terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Manchete de primeira página do JN de hoje. Lembre-se que o JN pertence à Controlinveste, empresa que procede ao despedimento de mais de 120 trabalhadores, nomeadamente no JN. Lembre-se também que o JN é, até ver, um jornal altamente lucrativo e o mais lucrativo do Grupo. É mesmo um "bocadinho vergonhoso".
Dragão de Honra Honra do Dragão PORTO
Tribunal condena artigo pago de Jardim em O Diabo
(Público)17.02.2009, Tolentino de Nóbrega
O Tribunal de Contas (TC) condenou o chefe de gabinete do secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais (SRARN) da Madeira, Cristiano Loja, pelo pagamento da publicação de um artigo de opinião assinado por Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, no semanário O Diabo.
A publicação do texto "A Intolerância da Esquerda", no valor de 5535 euros, e o seu conteúdo "nada tem a ver com as atribuições e competências" daquele departamento do Governo, as quais, como frisa a sentença citando a respectiva lei orgânica, "respeitavam à definição e coordenação da política regional nos domínios do ambiente, água, saneamento básico, florestas, parque natural, pescas, agropecuária e habitação". O artigo de opinião de Jardim "não trata de quaisquer destas matérias", conclui o tribunal, declarando a "despesa ilegal". O tribunal condenou o chefe de gabinete do SRARN a uma multa de 1455 euros por, com competência delegada para o efeito, autorizar o pagamento de tal publicação, mas relevou a responsabilidade de reposição da quantia paga pelo artigo a O Diabo, que semanalmente inclui textos de Jardim. Também por despesas pagas a este semanário, relativas a publicidade por ajuste directo, foi condenada a multa de 500 euros a conselheira técnica do secretário dos Recursos Humanos, Teresa Gonçalves.
Estas infracções financeiras foram detectadas pela secção regional do TC na auditoria aos fluxos financeiros concedidos pelo Governo madeirense a órgãos de comunicação social em 2005.
Nesse ano, Jardim concedeu ao Jornal da Madeira (com capital detido quase na totalidade pelo Governo) cerca de cinco milhões de euros, o que representa 74,9 por cento do total de apoios. Os auditores apuraram que pagamentos efectuados pela aquisição de publicidade constituíam, na prática, uma forma de apoiar financeiramente as entidades prestadoras, advertindo que estas situações são "susceptíveis de tipificar eventuais ilícitos" geradores de responsabilidade financeira sancionatórios, e nalguns casos passíveis de reposição por indiciarem a realização de pagamentos ilegais e indevidos.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A França em ditadura!

Pelo que se lê, ouve e vê, a Venezuela caiu na ditadura porque a maioria dos eleitores aprovou o fim à limitação de mandatos para a presidência. Independentemente da nossa posição concreta sobre o assunto, não deixa de ser uma apreciação caricata. Se a Venezuela está em ditadura por causa de não ter limitações de mandatos para a Presidência da República então, por exemplo, a querida e europeíssima França não passa de uma ditadura! (PB)
Samba de uma nota só
(JN)14.2.2009 A diversidade e a pluralidade do debate interno nos partidos portugueses não deixa de me surpreender.
No PCP, Jerónimo de Sousa foi eleito praticamente por unanimidade, apenas com a abstenção de quatro anónimos heróis sacrílegos; no CDS, Portas por 91,6%; no BE, Louçã por 78,7%; e, agora, no PS, Sócrates por 96,43%.
Todos os queridos líderes foram a votos sozinhos (e, na maior parte dos casos, sozinhos e mal acompanhados). No BE ainda chegaram a esboçar-se umas tímidas alternativas, mas o resultado foi idêntico.
Tirando o PSD, onde, em lugar do debate, reina o caos, todos os outros partidos são sambas de uma nota só, pelotões acríticos marchando em ordem unida em direcção a uma fatia do poder e do Orçamento de Estado, onde cada vez menos gente, alguma por falta de jeito outra, que sei eu?, por excesso de convicção, troca o passo.
