domingo, 31 de maio de 2009

sábado, 30 de maio de 2009

Uma sondagem com uma vitória confortável para o PS

Europeias. Intercampus, 15-26 Maio, N=992, Presencial (voto simulado em urna)
Fonte:Margem de erros
PS: 37,1%
PSD: 32%
BE: 9,9%
CDU: 7,7%
CDS-PP: 3,5%
OBN: 9,8% (outros partidos representam 4,9%).
O factor Sócrates nas eleições europeias
30.05.09 (Semanário Económico)

A uma semana da realização das eleições europeias, a sondagem da Marktest/Semanário Económico/TSF dá um ligeiro aumento da distância entre os cabeça-de-listas do PS, Vital Moreira, e do PSD, Paulo Rangel, invertendo uma tendência de aproximação que se vinha verificando desde há algumas semanas.
Ainda é muito cedo para vaticinar uma vitória do PS desde logo porque a margem de erro das sondagens é inferior à distância entre os dois candidatos, mas vale a pena fazer um exercício de previsão para o dia 7 de Junho, tendo em conta o que se passou nos últimos dias.
O nome de Vital Moreira foi a carta-surpresa lançada pelo secretário-geral do PS, um independente com pensamento sobre a Europa, reputado no meio académico, mas fora dos combates políticos há muitos anos. Nas primeiras semanas depois de ser conhecido, a reacção do eleitorado, mesmo do que não vota, normalmente, no PS foi muito positiva, por contraponto ao processo de escolha do candidato do PSD, Paulo Rangel, tarde, atribulada e que motivou divisões internas conhecidas publicamente.
No entanto, o decorrer da pré-campanha eleitoral mostrou um Vital Moreira fora de forma, sem ritmo político e com um discurso, por vezes, contraditório com o do próprio José Sócrates. Dito de outra forma, contribuiu para a subida do PSD. Já Paulo Rangel aproveitou o seu palco na Assembleia da República, como líder parlamentar, para marcar pontos no combate ao Governo, embora sem entrar verdadeiramente na discussão sobre a Europa.
Medido pelas sondagens, o‘gap' entre Vital e Rangel estreitou-se até ao empate ténico, facto ao qual não deverá ser alheio algumas intervenções menos felizes de Vital, por exemplo, a necessidade de o PS avaliar se deve ou não apoiar a continuidade de Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia, quando o Governo português já tinha pré-anunciado o seu voto favorável.
Entretanto, apareceu o factor-Sócrates: o primeiro-ministro e secretário-geral do PS entrou de forma decidida na campanha eleitoral, ao contrário de Ferreira Leite, que não esteve presente ou, quando esteve, esteve mal. E a distância entre os dois cabeças-de-lista voltou a aumentar.
As sondagens mostram que José Sócrates é, apesar da perda de popularidade por causa do desgaste de quatro anos de governação, da crise económica e do caso Freeport, o melhor cabeça-de-lista do PS, quaisquer que sejam os actos eleitoriais em disputa.
Fica, então, a faltar uma conclusão: A uma semana da campanha, a participação activa de Sócrates, a ausência de Ferreira Leite (que não gosta de comícios), o aumento da agressividade de Vital Moreira e a dificuldade de Paulo Rangel em arrastar multidões são factores que vão determinar uma vitória do PS na primeira volta das legislativas. Fica uma mancha, a relativa à ausência da Europa e dos temas europeus... na campanha para as europeias.
Professora "impedida" de acabar ano lectivo
Mais uma deste país inacreditável. E que, todavia, é o nosso...
Ainda por cima, casos destes, são às dezenas. Tanta guerra contra os professores, contagem do tempo de serviço só até ao dia do pedido de aposentação e não até à aposentação como sempre foi e, no entanto, não foram capazes de impor a obrigatoriedade do professor terminar o ano lectivo na aposentação por idade. Pior, proibição, de acabar o ano a três semanas do fim do ano, quando o professor se dispõe gratuita e voluntariamente a fazê-lo! Cabe na cabeça de alguém? E para que serve uma DRE que nem sequer por uma questãozeca destas se é capaz de responsabilizar, tomando as decisões necessárias, que não serão mais do que a exigência de uma declaração escrita da professora? Fora o resto que nem vale a pena lembrar nesta DREN de má memória? "O país do absurdo", chamava-lhe Adolfo Casais Monteiro... mas referia-se ao fascismo... (PB)
(Público) 30.05.2009, Natália Faria
Os pais da Escola EB 2,3 da Senhora da Hora estão indignados com a Direcção-Regional da Educação do Norte (DREN) pelo facto de esta não ter permitido que uma professora recém-reformada pudesse assegurar as aulas até ao final do ano lectivo. Maria da Conceição Ferraz, professora de Ciências naquela escola, pediu a reforma em Dezembro passado. Esta semana foi informada de que o pedido foi deferido, com efeito a partir de 31 de Maio. Dada a proximidade do fim do ano lectivo, a docente disponibilizou-se para assegurar as aulas até 19 de Junho, de maneira a acompanhar os seus alunos até ao fim. A escola, segundo disse ao PÚBLICO o pai de um aluno, Gabriel Silva, "aceitou de bom grado a disponibilidade da professora". O problema é que a DREN comunicou entretanto que a docente teria obrigatoriamente que se retirar do serviço no final de Maio. "As notas vão ser lançadas hoje [ontem] e, pelo que nos foi dito, os alunos não terão mais aulas. Se e quando for possível, ficam com aulas de substituição", explicou Gabriel Silva. Para este encarregado de educação, "a atitude da DREN é estranha e incompreensível", porquanto a continuidade da professora por mais três semanas "só iria beneficiar os alunos" que, na actual situação, "ficam com menos três semanas de aulas de Ciências". O PÚBLICO tentou, sem sucesso, obter uma explicação da DREN.

Mais uma sondagem com o PS ligeiramente à frente

Europeias. Marktest, 20-22 Maio, N=804, Tel.
Fonte: Margens de erro
PS: 31,9%
PSD: 30,1%
BE: 7,1%
CDU: 7.1%
CDS-PP: 4,7%
OBN: 19.1%
Estas percentagens são em relação a um total de 382 inquiridos, já que, dos 804, 387 não responderam ou disseram não saber em quem votar ao passo que 35 declararam que não votariam.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

No caminho certo mas em passo demasiado lento
Por André Freire (Fonte: Ladrões de bicicletas)
O Bloco de Esquerda tem tido, de há mais de um ano a esta parte, sondagensque apontam para uma possível duplicação dos seus resultados de 2005. Penso que o BE faz mal se porventura considerar isto como um dado adquirido: não é, de todo.
Na hora dos constrangimentos tácticos virem ao de cima, nomeadamente os relacionados com a formação de um governo, o BE poderá muito bem acabar com muito menos votos do que as sondagens faziam prever…
É que as pessoas querem sobretudo saídas e soluções, não querem apenas protesto (a não ser que estejam muito, muito zangadas…). Além de que, ao nível da esquerda radical, o espaço do protesto per se já está ocupado… e, portanto, para crescer e se afirmar, é necessário que o BE apresente alguma inovação política.
Por tudo isso, poderão ser eleitoralmente mais produtivas posições tais como as que Miguel Portas expressou ao i (18/5/09): “estamos claramente a preparar o Bloco para ser governo” e “recusamos pertencer a qualquer governo com esta liderança (do PS)”.
Mas é ainda curto: para capitalizar plenamente com o descontentamento entre os eleitores socialistas, sendo capaz de converter isso em votos e, posteriormente, em políticas de mudança, o BE precisaria porventura não só de clarificar se aceitaria apoiar um governo socialista com outra liderança (exceptuando Alegre, que está fora de jogo), já na próxima legislatura, mas também de fazer disso um tema central de campanha (à semelhança do que fez, de forma muito bem sucedida, o CDS, em 2002: “por um braço direito no governo”).
Sem isso, o Bloco Central e a abstenção poderão tornar-se as únicas vias de saída para os segmentos do eleitorado cansados da maioria absoluta mas desejosos de uma solução estável no parlamento, como a bipolarização crescente nas sondagens parece sugerir…
No meu último artigo (11/5/09), apresentei algumas das vantagens de uma solução do tipo “esquerda plural”, caso os portugueses para aí apontem nas eleições. Parece que estou muito bem acompanhado: “se o PS não tiver maioria absoluta, a viragem que poderá ser útil fazer não é rumar ao centro nem, muito menos, à direita, mas sim à esquerda (Mário Soares, DN, 19/5/09)”. (Excertos do meu último artigo no Público, 25/5/2009)
Lello sai em defesa de Vital Moreira e ataca Maria de Belém
( Público) Em Linha 29.05.2009 - 14h43 Lusa
O dirigente do PS José Lello defendeu hoje Vital Moreira no desafio que fez ao PSD para explicar a "roubalheira" no Banco Português de Negócios (BPN), considerando "displicente" a deputada socialista Maria de Belém neste caso.
"Não me choca o termo 'roubalheira' que foi usado por Vital Moreira para caracterizar o caso BPN. O que me choca é a displicência da deputada Maria de Belém, tentando minorar o impacto das palavras proferidas pelo nosso cabeça de lista nas eleições europeias", declarou à agência Lusa José Lello, membro do Secretariado Nacional do PS.(...)

