terça-feira, 30 de setembro de 2008

Regionalização: Um "Não" do PSD seria "traição a princípios e eleitorado" - Marco António Costa

Como o mais certo é o Renato Sampaio considerar o debate público de ideias um "circo mediático" e recusá-lo, tal como tem recusado comigo, comunico desde já ao Marco António a minha disponibilidade para um debate público sobre a regionalização, com vista à construção de uma posição consensual a nível regional do Porto sobre a regionalização, posteriormente a ser alargada aos outros partidos políticos do Porto e podendo vir a ter a forma de um pacto regional que impeça que a R. seja agitada quando se está na oposição e engavetada quando se está no poder, o que tanto tem sido feito pelo PS como pelo PSD. Até porque, sobre a R., há muito mais a debater do que iniciativas parlamentares para a criação de regiões.
O líder da distrital do Porto do PSD avisou hoje a direcção nacional do partido que uma decisão sua contra a implementação da regionalização seria "uma traição aos valores tradicionais e ao eleitorado" social-democratas."Uma opção do PSD no sentido de não ser favorável à regionalização seria uma decisão contranatura sob o ponto de vista da sua génese política. Esta direcção nacional pagará muito caro uma atitude centralista desse tipo, que seria uma traição aos seus valores tradicionais e ao seu eleitorado", afirmou, à Lusa, Marco António Costa. O dirigente social-democrata recordou que o PSD "é o partido das autonomias regionais, pelo que não se percebe que não tenha a mesma posição quando se trata de defender, no Continente, a criação das regiões administrativas"."O problema da regionalização é uma responsabilidade política e ética do PSD perante o seu eleitorado, dado ser conhecido que o partido conta com maior fidelidade e lealdade eleitoral fora da Área Metropolitana de Lisboa e Vale do Tejo", frisou. A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, tem-se manifestado contra a regionalização, o que levou segunda-feira à noite Marcelo Rebelo de Sousa a afirmar à Lusa que com a actual liderança do partido não será possível "dar qualquer passo no sentido da regionalização"."A posição da líder do partido é muito clara e é contra a regionalização, portanto não acredito que com esta liderança seja possível qualquer passo no sentido da regionalização", afirmou o ex-líder social-democrata. Marco António Costa manifestou-se "satisfeito por ver que o presidente da Câmara do Porto, outrora um céptico da regionalização, esteja hoje perfeitamente identificado com a necessidade da sua existência"."Sendo ele o primeiro vice-presidente da Comissão Política Nacional, estou convencido de que será uma voz autorizada para sensibilizar a direcção e levar por diante esta política interna do PSD", no sentido de abraçar a regionalização, acrescentou. Marco António Costa falava à Lusa na sequência do desafio que lhe foi lançado, segunda-feira, pelo seu homólogo do PS, Renato Sampaio, no sentido de, enquanto defensor da regionalização, sensibilizar a líder do partido para a sua importância."Eu sempre defendi a regionalização e sou conhecido por nunca me ter subjugado, nesta ou noutra área, ao poder central. Talvez Renato Sampaio, cujas posições sobre várias matérias continuam por ser conhecidas, possa sensibilizar para a importância das regiões o primeiro-ministro, que já disse não as querer", respondeu Marco António.O dirigente social-democrata desafiou ainda Renato Sampaio, enquanto deputado, a convencer a bancada socialista a avançar com uma iniciativa legislativa tendo em vista a criação das regiões. Mostrou-se ainda disponível para um debate entre os dois líderes distritais, "eventualmente moderado pela Lusa", para abordar temas relacionados com a regionalização e o Norte.

LISBOAGATE: Casas já começaram a ser devolvidas à CML

E fizeram o escarcéu que fizeram sobre Fátima Felgueiras e o "capitalismo felgueirense", para usar a terminologia da Drª. Morgado... que agora se esboroa em quê? Em alguma coisa?
Havia assim tão pouca gente ao corrente do Lisboagate para só agora se saber? Ou tivemos em plena capital, uma grande panela de silêncio... O pior é que, quando Cravinho denuncia a grande corrupção ao nível mais alto do Estado, não é certamente à CML que se refere... E não acontece nada!
Qual pensam ser o futuro da república e da democracia com práticas institucionais de facínoras como estas. Conspurcam a política e lançam por terra todas as esperanças que deram aos portugueses
(DN) 30.09.09 JOÃO PEDRO HENRIQUES
Ana Sara Brito, vereadora na CML, disse ontem que não se demitirá enquanto tiver a confiança "pessoal e política" de António Costa. Este revelou que há casas que já começaram a ser devolvidas. Quer divulgar a lista dos beneficiários, mas aguarda um parecer da Protecção de DadosAutarquia diz que quer divulgar lista dos beneficiários.
Já 18 pessoas devolveram à Câmara Municipal de Lisboa (CML) chaves de casas do património disperso da autarquia que lhes haviam sido atribuídas. Isto desde que se começou a saber, em 20 de Setembro passado, pelo DN, que esse património tem sido gerido sem regras pelo executivo camarário, o que já desencadeou uma investigação judicial com três arguidos actualmente deputados do PSD: Pedro Santana Lopes (ex-presidente da CML), Miguel Almeida (seu ex-chefe de gabinete) e Helena Lopes da Costa (sua ex-vereadora da Habitação Social). Entre as 18 pessoas que devolveram as chaves encontra-se um comandante da Polícia Municipal e dois motoristas da autarquia. Nenhum deles usou as casas.
O número das casas foi ontem revelado pelo presidente da autarquia. António Costa falava numa conferência de imprensa nos Paços do Concelho, momento convocado para a sua vereadora da Habitação, Ana Sara Brito, dizer que não vai deixar o cargo. O DN revelou no passado dia 25 que a vereadora foi durante 20 anos arrendatária de um casa no centro de Lisboa atribuída em 1987 pelo então presidente da câmara, Krus Abecasis. Só a devolveu à autarquia em Agosto de 1987, pagando nessa altura uma renda de 146 euros. Devolveu-a precisamente porque, preparando-se nessa altura para assumir a pasta da Habitação, não queria ser "senhoria de si própria", como ontem disse António Costa.
O presidente da autarquia disse que quer revelar a lista dos beneficiários do património camarário disperso (ou seja, património fora da lógica dos bairros sociais). Mas como estão em causa questões da vida privada, pediu um parecer prévio à Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD). Mediante esse parecer divulgará (ou não) essa lista.
Segundo acrescentou, neste mandato já foram atribuídos 97 fogos, mas obedecendo sempre a critérios sociais. Porém, garantiu que essas decisões sempre foram tomadas pelos serviços, ou seja, à margem de "decisões discricionárias" do presidente da câmara ou da vereadora da Habitação. António Costa sublinhou que a investigação judicial em curso só abrange mandatos anteriores ao seu. Garantiu que a CML tem posto "todos os meios" ao dispor dos investigadores. Têm uma sala própria em instalações camarárias e funcionários da CML a ajudar.
"Lá chegaremos", respondeu, quando questionado sobre a inexistência de um regulamento para gerir este património disperso da Câmara Municipal de Lisboa. Acrescentou que, na câmara, o processo legislativo para aprovar um regulamento é mais complexo do que o processo para aprovar uma lei na Assembleia da República.
(Público) 30.09.2008, Aníbal Rodrigues

Câmara do Porto rescindiu com a Talento, alegando incumprimento contratual

A Câmara do Porto rescindiu o contrato com a empresa Talento, promotora do Circuito da Boavista, evento que em Julho de 2007 trouxe ao traçado da Invicta provas como o Campeonato do Mundo FIA de Turismos ou o Grande Prémio histórico. Francisco Santos, director da Talento, confirmou que a autarquia alegou "justa causa" para rescindir, mas não explicou quais os motivos concretos invocados. O responsável pela promotora insiste que o Circuito da Boavista "teve um retorno e um impacto na região superior a 90 milhões de euros, cálculo feito por entidades independentes". A Talento tinha um contrato como promotor da prova portuense para 2007 e 2009. Nesse sentido, a rescisão unilateral por parte do município está agora a ser analisada pelos advogados da Talento que, segundo Francisco Santos, irão "exigir os direitos da empresa". A estratégia da Câmara do Porto passa agora por distribuir o conjunto das várias provas que constituem o Circuito da Boavista por dois ou três promotores. Um deles, o responsável pelo Grande Prémio histórico, será de origem francesa. Fonte da autarquia explicou que a rescisão se deu por "incumprimento de contrato" e que, durante meses, tentou chegar a um acordo com a Talento. Prometendo anunciar os novos parceiros "em breve", a câmara assegura ainda que a competição "não está minimamente em causa" e que não receia eventuais consequências jurídicas.

Expansão da Rede do Metro já não vai passar pela Avenida da Boavista

Parabéns Mário Lino!
Se estas notícias se confirmarem só há a dizer "Parabéns Mário Lino!". Estamos cá para criticar se for preciso e para apludir se for merecido. As soluções são claramente as melhores: tanto a ligação Senhora da Hora-Hospital de S.João, como Matosinhos-Baixa pela Foz e Campo Alegre (servindo todos os bairros sociais e não o "deserto" da Boavista), como evidentemente a directa Valbom-Fernão de Magalhães já que era um disparate vir de S.Cosme ou de Valbom para o Porto por Fânzeres, Venda-Nova, Rio Tinto, a não ser que fosse por causa de uns terrenitos comprados a tempo lá para os lados do Rio entubado (Tinto)! O problema de Rui Rio com a Boavista não é a Boavista onde, a fazer-se, com rendabilidade mais do que duvidosa, admitir-se-ia que fosse feito enterrado. O problema dele é o abuso dos quase 4 milhões que sacou à Metro para financiar as suas corridas. Que só podem ser pagos pelo Rio da Metro ou pelo Rio da Câmara. Eis a gestão financeira do homem do rigor: barracadas sobre barracadas! E, pelos vistos, nem a concessionária das corridas lhe paga, num processo à moda do Bolhão. Será que também isso vai cair no bolso do contribuinte? Grande vitória dos que, na altura, se bateram contra Rui Rio e defenderam os actuais projectos. O que mostra que vale a pena lutar e que o governo pode governar bem quando tem quem lhes fale e aconselhe no terreno.
Acertar com as linhas foi um bom motivo de adiamentos, não o argumento de falta de verbas. E agora, com o problema resolvido, mãos à obra e financiamentos céleres que o Porto tem muito que recuperar.
(Público) 30.09.2008, Filomena Fontes e José Augusto Moreira