Saddam Hussein, Enver Hoxha e Kim Il-Sung têm boas razões para estarem a roer-se de inveja além-túmulo; e e Kim Jong-Il decerto reflectirá melancolicamente sobre a singularidade teórica do unanimismo à portuguesa: em vez de um partido único, quatro partidos únicos.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sócrates eleito sem nenhum voto contra! Também quem quisesse votar contra, não tinha onde. Ia para o branco ou para o nulo? Mas não é o mesmo, não façam de nós parvos, nem se façam de parvos! Uma votação sobre uma pessoa para um cargo, quando é candidato único, tem lugar para o "Sim" e para o "Não". Se não, é barrete. Pior, sede de unanimismo, saudosismo de união nacional. É esse o problema pior do PS. Quando é o próprio secretariado nacional a dar estes exemplos, já se sabe no que se torna o partido!
Embora, felizmente, haja quem resista. Veja-se a última indicação de Elisa Ferreira para cabeça da lista à CMP, feita na Concelhia do Porto ! O boletim tinha o sim e tinha o não. Houve cinquenta tal sim e um não! Qual foi o problema? Só há liberdade do sim, quando há opção do não. Qual é o problema de haver não? Qual é o problema das coisas funcionarem legal e democraticamente? De serem decentes? (PB)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Dia de votar dos militantes socialistas! Esperemos que nos boletins haja um quadrado para o sim e outro para o não! Se não é circo hoje e missa daqui a quinze dias. Esperemos que não! Vamos lá ver! A esperança é a última a perder-se.

Elisa Ferreira quer Porto como "novo coração do Norte"
(Público)14.02.2009, Margarida Gomes
Elisa Ferreira apresenta na próxima quinta-feira a sua candidatura à presidência da Câmara do Porto, um desafio que, na opinião da eurodeputada, representa "o maior desafio da sua carreira". A cerimónia está marcada para o final da tarde no edifício da Alfândega do Porto, e a presença do secretário-geral do PS, José Sócrates, que ainda no passado fim-de-semana disse que queria ser convidado para estar na apresentação da candidatura, está apenas dependente da sua própria agenda. Relançar o Porto para que ele seja "o novo coração do Norte", é o objectivo central da candidatura de Elisa Ferreira, uma independente, próxima da área do PS. Numa recente entrevista, a ex-ministra do Ambiente disse que vai a votos "claramente para ganhar" e propor aos portuenses "um modelo e um projecto para a cidade radicalmente diferente do actual". "Faço isto com a convicção de que será o melhor para a cidade" e porque "não podemos deixar passar muito tempo sem apanhar o comboio do progresso", disse ainda.Elisa Ferreira dará a conhecer as linhas gerais do projecto político com que se vai candidatar ao Porto.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009


Um filme a não perder...
O Leitor De Stephen Daldry
No final da Segunda Guerra Mundial, o jovem Michael Berg adoece e é tratado por uma bela e misteriosa mulher mais velha, Hanna. Quando os dois se reencontram, apaixonam-se e a relação intensifica-se à medida que Michael lê para Hanna obras clássicas. Mas Hanna volta a desaparecer. Oito anos depois, Michael é aluno de Direito e acompanha os julgamentos dos crimes de guerra nazis. Aí que descobre que a mulher que tanto amou escondia segredos que afectarão por completo a vida de ambos e mesmo a vida de um povo.
Eutanásia deve ser retirada do congresso do PS
Se não serve para discutir os temas, para que serve então o Congresso? Já se percebeu que vamos ter missa cantada, mas os temas do casamento dos homossexuais e da eutanásia poderão propiciar algum debate o que, pelos vistos, assusta alguns sectores. Quem é quem para dizer que a eutanásia não interessa aos portugueses? Porquê? Os portugueses serão menos dotados que todos os outros europeus? Ou aqui não se vive o drama da morte com dor, o drama do sofrimento infligido pelos que querem obrigar as pessoas a sofrerem e a caírem no grau zero da dignidade humana? A quem não interessa a "Boa Morte"? Quem tem medo do debate? Está já a Igreja a mandar também no PS? Ou é tudo puro e simples eleitoralismo? Uns a quererem disputar votos urbanos que perderam por outras razões... outros a não querem perder votos rurais... (PB)
(Público)13.02.2009, Filomena Fontes
É mais uma voz a alertar para o risco de o congresso do PS vir a desaguar num debate sobre temas que "não preocupam a generalidade dos portugueses". Seja o casamento entre homossexuais, seja, agora, a eutanásia. José Luís Carneiro, que preside à Câmara de Baião, desafiou ontem os proponentes da moção sectorial que defende a eutanásia a retirá-la do congresso. "O debate sobre opções de tamanho relevo deve ser amadurecido primeiro nos órgãos internos do partido, alargando-o depois à sociedade", defende o autarca, manifestando-se preocupado com a perturbação que tal discussão vai gerar no conclave socialista, desviando-o das propostas que o PS deve apresentar ao país para sair da crise económica.