As sete últimas sondagens para as "Europeias"

Aparentemente, pela sondagem de hoje, 0 PS recupera alguns votos deslocados para o BE que podem ter um peso decisivo... Tudo pode acontecer, pois a vitória, por estes indicadores, será por uma diferença pequena ou mesmo mínima. Não se conseguem obter indicadores significativos para a abstenção e a sua expressão pode fazer toda a diferença nos resultados finais. O mesmo em relação às candidaturas de fora dos cinco partidos com assento parlamentar. De notar que esta sondagem utiliza a maior amostra de todas e estamos já a uma semana do encerramento da campanha eleitoral.(PB)
Fonte: Margens de erro
Europeias. Eurosondagem, 25-27 Maio, N= 2525, Tel.
Fonte: Margens de erro

PS: 35,5%
PSD: 32,5%
CDU: 9,2%
BE: 8,8%
CDS-PP: 6,5%
OBN:7,5% (presume-se)
Socialistas divididos sobre acusações de Vital Moreira
(DN) Susete Francisco 29.5.2009
A presidente da comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN, a socialista Maria de Belém Roseira, demarcou-se hoje das declarações do cabeça-de-lista do PS às eleições europeias, Vital Moreira, que na noite de quinta-feira associou “figuras gradas do PSD” à “roubalheira do BPN”. “Não me revejo nesse tipo de declarações”, afirmou ontem a deputada, sublinhando que o PSD “tem tido uma participação activa e contribuído para o consenso” nos trabalhos da comissão. Para Maria de Belém Roseira, os sociais-democratas têm tido uma acção “a todos os títulos louvável” no inquérito ao BPN.
Já o coordenador socialista na comissão, Ricardo Rodrigues, atribui os termos usados por Vital Moreira (como “roubalheira”) à actual fase de campanha eleitoral. Mas não deixa, à semelhança do que fez o cabeça-de-lista do PS ao Parlamento Europeu, de fazer uma relação entre o caso BPN e a política: “Não tenho dúvidas de que o BPN serviu interesses político-partidários.” “Não tenho de fazer afirmações de ‘roubalheira’, mas toda a gente percebeu que figuras estão envolvidas no caso BPN”, afirmou hoje aos jornalistas, no Parlamento.
Na noite de quinta-feira, num comício em Évora, Vital Moreira associou o PSD ao que qualificou como o “escândalo” BPN: "Certamente por acaso, todos aqueles senhores são figuras gradas do PSD. E estamos à espera que o PSD se pronuncie sobre essa vergonha, que é justamente a roubalheira do BPN”.

Não é do PS, infelizmente, mas vale a pena. Veja como se combate o jardinismo clicando em:

http://www.youtube.com/watch?v=8F2BRdFnOqc&eurl=http%3A%2F%2Fpravdailheu%2Eblogs%2Esapo%2Ept%2F2009%2F04%2F&feature=player_embedded

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Secretário de Estado participou em iniciativa promovida por Artur Penedos
Castro Guerra explicou PASIMM mas foi confrontado com críticas dos empresários
(Verdadeiro olhar) 29.5.2009
A iniciativa decorreu no âmbito da campanha eleitoral do candidato socialista à Câmara de Paredes, Artur Penedos, e ficou marcada pela intervenção do presidente do concelho de administração da Colunex.
Cluster do mobiliário "nunca irá funcionar"
"Para mim, o PME Invest I foi uma das maiores fraudes em Portugal", começou por afirmar Eugénio Santos. Depois, o homem forte da Colunex, empresa sedeada em Recarei e que é um dos principais produtores nacionais de colchões, atacou as condições das linhas de crédito previstas neste plano de apoio delineado pelo Governo, através do IAPMEI. "É vergonhoso que os bancos exijam avais bancários das esposas dos empresários", sustentou, para logo de seguida pedir a Castro Guerra a criação da figura do "provedor do QREN". "Hoje, temos medo das nacionalizações e de uma coisa que antes se chamava PIDE e hoje não sei como se chama", afirmou ainda.
Eugénio Santos pediu, igualmente, ao governante que "puxasse as orelhas às associações do sector" e apostou com Castro Guerra que o cluster do mobiliário "nunca irá funcionar".
No auditório da CELER, em Rebordosa, o secretário de Estado desvalorizou as críticas do empresário paredense e realçou as medidas incrementadas pelo Governo no âmbito do PASIMM. Numa intervenção que durou cerca de uma hora, Castro Guerra realçou o facto de "2,2 por cento do PIB nacional estar afecto ao combate à crise", assim como a negociação que permitiu às empresas obter empréstimos bancários com uma taxa euribor de 0.25. "Nos projectos apoiados pelo QREN, o que nós dissemos foi: apresentem a primeira factura que nós disponibilizamos logo 50 por cento do apoio", avançou.
Artur Penedos quer criar um Gabinete de Apoio Municipal
O governante lembrou ainda o reembolso acelerado do IVA, a criação de duas linhas de seguros para as exportações, a isenção da taxa social única e o fundo de fusões e aquisições.
Entretanto, Artur Penedos anunciou a intenção de criar um Gabinete de Apoio Municipal, no qual "os desempregados, os excluídos e os marginalizados contarão com especial apoio". "Criaremos mecanismos que esclareçam, acompanhem e ajudem empresários e trabalhadores a usufruir dos apoios que o Estado preparou para eles".
O candidato socialista promete ainda alterar o modelo de apoio à promoção do mobiliário produzido em Paredes. "Está na hora de aplicarmos os dinheiros dos contribuintes em realizações claras, transparentes e úteis. O dinheiro será melhor aplicado e abandonaremos aventuras tipo Open do Estoril", assegurou.

Efeméride negra

Triste efeméride a do 28 de Maio referindo-se a 1926! E no entanto é preciso saber o que se passou para que não volte nunca. Quando o que está se degrada e o que está para vir ainda não chegou, surgem os monstros. A primeira parte, a degradação da nossa República dá alguns sinais demasiado visíveis. É bom que os partidos democráticos, todos os que lutaram contra a Ditadura fascista e as novas gerações que não querem voltar a nada de parecido o saibam e trabalhem no sentido reformador para revivificar a democracia. (PB)
Plano Poupança Reincarnação
(JN) 29.05.2009
Uma das coisas em que, como os clientes do BPP, mais firmemente acredito é nas boas intenções dos bancos, que passam a vida a mimar-me e gastam fortunas em publicidade para me oferecerem negócios extraordinários, juros extraordinários, empréstimos em condições extraordinárias, cartões de crédito para comprar todos os luxos extraordinários que quiser sem gastar um cêntimo do meu bolso, e sei lá que mais.
Banqueiros como os do 2i Limited Reincarnation Bank (www.reincarnationbank. com), por exemplo, têm lugar certo no Céu, sentados à direita de Deus Pai. Não sabendo que mais fazer por mim, propõem-me agora (como é que o BPP não se lembrou disso?) assegurar o meu bem-estar na próxima reincarnação: "Se você não poupar nada para depois de morrer, o que terá quando renascer? (…) Poupe agora para quando reincarnar". Para isso, só tenho que pôr as minhas poupanças no 2i Limited, morrer e, depois de ter reincarnado, ir lá buscá-las com juros extraordinários. Infelizmente não tenho poupanças. Mas irei pedir um empréstimo ao 2i Limited e pagar-lho-ei (tenciono reincarnar como marmota) quando reincarnar.
PS foge do imposto que propôs
(Público) 28.05.2009
A palavra imposto parece proibida na campanha do PS às eleições europeias. No dia seguinte à proposta lançada por Vital Moreira em Chaves, ontem o cabeça de lista recusou-se a repetir a ideia, criticada em surdina dentro do partido e alto e bom som por toda a oposição. "Não quero comentar as invenções da oposição", limitou-se a dizer o candidato , ontem de manhã em Seia. Na véspera, admitira a possibilidade de criar um imposto europeu sobre transacções financeiras ou, em alternativa, de proceder à transferência de fatias suplementares dos orçamentos nacionais. O que não significava aumentar impostos nacionais, mas haver mais recursos para distribuir. Uma ideia, aliás, já defendida por Mário Soares desde há 10 anos, precisamente quando era cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu.
Quem não esqueceu foram os seus adversários políticos na campanha. As críticas começaram logo na noite de terça-feira e foram esticadas ao longo de todo o dia de ontem.
Já depois de todos os seus adversários terem criticado a proposta, Vital retraiu-se: "O que eu disse, os senhores [jornalistas] registaram; o que a oposição diz eu não comento". "Se eles não têm propostas, se não têm o que dizer, se vão pôr na boca coisas que eu não disse, eu não vou comentar", limitou-se a dizer. Imposto? Na comitiva do candidato, brincava-se: "Isso já foi desmentido".
Não foi nem deixou de ser.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

As seis últimas sondagens para as europeias

Com dois empates técnicos, a verdade é que em todas as sondagens o PS aparece à frente (PB)

Fonte: Margens de erro

Última sondagem

Europeias. Aximage, 18-22 Maio, N=1200, Tel.
Fonte: Margens de erro

PS: 38,0% Por esta última sondagem o PS vence folgado!

