco J. Marques, Editor (JN) 01.05.2008
A Federação Portuguesa de Futebol, através de um seu funcionário, o advogado João Leal, comunicou à UEFA a condenação do F. C. Porto pela Comissão Disciplinar da Liga da forma mais negativa possível, fazendo os possíveis para que a UEFA exclua os portistas da Liga dos Campeões. Ao invés de tentar proteger o seu filiado, como é sua obrigação e sempre fez, ou como fazem as outras federações, a FPF começa por dizer que o campeão nacional "has committed the very serious disciplinary infrigement of corruption of the refereeing team" [cometeu a infracção disciplinar muito grave de corrupção da equipa de arbitragem] e só 22 palavras mais à frente, no meio de referências jurídicas, e em itálico é que se lê "as an attempt" [na forma tentada]. Mais, o denodo com que João Leal, director do Departamento Jurídico da FPF, escreve que o F. C. Porto não recorreu e omite que o recurso de Pinto da Costa pode ter óbvios efeitos sobre a condenação do clube caso venha a ser considerado procedente pelo Conselho de Justiça indicia uma inaceitável tomada partido. Diabolizando o F.C. Porto, claro!
À Federação, aos seus órgãos e aos elementos que os integram exige-se distanciamento e imparcialidade. Lendo o fax que a FPF enviou para a UEFA percebe-se que não há distanciamento, nem imparcialidade. Falando claro, João Leal enviou uma comunicação que abre caminho à exclusão do F. C. Porto, em benefício especialmente do Benfica, que assim poderá chegar à Champions através da terceira pré-eliminatória, mas também do Guimarães e até do Braga.
A FPF tem todo o direito de achar que a condenação do F. C. Porto pela Comissão Disciplinar da Liga foi curta, mas é incompreensível que agora vista publicamente a pele de cordeiro ao dizer que é assunto que não lhe diz respeito e na privacidade da comunicação com a UEFA use o fato de lobo mau e tente empurrar o campeão nacional para o cadafalso.
Em suma, este é um óbvio caso de tráfico de influências e a federação terá de se explicar.

PSD: o pior possível!


Por Pedro Baptista

Os resultados das eleições no PSD não podiam ser piores para a política, para o PS, para o Norte e para Portugal na generalidade.

Ganhou a candidata que tem a desfaçatez de se apresentar como anti-tecnocrática, humanista e mais preocupada com a questão social do que com o défice ou a consolidação orçamental, quando toda a gente sabe que o fantasma de Manuela Ferreira Leite, e das suas concepções salazarentas sobre as finanças públicas, tem dominado a política portuguesa, quase sem interrupções, nos últimos 7 anos, sempre com o sinal contrário ao que agora, demagogicamente, propala. Ferreira Leite é exactamente a mulher de que o défice é tudo em política, da consolidação orçamental, dos cortes desenfreados nos sectores sociais ou nos serviços públicos como mostrou quando foi ministra de Cavaco Silva em diversas pastas em particular na Educação. A sua influência, como mulher de mão do cavaquismo, fez-se ouvir tanto no poder como na oposição, acabando por triunfar em Portugal, provocando a estagnação económica em que praticamente vivemos, pela acatação servil do estúpido plano de estabilidade, pelas subidas dos impostos, em particular do IVA, pela retracção do consumo e, consequentemente pela crise social, tudo agora agravado pela conjuntura internacional. A sua política financeira não tem nada de novo em relação ao contabilismo primário do salazarismo, protagonizado por outros iguais delfins ideológicos, neste matéria, como, por exemplo Rui Rio: trata-se de reduzir as despesas sociais, cortar nos vencimentos dos funcionários públicos e aumentar os impostos sobre os que não podem fugir. É o que temos tido, seja com tons laranjas, seja com tons rosados. O que caracteriza ideologicamente Ferreira Leite é precisamente o seu economicismo estreito, o seu anti-humanismo total, a sua insensibilidade social completa. Vai ser de rir à gargalhada esta cambalhota com que se prepara para fazer oposição à política que influenciou com sucesso para que fosse seguida pelo PS, a não ser que, entretanto, dê outra cambalhota para trás. De rir, para não chorar: mais uma vez a política no grau zero da moralidade. A próxima campanha eleitoral será mais uma palhaçada a degradar moralmente ainda mais este país cuja política o transforma num circo: o palhaço rico fará o papel do pobre e vice-versa. Depois, no fim, quem se vai rir do público são eles: afinal ambos eram ricos e o público é que lhes pagou o bilhete para isso.