Sem pôr em causa "a agenda de valores" que o PS deve acompanhar, José Luís Carneiro considera, no entanto, que os congressistas se devem concentrar no debate das políticas públicas, da reforma do Estado - como a regionalização - e sobre as eleições europeias.
Divulgada esta semana, a moção intitulada Dignidade Humana, Sempre, tem como primeiros subscritores o deputado Marcos Sá, o presidente do PS, Almeida Santos, e o secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro.
Anteontem, à saída do debate parlamentar - e já depois da polémica suscitada com a posição da Igreja Católica sobre a legalização dos casamentos homossexuais -, José Sócrates resistiu a qualquer comentário sobre o tema.
Relação manda arquivar caso da "fruta" para os árbitros em que Pinto da Costa era arguido
(Público)13.02.2009, António Arnado Mesquita e José Augusto Moreira
Acórdão reafirma falta de credibilidade de Carolina Salgado, a quem foi aberto processo por falsidade de testemunho agravado
O Tribunal da Relação do Porto confirmou o arquivamento do processo relativo ao caso da "fruta" para os árbitros, mantendo na íntegra a decisão do Tribunal de Instrução Criminal que considerou pouco credíveis os depoimentos de Carolina Salgado.
Com esta decisão, o presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, responderá em julgamento apenas no caso do jogo Beira-Mar-FC Porto (0-0) relativo à época de 2003/04, depois de ter visto arquivados os processos resultantes de outras certidões extraídas do processo Apito Dourado.
O acórdão, com data da última segunda-feira, manteve na íntegra a decisão do juiz de instrução criminal, Artur Guimarães Ribeiro. Este, além de ter recusado a acusação deduzida pela equipa especial chefiada por Maria José Morgado, mandou também extrair certidão para que fosse instaurado procedimento criminal contra a ex-companheira de Pinto da Costa, pelo crime de falsidade de testemunho agravado.
Na decisão agora conhecida, os juízes desembargadores rejeitam a tese do recurso do Ministério Público (MP), que pretendia ver a prova analisada a partir da versão fornecida por Carolina Salgado e conjugada com outros elementos probatórios. O acórdão recusa uma tal perspectiva, lembrando que "como é bom de ver, a prova testemunhal [de Carolina Salgado] não se revela de forma alguma credível", considerando até que "faz enfraquecer de forma profunda os indícios que [o MP] advoga para sustentar a acusação pública. Na sua decisão, o juiz de instrução tinha concluído que a ex-namorada do presidente portista não só tinha mentido ao tribunal como também os seus depoimentos tinham sido produzidos numa altura em que havia processos pendentes resultantes de queixas apresentadas um contra o outro.
Os juízes invocam ainda que Carolina tinha "escrito e publicado um livro assente neste e noutros factos a que depõe, bem como de outros da sua vida conjugal com Jorge Nuno Pinto da Costa", tendo também "pendente contra si processos por furto e extorsão" denunciados pelo seu ex-companheiro, tudo contribuindo para que o seu depoimento não fosse isento.
Numa primeira fase, recorde-se, o inquérito tinha sido arquivado pelo MP, em Abril de 2006, tendo a equipa especial coordenada por Maria José Morgado decidido reabri-lo em Janeiro seguinte, depois do que havia sido escrito no livro Eu, Carolina.
Além do testemunho da antiga namorada do presidente do FC Porto, o acórdão aponta também diversas incongruências à acusação, que "se plasma no relatório elaborado findo o inquérito pelos agentes policiais de investigação, com todos o seus defeitos e virtudes". Desde logo, "a transcrição da escuta telefónica [entre Araújo e Pinto da Costa] não se mostra correcta", há conclusões ou premissas sem sustentação factual e às quais "só por conjectura ou imaginação" se poderia chegar.A decisão é particularmente crítica no que respeita aos alegados erros da equipa de arbitragem invocados pela acusação, que "não são mais que aqueles que os agentes de investigação consideraram, e não o resultado da perícia e das declarações dos peritos [Jorge Coroado, Vitor Pereira e Adelino Antunes]".