Ligação entre Matosinhos e o centro do Porto vai processar-se, afinal, pelo Campo Alegre. Governo também optou por construir a linha entre Senhora da Hora e o Hospital de S. João
Era a grande aposta de Rui Rio, mas a linha de metro na Avenida da Boavista não será contemplada no projecto de expansão da rede, cujas linhas serão amanhã apresentadas pelo ministro Mário Lino aos autarcas da Junta Metropolitana do Porto (JMP). As novas ligações que avançarão com a segunda fase de construção de rede do metropolitano prevêem uma nova linha entre Matosinhos e o centro do Porto, com passagem pela zona da Foz e Campo Alegre até à estação de São Bento.
Outra nova linha, entre a Senhora da Hora e o Hospital de São João, por São Mamede de Infesta, e uma ligação ao centro de Gondomar, pela zona de Valbom, são outras opções acolhidas pelo Governo.
Para além destas três novas linhas, o projecto de expansão inclui ainda as já projectadas ligações à Trofa, estendendo a ligação até à Maia actual, e o prolongamento da linha de Gaia até Laborim.
Nos últimos dias, Rui Rio vinha-se desmultiplicando em declarações muito críticas para o Governo e a administração da Metro do Porto, que acusava de não cumprir com os compromissos anteriormente assumidos e de manter os autarcas à margem do processo de expansão da rede. Durante a última reunião da Câmara do Porto, Rio disse mesmo ter informações vindas do interior do Ministério das Obras Públicas, segundo as quais o Governo "jamais faria a linha da Boavista antes das eleições legislativas". O autarca chegou até a classificar o comportamento da administração da Metro como "miserável", por não prestar qualquer informação aos autarcas - que integram a administração da empresa como membros não executivos - e a sugerir que esta atitude estava a ser seguida em articulação com o Governo. A questão da linha da Boavista parece ser o ponto sensível nas relações recentes entre o presidente da JMP e o Governo, até porque foram já executadas obras naquela artéria, antevendo a passagem do metro.
Perante o quadro traçado pelo Governo para a segunda fase da rede do metropolitano, a interrogação que se coloca agora é saber como irá reagir o líder da JMP, que vinha argumentando com a sustentabilidade de um estudo feito pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Durante as negociações com o Governo, Rio sempre se mostrou intransigente em relação ao traçado da Avenida da Boavista, cujos estudos estavam já concluídos. O Governo, no entanto, contrapunha com a necessidade da realização de novas avaliações técnicas onde fossem contempladas alternativas ao traçado da Boavista, numa perspectiva integrada para a segunda fase.
Gondomar por Valbom
O traçado que o Governo vai avançar como alternativa à Boavista arranca da praia de Matosinhos, passa pela zona do Castelo do Queijo e atravessa a área da Foz por uma zona interior paralela à Avenida do Brasil. Servirá depois a Universidade Católica/Pr. do Imprério, a zona da Pasteleira, seguindo para o pólo universitário do Campo Alegre. O metro circulará depois pelo Palácio de Cristal e Hospital de Santo António antes do terminus na Estação de São Bento.
Embora não estivesse prevista no memorando assinado em 2007 entre a JMP e o Governo, a solução para a segunda fase avança também com uma linha que ligará Senhora da Hora ao Hospital de São João.
A ideia é servir as populações do corredor que passa por São Mamede de Infesta, aproveitando parte do já existente canal ferroviário de mercadorias que liga Campanhã ao Porto de Leixões.
Quanto à solução para ligar ao centro de Gondomar, a opção vai pela construção de uma nova linha, em vez do prolongamento do troço entre o Estádio do Dragão e Venda Nova, cujo concurso está já na fase final.
A ligação a Gondomar arrancará da zona da Avenida Fernão de Magalhães, passa por Campanhã e Valbom, e entra naquele concelho pela zona sul, como sempre foi reivindicado pelos autarcas e dirigentes do PS.

Câmara poderá ter de devolver 3,8 milhões

E agora Rio, o mais honesto dos homens! Quem vai pagar? A Câmara? Nós? Ou os responsáveis pelo circuito, ou seja Rui Rio? Quem vai pagar o adiantamento que Rui Rio, à frente da Metro, fez a Rui Rio à frente da Câmara, só para fazer as corridas que lhe lembravam a adolescência?
(Público) 30.09.2008
Com o afastamento definitivo da ideia de colocar o metro no eixo da Avenida da Boavista, a Câmara do Porto pode vir a ter que devolver as quantias que em 200i5 recebeu da Metro do Porto como adiantamento das despesas de requalificação que a passagem do metro implicaria naquela artéria.
A intervenção foi executada apenas no troço entre o Castelo do Queijo e o cruzamento da Fonte da Moura, onde se inclui todo o percurso ao longo do Parque da Cidade que serviu para a realização do Grande Prémio da Boavista, o circuito de automóveis antigos que pela primeira vez se realizou em Julho desse ano.
As obras orçaram num total de 4,9 milhões de euros, tendo 3,8 sido suportados pela empresa do metro e os restantes 1,1 milhões pelos cofres camarários. Nos termos do protocolo então celebrado entre a Metro, a Câmara do Porto e a empresa municipal Gestão de Obras Públicas (GOP), ficou estabelecido que a comparticipação da Metro estava "condicionada à aprovação da linha da Boavista pelas entidades competentes", o que acaba assim por não acontecer. Além de o protocolo ter sido aprovado numa altura em que o próprio presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, ocupava também a presidência da empresa do metro, os partidos da oposição criticaram ainda o envolvimento da empresa numa obra que foi executada em ano de eleições autárquicas.
Os vereadores do PS chegaram mesmo a pedir a intervenção do Governo, que sempre disse desconhecer este investimento da Metro.
Mais de um ano depois, as conclusões do relatório da inspecção do Tribunal de Contas criticavam a gestão da empresa, questionando as despesas efectuadas com as obras na Avenida da Boavista, precisamente pelo facto de terem sido concretizadas e pagas antes de se saber se uma nova linha passaria por ali.

"Ambição para vencer" no ano de todas as eleições

"Combater o desiderato e declínio"... Esta malta saberá de que está a falar? Saberá o que está a dizer? Desiderato é, como quase toda a gente sabe, um aportuguesamento do latim desideratum que significa aquilo que se deseja, aquilo a que se aspira. Combater o desiderato de vencer? Sim, será isso. Isto está bem pior do que pensávamos. Talvez o "Novas Oportunidades"!
Não só a moção não passa de mais uma de retórica balofa a encher papel como se procura sacudir o peso das grandes verdades: Primeiro, Renato e o seu secretado sediados em Lisboa são os responsáveis pelo deixar cair das bandeiras de luta regionais que o Rio agarrou; segundo, não quer debates, a que chama circo mediático, porque tem medo da triste figurinha de quem não tem ideias mas apenas desideratos que pretende combater. Sobretudo o do PS vencer as autárquicas.
É triste que se prefira o insulto torpe do que a discussão política esclarecedora frente aos cidadãos. Se os debates são circos mediáticos, o que será a democracia nesta cabecinha onde ela parece ainda não ter entrado? O que será o parlamento, a Assembleia Municipal (onde nunca pôs os pés embora eleito), a SIC Notícias, a RTPN, o Porto Canal? São circos mediáticos? Para um debate ser circo, só se for a propósito do projecto dos piercings ou da abolição dos contadores já substituídos pelas taxas. Mas ninguém estava a pensar discutir isso. Sobre isso, toda a gente está bem esclarecida e sabe quem é o homem do circo.
No entanto, não nos iludamos: o abandono das bandeiras regionais e a sua recuperação por Rui Rio, se o partido não der a volta a 180 graus, irá custar caro ao PS no distrito também nas legislativas. PB

TIAGO RODRIGUES ALVES (JN) 30.09.08
O actual presidente apresentou a moção estratégica de recandidatura à Federação Distrital do PS/Porto. Renato Sampaio prometeu "combater o desiderato e declínio a que está sujeita a cidade"e tornar a regionalização uma realidade.
"Fazer regressar o PS às vitórias no ano de todas as eleições" foi o objectivo proposto por Renato Sampaio, perante algumas dezenas de militantes no auditório da sede do Partido Socialista, no Porto. Segundo o candidato, a reconquista da Câmara da cidade, da maioria das autarquias do distrito e, consequentemente, da Junta Metropolitanado Porto "permitirá devolver a ambição, esperança e confiança aos cidadãos".
O candidato anunciou o compromisso de "promover a descentralização e desconcentração que conduzam à regionalização" e espera que ela "seja uma realidade já na próxima legislatura". No entanto, avisou que esta não deve ser uma "bandeira desfraldada por alguns que não têm qualquer ideia ou proposta mobilizadora e a usam para disfarçar esse facto". Outros compromissos assumidos na moção "Ambição para Vencer" são pugnar por uma maior coesão territorial, económica e social do distrito e a modernização do tecido produtivo.
Renato Sampaio não deixou de mandar algumas críticas para o interior do próprio partido, nomeadamente àqueles que "quando os Governos PSD bloquearam projectos para o Porto não fizeram ouvir a sua voz e que, hoje, vêm dizer que somos uma caixa de ressonância do Governo, quando eles seguem a agenda de Rui Rio e das suas contestações", frisando, ainda, que "não recebemos lições de moral política e ética. Sabemos estar solidários com o nosso Governo".
Presente nas instalações, Pedro Baptista, adversário de Renato Sampaio nas eleições distritais de 24 de Outubro, fez questão de rebater ao JN as críticas de que tinha sido alvo. "Eu acusei-o de ser caixa de ressonância do Governo mas ele insultou-me, dizendo que eu era ressonância do inimigo, estabeleçamos a diferença. Mas, quem tem dado força ao inimigo e entregue todas as bandeiras de luta regionais, que antigamente foram sempre do PS, ao Rui Rio foi o próprio Renato Sampaio pela sua inexistência política nestes dois anos e meio", contestou o opositor.

Pelo que se viu, a conferência de Imprensa de Renato Sampaio para apresentação da sua Moção resumiu-se a invectivar um tal "circo mediático" como se, por acaso, ele próprio estivesse para apresentar mais uma proposta de lei para fazer o país desopilar em riso. Por outro lado, pretende assim escapulir-se ao debate e a ser desmascarado num frente a frente esclarecedor o que já por si esclarece o seu sentido democrático e a sua concepção de partido. De resto é um texto paupérrimo, sem qualquer sentido prático nem concreto, de retórica balofa para endrominar adormecidos, sem qualquer compromisso nem qualquer inovação, que nenhum militante lerá. Um texto de Moção de sentido oposto ao nosso, feito só pela positiva com compromissos concretos de realizações exequíveis. Aliás, numa sessão pívia com pouco mais de dúzia e meia de nomeados políticos, aparatchiks ou usufrutuários do poder, Renato assumiu-se pela continuidade. Falta os militantes pronunciarem-se pela mudança. A cada um a sua responsabilidade.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

"Auto-regulação", dizem eles

Os fiéis do Deus-mercado parecem ter descoberto de repente as virtudes do Estado Social, devidamente adaptado aos valores da religião do lucro a qualquer preço, e que, em vez de apoiar os pobres, subsidia os ricos. Já têm um Papa. Chama-se Henry Paulson e cabe-lhe a duvidosa glória de ser um dos inventores do capitalismo de casino que agora bateu no fundo provocando a crise financeira que abala a Terra Prometida e arredores.
Depois de 30 anos de especulador na Wall Street, Paulson chegou a secretário do Tesouro e é dele a feliz ideia de pagar com 700 mil milhões dos contribuintes as dívidas e "activos tóxicos" acumulados por empresas falidas, acrescidos de "compensações" milionárias aos gestores que as levaram à falência, assim salvando fortunas como a sua, calculada em 500 milhões de dólares, a maior parte em acções da também falida Goldman Sachs. No Estado Providência neo-liberal, quem paga quer as crises quer as soluções das crises do mercado são sempre os contribuintes. Lá como cá, chamam eles a isso (meter os lucros ao bolso e cobrar ao Estado as perdas) "auto-regulação" do mercado.

