Segundo garante o sindicato, os pescadores portugueses estão a ser prejudicados face aos colegas espanhóis, franceses e de outros Estados-membros, cujos governos, autorizados pela Comissão Europeia, estão a atribuir os chamados «mínimos» de ajudas ao sector. Nesse sentido, o sindicalista exigiu: “Queremos do Governo português uma postura idêntica à de outros Estados-membros, ou seja, que aplique os mínimos e que dê outro tipo de ajudas para fazer face à subida de preços que tem vindo a afundar o sector”. Ainda que sem avançar que iniciativas poderão ser tomadas além da greve, António Macedo afirmou que, “uma vez parado, o sector terá que decidir que formas de luta a tomar”, disse. Reivindicou, por outro lado, que o Executivo português “se junte a outros Estados-membros, nomeadamente França e Espanha, para alterar as regras comunitárias” que impedem mais do que determinado nível de ajudas directas à produção. “A situação é grave. Os pescadores ganham hoje o mesmo, ou menos, do que há 10 anos”, garantiu, justificando que “na pesca nunca se sabe o que se vai pescar, o que torna impossível ao sector reflectir no produto final o custo dos aumentos dos combustíveis”.
Já o presidente da Federação dos Sindicatos do Sector da Pesca e Congéneres da Galiza que também participou na conferência de imprensa em Vila do Conde apelou “à greve” e disse mesmo que “se for preciso bloquear portos, bloqueamos”. Xavier Aboi rematou que “o objectivo é mostrar aos Governos de Madrid, Lisboa e Bruxelas que os pescadores têm direito a viver do trabalho, sem serem obrigados a emigrar ou optar por outra actividade, como tem acontecido”.
A paralisação dos armadores e pescadores insere-se num protesto a nível europeu, com a participação de italianos, franceses e espanhóis, e relaciona-se com os aumentos nos preços do combustível, afirmou a Associação dos Armadores das Pescas Industriais (ADAPI).Em comunicado a ADAPI, garantiu igualmente que a reunião de ontem de representantes do sector com o ministro Jaime Silva “não coloca em questão a paralisação” e que as associações representativas das pescas de todo o país confirmaram a decisão de imobilizar a frota portuguesa a partir das 00h00 de amanhã.
Entretanto, Jaime Silva já veio dizer que o preço do gasóleo para a pesca não vai baixar, acrescentando que a solução dos problemas do sector passa por medidas “estruturais, de ganhos de competitividade”, constantes de um documento a apresentar no Conselho de Ministros da UE, a realizar dia 21 no Luxemburgo. Entre as medidas citou uma verba de 324 milhões de euros para “reestruturar, ganhar produtividade e competitividade” no sector das pescas, e uma verba de nove milhões de euros que prevê “algumas paragens” de pesca e “alguns abates” de frota. “As preocupações dos pescadores fazem sentido, mas esta crise não é só dos pescadores é de todos os portugueses”, concluiu.
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