PSD: 31,1%

BE: 8,5%

CDU: 7,9%

CDS-PP: 6,3%
Boas novas da Irlanda
(JN) 27.5.2009
A Igreja Católica portuguesa tem muito que aprender com a da Irlanda (ia a escrever que tem que comer muita papa Maizena mas já colaborei q.b. no peditório do ministro Pinho para o sector das papas; e haveria ainda o risco de "papa Maizena" poder confundir-se com "Papa Maizena" e "sector das papas" com "sector dos Papas").
Desapeada do poder político em 1974 por indecente e má figura durante os 48 anos anteriores, a Igreja portuguesa teve que recomeçar do zero e encontra-se agora na fase das Conferências do Casino e das curas milagrosas, enquanto a sua congénere irlandesa já está instalada na Constituição e no Governo e consegue, assim, milagres maiores do que a cura de um olho atingido com azeite a ferver, como obter do Governo "imunidade" (leia-se "impunidade", falta um p) dos padres responsáveis por milhares de abusos sexuais sobre crianças internadas em instituições católicas. E está ainda em vias de obter a imposição no país da "sharia" católica com a criminalização da "blasfémia". São estimulantes notícias. A Igreja portuguesa deveria felicitar a irlandesa e anunciar por cá a boa nova.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Metro do Porto:
Maioria e oposição saúdam consenso sobre Linha Ocidental
(JN) 26.5.2009
A maioria e a oposição na Câmara do Porto saudaram hoje a solução de consenso encontrada para a Linha Ocidental do Metro do Porto, que irá ligar a Estação de S. Bento a Matosinhos Sul.
"O resultado final é um resultado positivo", afirmou o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio (PSD), na reunião pública da autarquia em que foram apresentadas as conclusões da Comissão de Acompanhamento da Linha Ocidental do Metro.
O consenso obtido entre a comissão de acompanhamento e a Metro do Porto prevê o enterramento da linha em praticamente todo o trajecto, admitindo-se apenas soluções à superfície na Pasteleira e na travessia do Vale de Massarelos e do Parque da Cidade.
PS quer antecipação da segunda linha de metro
Deputados defendem que trajecto deve estar pronto em 2016
Como teria mais credibilidade fora do período eleitoral e pré-eleitoral!... Por quem tem toda a legitimidade para o fazer como são os deputados! Mesmo assim uma boa iniciativa da Deputada e candidata à Câmara de Gondomar, Isabel Santos(PB).
(JN) Em Linha 26.5. 2009 HUGO SILVA
Os deputados do PS defendem a antecipação, em dois anos, da linha de metro entre Campanhã (Porto) e Gondomar, via Valbom, cuja entrada em operação está prevista pra 2018. Ontem, visitaram a obra da linha para Rio Tinto.
O apelo dos parlamentares do PS tem como destinatário o Governo, que também é socialista. E que, segundo Isabel Santos, foi responsável pelo "novo élan" do metro do Porto, depois de em 2003 o Governo PSD ter "parado o andamento" do projecto.
A deputada, que também é candidata do PS à Câmara de Gondomar, foi escolhida para porta-voz dos socialistas ontem à tarde. E além de defender a antecipação da linha Campanhã/Gondomar para 2016, sublinhou a necessidade
Quem tem medo de Manuela Moura Guedes?
por João Miguel Tavares (DN) 236.5.2008
A peixeirada entre Manuela Moura Guedes e António Marinho Pinto não foi um momento edificante, é certo. Mas convinha que ela não fosse aproveitada para alimentar o desejo mal escondido de muito boa gente: acabar de vez com o Jornal Nacional de sexta-feira e enviar Moura Guedes de volta para a prateleira da TVI. Os defensores do Portugal compostinho certamente aplaudiriam a decisão, com o argumento de que "aquilo não é jornalismo". Só que o País ficaria a perder. Porque apesar do sensacionalismo e da ocasional falta de rigor do seu Jornal Nacional - que deve ser apontado quando ocorre, se necessário aos gritos, como fez Marinho Pinto -, há ali um desejo de incomodar, de denunciar, de escarafunchar, de meter o nariz nos podres do poder que a comunicação social portuguesa precisa como de pão para a boca.
Manuela Moura Guedes não é a pivot com que eu mais gosto de acompanhar o jantar. No entanto, ainda sei distinguir o estilo do conteúdo. O facto de ela despejar o frasco da demagogia por cima de todos os textos que lançam as peças, sempre com aquele tonzinho de "isto é tudo uma corja", não significa que as notícias do Jornal Nacional, em si, não sejam relevantes. Hoje em dia nós aguardamos pelo telejornal de Moura Guedes como no tempo do cavaquismo aguardávamos pelo Independente. Ora, esse "deixa cá ver de que forma é que eles vão estragar o fim-de-semana ao primeiro-ministro" é de uma enorme importância num país como Portugal, cuja cultura democrática está ligeiramente acima da da Venezuela e o Governo tem um poder absolutamente excessivo sobre as nossas vidas.
Dir-me-ão que aquilo é desequilibrado e injusto. Muitas vezes, sim. Tal como o Independente. E para dirimir os excessos existem tribunais. O próprio Independente foi condenado em vários processos - mas o seu papel foi inestimável. É que o que está em causa não é a nossa identificação com aquele tipo de noticiário. É, isso sim, a defesa da sua existência num país onde o primeiro-ministro diz que um dia feliz é um dia em que o seu nome não sai nos jornais, lapso freudiano bem revelador do seu desejo de silenciar. As intervenções histriónicas de Manuela Moura Guedes estão à vista de todos, e por isso ela está sujeita a ser criticada da mesma forma que critica. O que não está à vista de todos - e por isso é bastante mais perverso - são os jornalistas que calam, que não arriscam, que se retraem com medo das consequências. O Jornal Nacional tem muitos defeitos, mas pelo menos tem uma independência e uma capacidade de incomodar que advém da mais preciosa das liberdades: a das empresas que têm sucesso, dão dinheiro, e não precisam dos favores do Estado. Em Portugal, infelizmente, isso é um bem raro. Convém proteger os casos que existem.

Desenrasquêmo-nos...

A lista das<http://www.cracked.com/article_17251_p2.html> "10 palavras estrangeiras mais significativas que a língua inglesa devia ter" é liderada pela palavra portuguesa "desenrascanço". Esta é a expressão que, segundo os autores da página norte-americana, mais falta faz ao vocabulário inglês.
"Desenrascanco: a arte de encontrar a solução para um problema no último minuto, sem planeamento e sem meios", explica a página dando como exemplo a célebre personagem de uma série de televisão MacGyver.
"O que é interessante sobre o desenrascanco - a palavra portuguesa para estas soluções de último minuto - é o que ela revela sobre essa cultura"."Enquanto a maioria de nós [norte-americanos] crescemos sob o lema dos escuteiros 'sempre preparados', os portugueses fazem exactamente o contrário", prosseguem os autores."Conseguir uma improvisação de última hora que, não se sabe bem como, mas funciona, é o que eles [portugueses] consideram como uma das aptidões mais valiosas: até a ensinam na universidade e nas forças armadas. Eles acreditam que esta capacidade tem sido a chave da sua sobrevivência durante séculos"."E não se ria: a uma dada altura eles conseguiram construir um império quese estendeu do Brasil às Filipinas" à custa do desenrascanço, sublinham os autores, terminando o texto: "Que se lixe a preparação. Eles têm desenrascanço", termina o artigo.

Debate Marinho Pinho - Manuela Moura Guedes: A Ordem dos Advogados, a Justiça e o Jornalismo

1ª Parte: http://www.youtube.com/watch?v=30_o9tfk00M

2ª Parte: http://www.youtube.com/watch?v=8CBPVORi1EM

3ª Parte: http://www.youtube.com/watch?v=Lftkg614wmM

4º Parte: http://www.youtube.com/watch?v=sHldj8eG80A

segunda-feira, 25 de maio de 2009

(Público) Em Linha 25.5.2009
Portugal está a perder capacidade de atracção para os imigrantes. E, se o país não for capaz de segurar os imigrantes que tem e atrair novos, vai ficar mais velho e mais pobre, alertam vários especialistas ouvidos pelo PÚBLICO, segundo os quais é urgente colocar um travão à tentação xenófoba que ameaça em tempos de crise.