O acórdão assinala ainda que a acusação não teve sequer "o cuidado de purgar os erros técnico-jurídicos, na medida em que articula supostos e duvidosos factos", assim como "também não leva em conta as demais orientações e esclarecimentos dados pelos peritos quando dizem que os erros assinalados não o são".
O acórdão dos desembargadores, cujo relator foi Coelho Vieira, acolhe ainda a tese de que não houve qualquer tipo de favorecimento por parte do trio de arbitragem constituído por Jacinto Paixão, Manuel Quadrado e José Chilrito. "Numa perspectiva geral e objectiva, verifica-se que houve erros de análise de lances de jogo para cada equipa" e que "nenhum dos lances que originaram os golos do FCP foram precedidos de erros de arbitragem". Por isso, nunca a acusação poderia deduzir "que os erros de arbitragem são causa adequada do resultado final quando favorecem o FCP e completamente inócuos quando favorecem o Estrela da Amadora".

História do Anarquismo

Esta nova edição de "História do Anarquismo", de Jean Préposiet, disponível em português, é simultaneamente uma das obras mais rigorosas, mais actualizadas e de mais agradável leitura que alguma vez se escreveu sobre o tema.
Cingindo-se especificamente ao anarquismo, como não podia deixar de ser, a obra faz, no entanto, o seu enquadramento nas diversas correntes do socialismo, logrando estabelecer os denominadores comuns e as principais linhas de força que as agrupam de um lado, de outro, ou em emaranhadosa complexos.
Desengane-se quem considera o anarquismo uma corrente desaparecida e sem interesse para a actualidade. O anarquismo, ou os anarquismos, como as mais diversas correntes socialistas, estão presentes com os seus propósitos, os seus valores e mesmo as suas utopias, quando hoje lutamos pelo aprofundamento da democracia, quando equacionamos o socialismo em liberdade, o colectivo e o individual, o plural e o singular, a totalidade e o único. Ou quando simplesmente enfrentamos a crise provocada pela agiotagem bancária e pela especulação financeira.
Para a esquerda moderna, que é a que procura novos caminhos para o combate ao capitalismo e para a luta pela dignidade humana, é essencial restabelecer o diálogo entre as suas diversas correntes históricas, mesmo as que se tornaram antagónicas umas das outras, evitando a sobranceria da ignorância que tem caracterizado o nosso estudo político se é que alguma coisa desse género tem existido. E não só com as que foram triunfantes como com as que foram derrotadas pela história, mas que essa mesma história, em mais uma das suas irónicas voltas, acaba por redimir, atribuindo-lhes, afinal, a razão histórica.
Uma obra a ler e sobre que reflectir. (PB)
Apito Dourado
Juízes criticam MP por acreditar em Carolina
Pinto da Costa vê confirmado arquivamento de caso de noite de prostitutas com trio de árbitros
NUNO MIGUEL MAIA (JN) 13.2.2009
Os juízes do Tribunal da Relação do Porto colocaram fim às dúvidas: Pinto da Costa não irá a julgamento no processo do Apito Dourado designado como "caso da fruta". O recurso do Ministério Público foi chumbado.
Os desembargadores concluem que, afinal, "não há indiciação suficiente" de que os árbitros do jogo FC Porto-Estrela da Amadora, de 24 de Janeiro de 2004 (Jacinto Paixão, Manuel Quadrado e José Chilrito) conhecessem e soubessem que o empresário António Araújo era ligado ao clube portista e que, por essa razão, lhe tenham pedido para arranjar uma noite com prostitutas brasileiras.
E também que "não é conclusiva ou segura" a ideia de que Pinto da Costa se tenha apercebido - numa conversa com António Araújo em que se falou de "fruta" e "café com leite", escutada pela Polícia Judiciária -, a quem realmente se destinava o pedido de uma "noitada" com meninas.
Para chegar a estas conclusões, os juízes referem, no acórdão a que o JN teve acesso, que o testemunho de Carolina Salgado "não se revela, a nosso ver e de forma alguma, credível". "E este depoimento, de per si em sua conjugação com outros meios de prova, faz enfraquecer de forma profunda, os indícios que a Digna Recorrente [MP] advoga para sustentar a acusação pública".
