terça-feira, 8 de junho de 2010

É um escândalo, sobretudo a mentalidade ignorante ou perversa dos profesores. Só houve duas repúblicas em Portugal, a de 1910 a 1926 e a que se iniciou em 1974. A primeira com interrupções e limitações, a segunda também com limitações. Mas entre 1926 e 1974 não houve república. Como disse Cícero, onde há tirania não há república. E se alguma coisa expressou de forma clara o salazarismo, onde éramos presos ou seviciados por gritar VIVA A REPÚBLICA!, como sabemos, foi a Mocidade Portuguesa, tentativa totalitária e imitação da Hitleryugend! Como é possível uma parvoíce destas. Alertei, aquando da apresentação de um livro de fotos sobre presos políticos no Centro Nacional de Fotografia intitulado "Por teu livre pensamento", em Abril de 2007, à frente de governantes e do presidente da AR, para o branquemento da história que se estava a processar no ensino secundário. Mas nunca pensei que chegasse a esta vergonha subversiva e ferozmente anti-republicana. E o Governo e a DREC, existem para quê? Talvez gostem...PB
Crianças vestem-se com fardas da Mocidade para reviver 100 anos de República
07.06.2010 - 17:41 Lusa
Mais de 1200 crianças do agrupamento de escolas de Aveiro vão participar, quarta-feira, num projecto escolar destinado a reviver os últimos cem anos da história portuguesa, iniciativa já contestada pelo Bloco de Esquerda.
Imagem de uma lusita, elemento mais jovem da Mocidade Portuguesa Feminina (retirada da obra de Irene Pimentel) (DR)
A iniciativa prevê a participação de um grupo de crianças vestidas com roupas a simular as fardas da Mocidade Portuguesa, o que para o deputado bloquista Pedro Soares, consiste num “revisionismo inaceitável da História”.
O parlamentar sustenta que o projecto contou com “a oposição de alguns pais”, o que é desmentido pela organização.
“Apenas um pai manifestou que não gostaria de ver a sua filha vestida com aquela indumentária”, disse hoje a responsável pelo projecto, Joaquina Moura, durante a conferência de imprensa de apresentação do evento.
A docente, que garante que a polémica está completamente ultrapassada, assegurou que “nada neste projecto leva para ideias de fascismo”, adiantando que “as coisas são trabalhadas nas escolas com dignidade e muito sentido de responsabilidade”.
Joaquina Moura lamenta ainda que, até hoje, o deputado em causa não tenha falado com os responsáveis pelo projecto e considera que “a escola foi ofendida e até os pais dos outros alunos que colaboraram nesta iniciativa”.
O director do agrupamento de escolas de Aveiro, Carlos Magalhães, revelou que houve um pedido de informação por parte da Assembleia da República e que “não foi levantado nenhum problema”.
Adiantou que “o assunto está esclarecido”.
No passado mês de Maio, o deputado do Bloco de Esquerda Pedro Soares apresentou um requerimento na AR a questionar o Ministério da Educação sobre se tinha conhecimento desta iniciativa que, segundo sustentou, “obriga alunos menores de idade a serem atores num ato laudatório e acrítico de uma página negra da história de Portugal".
O evento, que vai decorrer quarta-feira em várias praças e ruas da cidade de Aveiro, está integrado nas comemorações do centenário da República em Portugal e envolve mais de 1200 crianças de quatro jardins-de-infância e cinco escolas do 1.º Ciclo do município.
“Vamos proporcionar não só aos alunos como à própria cidade de Aveiro um belo momento de revisão da nossa história recente”, disse o director, explicando que esta iniciativa “permitirá fazer um percurso da evolução da vida em Portugal desde a monarquia até à actualidade”.
O evento vai decorrer entre as 14h e as 17h horas, culminando com a actuação da banda da GNR, e com o Hino Nacional entoado por todas as crianças, bem como uma largada de pombos, no jardim do Rossio.
O trânsito estará cortado no próprio dia, durante alguns períodos, nas zonas da cidade que vão acolher esta iniciativa

5 comentários:

Pedro Aroso disse...

Esta notícia até parece uma mentira do 1 de Abril. Imaginem que a chanceler Angela Merkel se lembrava de reviver os últimos cem anos da história alemã, obrigando a criancinhas a vestirem a farda da juventude hitleriana...

GAVIÃO DOS MARES disse...

O deputado do BE Pedro Filipe Soares considerou hoje que a evocação da Mocidade Portuguesa numa cerimónia comemorativa do Centenário da República é «uma revisão inaceitável da História» e criticou o facto de a iniciativa envolver crianças.
Estes jacobinos, se pudessem, arrasavam todos os monumentos que lhes lembram o "facismo", do mesmo modo como fizeram nas fotos em que apareciam pessoas que lhes deixaram de ser gratas: apagando-as. In Blog Porta da Loja

GAVIÃO DOS MARES disse...