Despedimentos atingem mais de 700 pessoas por dia útil
CATARINA ALMEIDA PEREIRA(DN)24.5.2009
Desde Janeiro, inscreveram-se nos centros de emprego 58 477 pessoas na sequência de um despedimento. Precários são os mais vulneráveis, mas os trabalhadores do quadro também têm cada vez menos garantias
A precariedade é o principal factor de exposição ao desemprego, mas os trabalhadores que estão no quadro - e que terão maiores expectativas de estabilidade - também não escapam às consequências da recessão. Desde o início do ano, inscreveram-se nos centros de emprego 58477 pessoas na sequência de um despedimento - ou 704 por cada dia útil - o que representa um aumento de 65% face ao mesmo período do ano passado.
Estes dados, que comparam com um aumento de 35% no conjunto de novas inscrições, incluem os despedimentos individuais e as rescisões amigáveis - classificadas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) como "despedimentos por mútuo acordo" - mas excluem a não renovação de contratos a prazo. O "fim de trabalho não permanente" é ainda o principal motivo de desemprego, mas os despedimentos unilaterais ou por mútuo acordo têm estado a ganhar peso, justificando mais de um quinto das novas inscrições divulgadas pelo IEFP (ver gráfico).
Janeiro foi o pior mês desde o início da série, que começa em 2003, mas em Abril estas situações ainda abrangeram 13 494 pessoas, valor que nunca tinha sido registado antes do início de 2009.
A região Norte do País assistiu a quase metade dos mais de 11,5 mil despedimentos unilaterais que aconteceram no mês passado, mas foi em Lisboa e Vale do Tejo que se concentrou o maior número de despedimentos por mútuo acordo.
A informação compilada desde o início do ano também deverá reflectir os processos colectivos, motivados por reestruturações ou encerramento de empresas. Dados já divulgados pela Direcção-Geral do Trabalho e do Emprego mostram que no trimestre em que a taxa de desemprego chegou aos 8,9%, o número de trabalhadores abrangidos por processos de despedimentos colectivos quadruplicou, em termos homólogos, para 3481 pessoas.
O que acontece a quem perde o trabalho e se dirige ao IEFP? A informação que todos os meses é divulgada permite apenas avaliar quantas pessoas foram colocadas através dos centros de emprego. Desde o início do ano, o IEFP conseguiu arranjar trabalho a 7% dos mais de 250 mil novos inscritos. É que numa altura em que o novo desemprego dispara, as colocações caíram 11%.
O decréscimo foi menos acentuado em Abril (-3%), mês em que se registaram mais de 5 mil colocações. Pessoal dos serviços de segurança, vendedores ou trabalhadores não qualificados dos serviços, comércio, minas ou construção civil tem maior probabilidade de encontrar um trabalho através do IEFP. Os salários rondam, em média, os 550 euros por mês, revelou recentemente ao DN o presidente do IEFP, Francisco Madelino.
Os responsáveis do Ministério do Trabalho dizem que é frequente e desejável que os centros de emprego não sejam a principal via de empregabilidade. Apesar disso, no início do ano, a fasquia estava mais elevada: no último relatório de actividades, o IEFP comprometeu-se a conseguir 74 mil colocações este ano, mais 15% do que no ano passado.
Também os desempregados têm maiores expectativas, a avaliar pelos resultados do inquérito do Instituto Nacional de Estatística, que pergunta às pessoas que iniciativa tomaram para encontrar trabalho.
No primeiro trimestre do ano, 62% dos desempregados declararam ter contactado um centro de emprego; 55% uma agência privada ou o empregador e 39% afirmaram ter recorrido à rede pessoal de contactos ou aos sindicatos.
Salários baixos obrigam milhares a dois empregos
(JN) 24.5.2009 ALEXANDRA FIGUEIRA
Pobreza e precariedade levam 326 mil pessoas a acumular trabalhos.
Para muitos trabalhadores, um emprego só - e apenas um salário - não chega para pagar as contas. Em Portugal, 326 mil pessoas são confrontadas com a necessidade de acumular um segundo trabalho.
É um sinal dos baixos salários pagos no país, de tal forma que são frequentes os casos de sérias dificuldades entre os trabalhadores, ou seja, de pessoas a quem o trabalho não redime da pobreza. Centenas de milhar de pessoas saem de um emprego e entram noutro, também remunerado, aponta o Instituto Nacional de Estatística (INE), no relatório do primeiro trimestre. E fazem-no, na larga maioria, porque não têm alternativa, dizem vários estudiosos do fenómeno do trabalho, ouvidos pelo JN.
Um terço dos empregados (perto de um milhão e meio) não leva para casa mais do que 600 euros ao final do mês, líquidos, e outro milhão ganha um pouco mais: até 900 euros por mês. Há mais pessoas a ganhar menos de 310 euros do que a tirar entre 1800 e 2500 euros (o que pode ser explicado pelo trabalho a tempo parcial).
"Salários baixos" é a resposta disparada por António Dornelas, docente universitário, para explicar o acumular de empregos. "As pessoas precisam de uma segunda actividade para terem rendimento suficiente", disse.
As dívidas - as famílias portuguesas são as segundas mais endividadas da União Europeia - é outra explicação aventada por João Ferreira do Amaral, professor no ISEG, num sistema que interliga inúmeros factores: a precariedade, que leva a procurar mais do que uma fonte de rendimento; o trabalho em "part-time" forçado, de onde não sai dinheiro suficiente; e as quase 900 mil pessoas que têm o hábito de trabalhar além do limite das 40 horas semanais previsto na lei. São todas explicações para o duplo emprego, entende Aurora Teixeira, professora na Faculdade de Economia do Porto.
Entre os "duplamente empregados", quase todos têm um primeiro trabalho na agricultura e pescas ou nos serviços, mas todos procuram a mesma segunda ocupação: um lugar nos serviços, destino de seis em cada dez pessoas com segundo emprego; só um décimo escolhe trabalhar a terra, ainda que para consumo próprio.
Ao invés, serão a restauração (com picos de trabalho intervalados com horas mortas) ou os trabalhos de segurança, sobretudo nocturnos, que mais atraem as pessoas à procura de um rendimento extra, admite João Ferreira do Amaral.
Cidadãos voltam a alertar Governo para a falta de segurança na estação de Ovar
(Público)25.05.2009, Sara Dias Oliveira
Vários subscritores de um abaixo-assinado enviado há quatro anos ao ministério que tutela os transportes, e que reuniu perto de uma centena de assinaturas de passageiros da Linha do Norte em Ovar, decidiram insistir. Esta semana, o grupo voltou a escrever uma carta ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações para obter informações e sublinhar problemas, lembrando que a resposta governamental ao abaixo-assinado indicava que as "obras de reconstrução da nova estação de Ovar estariam para breve". "A estação de Ovar é a única nesta região que não sofreu obras e que continua a colocar em perigo os utentes que, todos os dias, têm de embarcar e desembarcar em Ovar", adianta António Macedo ao PÚBLICO (...). "Há mais de 17 anos que as oficinas da CP em Ovar foram desmanteladas, com o propósito de ali ser construído um novo centro coordenador de transportes. Na altura, despediram-se os trabalhadores, mas continua tudo na mesma", acrescenta.
O documento enviado ao ministério tutelado por Mário Lino alerta ainda para a necessidade de mais comboios às primeiras horas da manhã, entre Ovar e Aveiro. "O número de composições é sempre manifestamente insuficiente, em particular no percurso entre Ovar e Aveiro, em que os passageiros vão à 'pinha', ultrapassando todos os limites da lotação das composições, exigindo-se por isso o reforço das mesmas", lê-se no documento.
O projecto delineado há mais de cinco anos para a estação ferroviária de Ovar está, neste momento, a ser refeito pela Rede Ferroviária Nacional (Refer) e pela Secretaria de Estado dos Transportes. "O anterior projecto tinha encargos excessivos, quer para a Invesfer, quer para a câmara", revela o presidente da autarquia, Manuel Oliveira. Só a Câmara de Ovar teria de investir mais de seis milhões de euros num plano que previa a construção de uma nova estação, de um interface rodoviário, de um parque de estacionamento subterrâneo e de um complexo comercial e habitacional que ocuparia cerca de 8500 metros quadrados. "Estamos à espera de uma solução técnica. A anterior previa a demolição da antiga estação e já questionámos se tecnicamente seria possível fazer uma requalificação que preservasse o edifício, sem prejuízo de uma nova estação".
Há cerca de dois anos, a Refer garantiu que não iria demolir o prédio, alegando que a construção de uma nova estação, previsivelmente na parte nascente, não seria incompatível com o actual edifício. Desde então, não houve mais novidades. O presidente da Câmara de Ovar adianta que estão previstas reuniões de trabalho, para abordar o assunto, ainda durante este mês.
Há quatro anos, o ministério de Mário Lino informou que a reconstrução da nova estação de Ovar estava "para breve"

domingo, 24 de maio de 2009

Sabiam que Paulo Casaca, de longe o melhor deputado socialista português ao Parlamento Europeu, o 3º deputado mais produtivo dos 920 deputados do PE, um homem com um curriculum de intervenção política no PE absolutamente fabuloso em defesa dos direitos humanos e da justiça, recusou integrar a actual lista de deputados ao PE, por considerar tal condição incompatível com a de candidato à presidência da Câmara de Ponta Delgada, uma autarquia nas mãos do PSD desde 2001 e que poderá ganhar apenas com muita dificuldade? (PB)
O trabalho http://www.parlorama.eu/, apresentado hoje de manhã (22 de Abril) em conferência de imprensa no Parlamento Europeu em Estrasburgo, coloca Paulo Casaca no pódio dos melhores deputados europeus.
O deputado açoriano é o primeiro entre os portugueses, o primeiro entre os socialistas e o terceiro num universo de 920 deputados que exerceram actividade total ou parcialmente durante esta legislatura (2004-2009) por um período de mais de noventa dias. (...)