Por esta razão, os juízes da 4.ª secção criminal da Relação do Porto entendem que não deveria ter sido dada credibilidade à ex-namorada do presidente do FC Porto, tal como sustentado pela equipa especial da Procuradoria Geral da República, coordenada por Maria José Morgado. E por Olga Coimbra, procuradora do MP junto do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, que subscreveu o recurso da decisão do juiz Artur Guimarães Ribeiro.
Para sustentar a "falta de credibilidade" da testemunha-chave que serviu para reabrir o processo inicialmente arquivado pelo DIAP do Porto, o tribunal superior ressalva que Carolina tem "interesse na causa", dado ter pendentes vários processos mútuos com o antigo companheiro e ter escrito um livro ("Eu, Carolina") a relatar factos relativos à sua vida desportiva e privada com Pinto da Costa, com relatos de alegados crimes.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Guerras com a Igreja assustam PS
Embora este tema "fracture" os nossos próprios apoiantes, declaramos já que, pessoalmente, estamos inteiramente de acordo com Sócrates na proposta pelo fim da discriminação dos "gays" no casamento. Pensamos mesmo que o PS devia ter votado favoravelmente o projecto que surgiu na AR nesse sentido, há uns poucos meses. Assim livrávamo-nos do ridículo de ter dito que não porque nos faltavam uns estudos e agora, meia-dúzia de meses depois, dizermos que sim sem exibirmos nenhuns estudos. E que tem o assunto a ver com estudos? Esperemos que a proposta seja séria e não para ser chumbada no Congresso e assim fazer um número. O PS sairía de tal "número" num estado lastimoso...
Identificamo-nos também com as palavras com que, em duas intervenções, Sócrates defendeu a proposta no Porto.
Quanto a nós, todos têm o direito de encontrar a sua maneira de serem felizes desde que, com os seus actos, não colidam com os direitos dos outros.
A Igreja Católica Romana faria bem melhor em reflectir sobre o facto de se ter mostrado atravessada pela pedofilia, do que continuar a expressar os seus mediévicos preconceitos sexuais. Mas se não capazes de parar de discriminar a mulher, nomeadamente vedando-lhe o acesso ao sacerdócio, se não capazes de acederem eles próprios, os sacerdotes, ao casamento, como podem pronunciarem-se sobre este tema social procurando convencer as pessoas de que a sua voz é ainda a voz de Deus! Ou como se alguém acreditasse em deuses que desejam o mal e o castigo para os que são diferentes?
Afinal o que será mais "contra-natura"? A diferença sexual dos homossexuais que constituem 10% da população, ou o mito da virtuosa castidade a que os padres católicos são obrigados? (PB)
(DN) 12.2.2009 JOÃO PEDRO HENRIQUES e RITA CARVALHO
Dirigentes do PS estão preocupados com os efeitos eleitorais negativos de um conflito do partido com a Igreja. A direcção de Sócrates insiste no casamento 'gay', mas travou ambições legislativas no campo da eutanásia. Igreja quer os crentes a votar "esclarecidos pelos princípios e moral cristãos"
A aposta do PS numa agenda política fortemente contestada pela hierarquia da Igreja Católica preocupa alguns dirigentes do partido, nomeadamente aqueles que operam nos distritos mais conservadores.
"Nada é indiferente, admito perfeitamente que possa ter influência [nos resultados eleitorais]", afirmou ao DN o líder do PS de Viseu, José Junqueiro, confrontado com os protestos da hierarquia católica face à proposta de José Sócrates para que na próxima legislatura (2009-2013) se legalize o casamento homossexual.
Renato Sampaio, presidente do PS-Porto, reconheceu também que nalgumas partes do seu distrito essa agenda fracturante "pode ter efeitos eleitorais".
Mais preocupado pareceu Rui Solheiro, líder dos socialistas em Viana do Castelo. "Não vai ser fácil", afirmou, referindo-se especificamente à questão do casamento homossexual: "Não vai ser fácil, mas o partido é que tem de saber se será um grande tema para a campanha." Solheiro parece querer que a questão passe para segundo plano nas eleições: "A crise económica e o desemprego serão os temas principais. Os restantes temas serão temas marginais.
