quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Norte bate recorde de taxa de desemprego
Como se vê, infelizmente, não somos nós que inventamos. Quem inventa, quem engana, quem mente sobre a realidade económica e social do Norte, é quem vem descrevê-lo como um paraíso rosa, como aconteceu no Copngresso Distrital do Porto por quem olha o Norte, instalado em Lisboa ou em Bruxelas, com os olhos dormentes e os bolsos pesados. Mas se a maioria acha que, ainda assim, é preciso dizer "tudo bem", enfim "tudo bem", enquanto não perceberem o que significa "tudo mal"! (PB)


(JN) 13.11.2008

A região Norte atingiu o máximo histórico de 186 mil desempregados, segundo um estudo divulgado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional. A falta de mão-de-obra qualificada continua a sentir-se e o salário médio mensal está 9,5 por cento abaixo da média nacional.
Os dados constam do estudo “Emprego e Desemprego na Região Norte” elaborado pelo Centro de Avaliação de Políticas e Estudos Regionais, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).
O elevado número de desempregados resulta, em parte, do ajustamento tecnológico e estrutural que a economia regional atravessa, conclui o estudo. Este máximo histórico verificou-se após seis anos de crescimento ininterrupto do desemprego. A situação agrava-se se atendermos a que 55 por cento dos desempregados eram de longa duração e, entre estes, a maioria estava sem emprego há mais de dois anos.
A CCDRN pretende com este estudo "impulsionar o debate regional sobre esta problemática".
Como resultado do maior agravamento registado entre as regiões portugueses desde 2001, no ano passado, a taxa de desemprego no Norte era de 9,4 por cento, contra 8 por cento a nível nacional. A taxa de emprego, que mede a população empregada dos 15 aos 64 anos em proporção do total de residentes do mesmo grupo etário, também caiu no ano passado, fixando-se em 66 por cento.
Nesta caracterização regional, o estudo salienta que a oferta de mão-de-obra, representada pela população activa, tem crescido "de forma ininterrupta" ao longo da última década, atingindo um valor médio anual de quase dois milhões de pessoas em 2007.
Numa análise da evolução das taxas de actividade específicas por género e grupo etário, o estudo refere a queda dos níveis de actividade económica no grupo etário dos 15 aos 24 anos, explicada, em ambos os géneros, pelo prolongamento da frequência escolar, mas também o aumento dos níveis de participação na força de trabalho da população feminina entre os 25 e os 64 anos.
Falta de mão-de-obra qualificada
A evolução da oferta de mão-de-obra regional caracteriza-se também, segundo este estudo, por níveis de instrução crescentes. No entanto, alerta que "a evidente melhoria no perfil da oferta de mão-de-obra por níveis de instrução não ilude o facto de persistirem grandes carências a este respeito".
Em concreto, no ano passado, mais de um terço (35,6) da mão-de-obra residente no Norte tinha o primeiro ciclo do ensino básico e quase três quintos (59,4) não tinha completado a escolaridade mínima obrigatória.
Ao mesmo tempo, a percentagem proporção de activos com habilitação ao nível do ensino superior, apesar de estar a aumentar, ainda era inferior a um oitavo do total (11,7).
Na parte final do relatório são apontados os principais desafios que se colocam ao mercado de trabalho da região nos próximos anos, destacando a "capacidade de acelerar a criação de emprego, com base em investimentos competitivos".
O relatório indica ainda que, nos últimos oito anos, o salário médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem da região Norte esteve entre 9 e 11 por cento abaixo da média nacional, sendo a diferença de 9,5 por cento em 2007.
Relativamente à situação na profissão, o relatório refere que se registou no ano passado um aumento da proporção de empregados por conta de outrem abrangidos por contratos com termo, que passaram a ser 11,7 por cento do total da população empregada.
A situação mais representativa continua a ser, no entanto, a dos trabalhadores por conta de outrem com contrato sem termo, que representavam 59,5 por cento do total da mão-de-obra empregada.
No total, os trabalhadores por conta de outrem representavam no ano passado 74,1 por cento do emprego total da região.

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