sábado, 23 de maio de 2009


Há 40 anos no Jamor...
(Blasfemias.net) 22.05.2009
Ou Pinto da Costa é a encarnação do Mal ou é um exemplo a seguir.Ou Pinto da Costa simboliza o que não se deve fazer no dirigismo desportivo ou representa um modelo de competência que tem de ser imitado.Ou Pinto da Costa é o inimigo público n.º 1 do centralismo supostamente ‘bem-pensante’ deste pobre País ou consubstancia tudo aquilo que os seus adversários gostariam de ser mas não são capazes.
Os acólitos dos clubes da 2.ª Circular têm de se decidir. Esta dupla e contraditória consideração pelo estilo do Campeão só lhes traz problemas de identidade – tanto juram querer liquidá-lo como, logo a seguir, fazem saloias declarações de enamorado êxtase, querem ser iguais a Pinto da Costa e ao Campeão, imitá-lo, conhecê-lo e venerá-lo…Mas restará alguma dúvida acerca do que está por detrás dos ataques ignóbeis que Pinto da Costa tem sofrido nas últimas décadas e da superioridade desportiva e moral do Campeão depois do futuro presidente do Sporting ter dito isto?
Uma pensão 'milionária' por dia atribuída em 2008
(JN) 23.05.2009 LUCÍLIA TIAGO
Em 2008, a Caixa Geral de Aposentações processou 333 novas pensões de reforma de valor superior a 4 mil euros - quase uma por dia. Mas, em geral, o valor das 23 415 reformas atribuídas baixou face a 2007.
A possibilidade de os funcionários públicos se aposentarem antecipadamente explica o aumento do número de novas pensões processadas pela Caixa Geral de Aposentações (CGA) em 2008. No ano passado reformaram-se 23 419 pessoas - contra 19 087 em 2007 -, sendo que um quarto foram antecipadas, segundo mostra o "Relatório e Contas" da CGA a que o JN teve acesso.
Esta corrida às reformas antecipadas - possíveis para quem tenha o tempo de serviço completo mas pressupondo uma penalização de 4,5% por cada ano a menos face à idade legal da reforma - explica, por outro lado, que o valor médio das novas pensões processadas em 2008 tenha baixado para 1295,19 euros, quando no ano anterior tinha sido de 1297,21 euros. Em média, segundo refere o mesmo documento, a percentagem de penalização rondou os 11%.
Apesar de ter havido uma descida do valor médio, verifica-se, por outro lado, que aumentou o número de pensões de valor mais elevado. Em 2008, a CGA atribuiu 333 reformas superiores a 4 mil euros mensais, significando isto, na prática, que no ano passado houve quase uma pessoa por dia a ir para casa com uma pensão bastante superior ao valor médio dos pensionistas.
Os mesmos dados mostram, de resto, que o peso destas reformas mais altas aumentou ligeiramente face a 2007. No total, a CGA tem 416 012 aposentados, dos quais 1% (ou 4075) recebem mais de 4 mil euros. Os que ganham entre 3 mil e 4 mil euros são 7616, número que revela um acréscimo de 478 em relação ao ano anterior.
Das 23 415 pensões processadas em 2008, a maior parte (9817) são voluntárias e 6215 antecipadas. Em ambas as situações se verifica um aumento face a 2007. Já as aposentações por incapacidade tiveram uma evolução inversa, baixando de um ano para o outro: foram 3156 em 2007, e 3127 no ano passado.
A manutenção da regra de uma admissão por cada duas saídas na Função Pública e a inscrição dos novos funcionários no regime geral da Segurança Social está também já a ter o seu efeito no rácio entre subscritores e pensionistas da CGA. Na realidade, este organismo contava em 2008 com 632 110 subscritores, o que corresponde a um decréscimo de 1,2% face a 2007. Esta descida é bastante mais acentuada do que a descida de 0,1% em 2007 por comparação com 2006. Inversamente, a população de aposentados subiu 3,3% em relação a 2007.
Os efeitos das saídas para a aposentação e o aperto nas novas admissões estão ainda a ter um outro efeito na CGA e, ao que o JN apurou, comprometeram mesmo um dos objectivos que tinha sido fixado para 2008. Esta questão ganha especial relevância pelo facto de o cumprimento dos objectivos dos serviços estar também sujeito a avaliação, no âmbito do SIADAP, sendo que as "falhas" têm, por sua vez, efeito negativo na avaliação dos dirigentes.
Segundo fonte ligada ao processo, a CGA tinha definido que responderia no prazo máximo de 3 meses a todos os pedidos de aposentação, mas a diminuição do pessoal e o elevado número de processos com que se viu confrontada (pela possibilidade das reformas antecipadas) inviabilizou a concretização daquele objectivo. Em 2008, a CGA atendeu 246 898 utentes, mais 5,5% do que em 2007. A maior parte dos atendimentos foi presencial.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Vera Jardim e Manuel Alegre contra PS nos prémios de gestores
(Público)22.05.2009 - 19h03 Leonete Botelho
Depois de ter aprovado na generalidade os projectos de lei do BE que impunham transparência e maior taxação sobre as remunerações dos gestores, o PS mudou de ideias e chumbou-os ontem, mas com a oposição dos deputados Vera Jardim, Manuel Alegre, Eugénia Alho e Júlia Caré.Em causa estavam dois diplomas que previam a divulgação dos rendimentos pagos a administradores de empresas cotadas, a proibição de uso de subsídios públicos para prémios a administradores ou dividendos a accionistas, e ainda a taxação, em 75 por cento, de indemnizações a gestores quando saem das empresas, os chamados pára-quedas dourados. “Num raro rasgo de comédia, os dois projectos sobre os quais o PS tinha feito propostas e que tinham sido aceites pelo BE, na Comissão de Orçamento e Finanças [COF] foram rejeitados por um único deputado do PS, quando os outros já tinham saído”, criticou hoje o líder bloquista, Francisco Louçã. Referia-se a Victor Baptista, coordenador do PS na COF e o único que tinha votado contra os diplomas na generalidade.
Para ilustrar a “injustiça” dos pára-quedas dourados, Louçã recordou que “sete administradores do BCP que receberam 90 milhões de euros de indemnizações que nada têm que ver com mérito”. “Foram corridos, estão a ser investigados por crimes de mercado, podem ser presos mas saiu-lhes a sorte grande”, acrescentou.
Aos jornalistas, Vera Jardim explicou a sua divergência de voto: “Acho que deve haver uma taxação específica sobre esses prémios, e não os mesmos 42 por cento que paga qualquer normal cidadão”. Em relação ao outro diploma, sobre informação pública das remunerações dos administradores de empresas cotadas, Vera Jardim absteve-se. Quem votou sempre a favor foi Manuel Alegre: “Quem mudou de sentido de voto foi o PS, o que é muito mau para a sua imagem e para a sua coerência”, explicou ao PÚBLICO. (...)

As 4 últimas sondagens para as "europeias"

Fonte: Margens de erro


A demonização dos gestores

(DN) 22.5.2009 EDITORIAL
Numa clara tentativa de agradar à sua esquerda, neste ano especial, o PS prometeu muito no que diz respeito à limitação dos salários dos gestores, mas depois recuou. Foi há sensivelmente um mês: os socialistas fizeram uma aliança tácita com o Bloco de Esquerda (BE), tendo prometido apoiar os diplomas que o partido liderado por Francisco Louçã apresentara no sentido de limitar os salários dos gestores de empresas apoiadas pelo Estado. O PS chegou mesmo a votar ao lado do BE na generalidade, mas depois mudou de posição em sede de especialidade. Ou seja, esteve com o Bloco no plenário, à frente de todos, e depois, no recato da comissão, afastou-se.
É por isso que a proposta de lei ontem aprovada em Conselho de Ministros surpreende. Administradores, gestores e directores de empresas deixam, a partir de 2010, de poder apresentar deduções, em sede de IRS, relativas à cessação de funções e às rescisões de contratos e passam a pagar imposto. Ou seja, depois de se afastar do Bloco de Esquerda na limitação dos salários, o Governo vem retirar o tapete aos gestores na hora da despedida.
O sinal é óbvio: na sequência da crise mundial, dos casos Madoff, lá fora, e BPN e BPP, dentro de portas, o Governo entra na demonização geral dos gestores e administradores de empresas. Mas se impor tectos aos gestores de empresas apoiadas pelo Estado é perfeitamente defensável em época de crise, propor que supostas indemnizações milionárias pagas a funcionários de topo paguem IRS é sobretudo demagógico. A medida é daquelas que entram logo no ouvido, mas deixam de fora, por exemplo, o agravamento da taxação dos prémios dos gestores e administradores. Essa, sim, faria todo o sentido. Mas é bem mais difícil. (...)