"Ontem, após o debate Sócrates foi confrontado com a posição deixada na véspera pela Conferência Episcopal. Na altura já sabia da nota de clarificação emitida pelo seu porta-voz que continuava a referir o ano eleitoral, mas aliviava o tom. "A Igreja pede que os católicos votem na liberdade segundo a sua consciência, esclarecida pelos princípios e a moral cristãos."
Para os católicos os casamento gay são mais uma proposta que fere os princípios da Igreja. Ao DN, João César das Neves diz que "é evidente que o Governo afronta a Igreja com isto. Sabe que o faz, mas fá-lo mais por questões estratégicas e de jogo político. Porque quer resgatar eleitorado à esquerda e disfarçar as atenções da crise".
No entender do primeiro-ministro, a hierarquia católica sinalizou, com essa nota, que "não tem nenhuma intenção de dar indicação de voto". E isso, acrescentou, deixa-o "muito satisfeito". Seja como for, não são estas críticas que o farão recuar: "Devemos dar esse passo em nome do combate à discriminação", disse. "Todos seremos mais felizes e seremos uma sociedade melhor."
A cúpula do PS deu sinais de não querer sobrecarregar a agenda fracturante com outros temas, como a eutanásia, que um grupo de deputados socialistas vai propor ao congresso do partido que seja debatida publicamente.
Um deles, o presidente do PS, António Almeida Santos, admitiu ontem ao DN que a legalização da eutanásia "justifica um debate profundo sobre a matéria", mas afasta a ideia de um referendo nacional. No entanto, o antigo presidente da Assembleia da República admite que possa aparecer quem defenda um referendo no decurso do debate sobre a eutanásia.
Fiscalista defende profissionalização
Saldanha Sanches sugere fim dos bombeiros voluntários
12.02.2009 - 16h16 PÚBLICO Em Linha
O fiscalista Saldanha Sanches sugeriu hoje a profissionalização dos bombeiros e o fim do regime de voluntariado. Segundo o especialista em finanças, o regime de voluntariado é, neste caso, oneroso para os contribuintes e dispensável. Em declarações ao Rádio Clube esta manhã, no espaço rubrica diário "Uma ideia para o país", Saldanha Sanches criticou o facto dos bombeiros voluntários serem pagos e de muitos encararem a actividade como um segundo emprego, o que significa um peso para os contribuintes a evitar."Passaram a ser dependentes de subsídios públicos. Um bombeiro voluntário é alguém que tem outro emprego e que é pago para apagar fogos. Se não é um serviço profissional, o melhor é entregar estes serviços aos profissionais que garantem um serviço de melhor qualidade". Para Saldanha Sanches o Estado está assim a duplicar uma despesa que já tem, no caso de transporte de doentes, por exemplo, com o INEM.
Em reacção, Duarte Caldeira, presidente da Liga de Bombeiros Portugueses, disse que Saldanha Sanches mostra que não sabe do que está a falar.
99 por cento dos portugueses desconfia dos políticos
(JN) Em Linha 12.2.2009 10h28m
Do Reader's Digest vale o que vale, mas dá que pensar ou, melhor, é bom que se pense... antes que seja tarde e já não se possa pensar. (PB)
Os bombeiros são os profissionais que mais confiança inspiram aos portugueses, ao contrário dos políticos, que conquistam apenas uma em cada 100 pessoas, segundo um estudo feito a mais de 10.500 assinantes da revista Reader's Digest.
O estudo, feito anualmente desde 2000, avalia as marcas e profissões em que as populações de 16 países europeus mais confiam e tem uma margem de erro de 3,4 por cento. De acordo com as conclusões do "European Trusted Brands 2009", os bombeiros, os pilotos de aviação e os farmacêuticos são as profissões mais confiáveis, conquistando todas mais de 9 em cada 10 portugueses.
No pólo oposto encontram-se os políticos, que mereceram a confiança de 1 em cada 100 inquiridos e os vendedores de automóveis, em quem confiam 10 em cada 100 portugueses.
Da lista das profissões menos confiáveis constam ainda os jogadores de futebol (com 15 por cento), os líderes sindicais (com 17 por cento) e os advogados, que conquistam quase um quarto (24 por cento) dos portugueses.