Aeroporto deve ser gerido numa lógica de autonomia

(Público) 29.09.2008

Perguntas e respostas do Público-Rádio Nova a Carlos Lage

Enquanto presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) não detém poderes específicos que lhe permitam intervir sobre a realidade da região. Até que ponto isso constitui um entrave à sua acção à frente da comissão?

Carlos Lage: Quando assumi a presidência da comissão sabia que não dispunha de poderes de carácter regional legitimados pelo voto. Mas desde o dia em que fui convidado pelo senhor primeiro-ministro que deixei claro quais eram as minhas intenções e objectivos. Não me dispunha apenas a desempenhar funções político-administrativas de carácter desconcentrado, mas queria também bater-me pela causa regional e pela emancipação política do Norte do país.

E teve alguma espécie de garantias a esse respeito, uma vez que o líder do PS tinha prometido para a próxima legislatura o avanço do processo de regionalização?

Carlos Lage: Aquilo que ficou definido do programa eleitoral do PS era que nesta fase haveria uma certa preparação das condições para se realizar depois um grande debate e um referendo sobre a regionalização. Não ficou, nem de perto nem de longe, escrito nem foi alguma vez pronunciado qualquer compromisso no sentido de antes desta legislatura se fazer um referendo sobre as regiões. O que foi garantido foi a criação de uma matriz regional através da desconcentração dos vários serviços da administração central para o quadro das cinco regiões-plano, para que se fosse preparando o caminho para que a seguir os portugueses se possam pronunciar em referendo sobre a regionalização. Entendo que o referendo regional deve fazer-se após o próximo acto eleitoral.

Acaba de assumir a presidência da Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal, mas o facto de estar a lidar com um parceiro como a Junta da Galiza, que tem poderes próprio e está legitimada pelo voto, não acaba por remeter a CCDR-N para uma posição subalterna?

Carlos Lage: É por isso que é muito importante que a regionalização se faça o mais cedo possível. Quer por questões de natureza interna, visto que a região Norte precisa de uma democracia regional, de se emancipar politicamente e ter um centro de decisão política legitimado pelo voto, para poder definir e aplicar políticas de desenvolvimento geradas na própria região e no quadro nacional. Essa é a questão decisiva. Naturalmente que, com esse governo regional eleito - ou junta regional, como diz a nossa Constituição a funcionar -, há uma maior latitude de decisão e de relacionamento com a Galiza. A verdade, no entanto, é que da experiência que colhi não notei até à data que houvesse qualquer atitude de arrogância ou de ascendência e não tenho qualquer complexo de inferioridade nas relações que mantenho com a Junta da Galiza que, devo realça-lo, são excelentes e se têm pautado por uma grande fraternidade e lealdade.

Foi avançado o propósito de fazer afirmar a euro-região como terceiro pólo da Península, como é que isso vai ser possível?

Carlos Lage: Esse terceiro pólo já existe em estado potencial, não existe em acto. Somando a população da Galiza e da região Norte e o produto de ambas as regiões, temos cerca de 6,5 milhões de habitantes e um PIB de 90 milhões de euros. É certo também que não se trata apenas de aritmética, existe também uma consciência de proximidade de fraternidade e interpenetração de interesses e este é o terreno propício para que, com base nesse grande potencial e no facto de estes dois territórios se situarem na faixa ocidental da península, isso seja valorizado e aproveitado em benefício das duas regiões, mas seja também jogado nos grandes debates que hoje se fazem sobre a evolução da Península Ibérica e do território europeu e mesmo na competição internacional.

Vamos a casos concretos, por exemplo o emprego.

Carlos Lage: Aquilo que se passa hoje neste campo é a criação de uma espécie de pequeno mercado de trabalho Norte-Galiza. É evidente que estas coisas não se fazem por decreto. É resultado das dinâmicas sociais e empresariais e dos grandes progressos a que temos assistido no campo da mobilidade. É isto que está a fazer com que entre ambas as regiões se vá estabelecendo um verdadeiro mercado, não só de bens materiais mas também de bens culturais e no mercado de trabalho.

Não deveria haver já decisões sobre o Metro do Porto?

Carlos Lage: O importante é definir se queremos que haja uma espécie de anel interno. Essa é a grande questão e eu sou favorável a que haja esse anel que ligue as várias linhas. É como termos os dedos mas não termos a concha da mão para os ligar. Mas isso implica investimentos e financiamentos. Aquilo que falta agora é a questão da estrutura financeira e da concessão da segunda fase. Há, portanto, questões de natureza técnica que estão a ser estudadas e não há qualquer vontade de travar a expansão do metro do Porto, até porque todos sabem que é um caso de sucesso em termos de mobilidade, com vantagens ambientais e energéticas.

Um dos grandes objectivos fixados pela Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal é a estruturação das acessibilidades rodoviárias, portos e aeroportos. Esta é uma questão muito sensível face à actual discussão sobre a gestão do Aeroporto Sá Carneiro (ASC), sobre a qual ainda nada se ouviu por parte da CCRD-N...

Carlos Lage: A comissão, como é sabido, não tem competências nessa matéria. O Aeroporto Sá Carneiro é hoje o grande aeroporto do Noroeste peninsular e será sempre necessário que seja gerido numa lógica própria de um grande aeroporto nacional e internacional e nunca seja submetido nem à lógica de um aeroporto internacional português nem à lógica dos aeroportos galegos. E este é provavelmente um dos prontos que provocará maior desconforto entre os nossos amigos galegos, que têm vários aeroportos, mas secundários em relação ao nosso. E este é um trunfo extraordinário para a região.

E não corremos o risco de o perder, investindo os galegos nas valorização dos seus aeroportos enquanto companhias como a Ryanair ameaçam sair do Porto face à indefinição?

Carlos Lage: Esse risco não parece existir assim como não haverá um risco de definhamento que ameace o Francisco Sá Carneiro. Aquilo que eu disse e repito é que o aeroporto do Porto deve ser submetido a uma lógica de crescimento, de autonomia, competitividade e de exploração própria. Jamais a qualquer lógica externa, porque tem todas as condições para se desenvolver como um grande aeroporto, não só como o grande aeroporto do Noroeste peninsular mas como um dos aeroportos médios europeus com maiores condições e sucesso.

Mas o certo é que falta a decisão sobre esse modelo e o caso da Raynair não deveria preocupar?

Carlos Lage: O estatuto que ainda gere o Sá Carneiro é conhecido. Mas existe hoje uma reflexão e um debate à volta dessa questão e estou certo de que futuramente teremos uma clarificação do poder central, do Governo, sobre essa matéria.

E tem havido conversas com o Governo sobre a questão?

Carlos Lage: Essa questão está a ser estudada e sobre isso não me vou pronunciar. Agora, há uma coisa que recuso, que seria condenável e lesiva dos interesses e direitos da região Norte, que era submeter o aeroporto a uma exploração que lhe fosse desfavorável.

Voltando ao TGV, está já definida a questão da ligação à nova linha em Braga?

Carlos Lage: Sim, o que vai implicar a construção de uma nova estação. A ideia inicial era que pudesse ficar a actual estação, mas isso não foi possível, pelo que ficará um pouco antes mas com fórmulas de vai-e-vem para ligação à actual estação no centro da cidade.

E que garantias há de que será depois executado o troço de alta velocidade entre o Porto e Braga?

Carlos Lage: Todas. Em primeiro lugar, porque a secção internacional - entre Ponte de Lima e Vigo - recebe um financiamento muito significativo da rede europeia de transportes. E está também tomada a decisão, por parte do Governo português, de ligação à rede espanhola em alta velocidade. O projecto implica uma linha completamente nova entre o Porto e Vigo, com passagem pelo aeroporto. O canal que está a ser reservado tem esse significado. Agora a questão que se coloca é como se fará a ligação entre o centro do Porto e o aeroporto. "O aeroporto do Porto deve ser submetido a uma lógica de crescimento, de autonomia, de competividade".

domingo, 28 de setembro de 2008

Quem entrega as bandeiras regionais de luta ao Rui Rio e ao PSD-Porto senão o Renato Sampaio?

Após a provocação torpe do Renato Sampaio no JN de hoje, acusando-nos de ser ressonância do Rui Rio, talvez valha a pena voltar a publicar a nossa crónica na Rádio Festival de quinta-feira passada. Ele pensa que o ataque é a melhor defesa mas esquece-se do pormenor de que a verdade é diferente da mentira. O servilismo e a inexistência política de Renato foi e é o melhor que aconteceu a Rui Rio e ao PSD do Porto! PB


Os sete anos de consulado do Dr. Rio e da coligação das direitas à frente do município do Porto, foram, como está bom de ver, um tremendo desastre. A cidade não só parou como continua a definhar a olhos vistos. Tirando uns eventos para alegrar a malta, em substância, a que foi capital económica, cultural e política do Norte chegou, pelas vistas curtas e pela incompetência de Rio e da sua equipa, ao grau zero da existência.
Senão, era só ver o fiasco completo da Bandeira Azul tão propagandeada para as praias do Porto, ou a trapalhada que ultrapassa tudo do Mercado do Bolhão! E pior, o zero absoluto em projectos mobilizadores para a cidade, criadores de melhores condições para gerar riqueza e para gerar emprego. Com Rio, e para desgraça de todos nós, o Porto tornou-se um buraco negro no meio da Área Metropolitana, onde pouco mais do que a bandeira azul e branca e a da Universidade flutuam com espírito vencedor, embora milhares de pequenas e médias empresas continuem a lutar galhardamente pela sobrevivência difícil numa situação global também particularmente difícil.
Mas ultimamente Rui Rio está a conseguir obter trunfos políticos que não imaginava vir a ter e muito menos esperava que lhe fossem servidos numa bandeja pela actual direcção do Partido Socialista do porto.
Se não vejamos: primeiro, Rio já fala da regionalização porque em dois anos e meio o PS-Porto nem falou dela e, sobretudo, nunca vez nada para criar condições para ela viesse a ser feita com facilidade como se tinha comprometido; segundo, Rio arvora-se em defensor de uma administração regional do Metro como os socialistas sempre defenderem, incluindo Assis na Câmara, mas que esta última direcção do PS-Porto, dirigida por Renato Sampaio, deixou de defender para entregar o Metro à administração do poder central; terceiro, Rio defende a autonomização do Aeroporto do Porto no processo de privatização em curso da ANA, como seria lógico que os socialistas portuenses defendessem e defendem, mas que a direcção não defende porque aguarda instruções da capital.
Por aí adiante, Rio, que foi sempre, tal como o PSD, a favor do pagamento das SCUTS, até poderá vir a manifestar-se contra o pagamento das SCUTS no Porto, enquanto teremos o líder distrital do PS Porto a defender a tentativa do governo para pôr os portuenses a serem os únicos no país a pagarem as SCUT, embora já se tenham manifestado contra os socialistas da Póvoa, de Vila do Conde e de Matosinhos!
Em conclusão Rio que tem tido para o Porto a gestão mais pobre e mais trágica dos últimos vinte anos, poderá, por obra e graça do líder do PS-Porto, tornar-se o grande defensor da região, o grande defensor do Porto!
É obra! É preciso mesmo muita irresponsabilidade e falta de sentido político à frente do PS- porto para entregar a Rio e ao PSD as bandeiras de defesa da região que outrora sempre pertenceram ao PS!
É por isso que, para correr com Rui Rio, é urgente que os socialistas corram com a actual direcção socialista do Porto, por acaso toda ela instalada em Lisboa.
Por acaso, ou melhor, não por acaso.