«Rui Ramos, que declara francamente ser um homem de direita e que, além disso, já publicou uma obra importante, é uma criatura que a ortodoxia reinante, académica e jornalística, não engole com facilidade. Paga hoje, e pagará sempre no futuro, pelo talento, pela inteligência e pela cultura que ele tem e outros não têm. Nada de espantar, neste pequeno Portugal. A ideia de fazer dele "simpatizante" póstumo do "salazarismo" (de resto, uma alegação inteiramente falsa) não passa de uma tentativa um pouco pueril de o diminuir e salvar o jacobinismo da esquerda de um imaginário "ataque". Convém começar por dizer que nenhum dos críticos que apareceram neste jornal é especialista da I República e que alguns nem sequer nunca foram historiadores. Pela simples razão de que a mais vaga familiaridade com a ditadura do Partido Democrático de Afonso Costa e de António Maria da Silva e com a guerra civil endémica que o "5 de Outubro" (e não o "28 de Maio" ou Salazar) inaugurou em Portugal lhes mostraria que a I República não precisa que a "diabolizem". Um "estado de coisas" (porque não se pode chamar ao que então existia um verdadeiro regime) em que se matavam cidadãos pelas ruas na maior e mais santa impunidade (incluindo um primeiro-ministro) e em que grupos terroristas muitas vezes mandavam de facto no Governo não se recomenda por si próprio ao mais faccioso campeão da igualdade e do "progresso". Quanto a Salazar, é bom não esquecer o caos de onde saiu e a espécie de Europa em que viveu. A questão puramente nominalista de arrumar ou não o Estado Novo na prateleira do "fascismo" (com que tantas cabeças se consumiram) não leva a nada. Como não leva a nada contabilizar as vítimas (bastava uma) ou fingir que se mede o grau de repressão (dura, branda, dura e depois branda, e por aí fora). O essencial é tratar o Estado Novo como resultado da situação externa e interna portuguesa e não como um epifenómeno do que sucedeu em Itália, na Alemanha e, mais tarde, em Espanha. E isso Rui Ramos conseguiu - com equilíbrio e penetração. Quem não gosta que escreva uma História de Portugal como ele escreveu. Se for capaz.» Vasco Pulido Valente, Público

José Manuel disse...

Apesar dos ventos revisionistas que sopram de alguns quadrantes académicos, ainda que (bastante) minoritários, nenhum historiador sério pode considerar o período do Estado Novo (vulgo, fascismo) como uma República, na verdadeira acepção do conceito, quer do ponto de vista político, quer filosófico. Até agora, Portugal teve duas Repúblicas. A I República, iniciada em 1910 e finda com o golpe de Estado militar de 1926, o qual, simultaneamente, suspendeu a Constituição Republicana de 1911. E a II República, iniciada no 25 de Abril de 1974, e sob a qual ainda vivemos (não obstante as atribulações por que tem passado e que se têm intensificado nos últimos anos). É fácil compreender porque é que o período do Estado Novo (EN) não pode ser considerado uma verdadeira República:
a) apesar de manter algumas das características FORMAIS da República, como o nome, o hino e a bandeira, o Estado Novo (vulgo, fascismo) espezinhava tudo o que era essencial num regime republicano, como as eleições livres (parlamento e PR, este até 1958), liberdade individual e de imprensa, direitos de cidadania, etc;
b) o próprio regime do Estado Novo (vulgo, fascismo), assim como Salazar, não respeitava nem defendia o património das tradições republicanas, iniciado com a experiência das Revoluções Americana e Francesa, particularmente desta última; pelo contrário, durante o período do Estado Novo (vulgo, fascismo) nem sequer se podia comemorar o 5 de Outubro, dia da implantação da República em Portugal, sendo as comemorações sistematicamente reprimidas pelas forças policiais do regime e da PIDE, algo impensável num regime verdadeiramente republicano;
c) é conhecido o episódio protagonizado por Salazar logo após a morte do Presidente Óscar Carmona em 1951, ao encarar a possibilidade de então restabelecer a monarquia (cedendo a dois dos sectores que o levaram ao poder, os monárquicos legitimistas e os integralistas), tendo apenas desistido da ideia quando conheceu pessoalmente o candidato ao lugar, o Duarte Nuno de Bragança, pai do actual pândego que continua a reclamar o cargo;
d) esta interpretação não constitui nenhuma originalidade portuguesa: em França, NUNCA foi reconhecida legitimidade republicana ao regime de Pétain (o regime de Vichy), passando-se da III República (1871-1940) para o Governo Provisório (1944-1947) e logo a seguir para a IV República (1947-1959). O período de 1940-1944 figura nos manuais de História e, em primeiro lugar, institucionalmente, como o período do “Estado Francês” (État Français, designação com que então aquele se auto-intitulava);
e) deste modo, creio que fica demonstrado que a ÚNICA designação correcta para classificar o período do Estado Novo (vulgo, fascismo) é de que constituiu um regime de excepção, apoiado numa ditadura constitucionalizada (até os mortos votaram – a favor, é claro – da Constituição de 1933) que utilizava uma forma republicana de Estado, mas que de modo algum representava uma verdadeira República. Considerar o período do Estado Novo (vulgo, fascismo) como uma República é legitimar um regime que se alicerçava na ilegitimidade.

Paulo MB disse...

Pura vergonha.