Ao contrário das profissões ligadas à Saúde (farmacêuticos, enfermeiros e médicos), tidas como das mais confiáveis - assentando nas terceira, quarta e quinta posições da lista -, os ofícios ligados à Justiça são vistos com desconfiança.
Além dos advogados, que ocupam a 15ª posição de uma lista de 20, também os juízes se situam entre os menos confiáveis (13º) e até os polícias não passam do oitavo lugar, com apenas 64 em cada 100 a confiarem na profissão.
Exactamente a meio da lista, no 10º lugar, ficam os padres, com metade dos inquiridos a dar-lhes crédito, atrás dos meteorologistas (62 por cento), dos professores (81 por cento) e dos agricultores (83).
Os padres ficaram, no entanto, à frente de taxistas (43 por cento) e de jornalistas (36 por cento).
Os políticos também foram os profissionais em que os portugueses perderam mais confiança nos últimos 5 anos, já que 75 por cento dos inquiridos admitiram confiar menos nessa profissão hoje do que em 2004.
Entre os que mais perderam a confiança dos portugueses contam-se também entidades como o Governo, além de presidentes de multinacionais e a publicidade.
Por outro lado, os ambientalistas, a Internet, os professores e os médicos ganharam a confiança dos portugueses, melhorando as suas posições em relação há 5 anos.
Na lista das marcas em que os portugueses mais confiam não houve alterações significativas em relação ao ranking do ano passado, dela constando empresas nacionais como a TMN, a Galp, a Delta, a Caixa Geral de Depósitos e a RTP1.
A lista inclui ainda as marcas portuguesas Abreu, Sapo, Sagres, Continente ou CTT e as estrangeiras Mercedes-Benz, Nokia, Canon ou Ben-U-Ron.
Realizado entre 17 de Setembro e 28 de Novembro passado, o estudo analisou os níveis de confiança nas marcas em 37 categorias, das quais 20 são comuns ao todos e, no caso de Portugal, 17 são especificamente adaptadas à realidade nacional.
O "Problema" do Marco

No Partido Socialista do Marco de Canavezes, como em várias Secções e como em todas as eleições para o Congresso, há duas listas para delegados da moção de Sócrates. Parece que há quem não goste, mas qual é o problema?

É assim a democracia: quem entende e pode fazê-lo candidata-se, os militantes eleitores votam.

O problema está apenas em haver quem não goste. Quem não goste de que haja mais candidatos a não ser ele próprio, quem não goste de que os militantes tenham alternativas para escolherem e deliberarem em liberdade e consciência.

É normal que haja pessoas que não gostem de perder, ainda por cima sempre. Mas é inadmissível que haja quem pretenda impedir outras candidaturas, só para não perder.

Afinal o problema está apenas em haver quem não goste de democracia. Quem preferiria ser nomeado cacique por uma dúzia, em lugar de submeter-se à votação de todos. O problema está em haver quem não é democrata.

Pedro Baptista
O depoimento de Carolina Salgado foi considerado falso
Relação do Porto arquiva processo contra Pinto da Costa 12.02.2009 - 12h47 António Arnaldo Mesquita
O Tribunal da Relação do Porto arquivou o processo relacionado com alegados favores sexuais a árbitros no final do jogo do FC Porto-Estrela da Amadora (2-0), que ficou conhecido como o "caso da fruta".
Os desembargadores indeferiram o recurso do Ministério Público que impugnava a decisão do juiz de instrução criminal, Artur Guimarães Ribeiro, de não pronunciar dois dirigentes do FC do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa e Reinaldo Teles, o empresário António Araújo, e o ex- árbitro Jacinto Paixão e respectivos auxiliares da acusação de corrupção.
A decisão do juiz de instrução considerou que Carolina Salgado prestou um falso depoimento. Os desembargadores não atribuíram também credibilidade ao depoimento da ex-namorada do presidente do FC Porto, que esteve na origem da reabertura do processo pela equipa especial do Apito Dourado criada por Pinto Monteiro, procurador-geral da República.(...)

Todos os frequentadores deste blogue sabem que só os títulos, comentários ou textos a azul - como este mesmo-, veiculam as nossas posições. Os outros são meras transcrições destinadas à informação, à ilustração significativa, ao debate ou à reacção crítica. Onde outros metem a cabeça, nós preferimos desenterrar e encarar de frente... (PB)