Quem entrega as bandeiras regionais ao Rui Rio? Quem é que lhe faz o jogo?

Por Pedro Baptista
O nosso adversário diz o que quiser na comunicação social e não penso comentar as suas considerações até porque, geralmente, falam por si.
Mas embora já tenhamos deixado a falar sozinhos alguns provocadores, como é o caso do Bobo da Corte que aparece nestas alturas para abandalhar o debate político socialista, queremos dizer ao Renato Sampaio que quando diz no JN, que quem o acusa de caixa de ressonância do poder central (que nós acusamos) é caixa de ressonância de Rui Rio, além de proferir a velha provocação barata, estalinóide e fascistóide de quem não está de acordo comigo está ao serviço do inimigo, está a fazer de néscios os militantes socialistas do Porto e mesmo os cdadãos, pois todos percebem perfeitamente, que quem tem vindo a entregar as bandeiras regionais de luta ao Rui Rio tem sido precisamente o Renato Sampaio, ao abandoná-las no seu serventuarismo ao poder central.
Rui Rio, que nunca nada fez pelo Porto, está a conseguir, por obra e graça da inexistência política e do servilismo do Renato, tornar-se um defensor do Porto e do Norte, coisa que ele nunca imaginou vir a conseguir, por falta de jeito e sobretudo de vontade.
Mas o Ps-Porto dirigido pelo Renato, ao largar as bandeiras que sempre caracterizaram o PS-Porto quando se identificava com a região e com os anseios da população, oferece-as desde há muito ao Rio, ao Marco António, ao Menezes e ao PSD-Porto em geral, além de à esquerda, o que, se nós não ganhássemos e não revertêssemos a situação, iria ter consequências trágicas para o PS nas próximas legislativas e autárquicas no Distrito do Porto.
Quem entrega as bandeiras regionais ao Rui Rio e ao PSD éo Renato Sampaio, e não vou estar a dizer que ele está a trabalhar para ele, ou é a ressonância do inimigo ( como ele diz de mim) nem vou vasculhar o seu passado para lhe descobrir ligações ao PSD ou outro tipo de ligações menos decorosas, porque sou decente, não faço ataques pessoais, nem faço da calúnia uma arma política.
Pelo que vou conhecendo, infelizmente, não quero ter nenhuma semelhança com o Renato Sampaio.
Só lamento a cobardia de quem manda para os jornais este tipo de insinuações sujas e se recusa a debater em público as divergências, simplesmente porque, como se vê e se lê pelo teor da propaganda, não tem nenhum argumento político.

Movimento cívico apresentou propostas para a reabilitação do Mercado do Bolhão

(Público) 28.09.2008, Jorge Marmelo
Documento prevê um investimento de 16 milhões de euros parcialmente comparticipados pelo QREN
Consumada que está a anulação do negócio entre a Câmara do Porto e a TCN para a transformação do Mercado do Bolhão num centro comercial, o movimento cívico que se opôs àquele projecto apresentou ontem uma proposta defendendo a criação de uma associação semelhante à que tem gerido o Coliseu do Porto, para levar por diante a necessária reabilitação do histórico mercado portuense. O documento, distribuído no final de uma festa que encheu o salão nobre do Ateneu Comercial do Porto, assenta no projecto elaborado pelo arquitecto Joaquim Massena na década de 1990 e prevê um investimento de 16 milhões de euros, dos quais 3,2 milhões poderão ser financiados por verbas do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN)."Este é um momento de festa e de reflexão", considerou Joaquim Massena à margem do evento, salientando que a proposta de parceria entre a câmara, os comerciantes e a cidade tem a vantagem de não implicar a alienação do património. Para que a ideia vá por diante, porém, o arquitecto recorda que será necessária a adesão da autarquia, "com a qual não temos tido diálogo", e a apresentação, até ao final de Outubro, de uma candidatura ao QREN.O documento ontem apresentado integra, para além do projecto de Massena, um estudo económico que sustenta a viabilidade do modelo público de intervenção, segundo o qual o investimento necessário seria recuperado ao fim de 18 anos, contando, para tal, com receitas resultantes do aluguer dos espaços do mercado da ordem dos 842 mil euros anuais. O projecto de Joaquim Massena, refira-se, prevê a completa reabilitação do edificado, a construção de um parque de estacionamento subterrâneo e a criação de espaços de restauração e esplanadas, de um auditório e de um espaço museológico. O arquitecto defendeu esta solução como aquela que melhor defende os interesses da cidade e dos comerciantes, podendo transformar o Bolhão no epicentro da animação comercial e cultural da Baixa.Durante a festa de ontem, que contou com um momento musical e com a presença de várias figuras lidadas ao PS, ao PCP e ao BE, foi ainda exibido o Cidade com Memória, o qual inclui depoimentos sobre o Bolhão de personalidades como o arquitecto Siza Vieira, o cineasta Manuel de Oliveira, o músico Rui Veloso ou a actriz Simone de Oliveira.
(Público) Alice Barcellos 28.09.2008
Dos três jornais nascidos no Porto, apenas um está numa situação sustentável: o Jornal de Notícias. Esta é uma das conclusões da tese de doutoramento da professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) Helena Lima, intitulada Os Diários Portuenses e os Desafios da Actualidade na Imprensa: Tradição e rupturas. O estudo, que estabelece uma ligação entre os acontecimentos históricos do país com os jornais portuenses, tenta explicar o fim de O Comércio do Porto e a crise n'O Primeiro de Janeiro, que quase levou ao seu encerramento em Agosto. O final da ditadura, o 25 de Abril e o período revolucionário, a imprensa estatizada, a reprivatização das empresas jornalísticas e a formação de grupos de media são os factos que guiam a investigação.Helena Lima defende que O Primeiro de Janeiro "só continua com o mesmo nome", uma vez que a linha editorial inicial do jornal já se perdeu. "O jornal passou de generalista para um projecto de jornalismo regional", explica a professora, completando que este diário "tenta sobreviver há mais de uma década".As "fórmulas administrativas" e "as orientações editoriais" adoptadas pelos jornais são os principais motivos de crise ou sucesso, refere o estudo. Durante os anos 80 e 90 do século XX a imprensa nacional passa por uma fase de privatizações e reestruturações. Depois do 25 de Abril grande parte dos diários nacionais ficam nas mãos do Estado - durante a ditadura pertenciam a bancos."Símbolos das cidades"O aparecimento de projectos inovadores, como o PÚBLICO, a formação de grandes grupos de media e a modernização das redacções acarretaram novos desafios. O Comércio do Porto acaba por não resistir à concorrência. Depois de pertencer ao Grupo Lusomundo, é, em 2001, vendido ao espanhol Prensa Ibérica. Em 2005, acaba por ser encerrado por questões financeiras. Helena Lima frisa que nesta altura o "Comércio já se tinha transformado num jornal de âmbito local, embora tenha tentado investir em melhores projectos editoriais ".No Janeiro, a crise começa em 1979, com a morte de Pinto de Azevedo, proprietário do jornal. "Ao longo de uma década, o jornal foi perdendo muitas características. Não havia uma linha editorial e aconteciam mudanças constantes de directores", justifica a professora. A sede do jornal, na Rua de Santa Catarina, acaba por ser vendida, o que mostrou a "fragilidade" do diário portuense fundado em 1868.Enquanto O Comércio do Porto e O Primeiro de Janeiro reflectem aquilo a que Helena Lima chama "deriva editorial", o Jornal de Notícias conseguiu afirmar-se junto do público. Seguindo uma linha "mais popular" do que os jornais de referência, o JN soube tirar partido da inserção num grupo de media. "Apostou na informação generalista, mas continuou a dar as notícias locais", analisa a investigadora.Segundo a professora da FLUP, o encerramento de um jornal centenário "é penoso para quem estuda os jornais". "Mais do que jornais, podem ser vistos como símbolos da cultura de uma cidade", garante Helena Lima. O Comércio do Porto, fundado em 1854, "era um símbolo do Porto". Com o seu encerramento, "um pouco da cidade também desapareceu", lamenta a investigadora. Helena Lima indica que a imprensa nacional é dominada por jornais de cariz generalista. Mas, a nível mundial, "as empresas de media estão a perceber que precisam de investir no local", afirma. "O jornalismo regional está a ressurgir", diz a investigadora, realçando que o jornalismo de âmbito local está cada vez mais presente "no meio on-line".

sábado, 27 de setembro de 2008

REGIONALIZAÇÃO

Ora aqui estão caminhos e soluções concretas na linha do que temos vindo a defender, nomeadamente na declaração de candidatura, e não há outra forma de defender a regionalização... Mas é claro que a REGIONALIZAÇÃO não depende SÓ do PSD...

27.09.2008 (Público) Filomena Fontes


Regionalização "depende do PSD", lembra Vital Moreira



Vital Moreira chamou-lhe provocação, e não foi a única. Sentado ao lado de Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, vice-presidente do PSD e anfitrião das conferências Regionalização: uma vantagem para Portugal?, o constitucionalista afirmou que a reforma dificilmente vingará sem o compromisso do partido liderado por Manuela Ferreira Leite. Que é contra. "Não creio que seja possível criar autarquias regionais sem um consenso, ou pelo menos sem a hostilidade dos grandes partidos nacionais. A regionalização depende do PSD", declarou anteontem à noite, no Porto, Vital Moreira, para quem, sem esse envolvimento, a vitória do "sim" estará condenada ao fracasso. "Se o PSD não se converter à ideia, ou se, pelo menos, não abandonar uma ideia de hostilidade, o referendo não se ganha. E mesmo que se ganhasse, seria a receita para o desastre de uma reforma tão estruturante para o país", antecipou Vital Moreira. Decididamente, não foi apenas Rui Rio (que anteontem se apresentou como um "aluno" que quer ser esclarecido) o único destinatário dos avisos e propostas de Vital Moreira e de João Cravinho, o outro orador da noite. Na plateia, o regionalista Valente de Oliveira foi um dos sociais-democratas em destaque, alvo dos maiores elogios. E Vital quis deixar mais duas "provocações". Desafiou os deputados a "desarmadilhar" a Constituição da cláusula-travão que impede que a reforma se concretize sem uma consulta popular prévia. Uma "bizarria" que poderia ser expurgada na próxima revisão constitucional. "Não eliminando a possibilidade de referendo, mas permitindo que o referendo fosse dispensado se a criação das regiões fosse aprovada por uma maioria de dois terços na Assembleia da República", explicitou. Mas defendeu, também, a urgência de "quebrar a lógica distrital", por estar convencido de que "não haverá regionalização enquanto os distritos forem a base política eleitoral".