Esqueça a crise, venha dançar com Elisa!
(Panfleto de anúncio do baile no Viso)
Estaremos esta noite, pelas 23,30, na "Análise do Dia", fazendo o contraponto com Pedro Pinto, presidente da Câmara de Paços de Ferreira.
Trabalhadores do Estado também já contribuem para a subida
Desemprego registado atinge valor mais alto de sempre (JN)22.05.2009 - 07h16 Por João Ramos de Almeida
Os 491.635 desempregados registados nos centros de emprego no final desse mês são o valor mais elevado de há 35 anos e que continua a crescer a um ritmo só comparável ao de 2003. O número de inscritos à procura de um novo emprego nunca foi tão elevado e, pela primeira vez, o Estado já contribui para o desemprego. Apesar das intervenções oficiais sustentando que a recessão pode ter já "batido no fundo", o ritmo do desemprego continua a ser dos mais acentuados da história estatística. O total de desempregados subiu 27,3 por cento face ao mesmo mês de 2008 e continua a acelerar-se. Em Abril passado, entraram nos centros de emprego mais 61,7 mil novos desempregados. Não é o maior fluxo jamais visto, mas representa um crescimento de 34 por cento face ao de Abril de 2008, embora abaixo do verificado em Março passado - cerca de 50 por cento, o maior salto de sempre. E se houve um abrandamento na inscrição de novos desempregados, o certo é que o número de desempregados registados à procura de um novo emprego bateu novo recorde. Foram mais 29,2 por cento do que no mesmo mês de 2008, uma variação só comparável à de Julho de 2003 (29 por cento). Esta evolução ocorre apesar de uma subida pronunciada do número de desempregados cuja inscrição foi anulada pelos centros de emprego. Em Março passado, anularam a inscrição 42 mil desempregados - fosse porque arranjaram emprego, porque se encontram em acções de formação, porque não responderam a convocatórias, etc. Mas em Abril passado a anulação atingiu 53,4 mil desempregados, mais dez mil do que o verificado no mesmo mês de 2008 e apesar de a economia se ter deteriorado.
Em geral, as anulações abrandam quando a economia abranda. Mas não é possível saber exactamente qual a razão para o acréscimo das anulações porque o conselho directivo do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) se recusa a fornecer estes elementos. Ontem, a CGTP - um dos membros do conselho de administração do IEFP - veio exigir que a informação passasse a ser publicada.
O agravamento do desemprego está a coincidir com uma nova descida do peso dos desempregados subsidiados.
De acordo com o jornal Diário de Notícias, em Abril passado 319 mil desempregados recebiam subsídio de desemprego ou subsídio social de desemprego, com um valor médio de 464 euros. Ou seja, cerca de 35 por cento do total dos desempregados registados. Nos primeiros três meses de 2009, o peso médio foi de 38 por cento.
O ministro do Trabalho tem contestado esta percentagem. Na sua estimativa, dever-se-iam retirar tanto os jovens à procura do primeiro emprego como os desempregados que perderam o direito ao subsídio. Feitas as contas, a percentagem seria de 80 por cento, uma das mais elevadas da Europa. Mas em Abril passado, descontando os jovens (não há dados publicados do número dos desempregados que perderam direito ao subsídio), verifica-se que a tendência é a mesma - o número dos desempregados apoiados está a descer.
À esquerda do Governo, as forças políticas e sindicais enfatizam que essa descida é o outro sinal da precariedade do emprego. "Falsos recibos verdes" que representam uma parte considerável do mercado de trabalho são, formalmente, trabalhadores por conta própria, sem direito ao subsídio.Indústria continua a cair
A indústria transformadora e energia, que foi o sector que começou mais tarde a despedir, é neste momento aquele com um maior ritmo de despedimentos. A subida homóloga foi de 36 por cento, contra 12,4 agricultura e pescas e 21 por cento nos serviços. A construção é ainda o ramo de actividade industrial que contribui com mais desempregados inscritos (44 por cento do total industrial), seguido do vestuário (19 por cento) e têxtil (10 por cento). Nos serviços, o imobiliário e o comércio contribuem cada um deles com 22 por cento, seguido da restauração e hotelaria com 12 por cento.
Pela primeira vez, em Abril passado, as actividades em geral concentradas no Estado passaram a alimentar o desemprego registado. As 29,6 mil pessoas desempregadas dessas actividades representaram uma subida de 1,4 por cento face ao mesmo mês de 2008.
Por regiões, o Algarve registou o maior aumento homólogo - mais 66 por cento - embora o Norte continue a ser a região que mais contribui com desempregados.
A fé move montanhas
(JN) 22.5.2009
É uma notícia animadora: "Manuel Pinho acredita que a Autoeuropa vai manter-se em Portugal". Podem faltar-lhe outras coisas, mas fé não falta ao ministro Manuel Pinho:
"Manuel Pinho acredita que Portugal pode sair bem desta crise " ('Diário Económico', 30/9/ /08); "Manuel Pinho acredita na competitividade das empresas portuguesas" (TSF, 10/11/08); "Manuel Pinho acredita que défice pode ser reduzido a 3%" ('Jornal de Negócios', 2/10/06); "Manuel Pinho acredita no plano para salvar Quimonda" (RTP, 27/1/09); "Manuel Pinho acredita que o país pode passar de importador a exportador de energia" ('Sol', 30/6/07); "Manuel Pinho acredita que sector do turismo resistirá à crise" (TSF, 12/9/08); "Manuel Pinho acredita no cluster do mobiliário" (Paços de Ferreira, 30/5/08); "Manuel Pinho acredita que Douro será zona turística de 'altíssima qualidade'" (JN, 5/5/ 09); "Manuel Pinho acredita numa nova maioria do PS" (TSF, 10/5/09); e por aí fora, que a crónica não dá para mais…
Pode ser, quem sabe?, que a fé mova montanhas, e que mais valha ter fé do que fazer algo. Tenhamos, pois, fé em Manuel Pinho. Pode ser…
Projecção Eurosondagem/SIC/Expresso/RR
(SIC) 22.05.2009
Empate técnico entre PS e PSD nas europeias
Se as eleições europeias fossem hoje, a um dia de arrancar a campanha eleitiral, o PS conseguiria uma ligeira vantagem sobre o PSD, embora os resultados da projecção da Eurosondagem apontem para um empate técnico entre os dois partidos. O Bloco de Esquerda surge como terceira força política.
Europeias 2009
PS: 34,3%
PPD/PSD: 32,1
CDU: 8,9
CDS/PP: 6,9
BE: 10,1
Outro: 7,7
Na tradução para o número de mandatos, os socialistas devem conseguir entre oito e nove deputados, enquanto os sociais-democratas conseguem eleger oito. O Bloco de Esquerda, que até agora só tem um, pode eleger o segundo deputado, enquanto a CDU deve manter os dois deputados que já tem. O CDS pode eleger entre um e dois eurodeputados.

Ficha TécnicaEstudo de Opinião efectuado pela Eurosondagem, S.A. para o Expresso, SIC e Rádio Renascença, de 17 a 20 de Maio de 2009. O Universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone da rede fixa. A amostra foi estratificada por Região (Norte – 20,0%; A.M. do Porto – 13,9%; Centro – 29,4%; A.M. de Lisboa – 27,1%; Sul – 9,6%), e aleatória no que concerne ao Sexo e Faixa Etária, de onde resultou Feminino (51,8%), Masculino (48,2%) e 18/30 anos (21,0%), 31/59 anos (53,7%) e 60 anos ou mais (25,3%), num total de 2.048 entrevistas telefónicas validadas, que correspondem a uma taxa de resposta de 83,2%. O objecto da sondagem foi a intenção de voto para eleições europeias. O resultado projectado da intenção de voto, é calculado mediante um exercício meramente matemático, presumindo que os 21,9% respondentes “Ns/Nr” se abstêm. O erro máximo da Amostra é de 2,17%, para um grau de probabilidade de 95%. O Responsável Técnico da Eurosondagem Rui Oliveira Costa Lisboa, 21 de Maio de 2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Quarenta anos depois
(DN)19 Maio 2009 Por Mário Soares

Se o PS não tiver maioria absoluta, a viragem que poderá ser útil fazer não é rumar ao centro nem, muito menos, à direita, mas sim à esquerda

(...)O chamado bloco central voltou a ser tema dos jornais nas últimas semanas, na perspectiva de mudanças e de incerteza quanto aos resultados da eleição do ano que corre. Como com o prof. Mota Pinto fomos os dois principais protagonistas dessa velha experiência, tão criticada mas com resultados tão positivos, estou à vontade para dizer alguma coisa sobre o assunto.
E começo por dizer que me parece absolutamente inoportuno esse debate e que não vejo razões válidas para repetir a experiência, em condições políticas e económicas tão diferentes das de então.
Inoportuno porque antes de qualquer acordo não se deve discuti-lo na praça pública, antes sequer de se conhecer o resultado das eleições. É pelo menos insensato.
Depois, porque as condições geopolíticas são completamente diferentes e não o justificam. A crise que vivemos agora é global e importada. E se sabemos alguma coisa do modo como a vencer é assegurando uma mudança de paradigma económico e social, como tenho dito e repetido. Políticas de esquerda, portanto: dignificação do trabalho, luta prioritária contra o desemprego, protecção social para os mais desfavorecidos, punição dos culpados, redução drástica das desigualdades, regulação da globalização, reestruturação das organizações financeiras internacionais, regresso aos valores éticos, etc.
Ora, sendo assim, se o PS não tiver maioria absoluta, a viragem que poderá ser útil fazer não é rumar ao centro nem, muito menos, à direita, mas sim à esquerda, que é o que o eleitorado espera, uma vez que a esquerda, no seu conjunto, continuará a ter uma maioria e, porventura mesmo, muito sólida. Então? Em democracia não se deve ir contra a corrente do eleitorado, mesmo que aparentemente haja divergências sérias numa parte dele...
Há outra razão ainda. Entre os dois líderes do bloco central havia sólidos motivos de entendimento, que se veio a transformar numa efectiva amizade. Por isso aguentámos quase três anos e superámos todos os imensos problemas - e cascas de banana - que nos foram postos debaixo dos pés, de ambos os lados... Está isso longe de ser o caso actual.
PS avança com testamento vital mas rejeita eutanásia
(Público) 21.05.2009 - 14h08 Leonete Botelho
Testamento vital sim, mas eutanásia não: o projecto de lei que o PS acaba de apresentar sobre os direitos dos doentes à informação e ao consentimento informado deixa muito clara a fronteira entre uma coisa e outra. Qualquer pessoa pode deixar escrito quais os cuidados de saúde que deseja ou não receber caso fique incapaz de decidir quando a questão se colocar – a chamada declaração antecipada de vontade -, mas não pode pedir que um terceiro pratique uma acção contrária aos princípios da medicina.Maria de Belém Roseira, vice-presidente da bancada socialista, na apresentação do diploma, considera que a diferença entre acção terapêutica e omissão de tratamento a pedido do doente é tal que não permite que se confunda este projecto como um caminhar no sentido da legalização da eutanásia. “Esse debate estará sempre aberto, mas este projecto não tem nada a ver com eutanásia, antes com autonomia da decisão”, afirmou a ex-ministra da Saúde, sublinhando que a tónica é a do “aprofundamento da relação médico/doente e do direito ao consentimento informado”.Na verdade, o projecto de lei – que ainda terá de ser discutido no Parlamento – não traz medidas completamente novas, uma vez que já é possível hoje fazer-se a declaração antecipada de vontade sobre os tratamentos que se desejam ou não receber em certos casos. Mas, como sublinhou o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, uma coisa é a consagração dos direitos e outra a sua efectivação. “Queremos dar um passo importante na garantia da efectivação dos direitos” e por isso este projecto sistematiza as regras existentes, faz abranger sector público e privado e dá corpo a algumas normas.
Relatório revela mais escândalos escabrosos de pedofilia na Igreja Católica irlandesa.