Terminaram assim as possibilidades de acordo de revisão constitucional em relação ao referendo da regionalização que poderia ter sido alcançado com Luís Filipe Meneses: Ferreira Leite é visceralmente anti-regionalização, é a expressão mais acabado do centralismo nos seus piores sentidos.
No entanto, não nos resignaremos. A luta pela regionalização Terá de avançar para novos patamares. Não pode ser uma bandeira para agitar na oposição e guardar no governo. Nem para adiar até quando já houver dinheiro para distribuir. Como não tem de ser partidarizada como continua a ser. Somos a favor de pactos regionais e defendemos uma plataforma inter-partidária, desde já, no Porto, nesse sentido.

Quanto às últimas prestações de Menezes, na véspera e no dia das eleições, desde a indicação para não votarem no pior, no centralismo, à referência ao canalha de barbas, independentemente de ter toda a razão sobre a classificação do pior do PSD e provavelmente sobre o caracter do barbudo, foram patéticas, na medida em que Menezes acaba por sair como o Cavaleiro da Triste Figura, entregando o oiro ao bandido depois de ter o poder, pelo qual tanto tempo lutou, na mão.

Vitória dos "bombistas", derrota de um homem que vergou e quebrou face à força dos "canalhas". Ora se há momentos em que é preciso resistir sempre, quando não contra-atacar entrando-lhes nos próprios covis, é exactamente nesses momentos. São os momentos de não deixar os "canalhas" triunfarem.

Por este blog perspassou alguma simpatia pelo combate que o Dr. Meneses travava contra a tropa centralista como todos puderam observar; por isso não nos solidarizamos com os ataques que eram contra ele lançados, mesmo quando vindos do próprio PS, sobretudo quando com as mesmas motivações que os que vinham do PSD. Mas, finalmente, o Dr. Meneses, falhou. Soçobrou, quando tinha de resistir. Quem não resiste perde. Quem sempre resiste, acaba por vencer.

O resto são desabafos. Compreendem-se, mas não é assim que se vence.

Datas das eleições

Várias informações particulares confirmam que a Comissão Nacional, num dos momentos em que terá tido quorum, votou um calendário eleitoral indicando as datas de 24 e 25 de Outubro para a eleição dos presidentes das federações distritais e dos delegados aos congressos distritais, e de 8 e 9 de Novembro para os congressos distritais.
É, contudo deveras intrigante, ou então espantoso, que o porta-voz tenha comunicado à LUSA as decisões sobre todos os pontos agendados, excepto este. Deve ser para que ninguém se prepare cedo de mais.

Actividades de Campanha

Pedro Baptista vai estar presente nas seguintes sessões de debate e esclarecimento com militantes, simpatizantes e eleitores socialistas:

Gondomar: 6 de Junho às 21:30 na Secção de S. Cosme de Gondomar

Paredes: 7 de Junho às 20:00 Café Napoleão, Sobreira (jantar)

Porto: Secções da Foz/Nevogilde, Ramalde, Aldoar, Lordelo e Viso: 7 de Junho às 15:00 na sede da Candidatura - Rua Cassiano Barbosa, 72E (entre o Viaduto das Andresas e a Rua S. João de Brito)

Matosinhos: 9 de Junho às 21:30 na sede da Concelhia (local a confirmar)