"O afundamento do Norte é o problema mais grave do país", analisa Cravinho


João Cravinho, que vê "no afundamento do Norte o problema mais grave que o país enfrenta em termos de desenvolvimento", tem pressa. Propôs a realização do referendo às regiões em simultâneo com as eleições legislativas de 2009. "Casam perfeitamente [os dois actos eleitorais], porque visam assegurar uma boa governança do país", justificou. Vital Moreira desiludi-o: "É uma impossibilidade constitucional e política."Ambos, contudo, estão de acordo quanto ao enorme "trabalho de casa" que ainda falta fazer, muito embora reconheçam progressos desde a derrota na última consulta popular - a aplicação do PRACE, a descentralização de competências para as autarquias e até a consensualização de um mapa assente nas cinco regiões. "A atribuição de competências é essencial a qualquer projecto descentralizador: o que é que as autarquias regionais vão fazer, que poder vão ter? Não conseguiremos ganhar ninguém que tenha dúvidas, muito menos quem seja hostil", avisava Vital Moreira. Reforçando, Cravinho apontou a constituição de uma comissão eventual na AR, com a implicação de deputados de todos os partidos, como a escolha certa para desbravar esse caminho.

Caso este trabalho fique confinado ao Governo, ajuíza, os avanços já conseguidos "acabam por se transformar num adiamento, quando não na exclusão da regionalização".

Esquerda parlamentar aprova voto de solidariedade com a Bolívia

Será um sinal do... futuro? Até porque os alinhamentos de Augusto Santos Silva costumam ser antecipações premonitórias...
Quanto à direita, não há dúvida que o elogio da contenção na repressão, a condenação de ingerências externas e de secessões, é algo de terrivelmente extremista. Claro, para esta direita inteligente, moderado era o Paco Franco, esse grande figurino da democracia que não cozinhava com "carbone".
(Público)26.09.2008 - 18h58 Lusa
A esquerda parlamentar aprovou hoje um voto de solidariedade para com o povo e o Governo da Bolívia, com os votos contra do PSD e do CDS-PP que condenaram o "extremismo" do texto apresentado pelo Bloco de Esquerda. "A Assembleia da República manifesta a sua solidariedade para com o Governo e o povo da Bolívia, elogiando a contenção revelada na forma como, perante o gratuito desafio à autoridade da lei, evitaram um confronto aberto com as trágicas consequências que daí adviriam", lê-se no texto do voto de solidariedade apresentado pela bancada do Bloco de Esquerda. No voto, é ainda condenada "toda e qualquer ingerência externa, tendente ao derrube de um Governo democraticamente eleito e à tentativa de secessão territorial da Bolívia". O Parlamento exprime também o desejo de que as conversações agora iniciadas permitam "uma solução política que conduza à paz, ao normal funcionamento das instituições e ao desenvolvimento da Bolívia". No voto é recordado que nos últimos 15 dias, a oposição de vários governadores da Bolívia ao Governo, "democraticamente eleito e recentemente plebiscitado", fechou estradas, assaltou edifícios do Estado central e conduziu ao assassinato de 17 camponeses que queriam manifestar o seu apoio ao presidente Evo Morales."Quaisquer que sejam as razões que assistem às reivindicações autonómicas, estas nunca permitem nem autorizam o desafio gratuito à autoridade do Estado de direito e aos homicídios que originaram", lê-se no voto de solidariedade, que lembra ainda o "inequívoco apoio" ao Governo do presidente Evo Morales manifestado na recente reunião extraordinária dos países da União Sul-Americana de Nações. Nessa reunião, é também referido, foi ainda rejeitada qualquer tentativa de golpe civil ou de divisão territorial e solicitado "o fim de toda e qualquer ingerência externa nos problemas bolivianos".Na discussão do voto de solidariedade, o PSD, através do deputado José Luís Arnaut, justificou o seu voto contra com críticas ao "extremismo" do texto do Bloco de Esquerda e à "velha retórica anti-americana". Pelo CDS, o deputado Hélder Amaral condenou "todo e qualquer tipo de violência", mas recusou votar o texto do Bloco de Esquerda. Pelo contrário, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, associou-se ao voto de solidariedade, sublinhando que os "princípios e regras democráticas devem ser respeitadas por todos".

Jardins do Porto com falta de manutenção

O olhar atento sobre a cidade do Porto do Mário Sousa no (JN)2008-09-25
Hoje é notório a falta de limpeza e manutenção nos jardins da cidade do Porto.
Com lixo acumulado entre as ervas daninhas e a vegetação que ainda sobrevive nos jardins, com os lagos sempre de água verde com lixo. Os bancos, quando existem dentro dos jardins, também estão destruídos e a necessitar de manutenção.
Outro é o jardim da Praça do Marquês de Pombal, que depois da promessa feita em 10 de Agosto de 2007 na agência LUSA, e publicado em 11 desse mês de Agosto de 2007 nos jornais: Jornal de Notícias, “O Primeiro de Janeiro” e Público, pelo Senhor vice-presidente e vereador do Pelouro do Ambiente da Câmara Municipal do Porto, dr. Álvaro Castello-Branco, de que a autarquia Portuense vai revestir os canteiros de todo o jardim da Praça do Marquês de Pombal. Situação esta que não se realizou completamente e a onde impera a falta de bom-gosto, porque actualmente o jardim da Praça do Marquês de Pombal sendo de grandes dimensões não tem uma única flor para dar um ambiente mais colorido a tão nobre espaço onde se juntam as freguesias de Bonfim, Santo Ildefonso e Paranhos.
O jardim de Moreda, na Rua de Santos Pousada, o jardim de Paulo Valada, entre a Rua de Santos Pousada e a Avenida de Fernão de Magalhães, bem como todos os canteiros do Bairro de Fernão de Magalhães e o jardim do Monte do Tadeu, no ponto mais alto de toda a cidade do Porto estão a precisar de melhoramentos e mais atenção por parte da autarquia Portuense. E, já agora, para quando o regresso dos patos das várias espécies ao lago existente no jardim do Campo 24 de Agosto?
Sempre entendi que fazer política é trabalhar com sinceridade para ajudar todas as pessoas a resolver os seus problemas e proporcionar mais saúde, felicidade e bem-estar para todos.
Mal vai a cidade que não sabe preservar o seu património histórico-cultural, arquitectónico, social e manter viva a memória de um passado com bastante valor. Valor este, de todos aqueles que, como exemplo, fizeram um enorme peditório para erguer o coreto que actualmente se encontra no velhinho Largo da Aguardente (actual Praça do Marquês de Pombal).

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Protesto contra aumento do preço dos combustíveis ganha adesões

(JN) 25.o9.08
A Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas, criada na sequência da paralisação dos camionistas, em Junho, vai aderir à acção de protesto da DECO contra o aumento do preço dos combustíveis, agendada para este sábado.
"Estamos a enviar e-mails aos nossos associados e apelar para que não abasteçam", disse António Lóios, presidente da mesa da Assembleia Geral da ANTP, acrescentando que a associação decidiu aderir porque o preço dos combustíveis está "muito acima do que devia ser praticado".
Segundo as contas da associação, o Estado perde três milhões de euros em Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), devido ao facto dos seus mil associados abastecerem em Espanha, onde os preços são mais baixos.
"As empresas que são nossas associadas estão a consumir gasóleo em Espanha e se abastecessem em Portugal o Estado receberia três milhões de euros em ISP", disse António Loios.
A associação de defesa do consumidor, DECO, organiza neste sábado uma jornada nacional de protesto contra o preço dos combustíveis, apelando aos consumidores para não abastecerem os veículos durante todo o dia.
A DECO quer com este protesto que as petrolíferas façam repercutir no preço de venda ao público as reais variações dos preços das matérias-primas.
A ANTP junta-se assim à Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), à Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e à Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN) nesta jornada de protesto.

Sondagem: Sócrates é responsável pela perda de eleitorado à esquerda

Recebi cinco telefonemas a apoiar-me e um a tirar-me o apoio (que aliás desconhecia, como não conheço a pessoa) profundamente indignado. Até pensei ter dito algo que não devia, ou imaginei ter havido alguma deturpação involuntária da LUSA. Vim ver o texto e verifico que não disse mais do que evidências elementares... Como estamos no país do pensamento único em que mesmo o que entra pelos olhos dentro provoca turbações nos alinhamentos!...


(LUSA) Porto, 26 de Setembro de 2008, 12:14
O candidato à presidência da distrital do PS/Porto, Pedro Baptista, responsabilizou hoje José Sócrates pela perda de eleitorado à esquerda, considerando que esta tendência vai agravar-se e que o actual líder socialista não tem condições para a inverter.
"Não vejo que o primeiro-ministro, pelas suas posições tão vincadas, tenha margem de manobra para recuperar o eleitorado à esquerda", sustentou Pedro Baptista, em declarações à Lusa.
O ex-deputado socialista comentava os resultados de uma sondagem efectuada pela Marktest, para o Diário Económico, que atribui ao PS 36,1 por cento das intenções de voto, ficando o PSD com 29,3 por cento.
Esta sondagem, realizada entre 16 e 20 de Setembro, com base nas respostas de 802 inquiridos, indica um crescimento das intenções de voto na CDU, com 12,6 por cento, e do Bloco de Esquerda, com 10,9 por cento, colocando o CDS/PP em quinto lugar, com apenas 7,1 por cento das intenções de voto.
Na perspectiva de Pedro Baptista, "o único elemento estranho nesta sondagem é a votação do CDS/PP tão alta, tudo o resto é normal e lógico".
"O PSD mostra que não é alternativa e o PS, com uma política muito na área das medidas tradicionais do PSD, foi-se desgastando à esquerda", considerou o candidato à presidência da distrital do PS/Porto onde vai defrontar o deputado Renato Sampaio, que se recandidata.
Na opinião de Pedro Baptista, "pela primeira vez desde o 25 de Abril, a alternância no bloco central está a ser abalada e está a surgir uma alternativa entre esquerda e direita".
"Se juntarmos os eleitores da ala esquerda do PS, com a CDU e o Bloco de Esquerda somos capazes de estar muito perto da maioria absoluta", frisou Baptista, salientando que, perante a evolução da situação política nacional "o crescimento da esquerda era evidentíssimo".
"Quem não contasse com isso não tem noção do que anda a fazer", frisou.
Para o antigo deputado socialista e professor universitário na Universidade do Porto, "o voto que oscilava entre PS e PSD, por falta de credibilidade do PSD, deslocou-se para a esquerda".
"Tenho muitas dúvidas que o PS consiga inverter esta tendência, que considero que se vai confirmar e até acentuar nos próximos meses", defendeu.
Pedro Baptista sustentou que José Sócrates, pelas posições políticas que tem assumido "não tem rosto para ser alternativa à esquerda".