(20.5.2009) Relatório divulgado na Irlanda acusa padres e freiras de instituições para cuidar de crianças administradas pela Igreja Católica de abusarem sexualmente e maltratarem milhares de meninos e meninas em escolas, reformatórios e orfanatos durante seis décadas. Além disso, o relatório afirma que os inspectores do governo não foram capazes de pôr fim ao quadro crónico de espancamentos, estupros e humilhações.
O documento, de 2.600 páginas, assume quase totalmente o partido dos ex-estudantes, que relatam abusos sofridos em mais de 250 instituições administradas pela Igreja. Conclui que funcionários do clero sempre protegeram da prisão os pedófilos membros da sua ordem para preservarem a sua reputação e, de acordo com papéis encontrados no Vaticano, era sabido que muitos deles eram reincidentes em crimes de pedofilia em série.
Entre 30 mil e 35 mil crianças foram vítimas desses abusos, segundo o relatório. Responsáveis por pequenos furtos, identificadas como moradoras de rua ou provenientes de famílias desestruturadas, as crianças eram enviadas para a rede de escolas, reformatórios, orfanatos e albergues desde 1914 até ao encerramento das últimas instalações, na década de 1990.
Segundo a Comissão de Inquérito para os Casos de Abuso Infantil da Irlanda, instituída pelo governo para apurar as denúncias, depoimentos consistentes de homens e mulheres ainda traumatizados, hoje com idades entre 50 e 80 anos, demonstram que o sistema tratava as crianças como prisioneiros e escravos, e não como cidadãos detentores de direitos e potencial humano. “Uma atmosfera de medo, criada pelos castigos arbitrários, excessivos e invasivos, permeava a maioria das instituições. Crianças conviveram com o terror diário de não saber quando seria a próxima surra”, conclui o texto.
Em comunicado divulgado ontem, o arcebispo da Igreja Católica irlandesa, cardeal Sean Brady, pediu desculpas e disse estar “envergonhado” com os fatos relatados. “O relatório ilumina um período obscuro do passado. A publicação desse extenso documento e análise é um passo bem-vindo e importante para estabelecer a verdade, para dar justiça às vítimas e para assegurar que um abuso como esse não volte a acontecer.”
O documento, divulgado pelo juiz do tribunal superior Sean Ryan, diz que casos de abusos e violações eram “endémicos” em instalações masculinas, administradas principalmente pela ordem da Irmandade Cristã.
As meninas supervisionadas por ordens de freiras, principalmente as Irmãs de Caridade, eram, segundo o documento, submetidas a abusos sexuais com frequência menor, mas eram comuns as humilhações cujo objectivo seria acabar com a auto-estima. “Em algumas escolas, um alto nível de espancamento ritual era considerado rotineiro. Meninas eram espancadas com objectos projetados para maximizar a dor e atingidas em todo o corpo.”
Há anos as vítimas pediam que a denúncia fosse tornada pública. Mas líderes das ordens religiosas rejeitaram as alegações, chamando-as de exageros e mentiras, e afirmaram que quaisquer abusos seriam responsabilidade de indivíduos há muito falecidos. O relatório propôs 21 maneiras de o governo reconhecer os equívocos do passado, entre elas a construção de um memorial permanente, a oferta de acompanhamento psicológico e educacional às vítimas e a melhoria dos serviços de proteção à criança no país.
Mas as descobertas não serão usadas em processos criminais - em parte porque a Irmandade Cristã processou com sucesso a comissão em 2004, obrigando-a a manter em segredo a identidade dos membros.
O governo irlandês financiou um sistema paralelo de compensação que pagou a cerca de 12 mil vítimas uma soma média de 90 mil dólares. Cerca de 2 mil pedidos de indenização ainda esperam aprovação. As vítimas recebem apenas se abrirem mão do direito de processar o Estado e a Igreja. Centenas rejeitaram a condição.
A comissão descartou como implausível um dos argumentos da defesa das ordens religiosas - em épocas anteriores, as pessoas não identificavam o abuso sexual de criança como crime, mas pecado que exigia arrependimento. Nos seus depoimentos, os religiosos citam esse motivo como a principal razão de pedófilos terem sido abrigados pelo sistema e transferidos para postos onde pudessem manter contacto com crianças.
Mas a comissão diz que a investigação dos factos demonstrou que os funcionários compreenderam exactamente o que estava em jogo: sua reputação. A comissão condenou a Secretaria da Educação irlandesa, pois seus inspectores deveriam restringir os castigos corporais e garantir que as crianças fossem bem alimentadas, vestidas e educadas. O relatório diz que as inspecções eram “fundamentalmente falhadas”.
Paços de Ferreira Na foto, na primeira linha: Florêncio Neto, administrador da Clínica Privada, José Sócrates, primeiro-ministro e Pedro Pinto presidente da Câmara de Paços de Ferreira

Primeiro-ministro inaugurou investimento de dez milhões de euros nos cuidados continuados
(Verdadeiro Olhar) 20.5.2009

O primeiro-ministro inaugurou, ao início da tarde de terça-feira, as novas instalações da Clínica Radelfe, em Paços de Ferreira. A presença de José Sócrates nesta cerimónia serviu, essencialmente, para assinalar as convenções entre o Estado e a clínica pacense no âmbito da Rede Nacional de Cuidados Continuados.
É uma tortura viajar no comboio das 8.24
450 lugares não chegam e sobrelotação chega a provocar falta de ar
(JN) 20.5.2009 NATACHA PALMA
Sobrelotação do comboio das 8.24 horas, em Ovar, com destino a Aveiro, faz vítimas todos os dias, seja por se sentirem mal por irem como sardinhas em lata, seja por nem sequer conseguirem entrar por não haver mais lugar.
Ana Rebelo, de 23 anos, estuda em Aveiro. A viver em Santa Maria da Feira, a jovem apanha, todos os dias, o comboio das 8.24 horas em Ovar. Ainda não se habituou à "tortura" daquela viagem diária.
"É horrível. Nunca, mas mesmo nunca, consegui ir sentada neste comboio. É tanta gente que mete impressão. Todos muito juntos, ombro com ombro. São os hálitos e os suores que se misturam e depois os cheiros das fábricas de celulose de Cacia. Não é bonito de se ver", descreve a estudante.
A jovem é apenas uma das várias centenas de pessoas que diariamente viajam naquele comboio, o mais concorrido durante a hora de ponta, a altura em que, sobretudo os residentes em Ovar e Estarreja, se fazem ao caminho rumo a Aveiro, às empresas onde trabalham e à Universidade.
O comboio tem 450 lugares, 189 dos quais sentados, uma lotação, porém, todos os dias amplamente esgotada e ultrapassada. Proveniente de Campanhã, no Porto, o comboio parte às 7.55 horas, mas é só em Ovar que o problema da sobrelotação começa, ganhando ainda mais evidência em Estarreja, onde entram dezenas de passageiros.
Diz quem faz a viagem todos os dias que são muitos os que se sentem maldispostos, com falta de ar.
"Então as crianças nem se fala. É que muitas mães trazem os filhos para os deixar no infantário ou na pré-primária para depois irem trabalhar. As mães não os conseguem pôr ao colo e eu vejo-os a olhar lá de baixo, rodeados por uma muralha de pessoas, muito apertados", conta Maria do Carmo Telheira, de Ovar. Sorte têm os que ainda vão conseguindo arranjar lugar, mesmo apertados. "As pessoas, sobretudo em Estarreja, tentam entrar, não conseguem, correm para outra porta e acabam por ficar em terra, o que é uma chatice para quem tem de estar em Aveiro às 9 horas e o comboio seguinte é meia hora mais tarde", diz o ovarense João Godinho.
A solução para o problema, referem, passaria por ou haver mais comboios ou juntar dois num só. Uma solução que, segundo fonte oficial da CP, está a ser equacionada. Segundo foi dito ao JN, "a procura dos serviços de comboios urbanos da CP no Porto tem registado um crescimento considerável, em particular no eixo Porto/Aveiro", daí que "a CP acompanhe com atenção essa evolução e analisa neste momento a possibilidade de reforçar a oferta de lugares em alguns comboios, acoplando uma segunda unidade em certos horários".
Guilherme Aguiar é o candidato do PSD a Matosinhos
(Público)21.05.2009 Margarida Gomes

