quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O Bolhão é nosso!

Uma centena de representantes deslocou-se hoje a Lisboa para entregar ao Presidente da Assembleia da República uma petição assinada por 50 000 pessoas, solicitando o impedimento de uma pretensa recuperação do Bolhão que signifique apenas a sua destruição e substituição por mais um dos mamarrachos que tem vindo a estragar a cidade do Porto e concelhos adjacentes, embora do que se conhece deste seja um mastodonte particularmente aterrador.

O Dr. Rio e o seu homem para o urbanismo, claro, que trataram de fazer coro com o consórcio holandês aquém entregaram o negócio da demolição do Bolhão, juram a pés juntos que nada do que se diz é verdade. Já sabemos que a única pessoa verdadeira e séria é o dr. Rio. No entanto, toda a gente conhece o projecto da negociata: um parque de estacionamento na cave, um grande supermercado no 1ª piso, centro comercial por cima, podendo talvez haver por lá encatrafiado um pequeno espaço para comércio tradicional a disfarçar, e depois a inovação maravilhosa de enfiar com várias pisos com habitação por cima. Tudo para que o negócio da falsa recuperação seja um bom negócio. Ou seja dê lucro ao dr. Rio e ao consórcio aquém entregou o projecto que lhe paga á cabeça um milhão de euros.

No entanto o Dr. Rio tem nas mãos, há muitos anos, um projecto já pago, de grande qualidade, que fazendo as obras necessárias de recuperação, consolidação e modernização do edifício, mantinha o essencial da sua estrutura arquitectónica, da sua tipicidade e funcionalidade. O problema é que não seria negociata. Favorecia apenas os comerciantes e os portuenses. Daí a atitude hostil do Dr. Rio, para quem tudo o que seja património da cidade e não esteja entregue à ganância dos privados, é uma grande chatice. Até porque precisa de dinheiro para as próximas corridas. Sabendo-se desde hoje que só a última edição da brincadeira com que costuma lembrar a infância de menino rico, custou-nos 1milhão e 600 mil euros.

O que o Dr. Rio diz, não convence ninguém. Não é por dizer que um mamarracho não é um mamarracho, um centro comercial não é um centro comercial, e que destruir o Bolhão não é destruir mas é recuperar, que convence os portuenses.

O Dr. Rio sabe que com papas e bolos se enganam os tolos. Mas nós também sabemos. E tanto o dr. Rio, como nós, sabemos que os portuenses não são tolos e não vão engolir nem as suas papas nem os seus bolos, envenenados com a obsessão de encher os bolsos à Câmara e a alguns privados. Se é que não há mais ninguém a comer no banquete…

Pedro Baptista

1 comentário:

Paulo disse...

Pois, pois. O que começa a ser evidente para todos os observadores de bom senso não merece uma palavra do actual presidente da nosa Federação. Se a teve, foi em voz tão baixa, que ninguém deu por ela.
É saudável perceber que no PS-Porto ainda há quem levante a voz e não deixe que sejam sempre "os outros" a questionar as "boas acções" da gestão da nossa Câmara.
Paulo Moz Barbosa