Mais Valongo

(Público) 26.09.2008, Margarida Gomes
O confronto nas hostes do PS de Valongo, divididas entre o apoio a Afonso Lobão ou a Maria José Azevedo como futuros candidatos do partido à presidência da câmara, está ao rubro, perante o silêncio do líder da distrital, Renato Sampaio. Ontem, numa reacção às críticas de Afonso Lobão, que deu "nota zero" aos elementos do PS no executivo camarário, o vereador Jorge Videira acusou o seu correligionário de estar "desesperado" e de tentar "chantagear o secretário-geral" do partido. Videira disse ao PÚBLICO que o que mais o incomodou foi a forma como Lobão se referiu ao secretário-geral, José Sócrates, declarando que tem "algumas verdades" para lhe dizer, no caso de a candidatura à presidência da autarquia de Valongo não passar por si. "É ameaça, é chantagem ou é, apenas, disparate?", questiona Videira. "Quem tem respeito pelo líder e, aparentemente, uma tão grande intimidade e contacto frequente, não pode deixar de já ter dito tudo o que havia para dizer", considera.Indignado com o tom das críticas, o vereador vê as declarações do actual director distrital adjunto do Porto da Segurança Social como "uma ameaça ao líder da distrital do PS-Porto" e lamenta "os maus serviços que Lobão prestou ao PS e a Valongo. Se ele fosse eleito, decerto faria o que já anteriormente fez: abandonou o lugar antes de ter terminado o mandato em troca de lugares mais apetecíveis". Saindo em defesa de Maria José Azevedo - "tem feito uma oposição constante, empenhada e consistente" - Videira denuncia a visão que Lobão tem da política e do exercício de cargos públicos: "És do PS? Tens. Não és do PS? Então não tens". "É isso que se depreende das críticas que nos faz pelo facto de não aproveitarmos a circunstância de o PS estar no Governo", argumenta. Contactada pelo PÚBLICO, Maria José Azevedo apenas disse: "A notícia não me merece nenhum comentário". Maria José Azevedo "tem feito uma oposição constante, empenhada e consistente", disse Videira
A nossa democracia chegou ao que a foto retrata? Esta noite?
(Portugal Diário) 25.09.08 A PSP está a realizar na madrugada desta sexta-feira várias operações policiais de prevenção à criminalidade em bairros do Porto. Pelos menos, três locais terão sido «fechados» pela polícia. Um dos bairros alvo da operação é o Aleixo.
Os vários agentes do Corpo de Intervenção da PSP obrigaram os cidadãos a encostarem-se a um muro, de modo a que fossem revistados. A operação tem ainda em vista a fiscalização de viaturas.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Governo quer cobrar SCUT em Janeiro

(Diário de Notícias) 25.00.08
Auto-estradas. O Executivo não se compromete com nova data, mas o início de 2009 é o calendário previsto nas negociações em curso com três concessionárias para introduzir portagens num número ainda limitado de lanços. A cobrança na extensão total deverá estar operacional em Abril
Governo quer começar a cobrar Scut em Janeiro
O dia 1 de Janeiro de 2009 é o novo objectivo de referência para o arranque da cobrança de portagens em três das Scut (auto-estradas sem custos para o utilizador). Esta é a data definida pelo Governo nas negociações com três concessionárias que gerem a Costa de Prata, o Grande Porto e o Interior Norte, soube o DN.Numa primeira fase, as concessionárias têm de disponibilizar a cobrança em cerca de cinco sublanços (o número total de sublanços oscila entre os 22 do Grande Porto, os 27 do Norte Litoral e os 30 da Costa de Prata). O sistema só ficará totalmente operacional em toda a concessão a partir de 1 de Abril, sendo que estão previstas isenções relevantes para o tráfego local. O Ministério das Obras Públicas não comenta estas datas, mas o ministro Mário Lino tem dito publicamente que tenciona avançar com a cobrança destas três Scut, decidida já há dois anos, o mais depressa possível e antes das eleições legislativas do próximo ano, contrariando as expectativas de muitos responsáveis do próprio sector. Quanto às concessionárias, fontes próximas reconhecem apenas que as conversas estão avançadas. Apesar de existir um quadro temporal definido para as negociações, há ainda muitas questões em aberto que poderão alterar, uma vez mais, a data de entrada em vigor desta medida muito contestada a nível local. Uma das mais complexas tem a ver com a operacionalização da cobrança e a assunção do risco de não cobrança. As novas portagens serão "virtuais", na medida em que não serão físicas, sendo a identificação dos carros realizada através de pórticos instalados em cada sublanço. Acontece que para este sistema funcionar plenamente teria que estar em marcha a instalação do chip electrónico de identificação em cada veículo automóvel. Este processo está atrasado e ainda nem sequer foi produzida a legislação original, pelo que a sua implementação irá demorar vários meses, não sendo compatível com o calendário do Governo para a introdução de portagens. A alternativa passa pela utilização da Via Verde - que é o sistema cobrança mais difundido - mas irá exigir a utilização de outras soluções complementares, pelo menos a título temporário. Uma delas passa por um dispositivo que fotografa cada veículo, para proceder à sua identificação para posterior cobrança, um sistema que é mais caro. A implementação de um regime de pré-pagos também está em cima da mesa.Para além da cobrança efectiva está ainda em causa quem irá assumir o risco das infracções - as concessionárias, o Estado ou a Estradas de Portugal. É que sem portagem real, sendo esta uma medida que já gerou muitos protestos, é de esperar um nível de não pagamentos muito superior ao das auto-estradas. E para além da perda de receita, há ainda os custos de cobrança.Outra matéria muito sensível é a definição do tráfego que ficará isento até porque terá de passar por conversas com as autarquias. Para além do critério de isenção, é preciso definir quem financia este tráfego: se as portagens dos troços pagos vão ser mais altas para compensar estas borlas ou se o Estado continuará a pagar directamente rendas às concessionárias por este tráfego.
20 000 consultas !
Estamos quase a atingir a vigésima milésima consulta do blog!
20 000
Não será muito muito; mas também não será muito pouco.
Hoje, 19, às 21,30
Secção da Maia
Sessão de perguntas e respostas
com
os socialistas maiatos
e
Pedro Baptista

Afonso Lobão disposto a dizer "algumas verdades" a Sócrates sobre a candidatura à Câmara de Valongo

Mais uma encrenca das grossas, numa Câmara que o PS pode e deve ganhar até com alguma facilidade. O imbróglio resulta da inexistência política do presidente da Distrital que em lugar de apagar os lumes e os resolver atempadamente, deixa arder até tudo ser cinza...
(Público) 25.09.2008, Margarida Gomes
O dirigente nacional do PS Afonso Lobão queixou-se ontem da "experiência diabólica" que está a viver por causa da sua disponibilidade para se candidatar à presidência da Câmara de Valongo nas autárquicas do próximo ano e levantou a voz contra aqueles que "andam a fazer constar que o secretário-geral poderá ter de intervir" na escolha do candidato. "O engenheiro José Sócrates tem confiança em mim e tem falado comigo, mas ainda não me disse nada [sobre uma eventual candidatura]. Se isso acontecer, não deixarei de lhe dizer algumas verdades", afirmou. O director distrital adjunto da Segurança Social do Porto garante que "vai aguentar-se até à última", e, se for, de facto, o candidato do partido, diz estar a "marimbar-se" que Maria José Azevedo [actual vereadora pelo PS na Câmara de Valongo] avance como independente. O processo de candidatura à presidência da Câmara de Valongo está a ser uma dor de cabeça para o líder da Federação do PS-Porto, Renato Sampaio, que terá de escolher entre Maria José Azevedo, que em 2005 foi escolhida para se candidatar à presidência daquele município, estando de novo disponível para se recandidatar, e Afonso Lobão, que conta, desde já, com o apoio da concelhia, liderada por Orlando Rodrigues. "Se eu for eleito, serei um bom presidente", declara o ex-deputado socialista, avisando que se for o escolhido e a distrital não concordar, o diferendo terá de ser dirimido entre a concelhia e a distrital.Em declarações ontem ao PÚBLICO, Afonso Lobão criticou com veemência a forma como o PS tem feito oposição, atribuindo "nota zero" à vereadora, acusando-a de "nada fazer para resolver os problemas dos munícipes"."Se eu fosse vereador na câmara, os problemas do concelho seriam os meus problemas", disse, censurando os autarcas do PS por não aproveitarem a "circunstância de o PS estar no Governo e, dessa forma, resolver alguns problemas". Com o livro das críticas aberto, Lobão alude aos problemas que o concelho enfrenta, desde o desemprego, à falta de instalações para o tribunal e de centros de saúde. Declarando que não há "primas-donas", nem candidatos "naturais", Lobão não descortina o "interesse" que Valongo passou a ter. "É inimaginável! Que mina de ouro é que Valongo tem para passar a haver um conjunto de pressões?", questiona, garantindo que a distrital tem estudos de opinião que o colocam "muito perto" de Maria José Azevedo."E eu não tenho notoriedade", assinala.

O Porto e a poesia

Artigo genuíno

(Público) 25.09.2008, Luís Miguel Queirós

Não sei precisar a data, mas deve ter sido em 1989. Eu estava a jantar, sozinho, numa tasca da zona da Boavista, no Porto. Além de mim, só havia outro cliente, que me chamara a atenção porque, tal como eu, estava a ler um livro de poemas enquanto comia. Que a coincidência também o interessou tornou-se manifesto quando se levantou, se dirigiu à minha mesa e, sem quaisquer preâmbulos, atirou: "Tens olhos de poeta." A abordagem pareceu-me inquietante e, confesso, foi com alguma relutância que o convidei a sentar-se. Mas a conversa posterior deve ter-me tranquilizado, porque o levei para casa e, pelas três da manhã, estava a ouvi-lo dizer de cor os 168 versos da Tabacaria de Fernando Pessoa. Quando lhe chamei um táxi, e tendo em conta que eu próprio já então os utilizava diariamente e conhecia todos os motoristas da zona, preferia que não tivesse insistido em despedir-se de mim, dando-me, à porta de casa dos meus pais, sucessivos beijos no pescoço. Ainda assim, reconfortou-me pensar que sempre era uma sorte que ele fosse bastante mais baixo do que eu. A personagem chamava-se Joaquim Castro Caldas. Como fiquei a saber nessa noite, era uma ovelha algo tresmalhada de uma família tradicional, que até fornecera um ministro ao Estado Novo. Tinha caído de pára-quedas na anódina noite portuense, vindo de lugares bastante mais animados, como Paris, onde convivera com Leo Ferré, ou Veneza, onde afirmava ter guiado uma gôndola e cantado o fado. Agora, explicou-me, dera-lhe para se radicar no Porto e, às segundas-feiras, organizava umas sessões de poesia no Pinguim. Uma coisa suficientemente insólita para me despertar a curiosidade, nesse tempo em que éramos governados por um sujeito que não sabia quantos cantos tinham Os Lusíadas. Num ambiente escuro e enfumarado, sete ou oito pessoas ouviam o Caldas - chamei-lhe sempre assim, embora não se cansasse de me frisar que o nome dele era Joaquim - dizer poemas de Rimbaud (em francês), Pessoa, Sá-Carneiro, Almada, Herberto Helder ou Mário Henrique Leiria, mas também dele próprio ou de poetas muito novos, às vezes sem livros publicados. Tinha ao seu lado um grande baú donde ia tirando livros e papéis. Depois era a vez de a assistência se chegar à frente. Tanto surgia alguém a tentar imitar Villaret a dizer A Duquesa de Brabante, como um adolescente a gaguejar o poema que escrevera nesse mesmo dia. E quase sempre aparecia um senhor com idade para ser pai da restante fauna, que tinha uma bela voz e recitava em castelhano o Llanto por Ignacio Sánchez Mejías, de Lorca. A qualidade do que se ouvia era deveras desigual, mas o ambiente era único. Foi isso que tentei dizer quando escrevi uma notícia a divulgar estas sessões, que saiu no primeiro número do PÚBLICO, de 5 de Março de 1990. Ao lado de uma fotografia de Joaquim Castro Caldas com um livro à frente dos olhos e um copo de cerveja à ilharga, lia-se o título "Pinguim: poesia à queima-roupa". Quando as Segundas-Feiras de Poesia se tornaram um pequeno sucesso de público, com pessoas até sentadas no chão de cimento, nem por isso deixaram de se manter iguais a si mesmas. Mérito do Caldas, que, apreciasse mais ou menos o género, era um artigo genuíno. Não o estou a ver, por exemplo, a promover um José Luís Peixoto. Talvez lhe dissesse que tinha olhos de poeta, mas não lhe dedicaria uma sessão.
HOJE MAIA
25 de Setembro às 21,30
PEDRO BAPTISTA
Encontro com militantes maiatos
Em sessão de
PERGUNTAS E RESPOSTAS
na sede da
Secção da Maia