José Guilherme Aguiar já é candidato à presidência da Câmara de Matosinhos pelo PSD. A resposta do actual vereador da Câmara de Gaia ao convite feito pelo partido chegou mais cedo do que ele próprio tinha fixado. O facto de o partido querer encerrar o processo autárquico no distrito este mês, tal como pretendia a distrital do Porto, terá precipitado a resposta do presidente da Gaianima.Para já, o candidato não fala, e em Matosinhos poucos arriscam comentar o facto de a escolha ter recaído numa personalidade com uma forte presença mediática, mas sem actividade partidária no concelho. José Leirós é quase uma excepção. O presidente do núcleo do PSD de Leça do Balio não fala de nomes, mas faz questão de dizer que o candidato social-democrata "está de corpo e alma com Matosinhos". "O nosso candidato, ao contrário de outros, não tem um pé aqui e outro na Europa", afirmou numa alusão ao facto de Elisa Ferreira, ser candidata pelo PS ao Parlamento Europeu e à Câmara do Porto.Um outro dirigente do partido, que pediu para não ser citado, reconhece a dificuldade do terreno, mas refere que "o PSD tem uma candidatura forte com possibilidades de ganhar". Sem falar de nomes, diz que "o candidato uma pessoa capaz de apresentar um bom projecto para Matosinhos com novas ideias para o desenvolvimento do concelho". Natural de Gaia, José Guilherme Aguiar tem a sua vida pessoal, profissional e política ligada à sua terra natal, pela qual vestiu "sempre a camisola" -, mas desta vez aceitou entrar num combate político onde o PSD tem uma janela de oportunidade, caso consiga capitalizar a fractura fraticida que existe actualmente no PS, com Guilherme Pinto, actual presidente, de um lado, e Narciso Miranda, que liderou Matosinhos, durante quase 30 anos, por outro.Mas esta não é a primeira vez que o PSD pensa nele para Matosinhos. Nas últimas autárquicas, o então ministro José Luís Arnault convidou o ex-secretário-geral da Liga Portuguesa de Futebol para ser o cabeça de lista naquele concelho, mas nessa altura Guilherme Aguiar disse não. Quatro anos volvidos, o partido volta a desafiá-lo para protagonizar, a nível do distrito, um combate que todos reconhecem ser difícil de vencer, razão pela qual a corrida à presidência da Câmara de Matosinhos vai ser um dos processos a ser seguidos com mais atenção até às eleições.
Número de desempregados inscritos sobe 27,3% em Abril
(JN) 19.5.2009
De acordo com dados divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, o número de desempregados inscritos no final do mês passado ascendia aos 491635.
O número de desempregados inscritos nos centros de emprego disparou 27,3 % em Abril, face ao mesmo mês de 2008, prolongando a subida iniciada em Outubro e representando o acréscimo mais elevado desde Julho de 2003.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), o número de desempregados inscritos no final do mês passado somava os 491.635, o que significa mais 105.294 inscrições do que em Abril de 2008.
Relativamente a Março, o número de inscritos aumentou 1,5 por cento, resultado de um acréscimo de 7.504 desempregados.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Educação para a delinquência
A notícia veio em tudo o que é jornal e TV: uma professora da Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho - que dezenas de alunos seus consideram "a mais espectacular da escola" e uma "segunda mãe" - foi suspensa "após afirmações de cariz sexual". A suspensão foi ditada pelo Conselho Directivo depois de duas alunas terem gravado afirmações suas numa aula, alunas que, segundo vários colegas, "fizeram aquilo de propósito e provocaram a conversa toda porque sabiam que estavam a gravar".
A Associação de Pais e a DREN acharam muito bem. Ninguém, nem pais, nem Conselho Directivo, nem DREN "acharam mal" o facto de duas jovens de 12 anos terem cometido um crime (se calhar encomendado) para alcançarem os seus fins. O Código Penal pune com prisão até 1 ano "quem, sem consentimento, gravar palavras proferidas por outra pessoa e não destinadas ao público, mesmo que lhe sejam dirigidas", punição agravada de um terço "quando o facto for praticado para causar prejuízo a outra pessoa". Educadas desde jovens para a bufaria e a delinquência e sabendo que o crime compensa, que género de cidadãos vão ser aquelas miúdas?
Síndroma de "burnout"
Por João Baptista Magalhães
O que levará uma professora de Espinho, tida como exemplar, a ter aquele comportamento que o vídeo de um telemóvel revela?!... Que tipo de formação desenvolvemos, quando achamos natural que uma aluna, com cerca de 15 anos, leve um gravador para a sala de aula com o objectivo de, secretamente, gravar o que uma professora diz?!...
O síndroma “bournout”manifesta-se nas profissões com falta de recursos, excesso de stress, sentimento de hostilidade, reuniões em excesso, frustração de expectativas, sentimento de desinteresse e de injustiça na avaliação dos superiores, carga excessiva de trabalho, depressão e insensibilidade em relação a tudo e a todos.
Quem manifesta este síndroma tem comportamentos do tipo dessa professora. Comportamento que é semelhante ao de um gato acossado que se atira contra tudo o que estiver à sua frente, nomeadamente as paredes.
Dizem-me que no ensino, na saúde, na administração pública começam a surgir casos semelhantes ao da professora de Espinho.
Em todos os manuais há um princípio a que qualquer reforma deve obedecer para evitar o sindroma de “burnout": nenhuma reforma deve ser feita sem gerar confiança pela participação dos visados .
Este Governo desprezou por completo este princípio, gerou em muitos locais de trabalho um ambiente de suspeita e"bufaria", tratou com desprezo professores, médicos, trabalhadores da função pública, juízes, etc. e nestas circunstâncias é muito natural o crescente aparecimento do sindroma de “burnout”.
Não tenhamos dúvidas!...
Um debate sobre a educação no Parlamento com o hemiciclo vazio? Uma vergonha!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Num país a sério
(Público) 18.05.2009 Pedro Magalhães
No PÚBLICO de anteontem, entre outras considerações que não discuto aqui, Pacheco Pereira afirmava que, se Portugal fosse um país a sério, "não deixaria sequer um político balbuciar (como fazem no Bloco de Esquerda), face aos acontecimentos no Bairro da Bela Vista, que se trata de uma 'questão social'". A Igreja poderia fazê-lo porque "o seu Reino não é cá na Terra". "Mas a caridade não é a missão do Estado. A missão de Estado é garantir a nossa segurança, sem mas, nem ambiguidades." E passava de seguida a explicar por que razão as crises económicas e sociais nada têm a ver com o crime: "Os pobres não fazem carjacking, não se armam com uma caçadeira e não vão assaltar bancos, bombas de gasolina, ourives e ourivesarias, e caixas multibanco, para comprar roupa de marca." Está assim demonstrado.
Eu tenho uma opinião algo diferente sobre o tipo de coisa que faria de Portugal "um país a sério". Se Portugal fosse "um país a sério", o debate público sobre este tipo de questões já não ocorreria ao nível em que Pacheco Pereira o colocou. Haveria uma comunidade académica pujante de investigadores dedicados ao estudo do fenómeno do crime, cujo papel no debate público sobre este assunto já teria inibido qualquer pessoa que se apresente como "historiador" (ou seja, como um cientista social) de escrever o que Pacheco Pereira escreveu com objectivos única e exclusivamente políticos. Essa comunidade poderia já ter explicado, por exemplo, que não há hoje praticamente dúvidas de que os factores que melhor explicam a incidência de crimes num determinado contexto são a pobreza das populações e a falta de mecanismos de "controlo social" (em particular, a existência de alta instabilidade familiar). Que os efeitos positivos da encarceração sobre o crime são contrabalançados por efeitos negativos, ligados à quebra da estrutura familiar e à aprendizagem do crime nas prisões. Lembrariam também que, num "país a sério" como os Estados Unidos, o Departamento de Justiça e a Associação Nacional de Polícias estão seriamente preocupados com os efeitos da actual recessão económica na incidência de vários tipos de crimes, incluindo não apenas fraudes mas também todo o tipo de furtos, vandalismo, tráfico de drogas e violência doméstica. Que um conhecido estudo do Banco Mundial, utilizando dados de 86 países ao longo de 14 anos, mostra como as crises económicas aumentam a criminalidade. E que, na base da investigação existente, os factores que menos ajudam a explicar a criminalidade são a dureza das penas, o número de efectivos policiais e o aumento de recursos para as polícias. Na ciência, e ainda menos nas "ciências sociais", não há certezas. Mas é o melhor que temos. Fazer de conta que não existem, para quem se apresenta como fazendo algo mais do que mero combate político, justifica-se apenas por ignorância ou cegueira voluntária.
Num país a sério, uma ou outra seriam dificilmente desculpáveis.Num país a sério, um partido de centro-direita também já teria percebido que as conclusões destes estudos não são nem "de esquerda" nem "de direita", e não impedem a existência de debate ideológico e políticas alternativas. Há muitas maneiras de lidar com aquelas que se sabem ser as principais causas do crime. Há formas de combater a pobreza diferentes das políticas sociais e subsídios aos quais parte da direita ideológica se opõe. Há uma sólida agenda conservadora que pode ser avançada sobre a questão da estabilidade das famílias. O fortalecimento das normas de controlo social, obtido através do apoio a organizações culturais, de moradores e de jovens a nível local, favorecendo o estabelecimento de relações entre associações representativas de grupos étnicos e religiosos e a criação de um ambiente de confiança mútua entre as polícias e as populações não tem por que ser intrinsecamente um desígnio "de esquerda".
Note-se, de resto, como é triplamente míope a condescendência com que Pacheco Pereira trata o papel da Igreja Católica e as declarações de D. Manuel Martins e D. Jorge Urtiga sobre o caso da Bela Vista. Primeiro, porque poucas instituições conhecem tão bem no terreno as realidades dos "bairros difíceis" como as paróquias e os agentes pastorais. Segundo, porque o seu papel no fortalecimento das normas de controlo social junto das comunidades locais pode ser fulcral, até em ligação a outras confissões religiosas. E, finalmente, é míope em termos estritamente políticos: ao enfatizar exclusivamente o papel securitário do Estado nestas matérias - "garantir a nossa segurança, sem mas, nem ambiguidades" -, Pacheco Pereira deixa aos seus adversários políticos o benefício de serem eles a proporem as soluções ao mesmo tempo mais prometedoras e mais rentáveis do ponto de vista político-eleitoral, tais como os "contratos locais de segurança" que o actual Governo vai celebrando pelo país com várias autarquias*. É bom que haja oferta partidária para todos os nichos de opinião sobre esta questão, inclusivamente as daqueles que acham que tudo se resolverá exclusivamente com penas mais duras e mais polícias. Mas essa é uma função que o CDS-PP já cumpre muitíssimo bem.
Finalmente, num país a sério, o repetido recurso a falácias argumentativas sobre as questões da "responsabilidade individual" já teria sido de tal modo sancionado pública e intelectualmente que certamente as ouviríamos com menos frequência. Já não ouviríamos dizer, por exemplo, que procurar explicar as causas do terrorismo significa defender os terroristas. Que conhecer e compreender as causas do insucesso escolar significa defender o "facilitismo" nas escolas ou impedir o reconhecimento do mérito individual. Que discutir as causas do crime e procurar agir sobre elas impede de alguma forma que se defenda a vigilância das zonas perigosas ou a repressão da criminalidade. Que constatar a baixíssima relação custo/benefício que a investigação sobre o tema mostra entre o investimento em (caras) medidas securitárias e a redução do crime significa abandonar o policiamento ou reduzir as penas. Ou que constatar que um fenómeno qualquer tem causas sociais, políticas e económicas significa desculpar comportamentos individuais inaceitáveis. Mas numa coisa Pacheco Pereira tem razão: deste e doutros pontos de vista, Portugal não é mesmo um país a sério. Se fosse, eu não teria de ter escrito este artigo.
*Para que fique tudo transparente, o CESOP/UCP, que dirijo, faz parte do contrato local de segurança de Loures, estando encarregado de medir os seus efeitos nas taxas de vitimação e no sentimento de segurança das populações.