sexta-feira, 29 de maio de 2009

No caminho certo mas em passo demasiado lento
Por André Freire (Fonte: Ladrões de bicicletas)
O Bloco de Esquerda tem tido, de há mais de um ano a esta parte, sondagensque apontam para uma possível duplicação dos seus resultados de 2005. Penso que o BE faz mal se porventura considerar isto como um dado adquirido: não é, de todo.
Na hora dos constrangimentos tácticos virem ao de cima, nomeadamente os relacionados com a formação de um governo, o BE poderá muito bem acabar com muito menos votos do que as sondagens faziam prever…
É que as pessoas querem sobretudo saídas e soluções, não querem apenas protesto (a não ser que estejam muito, muito zangadas…). Além de que, ao nível da esquerda radical, o espaço do protesto per se já está ocupado… e, portanto, para crescer e se afirmar, é necessário que o BE apresente alguma inovação política.
Por tudo isso, poderão ser eleitoralmente mais produtivas posições tais como as que Miguel Portas expressou ao i (18/5/09): “estamos claramente a preparar o Bloco para ser governo” e “recusamos pertencer a qualquer governo com esta liderança (do PS)”.
Mas é ainda curto: para capitalizar plenamente com o descontentamento entre os eleitores socialistas, sendo capaz de converter isso em votos e, posteriormente, em políticas de mudança, o BE precisaria porventura não só de clarificar se aceitaria apoiar um governo socialista com outra liderança (exceptuando Alegre, que está fora de jogo), já na próxima legislatura, mas também de fazer disso um tema central de campanha (à semelhança do que fez, de forma muito bem sucedida, o CDS, em 2002: “por um braço direito no governo”).
Sem isso, o Bloco Central e a abstenção poderão tornar-se as únicas vias de saída para os segmentos do eleitorado cansados da maioria absoluta mas desejosos de uma solução estável no parlamento, como a bipolarização crescente nas sondagens parece sugerir…
No meu último artigo (11/5/09), apresentei algumas das vantagens de uma solução do tipo “esquerda plural”, caso os portugueses para aí apontem nas eleições. Parece que estou muito bem acompanhado: “se o PS não tiver maioria absoluta, a viragem que poderá ser útil fazer não é rumar ao centro nem, muito menos, à direita, mas sim à esquerda (Mário Soares, DN, 19/5/09)”. (Excertos do meu último artigo no Público, 25/5/2009)

5 comentários:

Manuel Silva disse...

Não tenho dúvidas...a abstenção será enorme...


E não é tanto por culpa dos partidos(BE e PCP)..enfim...

M. Machado disse...

O André Freire tem razão e a sua razão interessa tanto ao BE como ao conjunto da esquerda, em particular ao PS. Toda a gente espera que o PS seja o partido mais votado em Outubro sem maioria, donde é fundamental que o BE assuma ou não a sua passagem para a lógica da responsabilidade (vindo da lógica unicamente da convicção)mostrando-se capaz de ser uma força política útil, susceptível de participar no governo.
Está em todas as sondagens nos 10% e agora ou trai esta expectativa e cai tal como aconteceu ao PRD ou sobe por aí acima por se tornar uma partido de responsabilidade e da governação, coisa que o PC não quer porque se mantém como um partiodo "sindical" com medo de se queimar a governar e, em contrapartida, por enquanto entende que governar é sozinho com o seu programa, o wur nunca acontecerá por mais catástrofes que vitimem o país.
O eleitorado hoje é pragmático e quer uma política que ajude o país, não uma política que lhe arranje mais dificuldades. Para o BE está a chegar a hora da verdade. Terá certamente alguns que não alinharão porque querem protestar e estar na oposição para sempre porque acham que assim mantêm o céu nas suas consciências. Mas será assim que ganhará espaço acima dos 10% podendo vir a conquistar grandes franjas do eleitorado de esquerda do PS.
Em suma, se o BE assumir as suas responsabilidades históricas, e o Portas parece dos mais conscientes disto,deve dar sinais da sua disponibilidade para gizar uma programa comum da esquerda, embora seja compreensível e normal que haja fogo radical contra outros partidos, como contra a política do PS.
Aliás, esse fogo começou em Espinho com o bombardeamento do Costa, repetido por toda a sargentada, erigindo o BE em inimigo principal.

Micaela disse...

Ha especialistas a disserem que as votações do dia 7 serão quase as mesmas que as das lejislativas de Outubro, porque havendo muitos factores para o sim e para o não, anulam-se uns aos outros.

Sérgio disse...

Mas pelas sondagens o PS só pode ganhar. A não ser que esta semana venha alguma desgraça.Não sei a favor de quem está a funcionar a hist+oria da roubalheira. Mas penso que ajuda a abstensão. As pessoas acham que ladroes são todos os políticos e não só. Ataca é o Cavaco: Mas isso vai ter efeito? O avanço do Ps é suficiente. Se perde-se era uma calamidade depois de 45% há 5 anos? Foi 45%, ou parecido.

Anónimo disse...

O Bloco é um problema do PS? Pelos vistos, é.