Valentim acusado de burla em negócio com lucro de três milhões

(JN) 23.09.08
Valentim Loureiro, o seu filho Jorge, o seu vice na autarquia de Gondomar, três advogados e mais quatro arguidos foram formalmente acusados pelo Ministério Público no âmbito do fabuloso negócio da venda da Quinta do Ambrósio, em Gondomar, à STCP, com um lucro de três milhões de euros em tempo recorde.
De acordo com informações recolhidas pelo JN, burla qualificada, instigação à administração danosa, prevaricação e participação económica em negócio são os crimes imputados ao major.
Os ex-administradores da empresa que gere os autocarros no Grande Porto, Manuel Oliveira Marques e José Gonçalves Martins, estão acusados por três crimes de administração danosa.
O vice de Valentim irá responder pelos mesmos crimes que o major, acrescido de branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada e falsificação de documento. Na lista dos acusados pelo procurador Carlos Teixeira – desde há dias colocado na comarca da Madeira, após ter sido promovido a procurador da República - estão ainda os advogados António Araújo Ramos, Laureano Gonçalves e Carlos Dias. Também Fernando Paulo, vereador da Câmara de Gondomar, e uma funcionária autárquica são visados pelo Ministério Público, com referência ao alojamento, em habitação social da câmara, de um caseiro que ocupava a quinta.
Como vítima do alegado esquema de burla presumivelmente engendrado pelo major, aparece a família de Ludovina Silva Prata, que, segundo a sua versão, julgava que o terreno vendido em 2000 por 1,075 milhões de euros teria capacidade construtiva e o valor de pelo menos quatro milhões de euros. O terreno em causa, que se destinaria a uma estação de recolha de autocarros, permanece hoje, como há vários anos, sem qualquer construção.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Adiado prazo para entrega de conclusões de inquérito ao acidente do Tua

Grande "coisa" anda por aqui...
(Público) 24.09.2008 - 13h26 Lusa
O prazo para serem concluídas as conclusões do inquérito ao acidente na linha do Tua do passado dia 22 de Agosto foi prolongado por mais um mês a pedido da Faculdade de Engenharia do Porto, anunciou hoje o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
O prazo de 30 dias estipulado pelo ministro Mário Lino para a Comissão Técnica de Investigação apresentar conclusões terminou anteontem, mas foi prorrogado por mais um mês.
A comissão continua sem ter uma explicação para o acidente de 22 de Agosto em que morreu uma pessoa no descarrilamento de uma automotora, com 47 passageiros a bordo. Fonte do Ministério das Obras Públicas explicou à Lusa que "por não haver ainda uma conclusão sobre as causas é adiado o prazo da conclusão do inquérito". O adiamento foi pedido pela Faculdade de Engenharia do Porto, que alegou "necessitar de mais tempo para investigar as circunstâncias do acidente", acrescentou a mesma fonte.
Num ano e meio este foi o quarto acidente na linha do Tua, dos quais resultaram quatro mortos e várias dezenas de feridos. "Face à fundamentação invocada e dada a importância da contribuição de entidades especializadas, o ministro decidiu autorizar a prorrogação até dia 22 de Outubro do prazo de entrega do relatório final com vista ao apuramento inequívoco das causas do acidente", refere um comunicado da tutela.
O presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano, afirma ficar "satisfeito que se faça tudo, mesmo que demore mais tempo, para se apurar as verdadeiras causas do acidente", mas mostra-se agora preocupado com as consequências do adiamento. Segundo o autarca, o Metro de Mirandela arrisca a falência devido à indefinição em torno da linha do Tua, que com o adiamento hoje a anunciado permanecerá encerrada pelo menos durante mais um mês, provocando uma redução do turismo.O também presidente da administração da sociedade do Metro de Mirandela sublinha que "esta situação traz custos acrescidos à empresa, que já por si é extremamente deficitária". Segundo José Silvano, "sem circulação não há receitas e há ainda custos acrescidos com os transportes alternativos que para pouco servem". Um táxi ao serviço da CP está a fazer o transporte no percurso encerrado para os passageiros que pretendem fazer a ligação entre Mirandela e a linha do Douro, no Tua. "Quanto mais tempo demorar a restabelecer a circulação ou a decisão sobre a linha, maiores serão as consequências", reforça o autarca, salientando que com o risco de falência fica em causa o posto de trabalho dos nove funcionários da empresa.O responsável entende que "pode também prejudicar fortemente o turismo na região com os operadores turísticos a procurarem destinos alternativos".
A linha do Tua, considerada uma das vias estreitas mais belas do mundo, é o único troço de caminho-de-ferro no Nordeste Transmontano, estando reduzida a 60 quilómetros entre Mirandela e o Tua.

Mais um apoio ... limitado... mas sempre bem-vindo


Muito boa tarde Professor

Já há algum tempo que não o encontro, fui seu aluno na Escola Secundária Clara de Resende onde tivemos algumas trocas de ideias pois o Professor estava em transição para a Plataforma de Esquerda.
Sempre foi uma pessoa que segui com atenção e admiração mesmo quando pensava diferente de si, agora que as nossas vidas se cruzaram no mesmo partido e pretende assumir um cargo que representa a forma de pensar das gentes do Norte, venho declarar a minha solidariedade e a minha disponibilidade para o ajudar nesta luta.
Neste momento não estou filiado no PS porque no último censo como troquei de morada não recebi o documento para revalidar e tambem só dei por isso quando fui votar para as últimas eleições concelhias de Gondomar e não constava das listas mas estou disposto a voltar a filiar-me e a ajudá-lo no que for preciso pois estou um bocado cheio desta vassalagem ao poder central.

Um abraço -- Fernando Miguel Azevedowww.autismo-norte.blogspot.com

2ª Carta Aberta a Renato Sampaio

Porto, 25 de Setembro de 2008

Caro Camarada Renato Sampaio:

Faz hoje quinze dias que lhe escrevi, convidando-o a aceitar dois ou três debates públicos na TV e na rádio.

Não obtive qualquer resposta.

O que só pode significar que, além de ter pouco em conta a cortesia, o Camarada não consegue ter argumentos para nada, nem sequer para se recusar a debater comigo.

Pelo meu lado, continuo a cumprir a minha obrigação, vou insistir.

Destrata-me não respondendo, mas eu vou continuar pois, na verdade, tal não me afecta nada, o que me interessa é que se faça o debate necessário para que PS-Porto se volte a identificar com a região que lhe compete defender, para que volte para onde pertence ou seja para as bases e que deixe de ser um grupo fechado onde V. e mais dois ou três cozinham, mais de acordo com os seus interesses particulares do que de acordo com os interesses do partido e muito menos dos cidadãos.

Eu gostava que V. esclarecesse porque nunca tomou uma posição em defesa da região do Porto em assunto nenhum, como é que nunca abriu a boca quando as dezenas de milhares de milhões dos programas temáticos do QREN foram desviados do Norte para Lisboa, como é possível que o TGV ( se vier a ser feito) não passe pelo Aeroporto F. Sá Carneiro sem V. dizer nada, como é que foi possível com a sua silenciosa aquiescência adiar o avanço das obras do Metro ao contrário do que estava acordado por falta de verbas que no entanto não faltam para o faraonismo das obras públicas lisboetas, como é que tivemos uma redução de 37% do PIDAC na AMP de 2006 para 2007 com o seu voto favorável e dos outros deputados do Porto e sem uma palavra, como é que, ao contrários dos líderes concelhios socialistas da Póvoa, de Vila do Conde, ou de Matosinhos, V. não abre a boca sobre a tentativa de pôr as SCTUS do Porto como as únicas que passariam a pagar portagem… enfim, tantos temas de que só estou a apontar alguns e não aponto mais porque, pelo andar da carruagem, terei de os guardar para a próxima carta, daqui a quinze dias, se V. voltar a não me responder ou continuar a fugir aos debates públicos comigo.

Mas, meu caro, compenetre-se, V. não tem por onde fugir. Não o vou largar e, se com o silêncio, V. quiser insinuar qualquer superioridade intelectual, cultural, política ou de qualquer tipo, só me enche, a mim e a toda a gente, do mais saudável e desopilante riso às gargalhadas. Só conseguirá arvorar a arrogância dos fracos e uma doentia incapacidade para o sentido do ridículo.

Quem é V. para fugir ao debate? Quem é V. para não comentar o que digo? Que devo pensar? Que devo concluir?

Que V. foge porque, pelos vistos, não é capaz de um debate argumentativo nem que pague a peso de ouro o trabalho insistente de muitos explicadores? Que V. não debate, nem comenta, porque não tem argumentos, o seu trabalho faz-se pela calada, nos corredores, entre o aparelho que V. não deveria poder utilizar, distribuindo e negociando um poder que não é seu mas dos portugueses, e tudo nas costas dos cidadãos e dos militantes de base que V. não conhece, não quer conhecer e até despreza?

Não terei razão?

Oxalá que não! É provável que eu não tenha razão!

Venha então a debate, deixe de usar ilegitimamente e à socapa o aparelho do partido para armar a teia do deve e haver dos seus apoios, venha à luta de ideias e de factos, venha esclarecer os cidadãos eleitores, os simpatizantes, os militantes, venha-me esclarecer a mim e a si próprio, que também não lhe fará mal.

Se continuar escondido no silêncio dos cemitérios significa que V. está morto politicamente. É consigo! Mas o partido não está disposto a isso. Nem os cidadãos. Querem estar vivos, querem que os esclareçam, querem que lhes prestem contas dos resultados do emprego do dinheiro com que financiam, com o seu esforço, os partidos e os auto-proclamados “políticos”.

Vir a debate comigo, em público, não é uma opção sua. É uma obrigação a que não pode fugir sob pena de, como sói dizer-se, ficar muito mal na fotografia.

Aguardando mais uma vez uma resposta, endereço-lhe as minhas cordiais

Saudações Socialistas.

(Pedro Baptista)
Crónica de Pedro Baptista 25.08.09 ( no ar, pelas 8da manhã)
Os sete anos de consulado do Dr. Rio e da coligação das direitas à frente do município do Porto, foram, como está bom de ver, um tremendo desastre. A cidade não só parou como continua a definhar a olhos vistos. Tirando uns eventos para alegrar a malta, em substância, a que foi capital económica, cultural e política do Norte chegou, pelas vistas curtas e pela incompetência de Rio e da sua equipa, ao grau zero da existência.

Senão, era só ver o fiasco completo da Bandeira Azul tão propagandeada para as praias do Porto, ou a trapalhada que ultrapassa tudo do Mercado do Bolhão! E pior, o zero absoluto em projectos mobilizadores para a cidade, criadores de melhores condições para gerar riqueza e para gerar emprego. Com Rio, e para desgraça de todos nós, o Porto tornou-se um buraco negro no meio da Área Metropolitana, onde pouco mais do que a bandeira azul e branca e a da Universidade flutuam com espírito vencedor, embora milhares de pequenas e médias empresas continuem a lutar galhardamente pela sobrevivência difícil numa situação global também particularmente difícil.

Mas ultimamente Rui Rio está a conseguir obter trunfos políticos que não imaginava vir a ter e muito menos esperava que lhe fossem servidos numa bandeja pela actual direcção do Partido Socialista do Porto.

Se não vejamos: primeiro, Rio já fala da regionalização porque em dois anos e meio o PS-Porto nem falou dela e, sobretudo, nunca vez nada para criar condições para ela viesse a ser feita com facilidade como se tinha comprometido; segundo, Rio arvora-se em defensor de uma administração regional do Metro como os socialistas sempre defenderem, incluindo Assis na Câmara, mas que esta última direcção do PS-Porto, dirigida por Renato Sampaio, deixou de defender para entregar o Metro à administração do poder central; terceiro, Rio defende a autonomização do Aeroporto do Porto no processo de privatização em curso da ANA, como seria lógico que os socialistas portuenses defendessem e defendem, mas que a direcção não defende porque aguarda instruções da capital.

Por aí adiante, Rio, que foi sempre, tal como o PSD, a favor do pagamento das SCUTS, até poderá vir a manifestar-se contra o pagamento das SCUTS no Porto, enquanto teremos o líder distrital do PS Porto a defender a tentativa do governo para pôr os portuenses a serem os únicos no país a pagarem as SCUT, embora já se tenham manifestado contra os socialistas da Póvoa, de Vila do Conde e de Matosinhos!

Em conclusão Rio que tem tido para o Porto a gestão mais pobre e mais trágica dos últimos vinte anos, poderá, por obra e graça do líder do PS-Porto, tornar-se o grande defensor da região, o grande defensor do Porto!

É obra! É preciso mesmo muita irresponsabilidade e falta de sentido político à frente do PS- porto para entregar a Rio e ao PSD as bandeiras de defesa da região que outrora sempre pertenceram ao PS!

É por isso que, para correr com Rui Rio, é urgente que os socialistas corram com a actual direcção socialista do Porto, por acaso toda ela instalada em Lisboa.

Por acaso, ou melhor, não por acaso.

terça-feira, 23 de setembro de 2008



Crise sistémica?

Por Mário Soares

(DN) 23.08.09
Um artigo... na hora!
É uma maneira elegante de sugerir, sem ser alarmista, a crise do sistema ou a crise do modelo económico. É como empregar a palavra suave abrandamento (que tanto ouvimos, nos últimos tempos), para fugir à horrível recessão ou admitir a expressão, crise económica. Mas quem se pretende enganar com tais eufemismos?
No final da última semana, na iminência das falências de bancos e companhias de seguros na América (como Lehman Brothers e American International Group, a AIG, para só citar os exemplos mais recentes), com repercussões nos países da União Europeia, da Suíça, do Japão e da China, o Presidente Bush foi obrigado a fazer uma intervenção dramática, prometendo que a Reserva Federal Americana e o Tesouro iriam entrar com os biliões necessários para resolver o problema. Não foi preciso mais nada.
As bolsas - até então em desespero - reagiram com grande optimismo e, por toda a parte, houve subidas importantes no preço das acções em bolsa. Contudo, está ainda tudo em aberto, com o intervalo do fim-de-semana. O Congresso terá de se pronunciar. Veremos o que se passará nesta semana
George Soros, numa entrevista dada ao Le Monde, no sábado passado, culpa os integristas do mercado (isto é, o sistema neoliberal, a ideologia "do laisser faire e da auto-regulação dos mercados"), responsáveis, pelas imensas perdas dos bancos, das seguradoras e das bolhas do imobiliário (sub-prime), que estão a conduzir à implosão do sistema. E então? Perante a catástrofe iminente, aqueles mesmos que reclamavam, há poucos meses, menos Estado, mais privatizações, recorrem agora ao Estado, com total desfaçatez, isto é: ao dinheiro dos contribuintes. Privatizam-se os lucros e socializam-se os prejuízos - essa parece ser agora a regra - sem se importarem com os prejuízos dos accionistas e as consequências que daí vão resultar no aumento em flecha do desemprego e na quebra intolerável do nível de vida das pessoas menos favorecidas. Como de costume, são os inocentes que mais sofrem. Porque os administradores e os gestores dos bancos e demais empresas - os responsáveis - saem a sorrir, com grandes indemnizações e chorudas reformas, com total impunidade.
A crise, iniciada nos Estados Unidos, no segundo mandato de Bush - como muitos previram e avisaram - está a repercutir-se na Europa, na Rússia, mesmo na China. Trata-se de uma crise talvez pior do que a de 1929. Como disse Soros: "Na China, a crise económica pode degenerar em crise política. Paradoxalmente, a crise do capitalismo americano pode dar cabo, sem o desejar, do comunismo chinês", avisa ainda Soros...
De qualquer forma, o sistema neoliberal entrou em ruptura. É preciso repensar o capitalismo, passando da fase especulativo-financeira dos paraísos fiscais, de uma "economia de casino", para um capitalismo ético, vincadamente social e respeitador do ambiente.
É possível uma tal mudança? É. Mais: é inevitável.
Mas, como escreveu o economista Joseph Stiglitz, prémio Nobel: "É preciso que os dirigentes políticos do Ocidente tenham a coragem de virar decisivamente à Esquerda" (El Pais, 7 de Setembro de 2008).
Ora a Esquerda americana sempre contou pouco, salvo com o New Deal de Roosevelt, e a nova fronteira de Kennedy, que durou pouco tempo. Mas o partido democrático sempre conseguiu estabelecer uma diferença com o partido republicano, ultraconservador, excepto talvez com Eisenhower, que teve a coragem de denunciar o perigoso "complexo industrial-militar", que renasceu em força com Bush. Barack Obama, sem ser ideologicamente de Esquerda, marca uma diferença clara com o ultraconservadorismo, político-religioso, de McCain e da sua companheira de lista, Sarah Palin, populista e antielites, que em pouco mais de duas semanas subiu ao estrelato máximo e começou a sua descida aos infernos, mostrando a sua impreparação política e as suas fragilidades.
Pelo contrário, a Esquerda europeia, que nos anos 70 e 80, dava cartas na Europa, com líderes da qualidade e coragem de Willy Brandt, Mitterrand, Schmidt, Callagham, Olof Palme, Kreisky, Felipe González, Nenni e Craxi, após o colapso do comunismo, começou a perder terreno e a deixar-se "colonizar" pelo pensamento neoliberal de Blair e Schroeder e da chamada "terceira via" (hoje desacreditada).
Daí, as perguntas que surgem: como se chegou à situação de fraqueza - e paralisia - em que a Esquerda se encontra na Europa de hoje? Como repensar o pensamento de Esquerda para poder fazer frente à crise múltipla com que estamos confrontados?
Se tivermos em conta a evolução - e o desnorte - dos partidos de Esquerda, nos grandes países europeus - o SPD, na Alemanha, o New Labour, no Reino Unido, os socialistas, em França, a "nova democracia", na Itália, para só citar os maiores - constatamos facilmente o declínio dos partidos que se reclamam da social-democracia, do trabalhismo, do socialismo democrático e da própria Internacional Socialista, cuja voz, hoje, quase deixou de se ouvir.
É verdade que há outra Esquerda residual: o que resta dos partidos comunistas, os alteromundialistas, que animam movimentos meramente protestatários, mas que tardam em encontrar o seu caminho para chegar ao poder. Sem esquecer o papel extremamente importante das Federações e Confederações Sindicais, que têm incontestável força e das associações de defesa dos Direitos Humanos, dos ecologistas e outras que têm a sua força, no plano social, mas com pouco peso na disputa do poder, em termos eleitorais...
É preciso, pois, repensar a Esquerda reformista, na perspectiva de fazer face, com êxito, à crise e de encontrar outro modelo económico, social e político (no sentido do aprofundamento democrático e de uma maior participação cívica dos cidadãos) para dar um novo élan à Europa (paralisada), responder à angústia e ao pessimismo dos cidadãos, quanto ao futuro, reforçando a justiça social.
Voltar aos valores éticos - que foram sempre bandeira da Esquerda -, ao civismo (contra o enfraquecimento dos Estados), contra as sociedades de mercado e dos negócios pouco transparentes, lutar contra a corrupção e o tráfico de influências. Voltar à militância em favor da paz e das negociações para resolver os conflitos, lutar contra a precariedade do trabalho, contra as desigualdades, a injusta distribuição dos rendimentos, pela inclusão social, contra a degradação do ambiente e pela ordenação do território. É preciso repensar as políticas de Esquerda, apelando sobretudo, à participação dos cidadãos. E velar para que as mulheres e os homens de Esquerda, que cheguem ao poder nos Estados ou nos partidos, sejam pessoas impolutas, que saibam distinguir os negócios privados do serviço público.Foi essa honradez republicana que permitiu que a nossa I República, apesar de só ter durado dezasseis anos, deixasse um legado de moralidade que resistiu, como um exemplo a seguir, a quase meio século de ditadura. Foram os lobbies dos interesses, a imoralidade dos dirigentes dos bancos e das empresas, as grandes negociatas, envolvendo políticos, e o tráfico de influências, numa palavra, a promiscuidade entre a política e os negócios, que desacreditou a política e nos conduziu à crise em que nos encontramos.
Não nos deixemos iludir: o sistema está podre e é preciso mudá-lo. Essa é a grande tarefa da Esquerda europeia, com autonomia ideológica em relação à América, uma vez repensadas as políticas e os comportamentos, para que os cidadãos se mobilizem.